Celebramos hoje o Batismo do
Senhor, uma festa que encerra o tempo do Natal e nos ajuda a compreender quem é
Jesus e quem somos nós. Ao descer às águas do Jordão, Jesus não precisava de
conversão, mas quis se solidarizar com a humanidade, assumir plenamente a nossa
condição e inaugurar um caminho novo de vida, de missão e de esperança.
A primeira leitura, do
profeta Isaías, apresenta a figura do Servo do Senhor: “Eis o meu servo, eu o
sustento… coloquei sobre ele o meu espírito”. É um servo manso, que não
grita, não quebra a cana rachada, não apaga o pavio que ainda fumega. Esse
texto se cumpre plenamente em Jesus. No Batismo, o Pai confirma: Ele é o
Servo amado, escolhido para trazer justiça, luz às nações e libertação aos que
vivem nas trevas. O Batismo de Jesus revela, portanto, a sua identidade
e a sua missão: servir, curar, restaurar, levantar os que estão caídos.
No Evangelho, vemos Jesus
entrar no Jordão e, ao sair da água, os céus se abrem, o Espírito Santo desce
sobre Ele e a voz do Pai se faz ouvir: “Este é o meu Filho amado, em quem eu
pus todo o meu agrado”. Aqui está o coração desta festa: Jesus é o
Filho amado, cheio do Espírito, enviado para realizar o projeto
do Pai. Mas essa cena não diz respeito apenas a Jesus. Ela ilumina também o
nosso Batismo.
Na segunda leitura, dos
Atos dos Apóstolos, Pedro proclama que Deus “ungiu Jesus de Nazaré com o
Espírito Santo e com poder”, e que Ele passou fazendo o bem. Eis um
resumo belíssimo da missão de Jesus: passar pelo mundo fazendo o bem. E é
exatamente isso que o Batismo nos propõe como caminho.
No nosso Batismo, também nós fomos
mergulhados em Cristo, ungidos pelo Espírito Santo e chamados filhos e filhas
amados de Deus. O Batismo não é apenas um rito do passado, uma lembrança da
infância; é uma realidade viva, que gera frutos concretos na nossa
vida.
Lembram da data do seu batismo?
Quais são, então, os frutos do
Batismo?
a)
nova criatura, b) remissão dos pecados, c) incorporação na
igreja, d) vínculo sacramental da unidade dos cristãos e e) marca
espiritual indelével (CIC, Artigos: 1262-1274)
As implicações práticas do
Batismo para hoje são muito claras. Um batizado não pode ser indiferente à
dor do outro. Um batizado não pode compactuar com a injustiça, a exclusão, a
violência e a mentira. Um batizado é chamado a “passar fazendo o bem”, como
Jesus: com gestos simples, com palavras que curam, com atitudes que constroem
comunhão.
Ao celebrarmos hoje o Batismo do
Senhor, peçamos a graça de renovar o nosso próprio Batismo. Que possamos
ouvir, no fundo do coração, a mesma voz do Pai dizendo a cada um de nós: “Tu
és meu filho amado, minha filha amada”. E, fortalecidos por essa certeza,
deixemo-nos conduzir pelo Espírito para viver uma fé que gera frutos e
transforma o mundo.
Pontos Práticos do Batismo
Condição: Desejar
o batismo (Qualquer pessoa)
Idade:
Criança ou adulto (7+, catequese e depois batismo e eucaristia)
Preparação:
Curso para pais e padrinhos, ou batizando se já tiver a idade da razão.
Padrinho: Mínimo:
uma pessoa de 16+ ou mais, ou um casal católico (com batismo, eucaristia e crisma). Se a pessoa for batizada e não
católica, só pode ser testemunha do Batismo.
Adulto: É
batizado por desejo. Não pode se batizar apenas em vista de outro sacramento (Matrimônio).
O ideal é batizar o adulto na Vigília Pascal.
Obs.: Caso
a pessoa queira casar sem batizar, tem que falar com padre e pedir dispensa ao
bispo, configurando casamento com “disparidade de culto" ou “misto”. Sendo
válido, mas não sacramental, e os filhos devem ser criados na fé católica.
Celebração: Deve
ocorrer na igreja e no domingo, com a comunidade, fé e não em casa. Se em perigo
de morte, pode ser em qualquer lugar.
Fórmula:
(Nome do batizando), eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Modo: O
ideal é a imersão, senão água na cabeça, mas que seja muita, para dar ideia de
banho. Procurar fazer todos os passos possíveis do rito e logo registrar no livro
de batismo da Igreja.
Bastimos válidos:
Igrejas orientais, vétero-católica, protestantes tradicionais e principais
pentecostais brasileiras
Não válidos: Pentecostal
Unida do Brasil, Congregação Cristã, "Muitas Igrejas brasileiras", Mórmons, Testemunha
de Jeová, Ciência Cristã, Umbanda, etc.
O Batismo é elemento de
ecumenismo: unidade dos cristãos.
Caso especial: Qualquer pessoa, batizada ou não, pode batizar outra, sob condição, mas apenas em caso de perigo de morte iminente. Usando sempre a matéria (água) e a fórmula abaixo. Logo, o batizado deve ser levado ao padre para complemento se for o caso.
Batismo sob condição: Fórmula: "Se você já não foi batizado, eu te batizo..."
Que o exemplo de Jesus, o
Servo amado, nos inspire a viver nosso Batismo com compromisso, humildade e
amor. Amém.

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