segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Homilia – Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos



Irmãos e irmãs, hoje nos reunimos diante de Deus para recordar, com carinho e saudade, nossos irmãos e irmãs que já partiram desta vida. É um dia marcado pela lembrança, pelas lágrimas, mas, sobretudo, pela esperança.

 

Em Belo Horizonte, quantas famílias hoje visitam os cemitérios, levam flores, acendem uma vela e fazem uma oração por seus entes queridos! São gestos de amor que revelam uma verdade muito bonita: quem ama não esquece! Mas nós, cristãos, não recordamos nossos falecidos apenas com saudade. Recordamos com fé, porque acreditamos que a morte não tem a última palavra. Nossa última palavra é a vida!

Gostaria de destacar três ensinamentos da Palavra de Deus.

 

1. A fidelidade a Deus: permanecer firmes mesmo nas dificuldades.

Na primeira leitura, Jó, mesmo diante do sofrimento, da perda e da dor, faz uma declaração extraordinária de fé: “Eu sei que o meu Redentor está vivo!”

Jó perdeu muitas coisas, enfrentou sofrimentos e não compreendia tudo o que estava acontecendo. Mesmo assim, não abandonou sua confiança em Deus.

Também nós, diante da morte de alguém querido, fazemos perguntas, sentimos saudade e, às vezes, experimentamos uma dor que parece não ter fim. Mas a fé nos ensina a permanecer confiantes.

A fidelidade a Deus não significa nunca chorar. Jesus também chorou diante da morte de seu amigo Lázaro. Ter fé é continuar confiando em Deus mesmo quando nossos olhos estão cheios de lágrimas.

 

2. A esperança da salvação: em Cristo, a morte foi vencida.

São Paulo nos recorda, na segunda leitura, que Cristo ressuscitou dos mortos e se tornou o primeiro entre aqueles que morreram.

Esta é a grande esperança da nossa fé: Jesus morreu, mas ressuscitou! E porque Ele vive, nós também somos chamados à vida.

A morte não é o fim da nossa história. É a passagem para a eternidade de Deus.

Por isso, hoje não celebramos a morte como uma derrota definitiva, mas professamos nossa esperança na ressurreição. Rezamos por aqueles que partiram, confiando na misericórdia de Deus, que conhece o coração de cada pessoa e deseja salvar todos os seus filhos.

Como vicentinos, aprendemos com São Vicente de Paulo que o amor não termina nos gestos, mas permanece na eternidade. Cada gesto de caridade, cada cuidado com os pobres, cada palavra de perdão e cada serviço realizado em nome de Cristo têm valor diante de Deus.

 

3. A vida eterna: viver preparados para o encontro com o Senhor.

No Evangelho, Jesus nos convida: “Ficai preparados, com as lâmpadas acesas!”

Jesus não nos convida a viver com medo da morte, mas com responsabilidade e amor. Estar preparado é viver cada dia com o coração voltado para Deus.

É perdoar enquanto temos tempo, amar enquanto temos oportunidade, ajudar quem precisa, reconciliar-nos com quem estamos afastados e não deixar para amanhã o bem que podemos fazer hoje.

A vida eterna começa a ser construída aqui, nas pequenas atitudes de amor e fidelidade.

Não sabemos o dia nem a hora em que o Senhor virá ao nosso encontro. Mas podemos escolher como queremos viver até esse dia: com fé, esperança e caridade.

 

Concluindo:

Meus irmãos e minhas irmãs, hoje a saudade nos reúne, mas a esperança nos sustenta.

Talvez alguém tenha vindo à Igreja trazendo no coração o nome de seu pai, de sua mãe, de um filho, de um irmão, de um amigo ou de alguém muito querido. Entreguemos todos à misericórdia de Deus.

Que a Palavra de Jó também seja a nossa profissão de fé: “Eu sei que o meu Redentor está vivo!”

E que nunca nos esqueçamos: para quem acredita em Cristo, a morte não é o fim, mas o começo de uma vida que não terá mais dor, sofrimento nem separação.

Que Nossa Senhora, Mãe da Esperança, interceda por nossos falecidos e nos ajude a viver preparados para o encontro definitivo com seu Filho. Amém!

 

sábado, 31 de outubro de 2026

Missão do Japão: 01/11/2026: Solenidade de Todos os Santos. ANO A Homilia



Hoje celebramos a Solenidade de Todos os Santos. É uma festa muito bonita, porque nos recorda que a santidade não é um privilégio de algumas pessoas extraordinárias, mas uma vocação de todos nós.

Às vezes, quando pensamos em santos, imaginamos pessoas muito distantes da nossa realidade: pessoas que nunca erraram, que viveram experiências extraordinárias ou que realizaram grandes milagres. Mas a Palavra de Deus de hoje nos apresenta outro caminho.

Na primeira leitura, do Apocalipse, contemplamos uma multidão imensa, de todas as nações, povos e línguas, diante do Cordeiro. Isso nos ensina que a santidade não tem fronteiras, não depende de origem, condição social ou posição na Igreja. Deus chama todos à santidade!

E São João, na segunda leitura, nos recorda uma verdade maravilhosa: somos filhos e filhas de Deus! A santidade começa quando descobrimos que somos amados por Deus e procuramos viver como seus filhos.

1. A santidade hoje: viver as Bem-aventuranças

No Evangelho, Jesus apresenta as Bem-aventuranças. Ele nos mostra quem são os verdadeiramente felizes: os pobres em espírito, os mansos, os misericordiosos, os que promovem a paz, os que têm fome e sede de justiça e os que são perseguidos por causa do Reino.

Jesus não diz que são felizes aqueles que possuem mais dinheiro, mais poder, mais seguidores ou mais reconhecimento. A felicidade verdadeira está em viver segundo o coração de Deus.

E como viver a santidade hoje, nas nossas famílias, comunidades, paróquias e ambientes de trabalho?

  • É ser santo quando escolhemos perdoar em vez de alimentar o ressentimento.
  • É ser santo quando tratamos com respeito quem pensa diferente de nós.
  • É ser santo quando não fechamos os olhos diante da pobreza e do sofrimento.
  • É ser santo quando somos honestos, mesmo quando ninguém está olhando.
  • É ser santo quando levamos esperança a quem está desanimado.
  • É ser santo quando fazemos da nossa casa um lugar de amor e acolhida.

A santidade não é fugir do mundo, mas transformar o mundo com o amor de Cristo!

2. A santidade está em fazer bem as pequenas coisas

São Vicente de Paulo nos deixou um ensinamento muito bonito:

"A perfeição não consiste na multiplicidade das coisas que se fazem, mas em fazê-las bem, com o espírito com que Nosso Senhor realizava todas as suas obras."

Que ensinamento tão atual!

Às vezes, pensamos que precisamos fazer coisas grandiosas para sermos santos. São Vicente nos ensina que a santidade está na maneira como realizamos aquilo que Deus coloca em nossas mãos.

Não basta fazer muitas coisas na Igreja. É preciso fazer tudo com amor!

Não basta visitar os pobres. É preciso acolhê-los com dignidade.

Não basta participar da comunidade. É preciso construir comunhão.

Não basta rezar muitas orações. É preciso deixar que a oração transforme nossa maneira de viver.

Uma mãe que cuida dos filhos com amor, um trabalhador que exerce sua profissão com honestidade, um jovem que escolhe o caminho do bem, uma pessoa que visita um doente ou que oferece alimento a quem tem fome: todos podem viver a santidade!

Para nós, vicentinos, fica uma pergunta: quando encontramos um pobre, conseguimos reconhecer nele o próprio Cristo?

São Vicente compreendeu que servir os pobres é encontrar-se com Jesus. Portanto, a santidade também acontece quando nos aproximamos daqueles que a sociedade muitas vezes prefere ignorar.

3. Como a Igreja reconhece alguém como santo?

Talvez alguém se pergunte: afinal, como a Igreja reconhece oficialmente uma pessoa como santa?

A Igreja possui um processo sério de investigação, que procura verificar se aquela pessoa realmente viveu as virtudes cristãs de maneira exemplar e foi testemunha do Evangelho.

Podemos compreender esse caminho em quatro etapas:

  1. Servo(a) de Deus: quando a causa de beatificação é oficialmente aberta, iniciando-se a investigação da vida, dos escritos e dos testemunhos sobre a pessoa.
  2. Venerável: quando a Igreja reconhece que aquela pessoa viveu as virtudes cristãs de maneira heroica ou ofereceu sua vida por amor.
  3. Beato(a): depois do reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão. No caso dos mártires, não é necessário um milagre para a beatificação.
  4. Santo(a): depois da canonização, normalmente com o reconhecimento de um segundo milagre ocorrido após a beatificação.

Todo esse caminho passa por investigações na diocese, análises de especialistas e pelo Dicastério para as Causas dos Santos, até chegar à decisão do Papa.

Mas existe algo muito importante: a canonização não fabrica santos! A Igreja reconhece publicamente pessoas que já viveram uma vida de santidade e as apresenta como modelos para todos nós.

E aqui está uma beleza da festa de hoje: existem muitos santos canonizados, mas existem também incontáveis santos anônimos, pessoas que viveram e morreram fazendo o bem, sem aparecer nos livros, sem receber homenagens e sem ter seus nomes conhecidos.

Quem sabe nossos avós, nossos pais, pessoas simples da nossa comunidade, que viveram o Evangelho com amor e fidelidade, estejam entre essa multidão que contempla Deus face a face!

Conclusão: todos somos chamados à santidade!

Meus irmãos e minhas irmãs, a festa de Todos os Santos nos deixa três ensinamentos:

  • A santidade é possível hoje, na realidade concreta da nossa vida.
  • A santidade não consiste em fazer coisas extraordinárias, mas em fazer extraordinariamente bem as coisas ordinárias, com o amor de Jesus.
  • A santidade é um caminho que construímos diariamente, seguindo os passos de Cristo.

Não precisamos esperar grandes oportunidades para sermos santos. Podemos começar hoje, dentro de casa, no trabalho, na comunidade, na rua, no cuidado com os pobres e no perdão oferecido a quem nos ofendeu.

Que São Vicente de Paulo nos ensine a reconhecer Cristo nos pobres; que Nossa Senhora nos ajude a dizer nosso sim a Deus; e que todos os santos intercedam por nós.

E guardemos esta pergunta no coração:

Se Jesus olhasse hoje para a minha vida, encontraria nela os sinais das Bem-aventuranças?

Que um dia possamos fazer parte daquela multidão que ninguém consegue contar, vestida de branco, diante do Cordeiro, cantando eternamente a glória de Deus.

Amém!

Oração final

Senhor Jesus, nosso caminho de santidade, ajuda-nos a viver as Bem-aventuranças no cotidiano da nossa vida. Ensina-nos a fazer todas as coisas com amor, como São Vicente de Paulo nos ensinou. Dá-nos um coração pobre, misericordioso, justo e cheio de compaixão. Que não tenhamos medo de ser santos no mundo de hoje. E que, caminhando com todos os santos, possamos um dia contemplar tua face na eternidade. Amém!

Uma frase para encerrar a homilia:

"Não precisamos ser famosos para sermos santos; precisamos ser fiéis a Deus, amando muito nas pequenas coisas de cada dia."

 

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Reflexão: “Jesus cura uma mulher encurvada” (Lc 13,10-17)



1. Acolhida e introdução

Queridos irmãos e irmãs, Portadores da Misericórdia!

Hoje, somos convidados a contemplar Jesus que, ao entrar na sinagoga, encontra uma mulher que há dezoito anos vivia encurvada, incapaz de se endireitar. Enquanto muitos estavam preocupados com as regras e com aquilo que podia ou não ser feito no sábado, Jesus olha para aquela mulher, chama-a e lhe devolve a dignidade.

Esse Evangelho nos revela o coração misericordioso de Jesus: Ele não permanece indiferente diante do sofrimento humano. Ele vê, aproxima-se, chama, toca e liberta.

Como intercessores e membros da Associação da Medalha Milagrosa (AMM), somos chamados a cultivar esse mesmo olhar de Jesus. Nossa missão não é apenas rezar pelas pessoas, mas aprender a enxergar suas dores, acolher suas fragilidades e ser instrumentos da misericórdia de Deus na vida de quem sofre.


2. Reflexão: Jesus vê quem os outros não enxergam

O Evangelho começa apresentando uma mulher que sofria havia dezoito anos. Imaginem quantas dificuldades ela enfrentou durante esse tempo! Talvez sentisse dores físicas, cansaço, vergonha e até a sensação de ter sido esquecida por Deus e pelas pessoas.

Ela estava na sinagoga, no meio da comunidade, mas carregava uma dor que a impedia de olhar para a vida de frente.

Quantas pessoas vivem assim hoje?

Há pessoas encurvadas pelo peso das preocupações familiares, pelas doenças, pela solidão, pelo luto, pelas dificuldades financeiras e pelos sofrimentos espirituais. Há também pessoas que sorriem por fora, mas choram silenciosamente por dentro.

Muitas vezes, essas pessoas estão dentro de nossas igrejas, em nossas famílias e em nossas comunidades.

A primeira missão do intercessor é aprender a olhar como Jesus olha.

Jesus viu aquela mulher. Não passou por ela como se fosse invisível. Ele percebeu seu sofrimento e tomou a iniciativa de se aproximar.

Como Portadores da Misericórdia, precisamos perguntar a nós mesmos: Tenho percebido o sofrimento daqueles que estão ao meu redor? Tenho rezado pelas pessoas com o coração aberto às suas necessidades? Tenho oferecido acolhimento àqueles que precisam de uma palavra de esperança?

A intercessão começa quando deixamos de olhar apenas para nós mesmos e passamos a carregar, diante de Deus, as dores de nossos irmãos.


3. Jesus chama e devolve a dignidade

O Evangelho nos diz que Jesus chamou a mulher e declarou:

“Mulher, estás livre da tua doença.” (Lc 13,12)

Que palavras maravilhosas! Jesus não a define pela sua enfermidade. Para Ele, ela não é simplesmente uma mulher doente, mas uma filha de Abraão, uma pessoa amada por Deus e merecedora de dignidade.

Jesus coloca a pessoa acima de uma interpretação rígida da lei. Enquanto o chefe da sinagoga se irrita porque a cura aconteceu no sábado, Jesus recorda que aquele era justamente um momento para manifestar o amor de Deus.

Aqui encontramos uma grande lição para nossa vida espiritual: a misericórdia nunca pode ser menor do que o sofrimento de uma pessoa.

Às vezes, podemos nos preocupar tanto com nossas práticas religiosas que nos esquecemos daquilo que realmente agrada ao Senhor: amar, acolher, perdoar, cuidar e aliviar o sofrimento.

Nossa oração precisa nos tornar mais misericordiosos. Se rezamos o Terço, participamos da Eucaristia, usamos a Medalha Milagrosa e pedimos a intercessão de Nossa Senhora, mas permanecemos indiferentes à dor dos outros, precisamos permitir que o Evangelho transforme nosso coração.

Maria, na aparição da Medalha Milagrosa a Santa Catarina Labouré, recorda-nos a presença materna daquela que intercede por seus filhos. Como membros da AMM, somos convidados a confiar nessa intercessão e a levar às pessoas o amor de Cristo, especialmente àquelas que mais precisam de esperança.

Não somos nós que realizamos milagres por nossas próprias forças. É Deus quem age, segundo sua vontade. Nós somos chamados a interceder com fé, acompanhar com amor e permanecer ao lado de quem sofre.


4. O intercessor também ajuda a levantar os que estão caídos

Depois de ser curada, a mulher se endireitou imediatamente e começou a louvar a Deus.

A libertação devolveu-lhe a possibilidade de olhar para o alto, caminhar com mais liberdade e participar da vida comunitária de outra maneira.

Essa imagem nos ajuda a compreender nossa missão.

Interceder é apresentar a Deus aqueles que já não conseguem encontrar palavras para rezar. É rezar por quem perdeu a esperança, por quem está desanimado e por quem enfrenta uma situação aparentemente sem saída.

Mas é também estar disponível para ajudar essas pessoas a se levantarem.

Às vezes, uma visita pode aliviar a solidão de alguém. Uma mensagem pode devolver a esperança. Uma escuta atenta pode ajudar uma pessoa a suportar um momento difícil. Uma oração feita com fé pode recordar a alguém que ela não está abandonada.

Como Portadores da Misericórdia, somos chamados a ser presença de Deus na vida dos irmãos.

Isso não significa que todas as dificuldades desaparecerão imediatamente. A fé não nos dispensa das provações, mas nos ajuda a atravessá-las com esperança, confiando que Deus permanece conosco.

Por isso, nossa missão é rezar sem desanimar, amar sem escolher quem merece nosso amor e servir sem esperar reconhecimento.

5. Uma pergunta para nossa vida

Convido cada um a fazer um breve exame de consciência, em silêncio:

  • Quem é a pessoa encurvada que Deus está colocando diante de mim? Pode ser alguém da minha família, da comunidade ou do meu grupo de oração.
  • Que sofrimento tenho carregado em minhas orações? Tenho confiado verdadeiramente em Deus ou tenho permitido que o desânimo domine meu coração?
  • Como posso ser instrumento da misericórdia nesta semana? Além de rezar, que gesto concreto de amor posso realizar?

Não precisamos fazer coisas extraordinárias. Precisamos permitir que Deus realize coisas extraordinárias por meio de nossa fidelidade nas pequenas atitudes.


6. História para fixar a mensagem: A mão estendida

Certa vez, um homem idoso caminhava com muita dificuldade por uma rua. Suas costas estavam curvadas, seus passos eram lentos e ele carregava uma sacola pesada.

Muitas pessoas passaram por ele. Algumas olharam rapidamente, outras desviaram o caminho, e algumas estavam tão ocupadas que nem sequer perceberam sua presença.

Um menino que caminhava com a mãe viu o idoso e perguntou:

— Mamãe, por que aquele senhor está andando daquele jeito?

A mãe respondeu:

— Talvez ele esteja sofrendo, meu filho.

O menino continuou observando e perguntou:

— Mas por que ninguém o ajuda?

A mãe ficou em silêncio por alguns instantes. Então, aproximou-se do homem, ofereceu-lhe ajuda com a sacola e perguntou se ele precisava de alguma coisa.

O idoso agradeceu emocionado. Enquanto caminhavam juntos, contou que morava sozinho e que, ultimamente, sentia muita dificuldade para realizar até as tarefas mais simples.

Ao se despedirem, o menino segurou a mão da mãe e disse:

— Mamãe, hoje nós ajudamos aquele senhor a andar um pouquinho mais direito!

A mãe sorriu e respondeu:

— Sim, meu filho. Às vezes, não conseguimos tirar toda a dor de alguém, mas podemos ajudar essa pessoa a não carregar seu peso sozinha.

Naquela noite, antes de dormir, o menino fez sua oração:

— Jesus, obrigado porque hoje o Senhor nos mostrou alguém que precisava de ajuda. Amanhã, ensina-me a enxergar outras pessoas que precisam de nós.

Qual é a mensagem dessa história?

O menino compreendeu algo que nós também precisamos aprender: não basta perceber a dor; é preciso deixar que a dor do outro toque o nosso coração.

No Evangelho, Jesus não apenas viu a mulher encurvada. Ele se aproximou e a libertou.

Na nossa vida, nem sempre poderemos resolver todos os problemas, curar todas as doenças ou eliminar todos os sofrimentos. Mas podemos rezar, escutar, acolher, visitar e estender a mão.

A oração do intercessor não termina quando dizemos “Amém”. Ela continua quando nos tornamos instrumentos do amor que pedimos a Deus.


7. Oração final dos Portadores da Misericórdia

Senhor Jesus, rosto misericordioso do Pai,

Tu que viste a mulher encurvada e lhe devolveste a dignidade, olha também para nós e para todos aqueles que carregam o peso do sofrimento.

Visita, Senhor, os enfermos, os idosos, as famílias que enfrentam dificuldades, aqueles que vivem na solidão e todos os que perderam a esperança.

Pela intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria da Medalha Milagrosa, fortalece nossa fé e ensina-nos a perseverar na oração.

Que nunca sejamos indiferentes à dor dos nossos irmãos. Dá-nos olhos que enxerguem o sofrimento, ouvidos que saibam escutar, corações que acolham e mãos dispostas a servir.

Quando alguém estiver encurvado pelo sofrimento, ajuda-nos a oferecer uma palavra de esperança.

Quando alguém não conseguir rezar, ensina-nos a interceder por essa pessoa.

Quando alguém se sentir abandonado, faze de nós uma presença fraterna que recorde o teu amor.

Senhor, que sejamos verdadeiramente Portadores da Misericórdia, levando a todos a esperança que nasce do teu coração e a ternura maternal de Maria.

Que nossa oração se transforme em caridade, nossa fé se manifeste em gestos concretos e nossa vida seja um testemunho da tua misericórdia.

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós!

Jesus, eu confio em Vós!

Amém.

sábado, 24 de outubro de 2026

Missão do Japão: 25/10/2026: XXXI Domingo do Tempo Comum. ANO A Homilia



Meus irmãos e minhas irmãs, que a paz de Jesus esteja com todos vocês!


No Evangelho de hoje, um doutor da Lei pergunta a Jesus: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?» Jesus responde com muita clareza: amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento; e amar o próximo como a nós mesmos.


Jesus nos ensina que o amor a Deus e o amor ao próximo são inseparáveis. Não podemos dizer que amamos a Deus, a quem não vemos, se ignoramos o irmão que está ao nosso lado e precisa de nós.


A primeira leitura é muito concreta: Deus pede ao seu povo que não maltrate o estrangeiro, a viúva, o órfão e o pobre. E ainda nos recorda que não devemos explorar quem passa por dificuldades. O amor verdadeiro não fica apenas nas palavras: ele se transforma em cuidado, justiça e solidariedade.


Mas como viver esse amor num mundo marcado por tantas guerras, violências, divisões, egoísmo e indiferença?


Podemos compreender melhor esse desafio refletindo sobre três dimensões do amor: eros, philia e ágape.


Primeiro: o eros, o amor que nos atrai e nos faz desejar o bem.

É o amor que nasce da atração, do afeto, da beleza e do desejo de proximidade. Ele está presente no amor entre os esposos e na capacidade humana de se encantar pela vida. Quando vivido com respeito e responsabilidade, esse amor nos ensina que o outro não é um objeto para ser usado, mas alguém que merece ser amado e valorizado.


Segundo: a philia, o amor da amizade e da fraternidade.

É o amor que cria laços, constrói amizades, fortalece as famílias e nos ensina a caminhar juntos. É o amor que encontramos numa comunidade que acolhe, perdoa e ajuda. Em nossa paróquia, somos chamados a ser mais do que pessoas que frequentam a mesma igreja: somos irmãos e irmãs que se preocupam uns com os outros.


Terceiro: o ágape, o amor gratuito, generoso e que se doa.

É o amor que não pergunta apenas: «O que posso receber?», mas também: «O que posso fazer pelo outro?». É o amor que se entrega sem esperar recompensa, que perdoa, que acolhe quem foi rejeitado e que reconhece Jesus no rosto dos pobres.


Esse é o amor que vemos de maneira plena em Jesus Cristo!


E é também o amor que marcou a vida de São Vicente de Paulo. Ao encontrar os pobres, Vicente compreendeu que não bastava sentir compaixão: era preciso agir. Organizou a caridade, mobilizou pessoas, formou missionários e ensinou que servir os pobres é servir o próprio Cristo.


São Vicente não mudou o mundo sozinho. Ele despertou outras pessoas para amar e servir. E essa continua sendo a nossa missão!


Meus irmãos, imaginem como seria o mundo se nossas famílias vivessem mais o eros, como amor respeitoso e responsável; se nossas comunidades cultivassem mais a philia, como amizade e fraternidade; e se todos nós praticássemos mais o ágape, como entrega e serviço aos necessitados.


Teríamos menos violência, menos solidão, menos indiferença e mais esperança!


Por isso, a pergunta que fica para esta semana é simples: quem precisa experimentar o amor de Deus por meio de mim?


Talvez seja alguém da nossa família que precisa de paciência; um vizinho que vive sozinho; uma pessoa que passa fome; alguém que nos magoou e precisa do nosso perdão; ou alguém que está afastado da comunidade e precisa ser acolhido.

Não precisamos fazer coisas extraordinárias. Precisamos fazer as coisas ordinárias com um amor extraordinário.


Que o Senhor nos ajude a amar com o coração, com palavras e, sobretudo, com atitudes. Que, a exemplo de São Vicente de Paulo, saibamos reconhecer Jesus nos pobres e construir uma comunidade em que ninguém se sinta esquecido.

Porque um mundo melhor começa quando deixamos de perguntar apenas quem nos ama e começamos a perguntar a quem podemos amar e servir.


ORAÇÃO PELO BRASIL


Senhor Jesus, neste tempo de eleições em nosso Brasil, nós te pedimos que ilumines o coração e a consciência de cada eleitor. Que saibamos votar com amor, responsabilidade e compromisso com o bem comum, buscando sempre a verdade, a justiça e a dignidade de cada pessoa.


Abençoa o nosso país e aqueles que receberão a missão de governá-lo. Que o Brasil seja governado com amor, justiça e respeito aos direitos de todos, especialmente dos pobres, dos pequenos e dos mais necessitados.


Senhor, livra-nos do ódio, da violência, da corrupção e das divisões que ferem nosso povo. Ensina-nos a respeitar quem pensa diferente e a trabalhar juntos pela paz, pela fraternidade e por um futuro melhor para todos.


Que, a exemplo de São Vicente de Paulo, nunca nos esqueçamos de que a verdadeira grandeza de uma nação se manifesta no cuidado com os seus filhos mais vulneráveis.


Maria, Mãe Aparecida, padroeira do Brasil, intercede por nossa nação. Que o amor de Cristo inspire nossas escolhas e transforme nossas atitudes.


Senhor, que teu amor seja o fundamento de nossas escolhas, a justiça seja o caminho de nosso país e a dignidade humana seja respeitada por todos os que nos governam.


Amém!