quinta-feira, 7 de maio de 2026

Um Rio que liga Argentina e Uruguai

Contemplando o Rio da Prata a partir da Colônia Sacramento


Prata, rio localizado entre a Argentina e o Uruguai, é um vasto estuário formado pela união dos rios Paraná e Uruguai, sendo considerado o rio mais largo do mundo. Com cerca de 290-325 km de extensão, serve de fronteira natural, banha Buenos Aires e possui águas marrons, fluindo para o Atlântico. O nome "Río de la Plata" está ligado à busca europeia por prata e influenciou o nome da Argentina (deriva do latim argentum, que significa "prata"). Portanto, não é apenas uma fronteira geográfica, mas também um ponto central para a cultura, economia e lazer da região platina. Foi ao redor desse rio que vivemos experiências inesquecíveis em março de 2026.

Diác. Manuel, CM rende homenagem à Virgem Milagrosa


Num passado não muito distante, conheci pelas redes sociais, Manuel Gradin, estudante vicentino da Argentina, e, em 2022, ele veio fazer seu Seminário Interno em Belo Horizonte – MG, fazendo pastoral em nossa Paróquia Pai Misericordioso, quem de algum modo acompanhei, por também servir, como padre, na Paróquia. 

O noivo e os convidados


No início de 2026, recebemos o grato convite para participar de sua ordenação diaconal. Alguns paroquianos, das comunidades onde ele fez pastoral, mostraram-se interessados em participar. Afinal, fomos três paroquianas: Fátima, Imaculada e Ednalva, e eu. Chegando na Argentina, pelo Aeroparque Jorge Newbery, partimos para Belén de Escobar, região metropolitana de Buenos Aires, na tarde de 06 de março, onde fomos recepcionados pelo ordenando e seu amigo, brasileiro, o estudante vicentino, Icson Gentek. Tivemos a tarde livre e, à noite, fomos à missa na capela de Nossa Senhora das Graças, junto ao Colégio São Vicente de Paulo, onde vivem Manuel e mais dois padres companheiros: Miguel Palau e Juan Gatti.

Altar lateral da Virgem em Luján


No sábado, dia 07, aproveitamos a manhã para visitar Luján. Fomos em dois Ubers; por pouco, não chegamos a tempo de concelebrar a missa das 11h. Justo quando os padres estavam na procissão de entrada, uni-me a eles, graças ao meio de campo feito por Jonatan, amigo que havia conhecido dias antes, quando servi como tradutor em uma das reuniões do CIEV (Consórcio de Instituições Educacionais Vicentinos). Jonatan, muito obrigado! A Basílica Menor de Nossa Senhora de Luján é dedicada à Nossa Senhora de mesmo nome, padroeira da Argentina, e faz parte da Arquidiocese de Mercedes-Luján, cuja sede fica na Catedral Basílica de Mercedes-Luján, na cidade vizinha de Mercedes. Construída em estilo neogótico entre 1890 e 1935, a basílica já foi visitada por diversas autoridades, incluindo o Papa São João Paulo II e líderes argentinos de alto escalão. A basílica é fundamental para a peregrinação a Nossa Senhora de Luján, uma celebração anual com quase 150 anos de tradição, que atrai milhares de peregrinos em seus anos de maior movimento. A presença da Congregação da Missão em Luján é significativa. Talvez a figura mais ilustre seja o servo de Deus, padre Jorge María Salvaire, CM, que em 6 de maio de 1890, iniciou a construção do edifício com o formato que existe até hoje, bem como o exímio organizador de peregrinações.

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Painel do Servo de Deus, Pe. Jorge Salvarie, CM em exposição permanente na Basílica de Luján


Sim, a Congregação da Missão esteve responsável pela pastoral da Basílica de Luján de 1872 até o ano de 2001. Em 28 de fevereiro de 1872, o pároco, Pe. Eugenio Freret e três coirmãos franceses assumiram a custódia do Santuário. Os Vicentinos foram fundamentais na construção do templo e na difusão do culto à Virgem de Luján. Além da assistência litúrgica, fundaram escolas, lares e obras de solidariedade na região, com foco na evangelização dos pobres. Em 2001, após quase 130 anos, a gestão pastoral da Basílica de Luján passou para as mãos dos padres diocesanos. Luján se despediu dos Missionários Vicentinos em uma aglomerada missa em 11 de novembro, às 20 horas, reunindo uma multidão de fiéis que choravam a despedida dos Construtores e Guardiões do Santuário. Em dezembro daquele mesmo ano, a comissão organizadora daquela despedida, já com os ânimos acalmados, publicou uma carta para expressar as “manifestações públicas de gratidão, veneração e admiração” a todos aqueles que participaram “desse gesto tão nobre e espiritual”, acrescentando ainda: “A humildade do subsolo da Basílica, transformado em cripta de expressão multifacetada da devoção mariana, é um símbolo dos 128 padres e irmãos vicentinos que atuaram temporária, reiterada ou permanentemente no Santuário. Poucos têm placas comemorativas, mas todos foram chamados a estar inscritos no Livro da Vida. A difusão da Palavra de Deus, a celebração diária da memória da Paixão e morte de Cristo, a santificação pelos sacramentos do batismo, da eucaristia e da reconciliação de milhões de cristãos de todas as classes sociais..., tudo isso, somado à ação solidária e caritativa que, por meio de organismos especializados..., se expandiu até mesmo às dioceses mais remotas da República... Havia motivos para essas manifestações de gratidão, e vocês, assim como nós, sentiram o impacto dessa saída dos Padres Vicentinos”. Também um artigo, escrito por ocasião da partida da CM de Luján por um membro de outra congregação religiosa, começava assim: “Atrás deles e para sempre, permanece de pé aquela bela Basílica mariana, sentinela da fé e testemunha do trabalho incansável desta comunidade missionária, que, pedra a pedra, pedido após pedido, ofereceu à Virgem Gaúcha sua bela casa. Os vicentinos viveram evangelizando Luján e sua zona de influência durante quase 130 anos (1872-2001). Os anos deixam marcas e tecem amizades no coração de uma paróquia que hoje vê partir esses guardiões do santuário com dor, mas com muita gratidão”. (SARASOLA, Ventura. Santuario de Nuestra Señora de Luján - Argentina. In Vincentiana, Vol. 47, No. 5-6 Art. 59, 2003).

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Alguns Coirmãos presentes na ordenação


A noite de sábado foi especial, pois nos reunimos na Capela do Colégio em Escobar para a missa de ordenação de Manuel e recepção. Estiveram presentes muitos coirmãos da Província APU (Argentina, Uruguai e Paraguai), amigos e familiares do neodiácono. Foi um momento de festa, fraternidade e celebração, em que pudemos conhecer presencialmente muitos que só tínhamos contatos virtuais e rever pessoas queridas como Angelina, German e Jorge.

Obelisco no centro de Buenos Aires


No domingo, dia 08, fomos a Buenos Aires, visitamos o centro histórico da cidade: Obelisco, erguido em comemoração ao quarto centenário da fundação da cidade; Catedral Metropolitana de Buenos Aires, dedicada à Santíssima Trindade e que nos trouxe à memória o saudoso Papa Francisco; e Casa Rosada, localizada em frente à Praça de Maio, a sede do Poder Executivo da Argentina; logo almoçamos na casa provincial. Ali conhecemos o Pe. Daniel Boglioto, CM, que falava português por ter feito missão em Moçambique, bem como estivemos com outros padres e visitantes, entre eles, o Pe. Daniel Rosales, CM, Visitador Provincial. Os coirmãos foram muito solícitos e prepararam uma tradicional carne argentina para nós, visitantes. À tarde, retornamos a Escobar, onde tivemos missa acolitada pelo neodiácono, missa essa que não pude concelebrar, pois me haviam pedido para atendendo confissões. Em seguida, saímos a jantar com Diác. Manuel e Victória numa churrascaria próxima a Escobar. 

Pe. Carlos, CM nos mostra o Santuário da Milagrosa em Buenos Aires


Já era segunda-feira, 09 de março, e uma das nossas companheiras de viagem, Ednalva, tinha que voltar ao Brasil. Assim que partimos de Escobar para Buenos Aires, encontramos Antônio Medrano e almoçamos com o Pe. Carlos González e os demais coirmãos que residem no Santuário La Milagrosa, que igualmente foram muito amáveis e acolhedores, preparando uma massa deliciosa para nós. Deixamos Ednalva no aeroporto e aproveitamos o restante do dia no centro da capital.

Pe. Miguel, CM nos acolhe em Uruguai


Na manhã do dia seguinte, 10 de março, Imaculada, Fátima e eu cruzamos o Prata rumo a Montevidéu. O ideal seria ir de barco, mas alguns de nós temiam a água. Chegando no Uruguai, fomos acolhidos, ainda no Aeroporto Internacional de Carrasco, pelo Pe. Miguel Paez, que nos conduziu até a comunidade do Santuário da Medalha Milagrosa e Santo Agostinho. Ali nos esperavam Pe. Héctor Oviedo e o estudante Maykol Cortes. Na manhã do mesmo dia, caminhamos pelo bairro La Unión, onde fica o Santuário, e, à tarde, fomos ao Centro Histórico de Montevidéu e visitamos o Museu da Casa do Governo, a Catedral Basílica da Imaculada Conceição, São Felipe e São Tiago de Montevidéu e o Teatro Solis.

Pe. Hector, CM nos acolhe na Comunidade de Montevideu


No dia seguinte, 11 de março, o Pe. Miguel nos levou a conhecer Colônia do Sacramento, uma cidade histórica no Uruguai, reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO, fundada em 1680 por portugueses. Ela é famosa pelo seu centro histórico com arquitetura luso-espanhola e ruas de pedra, fica às margens do Rio da Prata, oferecendo um charmoso refúgio com ótimos restaurantes, vinhos e um belo pôr do sol. Vale salientar que a cidade abriga o Museu Português e o Museu Espanhol, evidenciando a história de disputas territoriais. Conta-se, que alguns anos após o Descobrimento do Brasil, uma expedição portuguesa comandada por Martim Afonso de Sousa chegou com suas caravelas até o estuário do Rio da Prata, com a missão de colocar marcos de posse portuguesa na margem esquerda da foz daquele rio, tendo, entretanto, sido incapaz de completá-la em razão do naufrágio de sua embarcação. A vila é maravilhosa; visitamos a Basílica do Santíssimo Sacramento, o cais e o farol. Almoçamos na Colônia e compramos lembrancinhas e alfajores antes de retornar a Montevidéu.

Sem. Maykol, CM nos guia pelo bairro União


No dia 12 de março, aproveitamos para descansar; ficamos todo o dia em casa, as meninas fizeram quitutes e eu maratonei uma série brasileira em pleno Uruguai, “Dona Beja”. À tarde retornamos a Buenos Aires. Esperava-nos, no Aeroparque, o confrade Sebastian Gramajo, que nos ofereceu um jantar e, como bom xeneize, nos levou para conhecer La Bombonera, estádio do Boca Juniors. Sebastian coroou nossa estada fazendo-se um conosco, mostrando-se próximo e especialmente solícito. Deus o retribua por tamanha generosidade.

Cde. Sebastián nos guia por Buenos Aires


Na manhã da sexta-feira, dia 13 de março, partimos de Buenos Aires, Argentina, para Belo Horizonte, Brasil. Esta viagem à Argentina foi espetacular; diferente da última vez, não tive imprevistos desagradáveis, estive por mais tempo, escutei o povo sobre a realidade do país, especialmente os motoristas de Uber. Os coirmãos foram um rio, não de prata, mas de ouro, o ouro da fraternidade, da acolhida e do cuidado. A todos, nominamos ou não, o nosso muito obrigado. Que a caridade e a missão, aprendidas de Jesus, a modelo vicentino, continuem fazendo-nos um. Que Deus os abençoe e sigam sob a poderosa proteção da Virgem Milagrosa! Amém. 🤗🚗✈️

Obrigado, Manu, pelo convite




Gracias por todo. Dios los bendiga a todos. 

sábado, 2 de maio de 2026

Missão do Japão: 03/05/2026: V Domingo da Páscoa. ANO A Homilia

 


Queridos irmãos e irmãs,

 

neste 5º Domingo da Páscoa, a Palavra de Deus nos conduz a um caminho profundamente consolador, mas também exigente. No Evangelho (Jo 14,1-12), Jesus Cristo nos diz: “Não se perturbe o vosso coração”. Ele conhece nossas inquietações, nossos medos, nossas inseguranças — e responde não com teorias, mas com a sua própria pessoa: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.

Não é apenas um ensinamento; é um convite. Jesus não mostra um caminho… Ele é o Caminho.

 

1. Um coração que confia em meio às dificuldades

A primeira leitura (At 6,1-7) mostra que, desde o início, a Igreja enfrentava conflitos e desafios. Havia divisões, reclamações, tensões. E o que fazem os apóstolos? Não entram em desespero. Eles organizam, discernem e, sobretudo, mantêm o essencial: a oração e o serviço da Palavra.

 

Isso nos ensina algo muito concreto:
a fé não elimina os problemas, mas nos dá um modo diferente de enfrentá-los.

 

Quantas vezes também nós ficamos perturbados diante das dificuldades familiares, financeiras, pastorais… E esquecemos de escutar a voz de Cristo: “Não se perturbe o vosso coração”. Não é um convite à passividade, mas à confiança ativa.

 

2. Pedras vivas de uma Igreja viva

Na segunda leitura (1Pd 2,4-9), somos chamados de “pedras vivas”. Isso é forte! A Igreja não é feita de estruturas, mas de pessoas que vivem unidas a Cristo.

 

Cada um de nós tem um lugar na construção do Reino. Ninguém é inútil. Ninguém é descartável.

Mas há uma condição: estar unido à “pedra angular”, que é Cristo. Quando nos afastamos d’Ele, perdemos o sentido, ficamos desencaixados, sem direção.

 

3. O caminho vicentino: deixar Deus agir em nós

Aqui entra com força o pensamento de São Vicente de Paulo:

“É preciso sair de si mesmo para entrar em Deus… pedir-lhe que fale em nós e por nós.”

 

Esse pensamento é profundamente evangélico. Jesus mesmo diz: “As palavras que vos digo não são minhas, mas do Pai”.

Ou seja: o verdadeiro discípulo não vive centrado em si mesmo, mas em Deus.

Quantas vezes fazemos o contrário:

- queremos resolver tudo sozinhos

- confiamos apenas na nossa inteligência

- agimos por impulso ou vaidade

- E aí… estragamos a obra de Deus.

São Vicente nos lembra: se deixarmos Deus agir, Ele fará a obra — e bem feita.

 

4. Aplicações práticas para a vida

A Palavra de hoje não pode ficar só na reflexão. Ela pede decisões concretas:

1. Cultivar a confiança em Deus
Diante das preocupações, rezar mais do que reclamar. Antes de agir, colocar tudo nas mãos de Deus.

2. Buscar a vontade de Deus antes de decidir
Perguntar sempre: “Senhor, o que queres de mim?” — seja na família, no trabalho ou na missão.

3. Viver como “pedra viva” na comunidade
Assumir responsabilidades, servir com generosidade, não ser apenas espectador na Igreja.

4. Sair de si mesmo
Praticar a caridade concreta, especialmente com os mais pobres — coração do carisma vicentino.

5. Deixar Deus falar através de nós
Cuidar das palavras: evangelizar, consolar, orientar… e evitar críticas destrutivas, fofocas e divisões.

 

5. Conclusão: um caminho que é pessoa

Jesus não nos deixou um mapa, mas uma presença. Ele é o Caminho.

Segui-Lo significa:

- confiar mesmo sem entender tudo

- servir mesmo quando custa

- amar mesmo quando não somos correspondidos

- E, acima de tudo, deixar que Deus viva e aja em nós.

 

Que hoje possamos pedir a graça de um coração menos perturbado e mais confiante. Um coração que não quer brilhar por si mesmo, mas que permite que Deus brilhe através dele.

 

Amém.

sábado, 25 de abril de 2026

Missão do Japão: 26/04/2026: IV Domingo da Páscoa: Bom Pastor | ANO A Homilia





Queridos irmãos e irmãs,

 

celebramos hoje o 4º Domingo da Páscoa, tradicionalmente conhecido como o Domingo do Bom Pastor. A Palavra de Deus nos conduz a uma imagem profundamente consoladora: Jesus que se apresenta como aquele que cuida, chama, conduz e dá a vida por suas ovelhas.

 

No Evangelho de hoje (Jo 10,1-10), Jesus afirma algo forte e decisivo: “Eu sou a porta das ovelhas”. Não é apenas um caminho entre outros. Ele é a porta, aquele por quem entramos para a vida verdadeira. Quem passa por Ele encontra segurança, alimento e liberdade: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.”

 

Essa imagem do pastor e das ovelhas não fala de domínio, mas de relação. O pastor conhece suas ovelhas, chama cada uma pelo nome, e elas reconhecem sua voz. Aqui está o centro da vocação cristã: ouvir a voz de Deus e segui-la.

 

Na primeira leitura (At 2,14a.36-41), vemos o início dessa dinâmica. Após o anúncio de Pedro, o povo pergunta: “O que devemos fazer?” E Pedro responde: “Convertei-vos!” Ou seja, abrir o coração, deixar-se tocar, mudar de direção. E o resultado é impressionante: milhares acolhem a Palavra e iniciam uma nova vida.

 

Já na segunda leitura (1Pd 2,20b-25), São Pedro nos recorda que Cristo é o pastor que nos conduz pelo amor que se entrega: “Éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas.” Jesus não guia de longe; Ele guia dando a própria vida, carregando nossas dores, curando nossas feridas.

 

E é exatamente nesse contexto que a Igreja celebra hoje a Jornada Mundial de Oração pelas Vocações. Somos convidados a olhar para essa figura do Bom Pastor e perguntar: quem continuará essa missão no meio do povo de Deus?

 

O Papa nos recorda a importância de “abrir brechas no coração dos fiéis”, para que cada um descubra com gratidão o chamado de Deus. Porque vocação não é privilégio de poucos — é um chamado para todos: à vida, ao amor, ao serviço.

Mas, de modo especial, hoje rezamos pelas vocações sacerdotais e consagradas. E aqui ecoa com força o pensamento de São Vicente de Paulo, que dizia:

“Dos padres depende a felicidade do cristianismo… quando os fiéis veem um pastor caridoso, eles o seguem.”

 

É uma palavra exigente, irmãos. Porque um bom pastor aproxima as pessoas de Deus… mas um mau pastor pode afastá-las profundamente.

 

Por isso, São Vicente insistia: formar bons pastores é uma das missões mais importantes da Igreja. Pastores que não busquem a si mesmos, mas que sejam reflexo do coração de Cristo — próximos, misericordiosos, disponíveis.

 

E aqui talvez caiba uma pergunta muito concreta para nós hoje:

Que tipo de voz nós estamos escutando?
E mais ainda:

Estamos ajudando outros a escutar a voz de Deus?

 

Quantas vocações podem estar sendo sufocadas por falta de apoio, de incentivo, de oração dentro das próprias famílias! Quantos jovens nunca se perguntaram seriamente: “Senhor, o que queres de mim?”

Por isso, o compromisso de hoje não é algo secundário. É essencial:

·         rezar pelas vocações

·         incentivar nas famílias e comunidades

·         criar um ambiente onde a voz de Deus possa ser ouvida

Talvez, na sua casa, Deus esteja chamando alguém… um filho, uma filha… e essa voz precisa ser acolhida, não abafada.

 

Irmãos, Jesus continua dizendo: “Eu sou a porta.”
Mas Ele também continua chamando pastores segundo o seu coração.

 

Que nesta Eucaristia possamos renovar nossa disposição de ouvir sua voz… e ajudar outros a ouvi-la também.

Que Maria, Mãe do Bom Pastor, interceda por nós, e que nunca faltem à Igreja santos e bons pastores.

Amém.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

CM 401 anos: Memória histórica, discernimento teológico e compromisso pastoral

Coirmãos da PBCM tem Assembleia Provincial na Dazenda do Engenio no contexto dos 401 da Congregação da Missão


A celebração dos 401 anos da Congregação da Missão, fundada em 17 de abril de 1625 por São Vicente de Paulo, oferece à Igreja uma ocasião singular para refletir sobre a fecundidade histórica e a profundidade espiritual dessa instituição que atravessou quatro séculos sem perder a vitalidade do seu carisma originário. Inserida no contexto das profundas transformações sociais, econômicas e religiosas da França do século XVII, a chamada “Pequena Companhia” surgiu como resposta concreta às urgências evangelizadoras da época, especialmente diante da situação de abandono material e espiritual das populações rurais. A fundação da Congregação não se limitou a uma reorganização de estruturas eclesiais, mas expressou uma nova forma de compreender a evangelização: uma evangelização encarnada, itinerante, próxima dos pobres e permeada pela caridade pastoral.

Desde os seus primórdios, a Congregação da Missão se consolidou como um espaço de renovação evangelizadora profundamente enraizado na experiência espiritual de São Vicente. Seu carisma, centrado na evangelização dos pobres, na formação do clero e na promoção de uma caridade simultaneamente afetiva e efetiva, revelou-se profeticamente alinhado às necessidades mais urgentes da Igreja. A originalidade vicentina não residia apenas na sensibilidade diante da miséria humana, mas na percepção teológica de que os pobres constituem um lugar privilegiado da revelação de Deus e, portanto, um critério de discernimento da autenticidade evangélica. Trata-se de uma opção que ultrapassa o âmbito moral ou sociológico e alcança a esfera propriamente teológica: os pobres não são simplesmente destinatários da ação missionária, mas sujeitos que interpelam e convertem a Igreja.

Essa perspectiva moldou uma verdadeira mística missionária. Para Vicente de Paulo, a missão não era um programa pastoral, mas um modo de ser: assumir o dinamismo kenótico do Cristo evangelizador dos pobres, deixar-se conduzir pelo Espírito e configurar-se continuamente ao Evangelho. A missão vicentina, assim entendida, é inseparável de uma espiritualidade encarnada, marcada pela simplicidade, pela humildade e pela disponibilidade. Esses pilares não constituem apenas virtudes pessoais, mas critérios de uma prática pastoral que busca ser transparente ao modo de agir de Jesus. A caridade vicentina, por sua vez, ganha densidade teológica ao ser compreendida como participação na própria compaixão de Cristo; uma caridade que se expressa tanto no cuidado material quanto na promoção espiritual, integrando a pessoa em sua totalidade.

Ao longo de quatro séculos, a Congregação da Missão manteve viva essa herança espiritual, adaptando-a às contingências históricas sem diluir sua identidade. Em diversos contextos e continentes, missionários vicentinos assumiram tarefas evangelizadoras, educativas, sociais e formativas, respondendo de modo criativo às necessidades emergentes. A formação do clero, elemento constitutivo do carisma, ganhou relevância especial em períodos de crise eclesial, contribuindo para a renovação pastoral e espiritual da Igreja. Em diferentes épocas, o perfil missionário vicentino demonstrou uma capacidade notável de inculturar o Evangelho, assumindo desafios locais e oferecendo respostas que uniam rigor teológico, discernimento espiritual e sensibilidade pastoral.

Celebrar 401 anos, significa realizar uma memória agradecida, mas também crítica, capaz de iluminar o presente e abrir horizontes para o futuro. A reflexão teológica sobre a história da Congregação indica que os desafios contemporâneos exigem uma releitura profunda do carisma vicentino à luz das realidades atuais. O mundo hodierno apresenta novas formas de pobreza e exclusão: econômicas, afetivas, espirituais, culturais e digitais, que interpelam diretamente o carisma da evangelização dos pobres. A mudança de época descrita pelo recente magistério eclesial e continuamente reafirmada pela prática pastoral da Igreja convida a Congregação a reinterpretar, com fidelidade criativa, a urgência missionária que motivou sua fundação.

Torna-se imprescindível desenvolver uma pastoral que não apenas “vá ao encontro” dos pobres, mas que os reconheça como protagonistas da evangelização. Esse movimento exige uma conversão pastoral que supere modelos assistencialistas, promovendo processos de autonomia, participação e formação integral. A tradição vicentina fornece elementos fundamentais para essa tarefa: a atenção às necessidades concretas, o discernimento comunitário, a caridade organizada e a espiritualidade que integra ação e contemplação. Ao mesmo tempo, a formação do clero, hoje tão impactada pelas transformações culturais e pela complexidade das demandas pastorais, necessita ser continuamente renovada segundo o ideal vicentino de pastores próximos do povo, atentos à realidade e movidos pela caridade pastoral.

O aniversário dos 401 anos da Congregação da Missão não é apenas uma comemoração histórica, mas um exercício eclesial de discernimento. Em um contexto global marcado por desigualdades crescentes, tensões sociopolíticas e desafios éticos profundos: como as guerras, a migração forçada, a crise ambiental, a insegurança alimentar e as novas vulnerabilidades do mundo digital, o carisma vicentino revela sua perene atualidade. Ele convida a Congregação e toda a família vicentina a responder pastoralmente com criatividade, coragem e fidelidade ao Evangelho. A espiritualidade vicentina, centrada na caridade concreta e na evangelização encarnada, permanece como fonte inspiradora para a construção de uma Igreja verdadeiramente missionária, sinodal e comprometida com os últimos.

Celebrar os 401 anos da Congregação da Missão é reafirmar a força de um carisma que, longe de se esgotar, continua a fecundar a vida da Igreja e da sociedade. A Pequena Companhia, nascida de uma profunda experiência espiritual e de uma leitura atenta dos sinais dos tempos, permanece como testemunho vivo de que a missão cristã se renova continuamente quando se enraíza na simplicidade do Evangelho e se orienta pela centralidade dos pobres. A continuidade desta história depende da capacidade de cada geração de missionários de cultivar a chama da caridade, de viver a humildade como forma evangélica de autoridade e de manter o ardor missionário que caracteriza a vocação vicentina. Este aniversário é um convite a aprofundar a identidade, fortalecer a missão e renovar o compromisso com o Reino de Deus, que se manifesta de modo particular nos rostos feridos e esperançosos dos pobres.

Fonte: Eliseu Wisniewsk na Unisinos

sábado, 28 de março de 2026

Missão do Japão: 29/03/2026: Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor | ANO A Homilia

 


Neste Domingo de Ramos, iniciamos a Semana Santa com um movimento profundo: saímos em procissão com ramos nas mãos, aclamando Jesus como Rei, e, logo em seguida, escutamos a narrativa da sua Paixão. A liturgia nos conduz do entusiasmo à entrega, da festa à cruz. Não é contradição — é revelação: o verdadeiro rosto de Cristo só se compreende quando unimos esses dois momentos.

No Evangelho da entrada em Jerusalém (Mt 21,1-11), Jesus é acolhido com alegria, mas escolhe entrar montado num jumentinho. Esse gesto é cheio de significado: Ele é um Rei, sim — mas um rei diferente, que não impõe, não domina, não oprime. Ele vem com humildade, com mansidão, com um projeto de paz. Já na narrativa da Paixão (Mt 27,11-54), vemos esse mesmo Jesus sendo rejeitado, julgado e crucificado. Aquele que foi aclamado é o mesmo que será abandonado. Aqui está um espelho da nossa própria vida: quantas vezes também nós oscilamos entre acolher e rejeitar, entre seguir e desistir.

A primeira leitura (Is 50,4-7) nos apresenta o Servo Sofredor, aquele que escuta a Deus e permanece fiel, mesmo diante da dor. Ele não foge, não reage com violência, mas confia. Esse rosto se cumpre em Jesus. E São Paulo, na carta aos Filipenses (Fl 2,6-11), nos revela o coração desse mistério: Cristo se esvaziou, se fez servo, e foi obediente até a morte de cruz. A lógica de Deus não é a do poder, mas a do amor que se doa completamente.

Os ramos que carregamos hoje são mais do que um símbolo bonito. Eles representam nossa decisão de acolher Jesus. Mas a liturgia nos provoca: esse acolhimento é superficial ou verdadeiro? É só um momento ou é um compromisso? Porque seguir Jesus não é apenas cantar “Hosana”, mas também caminhar com Ele quando a cruz aparece.

Por isso, a Igreja no Brasil nos convida, neste dia, a dar um passo concreto com a Coleta da Solidariedade, expressão da Campanha da Fraternidade 2026. Não basta contemplar o Cristo que sofre — somos chamados a reconhecê-Lo nos que sofrem hoje. A coleta é um gesto simples, mas profundamente evangélico: partilhar, cuidar, assumir responsabilidade com os mais pobres. É transformar a fé em caridade concreta.

E qual ação prática podemos assumir hoje?
Levar para esta semana uma decisão simples, mas verdadeira: escolher um gesto concreto de amor que custe algo de nós. Pode ser reconciliar-se com alguém, visitar uma pessoa doente ou solitária, ajudar uma família necessitada, escutar com paciência quem precisa, ou fazer uma oferta generosa na coleta. O importante é que não seja algo automático, mas uma resposta consciente ao amor de Cristo.

Neste Domingo de Ramos, a liturgia nos convida a deixar de ser apenas espectadores e nos tornarmos discípulos. Não apenas admirar Jesus, mas segui-Lo. Não apenas carregar ramos nas mãos, mas carregar no coração a decisão de amar como Ele amou.

Que ao longo desta Semana Santa possamos caminhar com Cristo — da entrada em Jerusalém até a cruz — com a certeza de que o amor vivido até o fim sempre conduz à vida nova. 

Amém.

sábado, 14 de março de 2026

Missão do Japão: 15/03/2026: 4º Domingo da Quaresma | ANO A (Jo 9,1-41) Homilia



Queridos irmãos e irmãs,

Neste 4º Domingo da Quaresma, a Igreja nos convida a experimentar um sentimento especial: a alegria. Mesmo estando ainda no caminho penitencial da Quaresma, já podemos enxergar no horizonte a luz da Páscoa do Senhor. É como se a Igreja dissesse: “Coragem! A luz já está aparecendo. A ressurreição está próxima.”

As leituras de hoje nos falam justamente sobre ver com os olhos de Deus e sair da escuridão para a luz.

1. Deus vê diferente de nós 

Na primeira leitura (1Sm 16), o profeta Samuel vai escolher um novo rei para Israel. Quando ele vê os filhos fortes e imponentes de Jessé, pensa: “Certamente é este o escolhido!”.

Mas Deus o corrige com uma frase profunda:

“O homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração.”

E quem é escolhido? Davi, o menor, o pastor de ovelhas, aquele que nem tinha sido chamado para a reunião.

Essa leitura nos ensina algo muito importante:

Deus não olha currículo, aparência ou posição social. Ele olha o coração.

Quantas vezes nós também julgamos as pessoas pela aparência, pela posição ou pelos erros do passado? Deus, porém, enxerga possibilidades de graça onde nós vemos apenas limitações.

2. De trevas para luz 

Na segunda leitura (Ef 5,8-14), São Paulo nos lembra:

“Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor.”

A Quaresma é justamente este caminho:

sair das trevas e caminhar para a luz.

Trevas podem ser muitas coisas em nossa vida:

rancores guardados no coração

indiferença com quem sofre

egoísmo dentro da família

falta de tempo para Deus

A luz, porém, aparece quando:

perdoamos

ajudamos quem precisa

recomeçamos com humildade

voltamos para Deus

Por isso Paulo conclui com um chamado forte:

“Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará.”

3. O cego que passou a ver 

No Evangelho (Jo 9,1-41), vemos um dos sinais mais belos realizados por Jesus: a cura do cego de nascença.

Jesus não apenas devolve a visão física daquele homem. Ele faz algo ainda maior: abre seus olhos espirituais.

Enquanto o cego começa a enxergar cada vez mais claramente quem é Jesus, os fariseus — que pensavam enxergar tudo — ficam cada vez mais cegos.

É um contraste forte:

quem era cego passa a ver

quem dizia ver permanece na cegueira

O grande milagre não foi apenas recuperar a visão.

O verdadeiro milagre foi reconhecer Jesus como Senhor.

4. A cegueira que ainda existe hoje

Este Evangelho também fala de nós.

Existem muitas formas de cegueira hoje:

cegueira diante do sofrimento dos pobres

cegueira diante das necessidades da própria família

cegueira diante das injustiças

cegueira espiritual que nos faz viver sem Deus

Às vezes enxergamos muito bem com os olhos do corpo, mas muito pouco com os olhos do coração.

A Quaresma é o tempo em que Jesus quer fazer conosco o mesmo gesto que fez com o cego:

tocar nossos olhos e devolver nossa verdadeira visão.

5. Aproxima-se a alegria da Páscoa 

Este domingo é chamado de Domingo da Alegria porque já sentimos a proximidade da Páscoa.

É como quando a madrugada começa a clarear antes do nascer do sol. Ainda é noite, mas já percebemos a luz chegando.

A Páscoa é exatamente isso:

Cristo ressuscitado iluminando toda a nossa vida.

Por isso a pergunta de hoje é simples:

O que Jesus precisa iluminar na minha vida?

Talvez:

uma relação familiar ferida

uma tristeza que carregamos há anos

uma fé que esfriou

um pecado que precisamos abandonar

Jesus quer nos dizer hoje:

“Eu sou a luz do mundo.”

6. Aplicação prática para nossa vida hoje 

Neste caminho para a Páscoa, podemos assumir três atitudes concretas:

  1. Pedir a Jesus que cure nossa cegueira. Reconhecer com humildade: “Senhor, eu preciso enxergar melhor.”
  2. Aprender a olhar as pessoas como Deus olha. Com misericórdia, sem julgamentos e com compaixão.
  3. Ser luz para alguém. Às vezes uma palavra, uma visita, um gesto de carinho pode iluminar o dia de alguém que está na escuridão.

Conclusão 

Irmãos e irmãs,

Estamos caminhando para a Páscoa. A cada domingo a luz fica mais forte.

Peçamos hoje ao Senhor:

que cure nossas cegueiras

que ilumine nossos corações

e que nos ajude a viver como filhos da luz.

Assim, quando chegar a noite santa da Páscoa, poderemos proclamar com alegria:

“Eu era cego… e agora vejo!”

Amém. 🙏

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Missão do Japão: 01/03/2026: 2º Domingo da Quaresma | ANO A (Mt 17,1-9) Homilia


Irmãos e irmãs, o 2º Domingo da Quaresma nos convida a dar um passo a mais no caminho iniciado na Quarta-feira de Cinzas. Se no primeiro domingo fomos levados ao deserto das tentações, hoje somos conduzidos ao monte da Transfiguração. A Quaresma é exatamente isso: um caminho que passa pela renúncia, mas que aponta para a luz; um tempo de conversão que não termina na cruz, mas se abre para a Páscoa.

 

1. “Sai da tua terra” (Gn 12,1)

A primeira leitura apresenta o chamado de Abraão. Deus lhe diz: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai”. Abraão não recebe um mapa detalhado, apenas uma promessa. Ele precisa confiar e partir.


Este é o movimento quaresmal: sair. Sair das seguranças falsas, dos hábitos que nos aprisionam, das atitudes que nos afastam de Deus e dos irmãos. Quaresma não é só deixar algo exterior, mas permitir que Deus nos desinstale interiormente.

Na vida de hoje, isso significa perguntar:
– De que “terra” Deus está me chamando a sair?
– Que comodismo, medo ou pecado preciso deixar para trás para crescer na fé?

 

2. “Participa comigo dos sofrimentos” (2Tm 1,8b-10)

São Paulo lembra a Timóteo que seguir Cristo não é caminho de facilidades, mas de compromisso. Ele fala de uma graça que nos foi dada em Cristo Jesus, que venceu a morte e fez brilhar a vida.


A Quaresma nos ajuda a compreender que a cruz não é o fim, mas passagem. Assumir as dificuldades com fé — na família, no trabalho, na missão, na vivência da Igreja — é participar da obra salvadora de Deus.

Aplicando à nossa realidade:
– Quantas vezes queremos a glória sem o esforço da fidelidade?
– Quantas vezes nos calamos diante do sofrimento alheio para não “nos comprometer”?

 

3. A Transfiguração: vislumbrar a glória para não desistir (Mt 17,1-9)

No Evangelho, Jesus Cristo leva Pedro, Tiago e João ao monte e se transfigura diante deles. Aparecem Moisés e Elias, e a voz do Pai proclama: “Este é meu Filho amado, escutai-o!”
Jesus oferece aos discípulos uma experiência de luz antes da cruz, para que não desanimem quando chegarem a Jerusalém.

 

Também nós, na Quaresma, somos chamados a subir ao monte:
– pela oração mais intensa,
– pela escuta atenta da Palavra,
– pela caridade concreta.

 

Esses momentos de encontro com Deus não nos afastam da realidade; ao contrário, nos fortalecem para descer do monte e continuar a missão, mesmo quando ela exige sacrifício.

 

4. Aplicação prática para hoje

Viver bem este tempo quaresmal significa:

- Escutar mais a voz de Jesus: reservar tempo para a Palavra e o silêncio.

- Confiar como Abraão: dar passos de fé, mesmo sem ter todas as respostas.

- Assumir a cruz com esperança: transformar dificuldades em ocasião de crescimento espiritual.

- Descer do monte: levar para a vida concreta — família, trabalho, comunidade — a luz que recebemos na oração.

 

Conclusão

A Quaresma nos educa a caminhar com os olhos fixos na promessa de Deus. A Transfiguração nos lembra que a última palavra não é o sofrimento, mas a vida. Que, fortalecidos por esta liturgia, saibamos ouvir o Filho amado e continuar firmes no caminho da conversão, certos de que a Páscoa já desponta no horizonte. Amém.