terça-feira, 30 de maio de 2023

Missão do Japão 08/06/2023: Quinta - Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Jo 6,51-58) Homilia



Para nosso alimento espiritual, Jesus nos deu Seu Corpo e Sangue. O pão e o vinho que se tornam o Seu verdadeiro Corpo e Sangue, cada vez que celebramos a Missa, é a maneira de Jesus aprofundar mais a vida de cada um, e dar a esta vida um significado muito mais consistente. Quando recebemos o Corpo de Cristo, o pão consagrado, recebemos verdadeiramente Jesus. E porque O recebemos verdadeiramente, não se espera de nós outra coisa senão a imagem de Cristo, a imagem do AMOR.

Portanto, devemos ser transformados em Seu significado e essência – para sermos amorosos, perdoadores e sacrificados. Jesus espera que, ao nos reunirmos para recebê-lo, cada um de nós seja afetado por sua bondade e amor. Ele espera que, porque O tornamos parte de nossos próprios corpos, nós, em troca, ajudemos a formar e nutrir a Igreja, o Corpo de Cristo no mundo, ao qual pertencemos. Portanto, espera-se que ao sermos nutridos espiritualmente pelo Corpo de Jesus, ajudemos a fortalecer a Igreja como um todo. Fazendo-a amorosa e fiel, como o próprio Cristo.

Na celebração da Missa, muitos de nós recebemos durante a comunhão o Corpo de Cristo. Isto é muito bom. Mas isso tem algum efeito em nossa vida cotidiana? Nos tornamos pessoas melhores? Boas palavras e pensamentos saem de nós? Nós nos tornamos como Jesus preocupados com as necessidades e situações dos outros, especialmente dos pobres ao nosso redor? Temos desenvolvido uma ligação mais profunda com Deus, que não se cansa de nos fazer experimentar o Amor que Ele tem por nós? Amém.

Missão do Japão 04/06/2023: Domingo - Solenidade da Santíssima Trindade (Jo 3,16-18) Homilia



A Festa da Trindade nos lembra que ser batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo não significa apenas que acabamos de nos tornar membros de uma comunidade cristã. Isso também significa que, como membro batizado desta comunidade, temos a responsabilidade de ajudar a preservar sua dignidade e valor. Temos o dever de garantir que esta Igreja, o povo de Deus, permaneça fiel à sua identidade: uma comunidade eclesial amorosa. E só podemos fazer isso quando permitimos constantemente que a Santíssima Trindade governe cada palavra e cada ação nossa. E claro, quando moldamos nossas vidas de acordo com os exemplos e qualidades desta Comunidade de Amor, a Santíssima Trindade. Esta festa nos lembra e também nos desafia a ser agentes de harmonia e unidade. Em virtude dos nomes que nos são atribuídos, o nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, devemos ser um reflexo do verdadeiro e genuíno Amor. 

Amém

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Missão do Japão 28/05/2023: Domingo de Pentecostes - Solenidade (Jo 20.19-23) Homilia



Esta festa de Pentecostes além de nos lembrar da presença e da marca do Espírito Santo, na verdade nos desafia hoje a redescobrir nosso poder interior, nossa capacidade interior e nossas habilidades e potencialidades para fazer o bem e ser bom.

A festa é ao mesmo tempo uma chamada ao verdadeiro serviço. Um desafio para traduzir nossa fé e compromisso em ações concretas... é um convite para que façamos nossa parte na propagação do Reino de Deus na terra, com toda a coragem, vigor, determinação e acima de tudo, AMOR. Tudo vindo da inspiração do Santo Espírito.

Talvez seja difícil, mas não impossível. Porque em nós está a marca de um discípulo cristão.

Enquanto continuamos a nossa celebração, rezemos ao Pai e peçamos-Lhe que nos ajude a todos, para que este Espírito que Ele nos deu, através do Seu Filho, esteja sempre vivo e ativo em nossa vida quotidiana. Para que sejamos sempre verdadeiros e fiéis à nossa identidade de cristãos, marcados pelo Espírito Santo.

Amém

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Missão do Japão 21/05/2023: Ascensão do Senhor | Domingo (Mt 28,16-20) Homilia



A Ascensão do Senhor é uma festa no calendário da nossa Igreja que nos lembra o fim da missão terrena de Jesus e Seu retorno ao Pai. Além disso, esta festa também nos lembra uma importante missão que Jesus deixou aos seus discípulos, inclusive para nós: que devemos ser Suas testemunhas em todo o mundo.

Em vez de ficarmos triste, a Ascensão do Senhor é de alegria e de orgulho, no bom sentido da palavra. Pois este momento criou um novo começo para a vida de cada discípulo. Nós, como seguidores de Jesus, não somos mais apenas ouvintes de Sua Palavra e Ensinamentos. Jesus nos confiou a missão de tornar o Amor de Deus Pai conhecido aos outros. O evento da Ascensão tornou cada um de nós um missionário. Enviados para compartilhar a Boa Nova de Jesus, Seu Amor e Misericórdia para com todos, especialmente os pobres e abandonados.

E, claro, também é bom lembrar que a Ascensão levaria a um segundo fato: a vinda do Consolador prometido, o Espírito Santo. Nossa ajuda e guia nesta jornada. O Espírito Santo, que veio a nós depois da Ascenção de Jesus para junto do Pai, nos assegurará nossa força, zelo e fidelidade no cumprimento de nossas missões.

A Ascensão é, de fato, um presente de Deus para nós, Seus filhos. Afinal, a partida de Jesus não foi um fato triste. A Ascensão de Jesus ao Céu é certamente uma bênção que cabe a nós acolher e vivenciá-la.

Amém.

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Missão do Japão 14/05/2023: 6º Domingo da Páscoa (Jo 14,15-21) Homilia



Pe. Munachi Ezeogu, um homiliasta popular, diz que a palavra em inglês que usamos hoje que mais se aproxima do significado de Paráclito é a palavra “treinador...” Portanto, o Espírito Santo, o Paráclito, prometido por Jesus, é nosso treinador divino.

Como nosso treinador, o Paráclito está sempre ao nosso lado, dando-nos instruções e corrigindo-nos quando erramos no caminho. Como nosso treinador, o Paráclito nos encoraja e motiva, quando de algum modo nos sentimos para baixo e frustrados. Desafiando-nos e inspirando-nos a ser o melhor que pudermos. O Paráclito defenderá e lutará por nossos direitos quando as coisas parecerem injustas para nós. Assim como Jesus para os apóstolos e os primeiros discípulos, o Espírito Santo, o Paráclito é nosso companheiro nas diversas experiências que temos nesta vida: lutas, alegrias, riscos, esperanças, etc.

Sozinhos, podemos facilmente ceder às tentações ao nosso redor. Sem a inspiração do Espírito Santo, talvez não sejamos encorajados a fazer a coisa certa e a ser bons. Jesus prometeu o Paráclito, para termos Alguém que nos sustente e nos faça bem na maneira como vivemos nossa vida cristã, ou seja, indo contra a tendência comum neste mundo. Nosso Senhor sabe que precisamos do Paráclito, que está sempre ao nosso lado. E sempre nos lembraria, também, do Amor prometido por Jesus.

Que todos sejamos sensíveis aos sussurros do Espírito Santo, para que vivamos uma vida digna do Reino eterno.

Amém.

terça-feira, 9 de maio de 2023

LUÍSA DE MARILLAC: FUNDADORA DAS FILHAS DA CARIDADE

 


por Cleber Teodósio

 

Poderíamos organizar a vida de Santa Luísa de Marillac em cinco pontos, a saber: primeiro, sua infância, adolescência e juventude (1591-1613), seguido da crise de identidade e vida conjugal (1613-1625). Como terceira parte teríamos os acontecimentos que ocorrem como consequência do evento da Luz de Pentecostes (1633-1642), a seguir, a grande realização, quando surgiram os primeiros frutos da fundação da Companhia das Filhas da Caridade (1642-1655), e finalmente a velhice vivida na liberdade do amor (1655-1660). Abaixo destacamos cinco parágrafos com informações relevantes sobre a biografia daquela que viria a ser conhecida como a padroeira de todas as obras sociais.

Luísa de Marillac nasceu em 12/08/1591 em Meux perto de Paris. Filha ilegítima de Luís de Marillac e mãe desconhecida, embora Luísa gostasse de ser chamada de "Filha Natural". Ela não era herdeira legal, mas sua irmã Inocencia, filha de seu pai com uma segunda esposa: Antonieta Camus. Mas investigações como a de Calvet (1960) afirmam que Luís de Marillac era impotente e mutilado, portanto não poderia ser pai de ninguém. O próprio Luís disse em uma carta que sua esposa Antonieta teve relações com outros homens e que a inocência não era filha dele. Anselme (1674) lista René como o pai de Luísa, mas este René tinha apenas 05 anos quando Luísa nasceu. Seria outro homem com esse nome? Luís morreu em julho de 1604, mas o que não se explica é que ele, amando tanto Luísa, deixasse sua herança para Inocencia, uma filha que sua esposa teve em adultério. Hoje não se sabe ao certo quem são os pais de Luísa de Marillac, apenas que, mesmo ele não fosse o seu pai, ele assumiu Luísa como sua filha e a apoiou no que pôde.

Filha de mãe desconhecida, ainda muito infantil, Luísa passa a viver num convento onde leu os clássicos e aprendeu muitas coisas. Com a morte do pai, ela foi para outro lugar, mais simples, onde aprendeu a fazer as atividades domésticas. Luísa amou a regra de São Francisco, e prometeu a Deus que seria freira franciscana, para isso precisava de um dote, que seu tio, tutor Michel de Marillac, não quis pagar, e a levou para morar com eles em sua casa já que tinha a missão de conseguir um casamento para ela, escolhendo para tal Antonio Le Gras, Secretário da Rainha. Eles cresceram em amor e fé, mesmo sendo um casamento de conveniência. Ela, como Marillac, aceita o marido, mas permanece insegura com a promessa que fez de ser inteiramente de Deus na vida religiosa. Na cabeça dela, tudo de ruim que acontecia em sua vida, imaginava que era uma punição por ser uma pessoa má, por ser desobediente. Sua noite escura, porém, termina com a Luz de Pentecostes (1623). A boa esposa é fruto de tudo que aprendeu com uma boa senhora com quem conviveu na juventude. Luísa era excessivamente protetora com seu único filho Miguel, como ela não teve amor de mãe, queria que seu filho não sofresse tudo o que ela sofreu, ela queria que ele fosse padre, mas ele não o quis. Vicente convence-o de que tudo bem se o filho não fosse padre, Luísa vai vê-lo casar e ter uma filha. A neta Renata é um consolo para a nova avó.

Sua vivência humana leva Luísa de Marillac a ter um bom relacionamento com as pessoas. Ela se enche de interioridade e espiritualidade para fazer seu trabalho, ela também entende o trabalho como algo que precisa ser delegado e retribuído. O primeiro contato entre Luísa e Vicente não deixa boa impressão para ambas as partes, mas depois essa impressão muda, Luísa vai visitar as confrarias e Vicente gosta tanto do trabalho dela que quer que Luísa visite todas as irmandades de caridade. Luísa tem demonstrou uma grande capacidade de trabalho, era incansável nas visitas às instituições de caridade, sabia fazer bem o trabalho. Não foi apenas uma visita de cortesia, mas identificou as dificuldades e sugeriu soluções para elas. Ela era legal e humana na maneira como tratava as pessoas. O trabalho conjunto com Vicente cresceu, mesmo sem usar nomes como geminação e colaboração, feito com cuidado, encontrando sempre alguém para os ajudar nos seus projetos e garantindo que cada projeto cumpre a sua missão dentro dos regulamentos da instituição.

Luísa de Marillac e Vicente de Paulo complementam-se na fundação da Companhia. Ambas as pessoas contribuem com alguma coisa. A parte carismática corresponde mais a Luísa, que era mais espiritual e sempre quis acelerar os passos da Companhia; A parte institucional, por sua vez, recebe mais de Vicente, que foi mais prático e travou algumas tentativas de Luísa para que as diligências fossem feitas em determinado tempo. A semente para a fundação da empresa, criada oficialmente em 1633, tem sido o trabalho com as irmandades e o provimento de boas moças do campo como Marguerite Naseau que se doou a serviço dos pobres. Vicente tinha a experiência de já ter fundado uma congregação e sabia que algo correu mal iria correr mal. Luísa coloca mais coração nessa fundação. Vale lembrar que as conferências de São Vicente às Filhas da Caridade são pequenas contribuições do santo. Luísa propôs o tema, ele apresentou e as irmãs contribuíram com suas concepções sobre o assunto, no final Vicente apenas sintetizou o que foi compartilhado pelas irmãs. Luísa insistiu que as irmãs fossem formadas para serem filhas da caridade.

Depois da sua grande colaboração com a Igreja, fundando a Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Luísa parte para o encontro definitivo com o Pai. O amor de Santa Luísa de Marillac dirige-se a quatro frentes: família, empresa, pobres e Vicente de Paulo. Tanto a Luísa como o Vicente viveram muito para as pessoas do seu tempo, grande parte das suas vidas passaram por doenças, um cuidou do outro, sempre. Ambos foram muito ativos até os últimos dias de suas vidas. À beira da morte, Luísa pediu que seu funeral fosse simples, que ela não gastasse mais do que com qualquer outra irmã. Luísa faleceu em 15 de março de 1660, aos 68 anos de idade e canonizada em 11/03/1934 em Roma pelo Papa Pio XI, cuja festa litúrgica é 9 de maio.



sexta-feira, 5 de maio de 2023

Missão do Japão 07/05/2023: 5º Domingo da Páscoa (Jo 14,1-12) Homilia



Se houver confiança genuína em Deus, não deve haver espaço para preocupação. Os problemas estão presentes para testar nossa fé. Se nós, portanto, temos verdadeiramente fé em Jesus, não há por que ter medo. A presença de Jesus em nossas vidas é uma garantia confiável de que Deus está no controle. E em meio aos problemas e dificuldades, não seremos abandonados. Como diz Jesus: “Não vos abandonarei como órfãos”.

Não se preocupe. Confie. Acredite e certamente a vitória será nossa!

Através da leitura do evangelho de hoje, vemos que Nosso Senhor Jesus quer que todos nós estejamos sempre firmes na fé, e que Deus entende nossas condições e situações. Ele sabe do que precisamos. Ele sabe o que é melhor para nós. Logo, o evangelho é um lembrete de que não há necessidade de se preocupar, não há necessidade de ficar ansioso, não há necessidade de ter medo. O que é necessário é nossa fé na providência amorosa de Deus para nós, que somos o novo povo de Deus.

Jesus quer que todos nós lembremos que a vida cristã deve ser um ato de fé em Deus que é o autor da vida, o Criador. Portanto, a confiança no amor e no cuidado inesgotável de Deus deve estar sempre presente em nosso encontro diário com a vida. Porque, quando há confiança n’Ele, a vida fica mais leve, trazendo-nos mais bênçãos. Permitindo-nos enxergar melhor, a beleza da vida. Isso nos traz mais iluminação.

Amém