Com alegria, vamos deixar a Palavra iluminar este 5º
Domingo do Tempo Comum, tão concreto, tão pé no chão, tão desafiador para a
vida de hoje.
“Vós sois o sal da terra… vós sois a luz do
mundo” (Mt 5,13-16)
As leituras deste domingo formam um verdadeiro itinerário
do testemunho cristão.
O profeta Isaías é direto e quase desconcertante:
não adianta uma fé feita só de ritos e palavras bonitas. O jejum que agrada a
Deus é partilhar o pão com quem tem fome, acolher o pobre, vestir o nu, não
virar o rosto ao irmão. E então vem a promessa: “tua luz surgirá como a
aurora” (Is 58,8).
A luz nasce quando a fé se
transforma em gesto.
São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, reforça
essa lógica. Ele diz que não anunciou o Evangelho com discursos sofisticados,
mas com simplicidade, fraqueza e confiança no poder de Deus. A fé não se
sustenta na eloquência humana, mas na coerência de vida. Em outras
palavras: o Evangelho convence mais pelo que se vive do que pelo que se fala.
E Jesus, no Evangelho, sela tudo isso com imagens
fortíssimas: sal e luz.
O sal não faz barulho, mas dá sabor. A luz não chama atenção para si, mas
permite que os outros vejam melhor. Jesus não diz: “vocês deveriam ser”,
mas “vocês são”. É identidade, é missão.
Um eco vicentino para os nossos dias
São Vicente de Paulo, com sua lucidez pastoral,
aprofunda exatamente essa intuição do Evangelho. Ao aconselhar o jovem padre
Antônio Durand, ele escreve:
“Cumpre que sejais como o sal, vós sois o
sal da terra, impedindo que a corrupção se propague sobre o rebanho do qual
sereis o pastor.”
(SV BR XI, 357)
E mais: Vicente compara o testemunho do líder
cristão ao sol, que ilumina e aquece não porque se impõe, mas porque
está cheio de luz, de graça e de boas obras.
Isso vale para padres, religiosos, lideranças… mas
vale também para pais e mães, jovens, profissionais, agentes de pastoral,
cristãos comuns no meio do mundo. Onde há descuido, frieza, injustiça,
indiferença, o discípulo de Jesus é chamado a ser presença que purifica,
ilumina e reconcilia.
Aplicando à nossa vida hoje
Ser sal e luz hoje não significa fazer coisas
extraordinárias, mas viver o ordinário com amor e responsabilidade:
Ser sal na família, quando escolho o diálogo em vez
da agressividade.
Ser luz no trabalho, quando ajo com honestidade
mesmo quando ninguém está olhando.
Ser sal na comunidade, quando não deixo que
fofocas, divisões ou desânimo contaminem as relações.
Ser luz na sociedade, quando me coloco ao lado dos
mais frágeis e não me acostumo com a injustiça.
Como dizia São Vicente, é preciso estar cheio
para poder transbordar. Ninguém ilumina se vive na escuridão; ninguém
conserva se perdeu o sabor do Evangelho.
Compromisso para a semana
À luz da Palavra e do carisma vicentino, façamos
nossos estes compromissos:
🙏🏼 Perguntar-nos com sinceridade:
De que maneira posso ser sal e luz para os outros
na minha família, na minha comunidade, no meu trabalho?
Que atitudes concretas o Senhor me pede hoje?
Assumir um gesto concreto:
“Estar presente” onde for necessário sal e
luz: nas relações humanas que estão prestes a se corromper, nos ambientes
marcados pelo conflito, na vida de alguém que precisa de escuta, cuidado e
esperança.
Que o Senhor nos conceda a graça de não esconder a
luz que Ele acendeu em nós e de nunca perder o sabor do Evangelho.
Assim, nossas obras falarão de Deus — e Ele será glorificado.

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