sábado, 22 de fevereiro de 2020

Reflexão sobre a professão de fé de Pedro (Mc 8,27-33)






1. A pergunta:
O evangelho, acima referenciado, nos apresenta e nos dirige uma pergunta. Pergunta essa feita por Jesus:
“E vocês, quem dizem que eu sou?”
Mais que a Igreja, a religião, é a resposta a esta pergunta, o que nos faz cristãos. Ou seja, seguidores de Jesus Cristo!

2. A confissão de Pedro.
A essa pergunta, Pedro responde: “Tu és o Cristo.”
A resposta mostra que Pedro foi iluminado pelo Espírito Santo para poder responder com propriedade o que Jesus lhe perguntou. Significa que ele já tinha assumido o novo tempo trazido pelo Messias tão esperado pelo Povo de Israel.
Aquele povo buscava um salvador, um senhor, o tempo da graça... e nós o que estamos buscando hoje?
Muitos, como Pedro, deixaram-se iluminar pelo Espírito e assumiram Jesus como Senhor de suas vidas. Entraram no novo tempo, instaurado pela presença do Reino trazido por Jesus, seguiram-no, não com multidão, como massa, mas como discípulos e logo como missionários. Uma prática, portanto, que nos impele a fazermos também hoje.

3. A confissão de Jesus.
Jesus também tem algo a confessar a seus seguidores: ele seria perseguido e morto por aqueles que não se abriram à novidade do Reino, e também, lhes comunicou que ressuscitaria no terceiro dia.
Pedro e outros seguidores não compreenderam esse tipo de messianismo que Jesus lhes apresentava. Eles esperavam um reino a moldes mundano, o Reino apresentado por Jesus, porém era outro. Eles queriam o reino do poder, da glória, das pompas. E Jesus vem falar de humildade, mansidão, rebaixamento.
O modelo de senhorio de Jesus é aquele que serve, que partilha que une, não aquele que dita, junta todos os bens para si, causa divisão.
Jesus se mostrou não como “o messias – rei potente aos olhos do mundo”, mas como o Filho do Homem anunciado por Daniel 7,13-14, um Filho que se fez servo humilde. Que pela dinâmica de segredo messiânico de Marcos, só é revelado no final do evangelho, quando o soldado romano exclama: “realmente esse homem era o Filho de Deus” (Mc 15,39).

4. A nossa resposta:
Uma vez identificando esse novo Jesus Cristo (inclusive é bom esclarecer que Cristo não é o sobrenome de Jesus, mas um adjetivo que diz da missão de salvar, Cristo é grego e Messias, hebraico) não simplesmente o poderoso, o dos milagres, mas o que supera tudo isso por seu grande amor, a ponto de dá a sua vida em nosso resgate.
Essa passagem fica no centro do evangelho de Marcos. Aqui é a hora da verdade, quando os seguidores de Jesus sabem que segui-lo não é só flores, também há espinhos. Não é só gloria, também há cruz!

5. Tiago 1,19-27 nos fala da “Acepção de Pessoas”
Tiago nos mostra que se somos discípulos de Jesus não podemos fazer acepção de pessoas! Alertando-nos que muitas vezes somos condescendentes para com os ricos e severos para com os pobres. Isso é triste para qualquer cristão, ainda mais para um filho de São Vicente.
A Igreja é sabia quando defende a opção preferencial pelos pobres. O mundo sempre os rejeitou e hoje com o advento do capitalismo, o crescimento das políticas de direita e a disseminação de práticas aporofóbicas os pobres ficam ainda mais em desvantagem.
Mas o que consola o nosso coração é que Deus não se esquece dos pobres, e “escolhe os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino” (Tg 2,5), prometido a todos aqueles que O amam!
O Salmo 14 também nos alerta que “o infeliz, o pobre grita, e Deus escuta”. O coração de Deus se contorce de misericórdia à oração de um pecador arrependido, daquele que se faz pequeno, humilde e simples.
São Vicente de Paulo nos lembra que “Deus ama os pobres, e também ama aqueles que os amam”. Logo o amor a Deus e ao próximo como a nós mesmo é caminho seguro para realizar o bem!
A nossa missão, inclusive, segundo São Vicente de Paulo, é a missão de Jesus, é fazer que o Deus dos pobres seja amado. Cantemos:

“Fazei que o Deus dos pobres seja amado.
Com zelo anuncia-lhes Jesus Cristo.
Dizer-lhes que o Reino Já chegou
Oh como é sublime tudo isso. (2x)
É missão de Jesus Cristo
A missão que Deus nos deu
É por nós que Deus faz hoje
O que fez o filho seu!”

6. Conclusão
Só recapitulando, meus irmãos: Seguir a Jesus, implica pegarmos, cada um, a nossa cruz e segui-lo. A resposta ao chamado é pessoal e não pode se limitar ao campo da oralidade. Esse seguimento precisa ser testemunhado na vida. Ser hoje, aqui e agora discípulo e missionário de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Ir aos pobres, fazer com que os pobres conhecerem a Deus, anunciando-lhes Jesus Cristo, dizer-lhes que o Reino dos Céus já chegou, e que este reino é para eles. Oh, como isso é grande! Arrematava São Vicente de Paulo.
Que o Senhor nos conceda essa graça! Amém.