sábado, 5 de setembro de 2026

Missão do Japão: 06/09/2026: XXIII Domingo do Tempo Comum. ANO A Homilia



“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali”

Meus irmãos e minhas irmãs,

a Palavra de Deus deste domingo fala de uma coisa muito simples… mas muito difícil de viver: o amor.

São Paulo diz uma frase muito bonita:

“Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor.”

Olha que interessante!

A gente pode dever dinheiro, pode dever favor, pode até esquecer alguma coisa…

Mas São Paulo diz que existe uma dívida que nunca terminamos de pagar:

a dívida do amor.

E Jesus, no Evangelho, mostra para nós como esse amor aparece na vida concreta.

Porque amar não é somente falar:

“Eu amo você.”

·         Amar é cuidar.

·         Amar é se preocupar.

·         Amar é perdoar.

·         Amar é corrigir quando é preciso.

·         Amar é rezar junto.

·         Amar é não abandonar.

O amor na correção fraterna

Jesus começa falando de uma situação muito concreta:

“Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular.”

Olha que bonito!

Jesus não manda começar pela fofoca.

·         Não diz: “Vai contar para os outros.”

·         Não diz: “Coloca no grupo da família.”

·         Muito menos: “Coloca nas redes sociais!”

·         Jesus diz: “Vai conversar com ele em particular.”

Quantos problemas seriam menores se a gente aprendesse a conversar!

Às vezes uma pessoa faz alguma coisa que nos machuca.

E, em vez de procurar a pessoa, nós procuramos outra.

Depois outra…

E quando percebemos, aquilo que era um pequeno problema virou uma grande confusão.

Jesus nos ensina:

primeiro, conversa.

Mas tem uma coisa importante: corrigir não é humilhar.

Corrigir não é dizer:

·         “Você não presta!”

·         “Você nunca vai mudar!”

·         “Eu sabia que você era assim!”

Isso não é correção fraterna.

A correção cristã é dizer:

“Meu irmão, minha irmã, eu estou falando porque me importo com você.”

É diferente.

Quem ama não joga o outro no chão.

Quem ama ajuda o outro a levantar.

Isso vale para o marido e a esposa.

·         Vale para os pais e os filhos.

·         Vale para os amigos.

·         Vale para nós aqui na comunidade.

Às vezes precisamos ter coragem de conversar.

Mas conversar com amor.

Amor na nossa relação com Deus

E Jesus continua dizendo:

“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles.”

Que promessa bonita!

Jesus não disse: “Quando tiver uma multidão enorme…”

Ele disse: “Onde dois ou três…”

Ou seja, Deus está presente também nas pequenas coisas.

Deus está naquela mãe que reza pelo filho.

·         Naquele pai que, depois de um dia cansativo, ainda encontra força para agradecer.

·         Naquela família que se reúne para rezar.

·         Naquela pessoa que vem à missa trazendo uma preocupação no coração.

·         Deus está presente quando duas pessoas se reconciliam.

·         Quando alguém pede perdão.

·         Quando alguém ajuda uma pessoa que está passando necessidade.

Onde existe amor verdadeiro, Deus está presente.

Amor na oração comum

Jesus também fala da oração:

“Se dois de vós estiverem de acordo… e pedirem alguma coisa, isso vos será concedido.”

Isso nos lembra que nós não somos cristãos sozinhos.

A fé não é somente:

·         “Eu e Deus.”

·         “Minha oração.”

·         “Minha vida.”

·         “Minha salvação.”

Não!

Jesus nos reúne em comunidade.

Quando rezamos juntos, nós carregamos também a dor do outro.

Talvez aqui esteja enfrentando um problema.

E talvez a gente não consiga resolver o problema daquela pessoa.

Mas podemos fazer uma coisa:

podemos rezar.

Podemos dizer:

“Meu irmão, minha irmã, eu vou rezar por você.”

E cumprir!

Porque dizer “eu vou rezar por você” também é uma forma de amar.

Amor e cuidado com a Casa Comum

E o nosso amor não pode ficar somente dentro da igreja.

Ele precisa chegar também à nossa rua, ao nosso bairro, à nossa casa, à nossa cidade.

Precisamos cuidar daquilo que Deus nos confiou.

A água. As árvores. Os animais. As praças. As ruas.

O ambiente onde nossos filhos crescem.

Às vezes queremos mudar o mundo inteiro…

·         Mas podemos começar por coisas pequenas:

·         não jogar lixo no chão,

·         não desperdiçar água,

·         cuidar da praça,

·         plantar uma árvore,

·         ensinar nossas crianças a respeitar a natureza.

Pode parecer pequeno.

Mas o amor começa nas pequenas atitudes.

E Daniel?

E aqui podemos lembrar também do profeta Daniel.

Daniel viveu uma situação difícil.

Estava longe de sua terra, cercado por uma cultura diferente e pressionado a abandonar aquilo em que acreditava.

Mas Daniel permaneceu fiel.

E isso nos ensina uma coisa muito importante:

amar a Deus também é permanecer fiel quando as coisas ficam difíceis.

É fácil dizer:

“Eu tenho fé”

quando tudo está bem.

Mas e quando vem a doença?

·         E quando falta dinheiro?

·         E quando aparece um problema na família?

·         E quando nossa oração parece não ser atendida?

É aí que a fé precisa aparecer.

Daniel nos ensina:

·         podemos viver em um mundo difícil sem abandonar Deus.

·         Podemos dialogar com todo mundo.

·         Podemos conviver com pessoas diferentes.

Mas sem perder nossos valores.

Uma pequena história

Conta-se que uma criança estava tentando empurrar uma pedra muito pesada.

Ela fazia força… Fazia força… Mas não conseguia.

Então alguém perguntou:

— Por que você não pede ajuda?

E a criança respondeu:

— Porque eu tenho que conseguir sozinho.

E o homem respondeu:

— Não. Você não precisa conseguir sozinho.

E os dois empurraram a pedra juntos.

 

Meus irmãos, às vezes nossa vida é assim.

Temos pedras pesadas.

·         Uma preocupação. Uma dívida.

·         Uma mágoa. Um problema na família.

·         Uma tristeza.

E pensamos:

“Eu tenho que resolver tudo sozinho.”

Mas Jesus nos diz hoje:

não!

·         Você tem uma comunidade. Você tem irmãos. Você tem pessoas que podem caminhar com você.

E nós também precisamos aprender a perceber quando alguém está carregando uma pedra pesada.

Talvez aquela pessoa não esteja pedindo ajuda.

Mas está sofrendo.

Talvez precise apenas de uma palavra.

·         De uma visita. De um abraço. De uma oração.

·         De alguém que diga: “Meu irmão, minha irmã, eu estou aqui. Você não está sozinho.”

Conclusão

Meus irmãos e minhas irmãs,

a Palavra de Deus hoje nos deixa uma missão muito simples:

amar mais concretamente.

·         Amar na família. Na comunidade. Na oração. Na correção fraterna.

·         Amar cuidando da nossa Casa Comum.

·         Amar permanecendo fiel a Deus.

E São Paulo nos lembra:

“Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor.”

Então, nesta semana, vamos tentar pagar um pouco dessa dívida.

Procure alguém com quem você precisa conversar.

·         Peça perdão. Perdoe. Reze por alguém.

·         Ajude alguém. Cuide um pouco melhor da sua casa, da sua rua, do seu bairro.

·         E, principalmente, seja presença de Deus na vida de alguém.

Porque Jesus prometeu:

“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles.”

Que o Pai Misericordioso faça da nossa Igreja uma comunidade onde as pessoas possam encontrar:

acolhida, perdão, oração, cuidado e amor.

E que, quando alguém olhar para nós, possa dizer:

“Ali existe algo diferente. Ali existe Deus.” Amém.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Setembro: Mês Vicentino e da Bíblia. Evangelho: Lc 4,16-30.



Queridos irmãos e irmãs, iniciamos hoje um novo mês: setembro, um mês muito especial para nós cristãos no Brasil, porque celebramos o Mês da Bíblia, e como família, celebramos o mês vicentino. É, portanto, um convite para voltarmos nosso coração à Palavra de Deus, não apenas para ler a Bíblia, mas para deixar que a Palavra leia a nossa vida, transforme o nosso coração e nos envie para a missão.

 

E o Evangelho em destaque nos apresenta Jesus entrando na sinagoga de Nazaré. Ele recebe o livro do profeta Isaías, abre e proclama:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres.”

Jesus não escolhe qualquer texto. Ele apresenta o programa de sua missão: levar esperança aos pobres, liberdade aos oprimidos, luz aos que vivem na escuridão e anunciar o tempo da graça de Deus.

E há algo muito bonito: depois de proclamar a Palavra, Jesus afirma:

“Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir.”

Percebam: a Palavra não é apenas para ser ouvida; ela precisa acontecer.

A Bíblia não pode ficar aberta somente sobre a mesa. Ela precisa estar aberta dentro de nós.

 

1. A Palavra de Deus precisa transformar nossa vida

Neste Mês da Bíblia, somos convidados a perguntar:

O que a Palavra de Deus está realizando em mim?

Porque podemos conhecer muitos textos bíblicos, participar de grupos de oração, rezar o terço, fazer novenas, participar dos grupos da Igreja, interceder pelas pessoas... mas a Palavra precisa produzir frutos concretos.

  • ·         Se escuto Jesus dizendo: “Amai-vos uns aos outros”, preciso amar.
  • ·         Se escuto: “Perdoai”, preciso aprender a perdoar.
  • ·         Se escuto: “Não tenhais medo”, preciso confiar.
  • ·        Se escuto: “Ide pelo mundo e anunciai o Evangelho”, preciso assumir minha missão.

A Palavra que não transforma nossas atitudes corre o risco de se tornar apenas informação religiosa.

Nós, como intercessores, somos chamados a ser pessoas que escutam, acolhem e colocam a Palavra em prática através da oração e da caridade.

 

2. Jesus nos recorda que a missão é principalmente pelos pobres

Jesus diz claramente que foi enviado para “anunciar a Boa-Nova aos pobres”.

Isso toca profundamente a espiritualidade vicentina.

Ao nos aproximarmos da festa de São Vicente de Paulo, no dia 27 de setembro, somos convidados a recordar aquele homem que soube escutar a Palavra e transformá-la em serviço.

São Vicente não ficou apenas admirando o Evangelho. Ele perguntou:

“O que Deus quer que eu faça diante da pobreza, da fome, do abandono e do sofrimento dos meus irmãos?”

E respondeu com a própria vida.

Por isso, neste mês, podemos unir três realidades:

Bíblia + oração + caridade.

  • ·         A Bíblia alimenta nossa fé.
  • ·         A oração fortalece nossa esperança.
  • ·         A caridade torna visível o amor de Deus.

É justamente isso que somos chamados a viver como membros da Família Vicentina: pessoas que levam no coração os nomes, as dores e as necessidades dos outros e os apresentam diante de Deus.

 

3. O intercessor é alguém que leva pessoas para diante de Deus

Talvez alguém pense:

“Mas eu não posso resolver os problemas de todo mundo.”

É verdade. Nós não podemos resolver tudo.

Mas podemos rezar.

Podemos colocar diante de Jesus aquela mãe preocupada com o filho, aquele jovem perdido, aquela família em crise, aquela pessoa doente, aquele irmão que perdeu a esperança.

Quando intercedemos, estamos dizendo:

“Senhor, eu não consigo resolver esta situação, mas eu a entrego em tuas mãos.”

E isso é um grande ato de fé.

Maria, nossa Mãe, é para nós um grande exemplo de intercessão. Ela percebe a necessidade dos outros e leva tudo a Jesus. Em Caná, ela simplesmente diz:

“Eles não têm mais vinho.”

Maria não apresenta uma solução. Ela apresenta a necessidade.

É isso que fazemos quando intercedemos.

Nós levamos as necessidades das pessoas ao coração misericordioso de Jesus.

 

4. Nem todos aceitarão a Palavra

O Evangelho também apresenta uma parte difícil. Quando Jesus proclama sua missão, seus próprios conterrâneos ficam indignados.

Isso nos ensina algo importante: nem sempre a Palavra será aceita.

Jesus mesmo experimentou rejeição.

Também nós podemos encontrar incompreensão quando tentamos viver o Evangelho, quando defendemos os pobres, quando perdoamos, quando escolhemos a simplicidade, quando buscamos servir em vez de aparecer.

Mas Jesus não abandona sua missão.

E São Vicente também nos ensina isso.

Quem pertence a Cristo não vive para agradar a todos; vive para ser fiel ao Evangelho.

 

Para este mês de setembro

Podemos assumir três pequenos compromissos:

  • ·         Primeiro: ler a Palavra.
Escolher um Evangelho ou um trecho da Bíblia para ler todos os dias.

  • ·         Segundo: rezar a Palavra.
Não apenas perguntar: “O que esse texto significa?”, mas: “O que Deus está dizendo hoje para mim?”

  • ·         Terceiro: praticar a Palavra.
A cada semana, realizar um gesto concreto de misericórdia: visitar alguém, ajudar uma pessoa, perdoar, escutar, partilhar, telefonar para alguém que está sozinho.

Assim, o nosso setembro não será apenas o Mês da Bíblia, mas será o mês em que a Bíblia ganhará vida através de nós.

 

História para fixar a mensagem – “A Bíblia e o pão”

Conta-se que um homem muito simples recebeu de presente uma Bíblia.

Ele ficou feliz, colocou-a em um lugar de destaque na sua casa e, durante alguns dias, lia algumas páginas.

Certo dia, percebeu que sua vizinha estava passando necessidade. Ela não tinha quase nada para comer.

Ele pegou a Bíblia, colocou debaixo do braço e foi até a casa dela.

A vizinha perguntou:

— Você veio rezar comigo?

Ele respondeu:

— Vim trazer uma coisa que aprendi lendo a Bíblia.

E entregou a ela uma cesta com alimentos.

A mulher perguntou:

— Onde você aprendeu isso?

Ele abriu a Bíblia e disse:

— Aqui. Jesus me ensinou que não basta ouvir a Palavra. É preciso colocá-la em prática.

Naquele momento, ele percebeu que a Bíblia continuava sendo Bíblia, mas a Palavra de Deus tinha se tornado pão na vida daquela mulher.

 

Para concluir

Irmãos e irmãs, essa é a missão de um seguidor de Jesus.

  • ·         Que neste mês de setembro nós não sejamos apenas pessoas que carregam a Bíblia nas mãos, mas pessoas que carregam a Palavra no coração e a misericórdia nas mãos.
  • ·         Que São Vicente de Paulo nos ensine a reconhecer Cristo nos pobres.
  • ·         Que Nossa Senhora da Medalha Milagrosa nos ensine a interceder com confiança.

E que, quando alguém encontrar um de nós, possa perceber:

“Ali existe alguém que escutou a Palavra de Deus e deixou essa Palavra transformar a sua vida.”

  • ·         Palavra no coração.
  • ·         Oração nos lábios.
  • ·         Misericórdia nas mãos.

E Cristo sempre no centro da nossa missão.

Amém.