sábado, 3 de outubro de 2026

Missão do Japão: 04/10/2026: XXVII Domingo do Tempo Comum. ANO A Homilia

 


Meus irmãos e minhas irmãs,

O Evangelho de hoje nos apresenta uma imagem muito bonita e, ao mesmo tempo, muito séria: um homem planta uma vinha, cuida dela, cerca, prepara tudo e espera que ela produza frutos.

 

Essa vinha representa a nossa vida, a nossa família, a nossa comunidade e também o mundo que Deus colocou em nossas mãos.

Na primeira leitura, o profeta Isaías também fala da vinha. Deus diz: “Que mais poderia eu ter feito por minha vinha que eu não tenha feito?”

 

É uma pergunta que também podemos fazer para nossa vida:
Deus já fez tanto por mim... Que frutos estou produzindo?

Deus nos deu a vida. Deu-nos uma família, pessoas que nos amam, uma comunidade, dons, oportunidades, a fé e, sobretudo, Jesus Cristo. Deus não deixa de cuidar de nós.

Mas o problema da vinha do Evangelho é que ela recebeu muito e produziu pouco.

 

E aqui está uma primeira mensagem para nós: não basta receber de Deus; precisamos produzir frutos.

Que frutos?

·        Frutos de amor.

·        Frutos de perdão.

·        Frutos de solidariedade.

·        Frutos de paciência.

·        Frutos de honestidade

·        Frutos de serviço.

Às vezes, queremos uma Igreja que faça muitas coisas por nós. Mas Jesus também pergunta: “O que você está fazendo pelos outros?”

Na comunidade, na família, no trabalho, na vizinhança: que fruto a minha presença está produzindo?

 

Meus irmãos, uma família pode morar numa casa simples, pode enfrentar dificuldades financeiras, problemas, enfermidades e tantas preocupações. Mas, quando existe amor, perdão e união, aquela casa se transforma numa verdadeira vinha de Deus.

 

E o contrário também acontece: uma casa pode ter muitas coisas materiais, mas se falta diálogo, respeito e perdão, os frutos são amargos.

 

São Vicente de Paulo nos ensina que a fé precisa chegar às mãos e aos pés. Não basta dizer que amamos a Deus; precisamos cuidar dos seus filhos, especialmente dos mais pobres e sofridos.

Por isso, a pergunta do Evangelho é muito concreta:
Que fruto Deus está esperando de mim?

·        Talvez hoje Deus esteja esperando que eu perdoe alguém.

·        Talvez esteja esperando que eu volte a conversar com alguém da minha família.

·        Talvez esteja esperando que eu pare de reclamar e comece a ajudar.

·        Talvez esteja esperando que eu volte a rezar.

·        Talvez esteja esperando que eu procure novamente a Igreja.

·        Talvez esteja esperando simplesmente que eu seja mais paciente com quem vive ao meu lado.

 

A segunda leitura nos ajuda nesse caminho. São Paulo diz: “Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai a Deus as vossas necessidades, pela oração.”

Isso é muito importante para nós que vivemos tantas preocupações.

Há problemas que não conseguimos resolver imediatamente. Há contas, enfermidades, desemprego, conflitos familiares, preocupações com os filhos e tantas outras coisas.

São Paulo não está dizendo: “Não tenha problemas”.

Ele está dizendo: “Não carregue seus problemas sozinho.”

Coloque-os nas mãos de Deus.

Reze. Converse com Deus. Confie.

E depois faça a sua parte.

A oração não substitui a responsabilidade. A oração nos dá força para assumir nossa responsabilidade.

 

Por isso São Paulo termina dizendo para praticarmos aquilo que aprendemos e recebemos.

É uma fé que se transforma em vida.

Meus irmãos, o Evangelho também nos apresenta uma verdade muito forte: os trabalhadores da vinha rejeitam até mesmo o filho do proprietário. É uma referência a Jesus, o Filho enviado pelo Pai.

Jesus é aquele que veio até nós, mas muitas vezes também é rejeitado.

·        Nós o rejeitamos quando rejeitamos o irmão.

·        Nós o rejeitamos quando fechamos o coração para quem sofre.

·        Nós o rejeitamos quando somos incapazes de perdoar.

·        Nós o rejeitamos quando pensamos somente em nós mesmos.

 

Mas existe uma boa notícia: Deus não desiste da sua vinha. Deus não desiste de nós.

·        Mesmo quando produzimos poucos frutos, Ele continua cuidando.

·        Mesmo quando erramos, Ele nos oferece uma nova oportunidade.

·        Mesmo quando caímos, Ele nos levanta.

 

É por isso que esta Palavra não deve nos deixar tristes, mas deve nos ajudar a começar de novo.

Hoje, ao sair desta igreja, leve uma pergunta no coração:

“Senhor, que fruto o Senhor espera de mim nesta semana?”

·        Talvez seja um telefonema.

·        Um pedido de perdão.

·        Uma visita.

·        Uma ajuda.

·        Uma oração.

·        Um gesto de carinho.

·        Uma palavra de esperança.

·        Uma atitude de serviço.

 

São Vicente exortava os missionários a deixarem que Deus fosse o Senhor de suas vidas, de sua “vinha pessoal”, de modo que suas virtudes atuassem em seus corações sem qualquer resistência:

 “Reina, de uma maneira especial, sobre os justos que o honram e o servem, sobre as boas almas, que se entregam a Deus, que só respiram a Deus. Reina sobre os eleitos, que devem glorificá-lo eternamente. É sobre tais pessoas que reina de modo particular, pelas virtudes que elas praticam e que receberam dele. É o Deus das virtudes, e não há nenhuma que não proceda dele. Procedem todas desse manancial infinito, que as infunde nas almas escolhidas. Prontas sempre para recebê-las, são sempre fiéis em praticá-las. Desse modo procuram o Reino de Deus e é desta maneira que Deus reina sobre elas” (SV BR XII, 136).

Compromisso: Examinar minha vida e responder com sinceridade: Sou um trabalhador fiel da vinha de Deus? Que frutos estou dando?

 

Que a nossa Paróquia Pai Misericordioso seja uma vinha bonita do Senhor: uma comunidade que acolhe, que serve, que perdoa e que cuida dos pobres e dos pequenos.

 

E que, quando Deus olhar para a nossa vida, possa encontrar muitos frutos.

Não frutos de riqueza ou de aparência, mas frutos de amor.

 

Porque, no final, é isso que Deus espera de nós:

que aquilo que recebemos gratuitamente de suas mãos também seja oferecido gratuitamente aos nossos irmãos.

Amém.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

REFLEXÃO – “Quem é o maior entre vocês?” (Lc 9,46-50)



No Evangelho de hoje, os discípulos começam a discutir sobre quem seria o maior entre eles. Jesus, conhecendo o coração humano, coloca uma criança ao seu lado e ensina: “Quem acolher esta criança em meu nome, estará acolhendo a mim.”

Para Jesus, a verdadeira grandeza não está em aparecer, mandar, receber elogios ou ocupar os primeiros lugares. A verdadeira grandeza está em servir, acolher e amar com humildade.


Como Portadores da Misericórdia e membros da Associação da Medalha Milagrosa, somos chamados a viver justamente esse caminho. A misericórdia não procura reconhecimento. Ela se aproxima de quem sofre, escuta quem precisa falar, visita quem está sozinho, consola quem chora e oferece esperança a quem está desanimado.


Jesus também diz algo muito importante: “Quem não é contra nós é a nosso favor.” Isso nos ensina a não ter ciúmes do bem que os outros realizam. Às vezes podemos pensar: “Por que ele está fazendo isso e não eu?” ou “Por que outra pessoa recebeu reconhecimento?” Jesus nos convida a uma atitude diferente: alegrar-nos porque o bem está sendo realizado.


Maria, Nossa Senhora das Graças, é para nós um grande exemplo. Ela nunca procurou ser o centro. Sua vida inteira apontou para Jesus. Na simplicidade, no silêncio e no serviço, tornou-se grande aos olhos de Deus.


Hoje, podemos perguntar ao nosso coração:

Eu procuro servir ou ser reconhecido?
Consigo alegrar-me com o bem que outra pessoa realiza?
Tenho acolhido os pequenos, os pobres, os doentes e os que mais precisam de misericórdia?

Que Nossa Senhora das Graças nos ensine a diminuir o nosso ego para que Jesus cresça em nós.


Uma história para guardar no coração

Certa vez, havia dois homens que trabalhavam todos os dias na construção de uma grande igreja. Um deles era responsável por colocar as pedras na parte mais alta do templo. O outro trabalhava nos fundos, preparando as pedras que ninguém via.

Um visitante perguntou ao primeiro:

— O que você está fazendo?

Ele respondeu orgulhoso:

— Estou construindo a parte mais bonita da igreja!

Depois, o visitante encontrou o segundo homem e fez a mesma pergunta.

Ele sorriu e respondeu:

— Estou ajudando a construir a casa de Deus.

O visitante percebeu então que os dois faziam o mesmo trabalho, mas somente um deles compreendia que não importava qual pedra colocava, nem quem seria visto. O importante era servir à obra de Deus.

Assim também é nossa vida. Nem todo serviço será visto, nem todo gesto será reconhecido. Mas Deus vê.

A misericórdia verdadeira não pergunta: “Quem vai perceber o que eu fiz?”
Ela pergunta: “Quem precisa de mim hoje?”


 

Oração

Senhor Jesus,
livra-nos da busca pelos primeiros lugares.
Dá-nos um coração humilde, simples e misericordioso.
Ensina-nos a acolher os pequenos,
a servir sem esperar reconhecimento
e a alegrar-nos com o bem realizado pelos outros.

Que Maria, Nossa Senhora das Graças,
nos ensine a colocar nossa vida a serviço dos irmãos.
E que, em cada gesto de misericórdia,
possamos levar alguém a encontrar o teu amor.

Jesus Misericordioso, eu confio em Vós!
Nossa Senhora das Graças, rogai por nós! Amém.

sábado, 26 de setembro de 2026

Missão do Japão: 27/09/2026: XXVI Domingo do Tempo Comum. ANO A Homilia



Meus irmãos e minhas irmãs, o Evangelho de hoje nos apresenta uma cena muito simples: um pai chama os dois filhos e pede que vão trabalhar na vinha. Um diz: “Não quero”, mas depois muda de ideia e vai. O outro responde: “Sim, senhor”, mas não vai.

Jesus está falando de uma coisa muito presente na nossa vida: a diferença entre aquilo que dizemos e aquilo que fazemos.

É muito fácil dizer: “Eu tenho fé”, “eu amo a Deus”, “eu sou católico”, “eu quero ajudar”. Mas a pergunta que Jesus nos faz hoje é: Onde está a nossa fé nas nossas atitudes?

Às vezes, nós também somos como esses dois filhos. Prometemos muito a Deus, mas fazemos pouco. Em outras situações, começamos dizendo “não”, porque estamos cansados, decepcionados ou com medo, mas depois abrimos o coração e fazemos aquilo que Deus nos pede.


1. Deus olha para a mudança do nosso coração

O profeta Ezequiel diz uma coisa muito bonita: se o ímpio abandona o pecado e pratica o direito e a justiça, ele viverá.

Isso significa que, para Deus, nossa história não está determinada pelo nosso passado.

·         Talvez alguém aqui pense: “Eu já errei demais”.

·         Talvez outro diga: “Eu me afastei da Igreja”.

·         Outro: “Eu não consigo perdoar”.

·         Outro: “Eu não tenho mais forças”.

Mas Deus está dizendo hoje: você ainda pode mudar de direção!

O Evangelho não é uma condenação para quem disse “não”. É um convite para quem quer dizer “sim” novamente.


2. São Vicente de Paulo: a fé que se transforma em serviço

E aqui entra muito forte o testemunho de São Vicente de Paulo.

Vicente não começou sua missão sabendo exatamente tudo o que Deus queria dele. Ele foi descobrindo sua vocação pouco a pouco, deixando-se transformar pelos encontros com os pobres, com os camponeses, com os doentes e com as pessoas abandonadas.

E Deus suscitou, através dele, três grandes obras que marcaram a Família Vicentina.

1.      Primeiro, em 1617, surgiram as Confrarias da Caridade, hoje presentes na história da Associação Internacional da Caridade (AIC). Mulheres leigas se organizaram para cuidar concretamente dos pobres, visitando-os, levando alimento, remédio, roupa e, sobretudo, presença e dignidade.

2.      Depois, em 1625, nasceu a Congregação da Missão, para evangelizar os pobres e formar o clero.

3.      E, em 1633, juntamente com Santa Luísa de Marillac, nasceu a Companhia das Filhas da Caridade, para servir os pobres de maneira organizada e permanente.

Mas quero destacar hoje especialmente a AIC.

Porque ela nos lembra de uma coisa muito importante: a caridade não pode ficar somente no discurso.

São Vicente percebeu que não bastava dizer aos pobres: “Deus ama vocês”. Era necessário também perguntar: “O que vocês precisam?”

·         Precisavam de comida? Vamos levar comida.

·         Precisavam de cuidado? Vamos cuidar.

·         Precisavam de alguém que os escutasse? Vamos escutar.

·         Precisavam recuperar a dignidade? Vamos caminhar com eles.

Essa é a caridade cristã.


3. “Filho, vai trabalhar na vinha”

Meus irmãos, talvez a nossa vinha hoje esteja justamente aqui, no nosso bairro, na nossa comunidade, na nossa família.

A vinha de Deus está naquela pessoa que mora perto de nós e passa necessidade.

·         Está naquela mãe que cria os filhos sozinha.

·         Está naquele idoso que quase não recebe visitas.

·         Está naquele jovem que está perdido e precisa de alguém que acredite nele.

·         Está naquela família que está desempregada.

·         Está naquela pessoa que nós julgamos, mas que talvez esteja precisando simplesmente de alguém que lhe diga: “Eu estou com você.”

É aqui que a segunda leitura ilumina o nosso caminho.

São Paulo apresenta Jesus como aquele que “se humilhou”, assumiu a condição de servo e se entregou pelos outros.

Jesus não ficou apenas dizendo que amava. Ele serviu. Ele se abaixou. Ele tocou as feridas. Ele carregou a cruz.

Por isso, ser cristão não é somente vir à missa. É sair da missa diferente.

Não basta dizer: “Sim, Senhor!”

É preciso perguntar:

Onde o Senhor está me mandando trabalhar?


4. Uma Igreja que serve na periferia

Aqui na Paróquia Pai Misericordioso, nós vivemos numa realidade concreta. Temos dificuldades, famílias sofrendo, jovens procurando caminhos, pessoas enfrentando problemas financeiros, solidão, violência, dependências e tantas outras situações.

E Deus não colocou esta comunidade aqui por acaso.

Nós somos enviados para esta realidade.

Talvez não consigamos resolver todos os problemas. Mas podemos fazer alguma coisa.

·         Podemos visitar.

·         Podemos escutar.

·         Podemos rezar.

·         Podemos organizar uma ação solidária.

·         Podemos formar uma Conferência de São Vicente de Paulo.

·         Podemos cuidar de uma família.

·         Podemos olhar para quem ninguém olha.

·         Podemos ser presença de Deus.

Isso é muito vicentino.


Conclusão

Meus irmãos e minhas irmãs, hoje Jesus nos pergunta:

Qual dos dois filhos somos nós? Aquele que diz “sim”, mas não faz? Ou aquele que talvez tenha começado dizendo “não”, mas depois permitiu que Deus transformasse seu coração?

São Vicente nos ensina que a santidade começa quando a fé deixa de ser apenas palavra e se transforma em serviço.

Que a nossa comunidade possa aprender com a AIC, com a Congregação da Missão e com as Filhas da Caridade que o amor precisa ter mãos, pés, olhos e coração.

E que, nesta semana, quando Deus nos disser: “Filho, vai trabalhar na minha vinha”, nós não apenas respondamos “sim”.

Que nossas atitudes possam dizer: “Senhor, aqui estou. Envia-me. Quero servir.”

E que, olhando para cada pessoa necessitada do nosso bairro, possamos enxergar não um problema, mas um irmão, uma irmã, o próprio Cristo que nos chama à caridade.

São Vicente de Paulo, rogai por nós e ensinai-nos a servir Cristo nos pobres. Amém.


São Vicente de Paulo, presbítero

 

Vicente (Pouy perto de Dax, França, 1581 — Paris, 27 de setembro de 1660), sacerdote, pároco, dedicou-se primeiro à evangelização das populações rurais, foi capelão das galeras e apóstolo da caridade entre os pobres, doentes e sofredores. Na sua escola se formaram sacerdotes, religiosos e leigos, que foram os animadores da Igreja na França, e sua voz se fez intérprete dos direitos dos humildes junto aos poderosos. Promoveu uma forma simples e popular de evangelização. Fundou as Damas da Caridade (AIC – 1617), os Padres da Missão (Lazaristas — 1625) e, junto com Santa Luísa de Marillac, as Filhas da Caridade (1633).

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Jesus a Mateus: -“Segue-me!” (Mt 9,9)


Reflexão para os Portadores da Misericórdia e a Associação da Medalha Milagrosa a partir de Mateus 9,9-13.

Tema: “Quero misericórdia, e não sacrifício”

 


1. Jesus nos chama apesar de nossas limitações

No Evangelho de hoje, Jesus passa pela coletoria de impostos e encontra Mateus, um homem considerado pecador e desprezado por muitas pessoas. Jesus não olha para ele com julgamento, mas com misericórdia. Aproxima-se e faz um convite simples e transformador: “Segue-me!”


Mateus se levanta e começa uma vida nova. Esse encontro nos mostra que Jesus não espera que sejamos perfeitos para nos chamar. Ele nos chama justamente porque precisamos de seu amor, de sua graça e de sua misericórdia.

Depois, Jesus senta-se à mesa com publicanos e pecadores. Diante das críticas dos fariseus, responde: “Quero misericórdia, e não sacrifício.”


Essas palavras nos ajudam a compreender o coração de Deus. O Senhor não deseja uma religião feita apenas de práticas exteriores, orações repetidas ou obrigações cumpridas. Ele deseja um coração capaz de amar, acolher, perdoar e cuidar daqueles que mais precisam.


Como Portadores da Misericórdia e membros da Associação da Medalha Milagrosa, somos convidados a contemplar esse modo de agir de Jesus.


Maria, Nossa Senhora das Graças, recorda-nos que a verdadeira devoção deve conduzir ao encontro com Cristo e transformar nossa maneira de viver. Quem se aproxima de Jesus e de Maria precisa aprender a olhar as pessoas com mais amor e menos julgamento.


Talvez encontremos, em nosso caminho, pessoas que pensam diferente de nós, que enfrentam dificuldades, que cometeram erros ou que estão afastadas da Igreja. O Evangelho nos pergunta: Estamos dispostos a nos aproximar dessas pessoas com misericórdia, como Jesus fez com Mateus?


Ser portador da misericórdia não significa apenas rezar pela humanidade, mas tornar-se instrumento do amor de Deus na vida concreta das pessoas.


Às vezes, uma palavra de consolo, uma visita a alguém enfermo, uma escuta paciente ou um gesto de perdão podem ser sinais da presença misericordiosa de Jesus.


São Vicente de Paulo também nos ensina, por meio de sua vida, que o amor a Deus se manifesta no serviço aos pobres e aos que sofrem.


Por isso, hoje, Jesus nos convida a levantar de nossas comodidades e segui-lo. Ele nos chama a deixar para trás o julgamento, a indiferença e o orgulho, para caminhar na direção de uma vida mais fraterna.


A misericórdia que recebemos de Deus precisa tornar-se misericórdia oferecida aos nossos irmãos.

 


2. Para refletir e partilhar

Convidamos cada participante a refletir sobre estas perguntas:


1.     Como Mateus, também reconheço que preciso da misericórdia de Jesus em minha vida?

2.     Tenho olhado para as pessoas com o olhar misericordioso de Cristo ou, às vezes, permito que o julgamento fale mais alto?

3.     Em minha família, comunidade ou grupo, quem está precisando de uma palavra de acolhimento, de perdão ou de esperança?

4.     Como posso tornar minha devoção a Nossa Senhora das Graças mais concreta por meio de gestos de caridade e serviço?


Pequeno compromisso da semana: Escolher uma pessoa que esteja precisando de atenção e realizar, em seu favor, um gesto concreto de misericórdia: uma visita, uma mensagem, uma oração, uma escuta ou uma ajuda fraterna.

 


3. Oração final:

Senhor Jesus, fonte de toda misericórdia,

assim como chamaste Mateus para seguir-te, chama também o nosso coração para uma vida nova.

Ensina-nos a reconhecer nossas fraquezas e a confiar sempre em teu amor.

Liberta-nos dos julgamentos precipitados, da indiferença e de tudo aquilo que nos impede de acolher nossos irmãos.

Que sejamos verdadeiros Portadores da Misericórdia, levando consolo aos que sofrem, esperança aos desanimados e amor aos que se sentem esquecidos.

Nossa Senhora das Graças, Mãe da Misericórdia, acompanha nossos passos e ajuda-nos a seguir Jesus com fidelidade.

São Vicente de Paulo, inspira-nos a servir Cristo na pessoa dos pobres e a reconhecer sua presença em cada irmão necessitado.

Que nossas orações se transformem em gestos concretos de amor e que nossa devoção produza frutos de caridade, humildade e fraternidade.

Jesus misericordioso, fazei o nosso coração semelhante ao vosso!

Amém. 🙏

sábado, 19 de setembro de 2026

Missão do Japão: 20/09/2026: XXV Domingo do Tempo Comum. ANO A Homilia


 

Meus irmãos e minhas irmãs, que a paz de Jesus esteja com todos vocês!

O Evangelho deste domingo nos apresenta uma parábola muito bonita e, ao mesmo tempo, provocadora: a parábola dos trabalhadores da vinha.

Jesus conta que um patrão saiu várias vezes ao longo do dia para contratar trabalhadores. Alguns começaram a trabalhar de madrugada; outros, pela manhã; outros, à tarde. E, no final do dia, todos receberam o mesmo pagamento.

Os que trabalharam desde cedo começaram a reclamar. Afinal, humanamente falando, parecia injusto que aqueles que trabalharam menos recebessem o mesmo salário.

Mas Jesus quer nos ensinar que a lógica de Deus é diferente da nossa: enquanto nós muitas vezes medimos as pessoas pelo que elas fazem, Deus olha para cada uma com amor e misericórdia.

1. Deus nunca se esquece de nós

Na primeira leitura, o profeta Isaías nos convida:

"Buscai o Senhor, enquanto pode ser encontrado; invocai-o, enquanto ele está perto."

E acrescenta que os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos, e os seus caminhos não são os nossos caminhos.

Quantas vezes queremos que Deus aja conforme os nossos critérios! Queremos respostas rápidas, soluções imediatas e que as coisas aconteçam exatamente como planejamos.

Mas Deus enxerga muito além daquilo que conseguimos enxergar.

Aqui, na realidade da nossa comunidade, quantas pessoas enfrentam dificuldades diariamente! Há famílias preocupadas com o sustento da casa, pessoas procurando emprego, mães e pais preocupados com os filhos, jovens sem saber que caminho seguir e pessoas carregando sofrimentos no seu íntimo.

A Palavra de Deus nos recorda que o Senhor não se esquece de nenhum de seus filhos.

Assim como o patrão da parábola saiu várias vezes para procurar trabalhadores, Deus continua saindo ao nosso encontro. Ele nos procura, nos chama e nos oferece uma oportunidade de recomeçar.

Não importa se você começou ontem ou se já caminha com Deus há muitos anos. A porta da misericórdia continua aberta!

 

2. Não tenha inveja da graça que Deus concede ao outro

No Evangelho, os trabalhadores que chegaram primeiro ficaram incomodados porque os últimos receberam o mesmo pagamento.

Eles olharam para o que os outros estavam recebendo e se esqueceram daquilo que também haviam recebido.

Isso acontece conosco?

Às vezes, ficamos tristes quando vemos alguém prosperar, receber uma oportunidade ou experimentar uma bênção que nós também desejávamos.

Na comunidade, isso pode acontecer quando alguém recebe uma responsabilidade, quando uma pastoral cresce, quando uma pessoa é reconhecida ou quando Deus concede uma graça a alguém que, na nossa opinião, não a merecia.

E então começamos a comparar, julgar e reclamar.

Mas Jesus nos convida a olhar para o outro com um coração diferente.

A bênção que Deus concede ao meu irmão não diminui o amor que Ele tem por mim.

Deus não precisa tirar de alguém para dar a outro. Sua misericórdia não é uma riqueza limitada.

Como missionários vicentinos, somos chamados a reconhecer a presença de Cristo em cada pessoa, especialmente nos pobres, nos esquecidos e naqueles que a sociedade costuma deixar para trás.

Não podemos anunciar um Deus misericordioso e, ao mesmo tempo, fechar o coração para quem precisa de uma nova oportunidade.

 

3. Nunca é tarde para responder ao chamado de Deus

Na parábola, alguns trabalhadores foram chamados quando o dia já estava terminando.

Eles poderiam pensar: "Agora já é tarde. Ninguém mais vai precisar de mim".

Mas o patrão também os chamou.

Essa é uma mensagem de esperança para todos nós!

Talvez alguém aqui pense: "Padre, já errei demais na vida. Já me afastei muito de Deus. Não tenho mais jeito".

Talvez alguém carregue a tristeza de ter abandonado a Igreja, de ter se afastado da família ou de ter tomado decisões das quais hoje se arrepende.

Mas escute com carinho esta Palavra: enquanto houver vida, haverá oportunidade de voltar para Deus e recomeçar.

O Senhor não olha apenas para o nosso passado. Ele também olha para aquilo que podemos nos tornar quando acolhemos sua graça.

Na segunda leitura, São Paulo nos recorda que Cristo deve ser glorificado em nossa vida. Ele compreende que viver é uma oportunidade de continuar servindo, testemunhando a fé e ajudando os irmãos.

Portanto, não basta dizer que acreditamos em Jesus. Precisamos permitir que essa fé transforme nossa maneira de viver.

Na família, no trabalho, na vizinhança e na comunidade, somos chamados a testemunhar Cristo com nossas atitudes.

Às vezes, uma palavra de carinho, uma visita a alguém que está sozinho, um alimento partilhado ou um pedido sincero de perdão podem ser sinais concretos da presença de Deus.

E nunca pensemos que é tarde demais para começar!

 

Conclusão

Meus irmãos e minhas irmãs, a parábola de hoje nos deixa três ensinamentos muito concretos:

·       Confie em Deus: Ele conhece suas lutas e não se esquece de você.

·       Não viva se comparando com os outros: alegre-se com as bênçãos que Deus concede aos seus irmãos.

·       Não tenha medo de recomeçar: Deus continua chamando você, mesmo quando parece que o dia está terminando.

Nesta Eucaristia, peçamos ao Senhor um coração semelhante ao seu: um coração que não exclui, não condena precipitadamente e não sente inveja do bem que acontece na vida do outro.

Que a nossa Paróquia seja verdadeiramente uma comunidade onde todos encontrem acolhida: os que chegaram primeiro e os que estão chegando agora; os que caminham há muitos anos e aqueles que estão voltando depois de muito tempo.

Que ninguém se sinta esquecido, rejeitado ou sem valor.

E que, inspirados por São Vicente de Paulo, aprendamos a reconhecer Jesus Cristo nos pobres e a servi-lo com amor, simplicidade e humildade.

Porque, no Reino de Deus, ninguém é amado por merecimento: todos somos alcançados pela graça e pela misericórdia do Pai. Amém!