Meus irmãos e minhas irmãs,
que a paz de Jesus esteja com todos vocês!
Neste domingo, a Palavra de
Deus nos convida a refletir sobre três questões muito importantes para a nossa
vida: a quem pertence a nossa vida, como devemos viver a nossa fé e de que
maneira podemos ser missionários no mundo de hoje.
E tudo isso ganha um
significado especial porque celebramos o 100º Dia Mundial das Missões, com o
tema escolhido pelo Papa Leão XIV: «Um em Cristo, unidos na missão».
É um convite para
compreendermos que a missão da Igreja não é responsabilidade apenas dos padres,
das religiosas ou daqueles que partem para terras distantes. Todo cristão
batizado é chamado a anunciar o Evangelho com a própria vida.
Mas vamos por partes.
1. A Deus
pertence a nossa vida
No Evangelho, Jesus é
colocado diante de uma armadilha.
Algumas pessoas perguntam se
é permitido ou não pagar o imposto a César, o imperador romano. Se Jesus
respondesse que sim, poderia ser acusado de apoiar o domínio romano. Se
respondesse que não, poderia ser acusado de revolta contra o império.
Mas Jesus, conhecendo a
malícia deles, pede que lhe mostrem a moeda do imposto.
Então, pergunta: «De quem é
a figura e a inscrição desta moeda?»
Eles respondem: «De César».
E Jesus conclui: «Dai,
pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus!»
Jesus não está dizendo que
podemos viver divididos entre Deus e o mundo, como se a fé não tivesse nada a
ver com a nossa vida cotidiana.
Ele está nos ensinando a
reconhecer nossas responsabilidades na sociedade, sem jamais esquecer que Deus
deve ocupar o primeiro lugar em nosso coração.
Precisamos trabalhar, pagar
nossas contas, cuidar da família, respeitar as leis justas e participar da vida
da comunidade. Mas também precisamos ter consciência de que não podemos colocar
o dinheiro, o poder, a política ou os interesses pessoais acima da vontade de
Deus.
E há um detalhe muito bonito
nessa passagem.
A moeda trazia a imagem de
César. Mas nós, seres humanos, fomos criados à imagem e semelhança de Deus!
Portanto, a pergunta que
fica para nós é: se a moeda pertence a César, a quem pertence a nossa vida?
Nossa vida pertence a Deus!
E devolver a Deus o que é de
Deus significa entregar-lhe nosso coração, nossas escolhas, nosso tempo, nossos
talentos e nossa capacidade de amar.
Não adianta colocar uma
oferta no altar se, depois, fechamos os olhos para quem passa fome. Não adianta
rezar o terço se alimentamos o ódio contra o nosso irmão. Não adianta
participar da missa se não procuramos viver a Palavra de Deus dentro de casa.
A fé verdadeira transforma a
nossa maneira de viver!
2. Deus
pode contar conosco para transformar o mundo
Na primeira leitura, do
profeta Isaías, encontramos uma mensagem surpreendente.
Deus fala de Ciro, rei da
Pérsia, que não pertencia ao povo de Israel, mas que seria instrumento para
realizar os seus desígnios e favorecer a libertação do seu povo.
Isso nos ensina uma coisa
muito importante: Deus pode agir por caminhos inesperados e servir-se de
pessoas diferentes de nós para realizar o bem.
Às vezes, pensamos que
somente as pessoas que frequentam a igreja podem fazer alguma coisa boa. Mas
Deus nos surpreende!
Ele pode agir por meio de um
vizinho que ajuda uma família necessitada, de uma pessoa que luta pela
dignidade dos trabalhadores, de alguém que visita um doente ou de uma mãe que
enfrenta tantas dificuldades para cuidar dos filhos.
Onde existe o bem, a
justiça, a solidariedade e o compromisso com a dignidade humana, encontramos
sinais da ação de Deus.
Isso não significa que tudo
o que acontece seja vontade de Deus, nem que devamos aceitar as injustiças.
Pelo contrário: nossa fé nos compromete a trabalhar por um mundo mais justo e
fraterno.
E aqui podemos recordar São
Vicente de Paulo.
São Vicente descobriu que
não bastava falar do amor de Deus. Era necessário fazer com que esse amor
chegasse concretamente aos pobres.
Ao encontrar pessoas
passando fome, crianças abandonadas, doentes sem assistência e famílias sem
condições de viver com dignidade, Vicente compreendeu que a evangelização
precisava caminhar de mãos dadas com a caridade.
Ele nos ensina que não
podemos separar o amor a Deus do amor aos pobres.
Para São Vicente, servir uma
pessoa necessitada era uma maneira concreta de servir ao próprio Cristo.
Meus irmãos e minhas irmãs,
quantas situações semelhantes encontramos em nossa periferia!
Há famílias enfrentando
dificuldades financeiras, jovens precisando de oportunidades, idosos que sofrem
com a solidão, pessoas desempregadas e famílias que carregam dores que nem
sempre conhecemos.
Diante dessas realidades,
podemos perguntar: o que Deus espera de nós?
Talvez não possamos resolver
todos os problemas do mundo. Mas podemos começar fazendo o bem a quem está
perto de nós.
Uma cesta básica partilhada,
uma visita a quem está doente, uma palavra de consolo, uma ajuda a uma família
desempregada, uma oportunidade oferecida a um jovem: tudo isso pode ser
instrumento da providência de Deus.
Quem entrega a vida a Deus
aprende a colocar a vida a serviço dos irmãos!
3. Uma
comunidade unida se torna missionária
Na segunda leitura, São
Paulo agradece a Deus pela comunidade cristã de Tessalônica. Ele reconhece a fé
que essa comunidade vivia, o amor que colocava em prática e a esperança que a
sustentava.
Aquela comunidade não era
perfeita, mas procurava viver o Evangelho e testemunhar Jesus Cristo.
É isso que também Deus
espera da nossa comunidade da Paróquia.
Não basta termos uma igreja
cheia. Precisamos ser uma comunidade cheia de amor!
Não basta termos pastorais,
movimentos e grupos. Precisamos trabalhar unidos, respeitando os diferentes
dons e carismas que Deus concede a cada pessoa.
Não basta esperar que o
padre faça tudo. A missão pertence a todos nós!
E essa é justamente a
mensagem do Papa Leão XIV para o 100º Dia Mundial das Missões: «Um em
Cristo, unidos na missão».
O Santo Padre nos recorda
que a missão nasce da nossa união com Jesus e se fortalece quando vivemos
reconciliados, colaborando uns com os outros.
Uma comunidade dividida por
fofocas, disputas, inveja e ressentimentos enfraquece o testemunho do
Evangelho.
Por outro lado, uma
comunidade que sabe perdoar, acolher, partilhar e trabalhar em conjunto torna
visível o amor de Deus.
Imaginem uma comunidade em
que cada pessoa se sinta responsável pela missão!
Os jovens evangelizando
outros jovens. As famílias ajudando outras famílias. Os idosos testemunhando a
fé. Os ministros visitando os doentes. As pastorais trabalhando em comunhão. Os
dizimistas contribuindo para sustentar a evangelização. Todos rezando pelas
vocações e ajudando os missionários que anunciam o Evangelho em outras partes
do mundo.
Que beleza seria se cada
pessoa que entrasse nesta igreja encontrasse não apenas um lugar de oração, mas
também uma família que acolhe, escuta e cuida!
E não precisamos esperar
grandes acontecimentos para começar.
A missão começa dentro de
casa, quando escolhemos o diálogo em vez da violência; começa na rua, quando
respeitamos nossos vizinhos; começa no trabalho, quando agimos com honestidade;
começa na comunidade, quando acolhemos quem chega e procuramos quem se afastou.
Ser missionário é permitir
que Jesus chegue às pessoas por meio das nossas palavras, das nossas atitudes e
do nosso amor.
Conclusão:
O que vamos devolver a Deus?
Meus irmãos e minhas irmãs,
voltemos à pergunta de Jesus:
«Dai a César o que é de
César e a Deus o que é de Deus!»
Hoje, Jesus nos pergunta o
que estamos fazendo com a vida que recebemos de Deus.
Estamos usando nossos dons
apenas para o nosso próprio benefício ou também para ajudar os outros?
Estamos construindo pontes
de união ou alimentando divisões?
Estamos preocupados somente
com os nossos problemas ou conseguimos olhar para o sofrimento de quem caminha
ao nosso lado?
Neste 100º Dia Mundial das
Missões, inspirado pela mensagem do Papa Leão XIV e pelo testemunho de São
Vicente de Paulo, façamos um compromisso concreto.
Nesta semana, procuremos uma
pessoa que esteja precisando de ajuda e façamos por ela um gesto de amor. Pode ser uma visita, uma escuta atenta, uma ajuda
material ou uma palavra de esperança.
E façamos isso não para
aparecer, não para receber elogios, mas porque reconhecemos no irmão o rosto de
Jesus.
Que São Vicente de Paulo nos
ensine a amar a Deus com as mãos e com o coração.
Que o Pai Misericordioso nos
ajude a construir uma comunidade cada vez mais acolhedora, fraterna e
missionária.
E que Maria, Mãe de Jesus e
nossa Mãe, nos acompanhe no caminho da missão.
Porque, quando estamos
unidos a Cristo e servimos os nossos irmãos, nossa vida se transforma em oferta
agradável a Deus.
Amém!
Sugestão
para concluir a celebração
Após a homilia, pode-se
convidar a assembleia a repetir, como compromisso missionário:
Celebrante: A quem pertence a nossa vida?
Assembleia: A Deus, que nos chama a amar e servir!
Celebrante: Qual é a nossa missão?
Assembleia: Anunciar Jesus Cristo, unidos no amor e no serviço
aos pobres!
Celebrante: Qual é o nosso compromisso?
Assembleia: Ser um em Cristo, unidos na missão!



