Minhas férias missionárias, no Anno Domini Nostri Iesu
Christi de 2026 aconteceram entre Japão e Austrália. A primeira quinzena de
junho do corrente foi marcada por muitos encontros, fraternidade e partilha.
Desde já, meus sinceros agradecimentos às lideranças e às comunidades católicas
brasileiras nipônica e da ilha-continente.
1. Contexto e início da viagem
Há mais de cinco anos que venho realizando algum tipo de
trabalho junto a católicos brasileiros que vivem no Japão, mas especialmente os
fiéis na Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus de Iwata. Depois da visita
que realizei in loco, em janeiro de 2024, a relação se consolidou, quando
passei a acompanhar de perto e virtualmente, o grupo dos Portadores da
Misericórdia, que rezava nas famílias com uma capelinha de Jesus
Misericordioso. Naquele então, apresentei-lhe a devoção a Nossa Senhora das
Graças da Medalha Milagrosa, o que confirmou o desejo que a coordenação tinha
de introduzir Maria à capelinha. Depois de rezar e refletir à vontade de Deus
sobre o apostolado do grupo, conseguimos, em 2026, tornar real a capelinha
atual, quando, retornei ao Japão portando 15 capelinhas com Jesus e Maria.
A viagem foi tranquila, apesar de longa: Belo Horizonte à
Ubatuba de van, onde estive com os coirmãos jovens em nosso passeio
comunitário. Dali fui à São Paulo em ônibus, hospedando-me na Paróquia São
Vicente de Paulo, no Moinho Velho, com os coirmãos da Provincia de Curitiba da
congregação da Missão, Pe. João Portes, CM e Pe. Eusébio Spisla, CM; onde também tive a
alegria de celebrar a eucaristia, cuja liturgia estava a cargo da Pastoral
Familiar. Na madrugada do dia 1º de junho, peguei avião para 14h20 de voo rumo
a nossa primeira parada: Qatar. Chegamos ali na noite do mesmo dia. Nas mais de
seis horas de conexão, fiz amizade com um grupo de brasileiros, especialistas
em assistências técnicas de eletrônicos, que iam ao Vale do Silício chinês, e
aproveitamos para explorar os quatro cantos do impressionante Aeroporto
Internacional de Hamad, visitando o jardim tropical interno chamado The
Orchard, as diversas esculturas gigantes de arte espalhadas, sendo a mais
famosa o icônico "Urso de Pelúcia" (Lamp Bear), passeio no trem
interno que conecta os terminais que são verdadeiros shoppings centers de luxo,
com lojas de grifes, restaurantes e salas vips.
2. Missão do Japão
Já era madrugada do dia dois e outra vez estava na Qatar
Airlines, rumo à Tóquio. O avião subiu e a tensão também, pois tivemos que
sobrevoar o famigerado Estreito de Ormuz, que permanecia fechado, devido ao
recente conflito bélico envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Com pouco mais
de 10 horas de voo, aterrizamos, na noite do dia dois, em Narita; aeroporto em
Chiba, Japão, que serve a Área da Grande Tóquio, onde fui recebido pelo casal
Takami e Raquel.
O abraço brasileiro em terras nipônicas trouxe a sensação de
está em casa, o que não durou muito tempo, uma vez que fui informado que nos
dirigiríamos ao encontro do Tufão Jangmi, que obrigou as autoridades japonesas
emitirem alerta máximo para as ilhas de Okinawa e Amami, com possibilidade, de
interrupções no transporte público em Tóquio e regiões próximas, e alertas de
emergência para inundações em diversos rios, incluindo o nível máximo de alerta
para o rio Kozagawa, na província de Wakayama, indicando risco extremo de enchentes.
Uff! Foram mais quatro horas de viagem, em carro, até Iwata cidade da província
de Shizuoka, com chuva fininha e vento fresco. Chegamos em casa depois da meia
noite. Foi só se acomodar, a chuva engrossou e a ventania bateu. Assim ficamos
até 11h do dia seguinte.
2.1 Visitas e bênçãos nas famílias
O dia três, foi um tempo de recuperação da viagem e adaptação
ao novo fuso horário. Descanso pela manhã, e almoço com o jovem Henrique, que
me levou a saborear a genuína comida oriental em um restaurante chinês. Logo
tive uma tarde de estudos e à noite fizemos, Genilde, seu filho Samuel e eu, a
primeira visita na residência dos zeladores da capelinha, Everton, Leila, Sophia
e Laila, onde rezamos, jantamos e convivemos.
Na quinta-feira, dia 04, fui com Pe. Roed, CM, nosso coirmão
filipino e anfitrião, pároco local, à sede diocesana de Yokohama, cidade da
região metropolitana de Tóquio. Ali fomos recebidos pelo Chanceler, Pe.
Shintaro Taniwaki, pois o ordinário local, Dom Rafael Masahiro Umemura estava
numa reunião do arcebispado. Ainda em Yokohama visitamos o observatório da
Harbor View Park e almoçamos no bairro chinês passamos pelo Cosmo Word, lugar
repletos de arranha céus e uma roda gigante de mais de 100 metros de altura. À
noite a visita foi na cada dos zeladores Valdenei Endo e Gildete.
No dia 05, pela manhã, visitamos os zeladores Roberto e Yumi,
que nos receberam em sua residência, onde também funciona a livraria Bom Pastor
e o buffet Trindade em Hamamatsu. Às 20h, na companhia do Takami, dirigi-me à
igreja de Saginomiya, onde atendi confissões e presidi a missa da Primeira
Sexta-feira do mês, em honra ao Sagrado Coração de Jesus.
2.2 Solenidade do Corpo de Deus e formação sobre as
capelinhas
O sábado dia 06 foi repleto de atividades, a começar pelo Rosário
e Missa com café da manhã com o Grupo do Terço, às 8h. Logo seguimos rumo a Toyokawa-Shi,
onde às 11h30, visitamos a residência dos zeladores Naichelli e Jones, onde
almoçamos, e logo, 14h, tivemos visita e chá da tarde na casa dos zeladores
Wilson Hideo e Cristiane. Diferente do Brasil, Japão celebra o Corpus Christi
no domingo depois da quinta-feira que marca 60 dias após o Domingo de Páscoa.
Assim que, na véspera, às 18h atendi confissões e às 19h, tive a alegria de
presidir, em português, a solenidade na Paróquia de São Francisco de Assis emHamamatsu. A igreja ficou repleta de brasileiros, muitas pessoas amáveis que
tive o prazer de rever e outras de conhecer. Depois da missa, insistimos em
fazer a caminhada com o santíssimo pelo jardim da igreja e colégio dos
salesianos que servem no local. Não podíamos cantar ou fazer barulho para não
“perturbar” os vizinhos, de modo que a procissão foi realizada num silêncio
oracional, as crianças fizeram um bonito tapete para Jesus Sacramentado e
pudemos finalizar a celebração com a benção de envio a partir de um lugar
elevado próximo a casa paroquial.
Dia 07, domingo, estive pela manhã na casa paroquial de Iwata,
logo visitei a casa da Genilde e Edson, onde almocei. Às 13h retornamos à
igreja de Santa Terezinha para uma tarde de formação com os zeladores, sobre o
apostolado com a nova Capelinha da Misericórdia e a Associação da Medalha
Milagrosa. A formação foi transmitida pelo canal de youtuber do Jones.
Foi um momento de partilha, testemunho, formação, oração e envio missionário.
Às 17h atendi confissões e às 18h, tivemos a Missa de Corpus Christi em Iwata.
Outra vez, igreja cheia, com alguns fieis no salão paroquial de onde se podia
acompanhar a celebração pelas TVs do circuito interno da paróquia. Ali também
não haveria procissão com o Santíssimo, mas quisemos levá-Lo até o salão, para
encontrar com as pessoas que ali estavam. Depois da missa, houve um lanche
partilhado, em seguida, acompanhei o grupo de jovens Rosas de Teresa, que se
reuniam para rezar o terço.
2.3 Amizade, cultura e fé
Na segunda-feira, dia 08, às 7h da manhã, fui com o jovem
Enrick, à cidade de Osaka, para visitar o Pe. Hipolito Vida, moçambicano da
Sociedade Missionária da Boa Nova (SMBN), que nos levou a conhecer a Catedral
de Santa Maria (Igreja de Tamatsukuri), explicando cada detalhe do local com
ênfase especial ao Beato Justo Takayama Ukon foi um senhor feudal (daimiô) no
Japão que se converteu ao catolicismo durante o século XVI, período em que os
jesuítas chegaram ao país. Como outros líderes, ele viveu a fé cristã apesar de
suas obrigações guerreiras. O Beato é conhecido como o "Samurai de
Cristo", ele governou o Castelo de Takatsuki. Quando o Xogunato baniu o
cristianismo, ele preferiu perder suas terras, sua riqueza e ser exilado nas
Filipinas (onde faleceu em 1615) a renegar sua fé. Ele foi beatificado por
Angelo Amato, representando Papa Francisco, em Osaka, 2017. Depois de
almoçarmos como Pe. Hipólito, ele teve que ir a um encontro do clero e, Enrick
e eu empreendemos o caminho de volta à casa, passando pelo Castelo de Osaka,
denominado Ōsaka-jō.
Na manhã do dia 09, terça-feira, estivemos na área da Paróquia
Imaculada Conceição de Kakegawa, capela Nossa Senhora de Fátima em Kikugawa,
para celebração de exéquias do jovem nipo-brasileiro, Vinícius Quirino, que
falecera, momento em que prestamos nossa solidariedade à família, o que
reiteramos. Na tarde do mesmo dia, seguimos com Pe. Roed e paroquianos ao
Templo Minobusan Kuonji, templo budista na província de Yamanashi. Na volta à
casa passamos por Fujinomiya para visitar o Centro do Patrimônio Mundial do
Monte Fuji, museu dedicado ao Monte Fuji, inaugurado em 2017 para comemorar a
designação da montanha como Patrimônio Mundial da UNESCO.
Quarta-feira dia 10, foi um dia de descanso, aproveitei para
fazer as malas, uma de roupas e a outra com lembrancinhas e chocolates graças a
generosidade do Takami e de outros paroquianos. À noite, concelebrei missa na eucaristia
em japonês, presidida pelo Pe. Roed, em seguida nos reunimos diante do
Santíssimo, Genilde, Leila, seus filhos e eu, para o grupo de intercessão que
sempre ocorre às segundas, mas naquela semana, fizemo-lo, excepcionalmente na
quarta, a partir da igreja e com alguns membros conectados num mesmo telefone.
Nestes encontros de partilha, intercessão e oração, reúnem-se, virtualmente,
membros de diferentes cidades dos dois países implicados: Brasil e Japão.
Na manhã do dia 11, quinta-feira, Pe. Roed me acompanhou no
famoso trem-bala, Shinkansen, que atinge até 320 km/h e com extrema
pontualidade até Tóquio. Ali fomos recebidos pelo Pe. Ambrósio Silva, SDB, que
nos levou a conhecer Inspetoria São Francisco Xavier, sediada em Chofu, na
região metropolitana de Tóquio. Antes de irmos à Narita, Pe. Ambrósio e eu passamos
por Shinjuku, que tem a estação de trem mais movimentada do mundo, arranha-céus,
luzes de neon e a famosa tela 3D do gato gigante em frente à estação. A área
mistura uma metrópole futurista com templos tradicionais e o amplo parque
Shinjuku Gyoen. Dali de trem, fomos ao aeroporto. Ali chegando, confirmamos o
cancelamento de meu voo à Brisbane. Depois da minha resistência, os atendentes
da Jetstar me colocaram em um voo à Cairns, Austrália.
3. A fraternidade na Austrália
3.1 Os brasileiros em Brisbane
Amanheci no aeroporto de Cairns, e claro não pude desfrutar da cidade porque a vida só começa às 8h e meu voo era às 11h, assim que aproveitei apenas o jardim do aeroporto, apreciando os Montes de Cupins, montados e alumínio, representando Adhalik e sua esposa e filhos, bem como mergulhar vitualmente na natureza exuberante local. Em Brisbane cheguei às 14h do dia 12. Ali fui acolhido pelo Pe. Francisco Evangelista, cearense, da diocese de Iguatu, que está em missão na Austrália. À noite, fomos abençoar o quarto de um bebê que ia nascer e jantamos com os papais: Pedro e Paula.
Na manhã do dia 13, acompanhei o Pe. Francisco à Paróquia de
Santa Maria onde celebramos a eucaristia. Em seguida, fizemos um passeio pela
cidade que se molda às margens do rio Brisbane. Nossa parada principal foi no
Sky Deck, onde fizemos um lanche e apreciamos a Cidade numa plataforma de
observação e passarela de 250 metros de extensão, situada a 100 metros de
altura, localizada na parte superior do prédio multifuncional com hotel,
restaurante, cassino, etc.; local de onde eles têm a queima de fogos e são
projetadas mensagens diversas e a contagem regressiva do réveillon. Ali, Pe.
Francisco me falava da cultura local, dentre as quais, as cerimônias
pró-aborígenes que são realizadas antes de eventos importantes na Austrália, as
duas principais cerimônias indígenas são o Welcome to Country (Boas-vindas à
Terra), sempre realizada por um Ancião (Elder) ou guardião tradicional
aborígene, e o Acknowledgement of Country (Reconhecimento da Terra), que pode
ser feito por qualquer pessoa (indígena ou não) presente no evento. Elas
celebram a herança viva dos aborígenes, o grupo cultural mais antigo em
continuidade no mundo. Há ainda, duas outras cerimônias singulares: Smoking
Ceremony (Defumação) onde se queimam eucaliptos para com a fumaça purificar o
ambiente, e WugulOra Morning Ceremony, cerimônia matinal de elevação espiritual
e cultural que marca o início oficial de grandes celebrações nacionais, como o
Dia da Austrália, na região de Sydney. Voltamos à casa, pelas praias de rio do
local, não sem antes desfrutar do sabor mexicano do Guzman y Gomez (GYG) que é
uma famosa rede de fast-food mexicana fundada em Sydney em 2006. Eles são
conhecidos por oferecer um menu "limpo" com ingredientes frescos e
opções customizáveis como burritos, tacos, nachos e guacamole, mas nós fomos
ali por causa do feijão! (Risos). À noite fomos a um aniversário de quatro
lideranças comunitárias brasileiras, na residência do casal Aline e Tiago, onde
conheci dentre outros irmãos, o jovem baiano, Israel Ribeiro, que estava na
cidade fazendo doutorado.
O domingo dia 14 “maratonamos” nas missas. O pároco local, Pe. William Aupito, estava de retiro espiritual, ficando as missas sobre a responsabilidade do Pe. Francisco. Inicialmente seriam três (Santa Maria, Santa Ita e Santa Mônica), já que, eu já tinha recebido autorização do Arcebispo, Dom Shane Anthony Mackinlay, para presidir junto à comunidade brasileira na Igreja de São Patrício; porém também tocou ao Pe. Francisco celebrar à noite na Catedral de Santo Estêvão. Assim que presidi uma e concelebrei quatro missas naquele dia. Mesmo assim, não foi cansativo, para mim, foi uma alegria, poder rezar e conhecer pessoas e lugares que ficarão para sempre em meu coração. Além da viva, organizada e amistosa comunidade da St Patrick's Church, localizada no boêmio bairro Fortitude Valley, ficou muito vivo em mim, a igreja nascente, que justo naquele dia, reunia-se, pela primeira vez, para celebrar a eucaristia. O casal Rafael e Alexandra e equipe, muito zelosos, cheios do Espírito e com viva esperança, lançavam, com Pe. Francisco, esse novo horário, dia e local de missa: 11h30, 2º domingo do mês, capela de Santa Mônica, da escola de Santo Agostinho em Ipswich. Parabéns pelo empenho! Que a missão de vocês continue crescendo em “sabedoria, estatura e graça” diante de Deus e dos homens desse País.
Concelebrar na Catedral foi uma grata surpresa. Santo Estêvão
teve sua pedra fundamental lançada em 26/12/1863 pelo seu primeiro bispo, o
irlandês, Dom James Quinn. No final do século XX pensou-se em transformá-la em
Catedral do Santo Nome, o projeto não avançou além da cripta. A Igreja não tão grande,
mas tem formato de cruz, é cheia de arte, vitrais e muito acolhedora. Além do órgão
de tubos, cuja instalação data do ano 2000 e da Capela do Santíssimo
Sacramento, situada na parte posterior do edifício, ladeada pela imagem da Virgem
e painel da pia batismal, destaco a representação de Cristo, escupido em bronze
pelo artista local John Elliott. Suspenso sobre o altar, ele foi projetado para
ser visto de todos os ângulos e busca retratar tanto o sofrimento da cruz
quanto a vitória da ressurreição. Em definitivo, o Crucificado emana beleza,
piedade e transcendência. Nos ajudaram na celebração acólitos filipinos, dentre
eles, Xavier Villagonzalo, que falava espanhol e pudemos nos comunicar com mais
diligência, diferente da comunicação oficial local, o inglês, o qual tenho
ainda muito a aprender. Era a última missa daquele anoitecer dominical, eu
fiquei andando pela igreja, contemplando sua arte. Logo fui abordado por um
jovem australiano, que queria ser atendido em confissão. Mesmo com as
limitações linguísticas não pude deixar de atender. Foi bom poder ajudar aquele
jovem a se libertar. Deus o abençoe! Ao lado da catedral se conserva em pé, a
primeira igreja católica de Queensland: Capela de Santo Estêvão. Projetada pelo
arquiteto Augustus Pugin, foi concluída em 1850, onde atualmente funciona o
santuário de Santa Mary da Cruz MacKillop, que com São Patrício, é co-padroeira
da Arquidiocese de Brisbane. Ela foi a primeira australiana a ser canonizada.
Nascida em 1842, fundou as Irmãs de São José com o Padre Julian Tennison-Woods
em Penola, Austrália do Sul, em 1866. Construiu e administrou muitas escolas e
instituições de assistência social na Austrália e na Nova Zelândia. Faleceu em
1909 e foi canonizada em 2010, no Vaticano, pelo Papa Bento XVI.
A segunda-feira, 15, foi dia de descanso. Saímos pela cidade,
Pe. Francisco e eu. As passagens de transporte público são muito acessíveis.
Isso faz parte da política pública local que incentiva seu uso desse meio de
locomoção em preparação para as olimpíadas que acontecerão na cidade de
Brisbane em 2032. À tardinha, Pe. Francisco foi a um curso de formação
permanente nas dependências da Catedral, e tocou-me caminhar sozinho pela Queen
Street, a rua principal do centro. Seu nome é uma homenagem à Rainha Vitória do
Reino Unido. A rua abriga o Queen Street Mall, um calçadão que é amplamente
considerado o coração cívico de Brisbane.
3.2 Os coirmãos em Sydney
Na madrugada do dia 16, cumprimentei o Pe. William, e sai com
Pe. Francisco rumo ao aeroporto, a quem agradeço imensamente. Voei de Virgin
até Sydney. Já no Aeroporto Internacional Kingsford Smith fui bem recebido,
pelo coirmão, Pe. Glenn Humphreys, CM. Aí tive que destravar o meu inglês, pois
estava com zero intérprete. Pe. Glenn muito amável, paciente e cuidadoso me
conduziu ao centro de Sydney, sua missão era também me mostrar os principais
pontos da cidade antes de me levar à casa. A primeira parada foi no Jardim
Botânico Real de Sydney, onde pude contemplar de frente, como se estivera em um
barco no Mar de Tasmânia, as imponentes e famosas: Casa da Ópera e Ponte da
Baía de Sydney. Logo fomos até o Watsons Bay, periferia da cidade, uma zona
próspera, mas já foi local de muita dor, pois li iam pessoas suicidar-se nas
falésias oceânicas e local de naufrago do navio Dunbar em 1857, resultando na
perda de 121 vidas; para mudar essa situação o Governo construiu grades de
segurança nos desfiladeiros (Gap Park) e um farol (Macquarie Lighthouse) para
orientar as navegações. Nossa próxima parada foi na Catedral de Santa Maria,
uma majestosa construção de estilo gótico construída de 1868 a 1928 com arenito
local e que oferece missas e exposições. Inclusive nestes dias estava
disponível uma exposição imersiva da Capela Sistina. Nossa jornada continuou e
seguimos para a Opera House. O sacrifício foi encontrar lugar para estacionar o
carro. Descemos, em caracol, até o quinto andar do estacionamento local, em
poucos lugares vi tanto carrão como ali; subimos de elevador e já estávamos na
esplanada da Casa da Ópera, ali pude viver cada cantinho do local bem disputado
por turistas, trabalhadores ou pessoal do crossfit que sabiam explorar com
agilidade os arredores do prédio. A Ópera com a Harbour Bridge ao fundo formava
o cartão postal perfeito da cidade. A ponte é apelidada carinhosamente de
"cabide" devido ao seu formato em arco. Inaugurada em 1932, é a maior
ponte em arco de aço do mundo, com 134 metros de altura e 503 metros de
extensão. Ela conecta o centro financeiro ao lado norte da cidade e oferece uma
vista espetacular para a famosa Sydney Opera House. Quando fomos a casa,
passamos por cima da referida ponte. Na comunidade. Pe. Glenn me apresentou os
demais coirmãos que ali vivem: o irmão John Gaven, CM, Pe. Philip Robson, CM,
diretor das Filhas da Caridade e Pe. Alan Gibson, CM, superior provincial. O
almoço na Austrália tem a característica Norte Americana de lanche, porém o
jantar, tem lugar especial. Especiais foram os jantares preparados pelo irmão
John na comunidade, um verdadeiro chef, cozinhando com amor, sabor e
criatividade. Toda a comunidade muito acolhedora, atenta e próxima.
No dia 17 fui à missa na Paróquia Santo Antônio de Marsfield
onde conheci o Pe. Gregory Walsh, CM, passei pelo antigo seminário da
Congregação, alugado para uma empresa, funcionando como a casa de eventos
“Curzon Hall” e segui minha caminhada pelo bairro. Já era 11h e Pe. Alan me
levou a visitar o Koala Park. Foi um passeio divertido, interessante e
atemporal, parece que tinha voltado a ser criança. Além de gravar com os
coalas, conversar com as araras falantes, e graças a duas simpáticas jovens
japonesas que também visitavam o local, alimentamos os cangurus. Antes de
retornar a casa, almoçamos. À tarde, Pe. Alan me apresentou a sede provincial e
os trabalhos que a Província desenvolve. À noite, veio me visitar o Pe. Paul
Mahony, marista, australiano, que missionou no Brasil por mais de 10 anos, com
quem conversamos em português brasileiro por mais de uma hora.
4. Curiosidades sobre Austrália
Observei que junto às igrejas, quase sempre, tem uma escola.
Fui informado que são escolas católicas, todas muito bem avaliadas pela
comunidade local e bastante concorridas. Muitos recorrem ao pároco para receber
cartas de indicação para seus filhos conseguirem se matricular ali. A fila para
conseguir uma vaga pode tardar anos. Observei também que no País, os
proprietários podem personalizar as placas de seus carros, vi placas com nomes:
Brasil, is2you e até uai-só! Como no Japão Austrália é muito segura, por isso
os policiais dedicam muito tempo para ver questões de trânsito e afins. As leis
são levadas a sério, tudo pode dá processo e sair caro ao bolso, por isso as
pessoas procuram andar na linha. A educação, o bom trato nas relações e o
respeito são muito valorizados. Não sei se isso é um costume comum dos
católicos do País, mas tanto em Brisbane, quanto em Sydney registrei fiéis
rezando abraçados com imagens.
5. Volta ao Mundo e São Paulo
Quinta-feira, dia 18, empreendi minha viagem de volta ao
Brasil, sai meio dia e cheguei em São Paulo às 20h do mesmo dia, mas não se
enganem, viajei literalmente no tempo, pois se não considerássemos apenas as
horas locais, da partida e da chegada, veríamos que na verdade a viagem não foi
de 08h, mais de quase 24h. Foram mais de 12 horas sobrevoando o Pacífico até o
Chile, mais algumas horas a Curitiba, e logo São Paulo. Assim fechava o círculo,
dando literalmente a volta ao mundo, já que comecei minha viagem voando rumo ao
leste e voltei pelo oeste. Se Phileas Fogg personagem de Júlio Verne deu a volta
ao mundo em 80 dias, eu fui mais apressadinho: 18 (Risos).
6. Ceará: família, coirmãos e amigos
Em São Paulo retornei ao Moinho Velho, visitei o Museu do
Ipiranga, celebrei outra vez na Paróquia São Vicente de Paulo e participei do
terceiro dia de festa junina da paróquia. Quando no dia 20, tentei voar ao
Ceará, tivemos nosso voo da Gol cancelado. Foram mais 24h de espera em
Guarulhos e só depois pudemos ir à Fortaleza-CE. Ainda no aeroporto em São
Paulo, encontrei a Irmã Vilaneide, FC, o José Claúdio e a Hélia Barros. Em
Fortaleza fui bem acolhido pelo Pe. Manuel Silva, CM (Bonfim) na casa
provincial, e coincidi com outros coirmãos e com o Pe. Abdo Eid, CM, assistente
geral que estava de visita Ex Officio à Província. Na tarde do mesmo dia,
peguei o ônibus Guanabara para Bela Cruz. Ali com meus pais Wilson e Rita,
irmãos e demais familiares, amigos e paroquianos, vivi, matei saudades e
descansei. Tive a oportunidade de celebrar em minha paróquia de origem: NossaSenhora da Conceição, e de modo especial, na festa de São Pedro no Cambota, na
companhia do prestativo seminarista Mateus Braga. Dia 29 comecei minha viagem
de volta à Belo Horizonte, pernoitei em Fortaleza, onde tive o prazer de
conhecer a grande numerária Celeste. Dia 30 aterrizei em BH, num voo Gol que
teve conexão em Salvador.
7. Obrigado, Senhor!
A Providência de Deus, como nos testemunhava
São Vicente de Paulo, esteve presente em todo momento, no cuidado, na abertura
e no olhar de cada irmão e irmã com quem tive o prazer de servir nestes dias;
desde os coirmãos, amigos, as famílias que me acolheram em suas igrejas
domésticas, os que participaram dos momentos de formação, de oração, de
partilha, até os meus familiares e paroquianos de Bela Cruz – CE, que se
alegraram com a minha presença. Com os quais rendo graças a Deus pela missão,
pela fraternidade, pela vida!
Continuemos, meus irmãos, continuemos respondendo
o chamado de Jesus a sermos um com Deus; vivendo nossa vocação, participando
ativamente da Igreja e nos comprometendo com a construção do Reino. Assim vamos
crescendo na fé, fortalecendo a nossa esperança e servindo com amor,
fazendo-nos discípulos e missionários de Jesus a modelo dos Santos e da Mãe de
Deus e nossa, Maria Santíssima. Obrigado por tudo. Deus os abençoe!






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