Queridos irmãos e irmãs,
neste 5º Domingo da Páscoa, a Palavra de Deus nos
conduz a um caminho profundamente consolador, mas também exigente. No Evangelho
(Jo 14,1-12), Jesus Cristo nos diz: “Não se perturbe o vosso coração”.
Ele conhece nossas inquietações, nossos medos, nossas inseguranças — e responde
não com teorias, mas com a sua própria pessoa: “Eu sou o Caminho, a Verdade
e a Vida”.
Não é apenas um ensinamento; é um convite. Jesus
não mostra um caminho… Ele é o Caminho.
1. Um coração que confia em meio às
dificuldades
A primeira leitura (At 6,1-7) mostra que, desde o
início, a Igreja enfrentava conflitos e desafios. Havia divisões, reclamações,
tensões. E o que fazem os apóstolos? Não entram em desespero. Eles organizam,
discernem e, sobretudo, mantêm o essencial: a oração e o serviço da Palavra.
Isso nos ensina algo muito concreto:
a fé não elimina os problemas, mas nos dá um modo diferente de enfrentá-los.
Quantas vezes também nós ficamos perturbados diante
das dificuldades familiares, financeiras, pastorais… E esquecemos de escutar a
voz de Cristo: “Não se perturbe o vosso coração”. Não é um convite à
passividade, mas à confiança ativa.
2. Pedras vivas de uma Igreja viva
Na segunda leitura (1Pd 2,4-9), somos chamados de
“pedras vivas”. Isso é forte! A Igreja não é feita de estruturas, mas de
pessoas que vivem unidas a Cristo.
Cada um de nós tem um lugar na construção do Reino.
Ninguém é inútil. Ninguém é descartável.
Mas há uma condição: estar unido à “pedra angular”,
que é Cristo. Quando nos afastamos d’Ele, perdemos o sentido, ficamos
desencaixados, sem direção.
3. O caminho vicentino: deixar Deus agir em
nós
Aqui entra com força o pensamento de São Vicente de
Paulo:
“É preciso sair de si mesmo para entrar em Deus…
pedir-lhe que fale em nós e por nós.”
Esse pensamento é profundamente evangélico. Jesus
mesmo diz: “As palavras que vos digo não são minhas, mas do Pai”.
Ou seja: o verdadeiro discípulo não vive centrado
em si mesmo, mas em Deus.
Quantas vezes fazemos o contrário:
- queremos resolver tudo sozinhos
- confiamos apenas na nossa inteligência
- agimos por impulso ou vaidade
- E aí… estragamos a obra de Deus.
São Vicente nos lembra: se deixarmos Deus agir, Ele
fará a obra — e bem feita.
4. Aplicações práticas para a vida
A Palavra de hoje não pode ficar só na reflexão.
Ela pede decisões concretas:
1. Cultivar a confiança em Deus
Diante das preocupações, rezar mais do que reclamar. Antes de agir, colocar
tudo nas mãos de Deus.
2. Buscar a vontade de Deus antes de decidir
Perguntar sempre: “Senhor, o que queres de mim?” — seja na família, no
trabalho ou na missão.
3. Viver como “pedra viva” na comunidade
Assumir responsabilidades, servir com generosidade, não ser apenas espectador
na Igreja.
4. Sair de si mesmo
Praticar a caridade concreta, especialmente com os mais pobres — coração do
carisma vicentino.
5. Deixar Deus falar através de nós
Cuidar das palavras: evangelizar, consolar, orientar… e evitar críticas
destrutivas, fofocas e divisões.
5. Conclusão: um caminho que é pessoa
Jesus não nos deixou um mapa, mas uma presença. Ele
é o Caminho.
Segui-Lo significa:
- confiar mesmo sem entender tudo
- servir mesmo quando custa
- amar mesmo quando não somos correspondidos
- E, acima de tudo, deixar que Deus viva e aja em
nós.
Que hoje possamos pedir a graça de um coração menos
perturbado e mais confiante. Um coração que não quer brilhar por si mesmo, mas
que permite que Deus brilhe através dele.
Amém.

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