Meus irmãos e minhas irmãs,
bom dia!
Que bom estarmos juntos, mais uma vez, na casa
do Pai Misericordioso.
A Palavra de Deus deste domingo nos coloca
diante de uma pergunta muito simples, mas muito profunda:
O que significa, de verdade, seguir Jesus?
·
Porque é fácil dizer:
“Eu tenho fé.”
“Eu sou católico.”
“Eu venho à missa.”
“Eu rezo.”
Mas Jesus hoje nos pergunta algo a mais:
A minha vida está realmente seguindo os passos
de Jesus?
No Evangelho, Jesus começa a explicar aos
discípulos que iria para Jerusalém, que iria sofrer, ser morto e depois
ressuscitar.
E Pedro não gosta nada daquela conversa.
Pedro chama Jesus de lado e diz, mais ou
menos:
“Senhor, isso não! Isso não pode acontecer com
o Senhor!”
Pedro queria um Jesus sem cruz.
E talvez nós também sejamos um pouco como
Pedro.
Nós queremos um Jesus que resolva nossos
problemas, mas não queremos um Jesus que transforme nossa vida.
Queremos que Jesus abençoe nossos planos, mas
nem sempre queremos perguntar:
“Senhor, quais são os teus planos para mim?”
E Jesus diz uma frase muito forte:
“Se alguém quer me seguir, renuncie a si
mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”
Mas atenção!
Jesus não está dizendo que devemos procurar o
sofrimento.
Não!
A cruz cristã não é a violência.
Não é a injustiça.
Não é a fome.
Não é aceitar o mal como se fosse vontade de Deus.
A cruz é o preço do amor.
·
É continuar fazendo o bem quando é mais fácil
desistir.
·
É perdoar quando fomos machucados.
·
É cuidar de alguém quando estamos cansados.
·
É permanecer fiel à família quando surgem
dificuldades.
·
É trabalhar honestamente mesmo quando ninguém
está olhando.
·
É servir na comunidade mesmo quando ninguém
agradece.
·
É ajudar alguém que precisa, mesmo quando
sabemos que não receberemos nada em troca.
Isso é carregar a cruz.
E nós sabemos disso porque vivemos a vida
real.
Aqui na nossa comunidade, existem muitas
pessoas que carregam cruzes todos os dias.
·
Tem gente preocupada com o emprego.
·
Tem família lutando para pagar as contas.
·
Tem mãe preocupada com os filhos.
·
Tem pai cansado.
·
Tem jovem procurando um caminho.
·
Tem gente enfrentando solidão.
·
Tem pessoas carregando dores que ninguém
conhece.
E talvez alguém tenha chegado aqui hoje
pensando:
“Eu não sei mais se vou conseguir.”
A Palavra de Deus diz:
Não desista!
Mas também diz:
Você não precisa carregar sua cruz sozinho.
Jesus caminha conosco.
E olhem para a primeira leitura.
Jeremias também estava cansado.
Ele tinha sido chamado por Deus para uma
missão, mas encontrou dificuldades, críticas e sofrimento.
E chegou um momento em que ele pensou em
desistir.
Mas Jeremias diz que a Palavra de Deus era
como um fogo dentro dele.
Ele queria parar...
Mas não conseguia.
Porque quando Deus realmente entra no nosso
coração, alguma coisa muda dentro de nós.
A gente pode até ficar cansado.
Pode até chorar.
Pode até dizer: “Senhor, eu não aguento mais.”
Mas, lá dentro, permanece uma voz dizendo:
“Continue. Eu estou com você.”
E São Paulo, na segunda leitura, nos dá um
caminho muito concreto.
Ele diz:
“Não vos conformeis com este mundo, mas
transformai-vos pela renovação da mente.”
Ou seja:
Não basta ouvir o Evangelho. É preciso viver o
Evangelho.
E aqui está uma coisa muito importante:
A missa não termina quando a gente sai pela
porta da igreja.
A missa continua amanhã.
·
Continua na nossa casa.
·
Continua no trabalho.
·
Continua na escola.
·
Continua na rua.
·
Continua no WhatsApp.
·
Continua quando encontramos aquela pessoa que
não gostamos muito.
·
Continua quando alguém nos irrita.
·
Continua quando precisamos escolher entre
responder com raiva ou responder com amor.
É aí que a nossa fé aparece.
Porque é muito fácil dizer:
“Jesus, eu te amo!”
Aqui dentro da igreja.
O desafio é dizer isso com a vida lá fora.
E é justamente aqui que entra a nossa
espiritualidade vicentina.
São Vicente de Paulo nos ensinou que não
podemos amar a Deus de verdade sem olhar para o irmão.
Não basta rezar.
Precisamos servir.
Não basta falar de misericórdia.
Precisamos praticar misericórdia.
Não basta pedir:
“Pai Misericordioso, tende piedade de nós.”
Precisamos também ser instrumentos da
misericórdia de Deus na vida das pessoas.
·
Talvez alguém precise de uma cesta básica.
·
Mas talvez alguém precise também de uma
conversa.
·
Talvez alguém precise de uma visita.
·
Talvez precise de um abraço.
·
Talvez precise simplesmente de alguém que
diga:
“Eu estou aqui. Você não está sozinho.”
Às vezes pensamos que precisamos fazer coisas
extraordinárias.
Mas não.
O Evangelho começa nas pequenas coisas.
Por isso, eu
gostaria de deixar três desafios para esta semana.
Primeiro desafio: dentro de casa, faça um
gesto de amor.
·
Talvez seja pedir perdão.
·
Talvez seja ouvir alguém.
·
Talvez seja ajudar mais.
·
Talvez seja deixar de lado uma discussão.
·
Talvez seja simplesmente dizer:
“Eu te amo.”
Segundo desafio: procure alguém que precisa de
você.
·
Faça uma ligação.
·
Faça uma visita.
·
Ofereça uma ajuda.
·
Dê uma palavra de esperança.
Terceiro desafio: escolha alguma coisa da sua
vida que precisa mudar.
Pode ser uma mágoa.
·
Uma fofoca.
·
Uma falta de perdão.
·
Um orgulho.
·
Uma atitude que está afastando você de Deus.
E diga:
“Senhor, eu quero mudar.”
No final do Evangelho, Jesus faz uma pergunta
que continua muito atual:
“Que vantagem terá alguém se ganhar o mundo
inteiro, mas perder a sua vida?”
Pense nisso.
·
De que adianta ganhar dinheiro e perder a
família?
·
De que adianta ter razão e perder um amigo?
·
De que adianta ter muitas coisas e não ter
paz?
·
De que adianta ser admirado por fora e estar
vazio por dentro?
Jesus está dizendo:
Não perca o que realmente importa.
·
Não perca a família.
·
Não perca a fé.
·
Não perca a capacidade de amar.
·
Não perca a misericórdia.
·
Não perca Deus.
Meus irmãos e minhas irmãs,
talvez hoje Jesus esteja nos dizendo:
“Você quer me seguir?”
Então venha comigo.
Mas não fique apenas dentro da igreja.
Leve-me para sua casa.
·
Leve-me para o seu trabalho.
·
Leve-me para sua família.
·
Leve-me para o seu bairro.
·
Leve-me para aqueles que sofrem.
·
Leve-me para onde existe necessidade de amor.
Porque seguir Jesus é isso:
·
menos palavras e mais
gestos;
menos julgamento e mais misericórdia;
menos comodismo e mais serviço;
menos “eu” e mais “nós”.
Que a nossa Paróquia Pai Misericordioso seja
uma comunidade onde as pessoas possam experimentar concretamente o amor de
Deus.
E quando sairmos daqui hoje, eu gostaria que
cada um levasse uma pergunta no coração:
“Nesta semana, através de mim, quem vai
experimentar um pouco da misericórdia de Deus?”
·
Que a nossa resposta não fique somente nas
palavras.
·
Que ela apareça nos nossos gestos.
·
Que Nossa Senhora nos acompanhe.
·
Que São Vicente nos ensine a servir.
E que o Pai Misericordioso faça de cada um de
nós instrumento da sua misericórdia. Amém!


