Meus irmãos e minhas irmãs,
que a paz de Jesus esteja com todos vocês!
O Evangelho deste domingo
nos apresenta uma parábola muito bonita e, ao mesmo tempo, provocadora: a
parábola dos trabalhadores da vinha.
Jesus conta que um patrão
saiu várias vezes ao longo do dia para contratar trabalhadores. Alguns
começaram a trabalhar de madrugada; outros, pela manhã; outros, à tarde. E, no
final do dia, todos receberam o mesmo pagamento.
Os que trabalharam desde
cedo começaram a reclamar. Afinal, humanamente falando, parecia injusto que
aqueles que trabalharam menos recebessem o mesmo salário.
Mas Jesus quer nos ensinar
que a lógica de Deus é diferente da nossa: enquanto nós muitas vezes medimos
as pessoas pelo que elas fazem, Deus olha para cada uma com amor e
misericórdia.
1. Deus
nunca se esquece de nós
Na primeira leitura, o
profeta Isaías nos convida:
"Buscai o Senhor,
enquanto pode ser encontrado; invocai-o, enquanto ele está perto."
E acrescenta que os
pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos, e os seus caminhos não são
os nossos caminhos.
Quantas vezes queremos que
Deus aja conforme os nossos critérios! Queremos respostas rápidas, soluções
imediatas e que as coisas aconteçam exatamente como planejamos.
Mas Deus enxerga muito além
daquilo que conseguimos enxergar.
Aqui, na realidade da nossa
comunidade, quantas pessoas enfrentam dificuldades diariamente! Há famílias
preocupadas com o sustento da casa, pessoas procurando emprego, mães e pais
preocupados com os filhos, jovens sem saber que caminho seguir e pessoas carregando
sofrimentos no seu íntimo.
A Palavra de Deus nos
recorda que o Senhor não se esquece de nenhum de seus filhos.
Assim como o patrão da
parábola saiu várias vezes para procurar trabalhadores, Deus continua saindo ao
nosso encontro. Ele nos procura, nos chama e nos oferece uma oportunidade de
recomeçar.
Não importa se você começou
ontem ou se já caminha com Deus há muitos anos. A porta da misericórdia
continua aberta!
2. Não
tenha inveja da graça que Deus concede ao outro
No Evangelho, os
trabalhadores que chegaram primeiro ficaram incomodados porque os últimos
receberam o mesmo pagamento.
Eles olharam para o que os
outros estavam recebendo e se esqueceram daquilo que também haviam recebido.
Isso acontece conosco?
Às vezes, ficamos tristes
quando vemos alguém prosperar, receber uma oportunidade ou experimentar uma
bênção que nós também desejávamos.
Na comunidade, isso pode
acontecer quando alguém recebe uma responsabilidade, quando uma pastoral
cresce, quando uma pessoa é reconhecida ou quando Deus concede uma graça a
alguém que, na nossa opinião, não a merecia.
E então começamos a
comparar, julgar e reclamar.
Mas Jesus nos convida a
olhar para o outro com um coração diferente.
A bênção que Deus concede ao
meu irmão não diminui o amor que Ele tem por mim.
Deus não precisa tirar de
alguém para dar a outro. Sua misericórdia não é uma riqueza limitada.
Como missionários
vicentinos, somos chamados a reconhecer a presença de Cristo em cada pessoa,
especialmente nos pobres, nos esquecidos e naqueles que a sociedade costuma
deixar para trás.
Não podemos anunciar um Deus
misericordioso e, ao mesmo tempo, fechar o coração para quem precisa de uma
nova oportunidade.
3. Nunca é
tarde para responder ao chamado de Deus
Na parábola, alguns
trabalhadores foram chamados quando o dia já estava terminando.
Eles poderiam pensar:
"Agora já é tarde. Ninguém mais vai precisar de mim".
Mas o patrão também os
chamou.
Essa é uma mensagem de
esperança para todos nós!
Talvez alguém aqui pense:
"Padre, já errei demais na vida. Já me afastei muito de Deus. Não tenho
mais jeito".
Talvez alguém carregue a
tristeza de ter abandonado a Igreja, de ter se afastado da família ou de ter
tomado decisões das quais hoje se arrepende.
Mas escute com carinho esta
Palavra: enquanto houver vida, haverá oportunidade de voltar para Deus e
recomeçar.
O Senhor não olha apenas
para o nosso passado. Ele também olha para aquilo que podemos nos tornar quando
acolhemos sua graça.
Na segunda leitura, São
Paulo nos recorda que Cristo deve ser glorificado em nossa vida. Ele compreende
que viver é uma oportunidade de continuar servindo, testemunhando a fé e
ajudando os irmãos.
Portanto, não basta dizer
que acreditamos em Jesus. Precisamos permitir que essa fé transforme nossa
maneira de viver.
Na família, no trabalho, na
vizinhança e na comunidade, somos chamados a testemunhar Cristo com nossas
atitudes.
Às vezes, uma palavra de
carinho, uma visita a alguém que está sozinho, um alimento partilhado ou um
pedido sincero de perdão podem ser sinais concretos da presença de Deus.
E nunca pensemos que é tarde
demais para começar!
Conclusão
Meus irmãos e minhas irmãs,
a parábola de hoje nos deixa três ensinamentos muito concretos:
· Confie em Deus: Ele conhece suas lutas e não se esquece de
você.
· Não viva se comparando com os outros: alegre-se com as bênçãos que Deus concede aos
seus irmãos.
· Não tenha medo de recomeçar: Deus continua chamando você, mesmo quando
parece que o dia está terminando.
Nesta Eucaristia, peçamos ao
Senhor um coração semelhante ao seu: um coração que não exclui, não condena
precipitadamente e não sente inveja do bem que acontece na vida do outro.
Que a nossa Paróquia seja verdadeiramente uma comunidade onde todos encontrem
acolhida: os que chegaram primeiro e os que estão chegando agora; os que
caminham há muitos anos e aqueles que estão voltando depois de muito tempo.
Que ninguém se sinta
esquecido, rejeitado ou sem valor.
E que, inspirados por São
Vicente de Paulo, aprendamos a reconhecer Jesus Cristo nos pobres e a servi-lo
com amor, simplicidade e humildade.
Porque, no Reino de Deus,
ninguém é amado por merecimento: todos somos alcançados pela graça e pela
misericórdia do Pai. Amém!


