quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Missão do Japão: 18/10/2026: XXIX Domingo do Tempo Comum. ANO A Homilia

 


Meus irmãos e minhas irmãs, que a paz de Jesus esteja com todos vocês!

Neste domingo, a Palavra de Deus nos convida a refletir sobre três questões muito importantes para a nossa vida: a quem pertence a nossa vida, como devemos viver a nossa fé e de que maneira podemos ser missionários no mundo de hoje.

E tudo isso ganha um significado especial porque celebramos o 100º Dia Mundial das Missões, com o tema escolhido pelo Papa Leão XIV: «Um em Cristo, unidos na missão».

É um convite para compreendermos que a missão da Igreja não é responsabilidade apenas dos padres, das religiosas ou daqueles que partem para terras distantes. Todo cristão batizado é chamado a anunciar o Evangelho com a própria vida.

Mas vamos por partes.

 

1. A Deus pertence a nossa vida

No Evangelho, Jesus é colocado diante de uma armadilha.

Algumas pessoas perguntam se é permitido ou não pagar o imposto a César, o imperador romano. Se Jesus respondesse que sim, poderia ser acusado de apoiar o domínio romano. Se respondesse que não, poderia ser acusado de revolta contra o império.

Mas Jesus, conhecendo a malícia deles, pede que lhe mostrem a moeda do imposto.

Então, pergunta: «De quem é a figura e a inscrição desta moeda?»

Eles respondem: «De César».

E Jesus conclui: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus!»

Jesus não está dizendo que podemos viver divididos entre Deus e o mundo, como se a fé não tivesse nada a ver com a nossa vida cotidiana.

Ele está nos ensinando a reconhecer nossas responsabilidades na sociedade, sem jamais esquecer que Deus deve ocupar o primeiro lugar em nosso coração.

Precisamos trabalhar, pagar nossas contas, cuidar da família, respeitar as leis justas e participar da vida da comunidade. Mas também precisamos ter consciência de que não podemos colocar o dinheiro, o poder, a política ou os interesses pessoais acima da vontade de Deus.

E há um detalhe muito bonito nessa passagem.

A moeda trazia a imagem de César. Mas nós, seres humanos, fomos criados à imagem e semelhança de Deus!

Portanto, a pergunta que fica para nós é: se a moeda pertence a César, a quem pertence a nossa vida?

Nossa vida pertence a Deus!

E devolver a Deus o que é de Deus significa entregar-lhe nosso coração, nossas escolhas, nosso tempo, nossos talentos e nossa capacidade de amar.

Não adianta colocar uma oferta no altar se, depois, fechamos os olhos para quem passa fome. Não adianta rezar o terço se alimentamos o ódio contra o nosso irmão. Não adianta participar da missa se não procuramos viver a Palavra de Deus dentro de casa.

A fé verdadeira transforma a nossa maneira de viver!

 

2. Deus pode contar conosco para transformar o mundo

Na primeira leitura, do profeta Isaías, encontramos uma mensagem surpreendente.

Deus fala de Ciro, rei da Pérsia, que não pertencia ao povo de Israel, mas que seria instrumento para realizar os seus desígnios e favorecer a libertação do seu povo.

Isso nos ensina uma coisa muito importante: Deus pode agir por caminhos inesperados e servir-se de pessoas diferentes de nós para realizar o bem.

Às vezes, pensamos que somente as pessoas que frequentam a igreja podem fazer alguma coisa boa. Mas Deus nos surpreende!

Ele pode agir por meio de um vizinho que ajuda uma família necessitada, de uma pessoa que luta pela dignidade dos trabalhadores, de alguém que visita um doente ou de uma mãe que enfrenta tantas dificuldades para cuidar dos filhos.

Onde existe o bem, a justiça, a solidariedade e o compromisso com a dignidade humana, encontramos sinais da ação de Deus.

Isso não significa que tudo o que acontece seja vontade de Deus, nem que devamos aceitar as injustiças. Pelo contrário: nossa fé nos compromete a trabalhar por um mundo mais justo e fraterno.

E aqui podemos recordar São Vicente de Paulo.

São Vicente descobriu que não bastava falar do amor de Deus. Era necessário fazer com que esse amor chegasse concretamente aos pobres.

Ao encontrar pessoas passando fome, crianças abandonadas, doentes sem assistência e famílias sem condições de viver com dignidade, Vicente compreendeu que a evangelização precisava caminhar de mãos dadas com a caridade.

Ele nos ensina que não podemos separar o amor a Deus do amor aos pobres.

Para São Vicente, servir uma pessoa necessitada era uma maneira concreta de servir ao próprio Cristo.

Meus irmãos e minhas irmãs, quantas situações semelhantes encontramos em nossa periferia!

Há famílias enfrentando dificuldades financeiras, jovens precisando de oportunidades, idosos que sofrem com a solidão, pessoas desempregadas e famílias que carregam dores que nem sempre conhecemos.

Diante dessas realidades, podemos perguntar: o que Deus espera de nós?

Talvez não possamos resolver todos os problemas do mundo. Mas podemos começar fazendo o bem a quem está perto de nós.

Uma cesta básica partilhada, uma visita a quem está doente, uma palavra de consolo, uma ajuda a uma família desempregada, uma oportunidade oferecida a um jovem: tudo isso pode ser instrumento da providência de Deus.

Quem entrega a vida a Deus aprende a colocar a vida a serviço dos irmãos!

 

3. Uma comunidade unida se torna missionária

Na segunda leitura, São Paulo agradece a Deus pela comunidade cristã de Tessalônica. Ele reconhece a fé que essa comunidade vivia, o amor que colocava em prática e a esperança que a sustentava.

Aquela comunidade não era perfeita, mas procurava viver o Evangelho e testemunhar Jesus Cristo.

É isso que também Deus espera da nossa comunidade da Paróquia.

Não basta termos uma igreja cheia. Precisamos ser uma comunidade cheia de amor!

Não basta termos pastorais, movimentos e grupos. Precisamos trabalhar unidos, respeitando os diferentes dons e carismas que Deus concede a cada pessoa.

Não basta esperar que o padre faça tudo. A missão pertence a todos nós!

E essa é justamente a mensagem do Papa Leão XIV para o 100º Dia Mundial das Missões: «Um em Cristo, unidos na missão».

O Santo Padre nos recorda que a missão nasce da nossa união com Jesus e se fortalece quando vivemos reconciliados, colaborando uns com os outros.

Uma comunidade dividida por fofocas, disputas, inveja e ressentimentos enfraquece o testemunho do Evangelho.

Por outro lado, uma comunidade que sabe perdoar, acolher, partilhar e trabalhar em conjunto torna visível o amor de Deus.

Imaginem uma comunidade em que cada pessoa se sinta responsável pela missão!

Os jovens evangelizando outros jovens. As famílias ajudando outras famílias. Os idosos testemunhando a fé. Os ministros visitando os doentes. As pastorais trabalhando em comunhão. Os dizimistas contribuindo para sustentar a evangelização. Todos rezando pelas vocações e ajudando os missionários que anunciam o Evangelho em outras partes do mundo.

Que beleza seria se cada pessoa que entrasse nesta igreja encontrasse não apenas um lugar de oração, mas também uma família que acolhe, escuta e cuida!

E não precisamos esperar grandes acontecimentos para começar.

A missão começa dentro de casa, quando escolhemos o diálogo em vez da violência; começa na rua, quando respeitamos nossos vizinhos; começa no trabalho, quando agimos com honestidade; começa na comunidade, quando acolhemos quem chega e procuramos quem se afastou.

Ser missionário é permitir que Jesus chegue às pessoas por meio das nossas palavras, das nossas atitudes e do nosso amor.

 

Conclusão: O que vamos devolver a Deus?

Meus irmãos e minhas irmãs, voltemos à pergunta de Jesus:

«Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus!»

Hoje, Jesus nos pergunta o que estamos fazendo com a vida que recebemos de Deus.

Estamos usando nossos dons apenas para o nosso próprio benefício ou também para ajudar os outros?

Estamos construindo pontes de união ou alimentando divisões?

Estamos preocupados somente com os nossos problemas ou conseguimos olhar para o sofrimento de quem caminha ao nosso lado?

Neste 100º Dia Mundial das Missões, inspirado pela mensagem do Papa Leão XIV e pelo testemunho de São Vicente de Paulo, façamos um compromisso concreto.

Nesta semana, procuremos uma pessoa que esteja precisando de ajuda e façamos por ela um gesto de amor. Pode ser uma visita, uma escuta atenta, uma ajuda material ou uma palavra de esperança.

E façamos isso não para aparecer, não para receber elogios, mas porque reconhecemos no irmão o rosto de Jesus.

Que São Vicente de Paulo nos ensine a amar a Deus com as mãos e com o coração.

Que o Pai Misericordioso nos ajude a construir uma comunidade cada vez mais acolhedora, fraterna e missionária.

E que Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, nos acompanhe no caminho da missão.

Porque, quando estamos unidos a Cristo e servimos os nossos irmãos, nossa vida se transforma em oferta agradável a Deus.

Amém!

 

Sugestão para concluir a celebração

Após a homilia, pode-se convidar a assembleia a repetir, como compromisso missionário:

Celebrante: A quem pertence a nossa vida?

Assembleia: A Deus, que nos chama a amar e servir!

Celebrante: Qual é a nossa missão?

Assembleia: Anunciar Jesus Cristo, unidos no amor e no serviço aos pobres!

Celebrante: Qual é o nosso compromisso?

Assembleia: Ser um em Cristo, unidos na missão!


domingo, 11 de outubro de 2026

Homilia – Nossa Senhora da Conceição Aparecida



Leituras: Est 5,1b-2;7,2b-3; Ap 12,1.5.13a.15-16a; Jo 2,1-11.

Meus queridos irmãos e irmãs, queridas crianças e famílias!

Hoje é um dia de muita alegria! Celebramos Nossa Senhora Aparecida, Mãe de Jesus e Padroeira do Brasil. É uma festa para agradecer a Deus pelo carinho de Maria, que nos acompanha, protege nossas famílias e nos conduz sempre a Jesus.

No Evangelho, Maria está numa festa de casamento em Caná. De repente, o vinho acaba. Parece um problema pequeno, mas poderia causar tristeza e constrangimento aos noivos. Maria percebe a dificuldade e procura ajudar. Ela diz a Jesus: “Eles não têm mais vinho”.

Vejam, crianças: Maria ama porque presta atenção! Ela percebe aquilo de que os outros precisam. O amor verdadeiro é assim: não pensa somente em si, mas se preocupa com a felicidade dos outros.

Jesus realiza seu primeiro sinal e transforma a água em vinho. Esse milagre revela que Deus pode transformar nossas dificuldades em oportunidades de esperança. Ele pode transformar a tristeza em alegria, a briga em reconciliação e a indiferença em amor.

Isso não significa que Deus sempre resolverá tudo exatamente como queremos, mas que nunca estamos sozinhos e podemos confiar nele.

E por que Nossa Senhora Aparecida é tão querida pelo povo brasileiro? Porque sua pequena imagem nos recorda que Deus realiza grandes coisas por meio dos pequenos e humildes. Encontrada por pescadores no Rio Paraíba do Sul, ela se tornou sinal de esperança para milhões de brasileiros. Sua imagem, de cor negra, também nos convida a reconhecer a dignidade de todos, especialmente dos pobres, dos simples e daqueles que tantas vezes são esquecidos.

Na primeira leitura, Ester demonstra coragem para defender seu povo. No Apocalipse, vemos a imagem de uma mulher protegida por Deus em meio às dificuldades. Essas leituras nos recordam que Deus não abandona seus filhos e que Maria, unida à missão de Jesus, é para nós sinal de esperança.

Como missionários vicentinos, aprendemos que amar Maria significa também amar Jesus presente nos pobres, nas crianças, nas famílias que passam necessidades e em todos os que precisam de nossa ajuda.

Por isso, Maria nos ensina o caminho da santidade com uma frase muito simples: “Fazei tudo o que ele vos disser!”

Pais, ensinem seus filhos a rezar. Crianças, conversem com Nossa Senhora como vocês conversam com a mamãe de vocês. Rezem juntos, peçam sua intercessão e, principalmente, procurem imitar seu amor.

Uma história para guardar no coração

Certa vez, uma menina chamada Mariana ganhou de sua avó uma pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida.

— Vovó, se eu rezar para Nossa Senhora, ela vai fazer um milagre para mim? — perguntou a menina.

A avó sorriu e respondeu:

— Minha filha, Nossa Senhora sempre nos ensina a confiar em Jesus. Mas sabe qual milagre você pode começar a fazer hoje?

Mariana ficou curiosa:

— Qual, vovó?

— Você pode transformar a tristeza do seu irmão em alegria, dividindo seus brinquedos com ele. Pode transformar a preocupação da mamãe em tranquilidade, ajudando nas tarefas de casa. E pode transformar a solidão de uma colega em amizade, sentando-se ao lado dela na escola.

No dia seguinte, Mariana viu uma colega brincando sozinha no recreio. Lembrou-se da avó, aproximou-se dela e a convidou para brincar.

Quando chegou em casa, correu para contar:

— Vovó, hoje fiz um milagre!

A avó a abraçou e disse:

— Minha filha, quando deixamos o amor de Jesus passar por nossas mãos, o mundo fica um pouquinho melhor. E tenho certeza de que Nossa Senhora está feliz por você ter aprendido isso!

Moral da história: os maiores milagres nem sempre acontecem com água transformada em vinho. Muitos começam quando abrimos o coração para amar, perdoar, repartir e cuidar uns dos outros.

Oração final

Nossa Senhora Aparecida, Mãe querida do povo brasileiro, protege nossas crianças e nossas famílias. Ensina-nos a perceber quem precisa de ajuda, a confiar em Jesus nas dificuldades e a fazer de nossas casas lugares de amor, perdão e oração.

Abençoa nosso povo, especialmente os pobres e os que sofrem. Que nunca nos falte a fé, a esperança e a caridade.

Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós! Amém.

* * * * * 

Mãezinha do céu, eu não sei rezar / Eu só sei dizer: Eu quero te amar / Azul é seu manto, branco é seu véu  / Mãezinha eu quero te ver lá no céu (2x).

sábado, 10 de outubro de 2026

Missão do Japão: 10/10/2026: XXVIII Domingo do Tempo Comum. ANO A Homilia

 


Meus irmãos e minhas irmãs, que a paz de Jesus esteja com todos vocês!

Hoje, a Palavra de Deus nos fala de uma festa. O profeta Isaías anuncia um banquete preparado pelo Senhor para todos os povos. No Evangelho, Jesus compara o Reino dos Céus a um rei que prepara a festa de casamento de seu filho e convida muitas pessoas.

Mas acontece algo triste: os convidados não dão importância ao convite. Estão ocupados demais com seus próprios interesses e deixam de participar da alegria que lhes foi preparada.

Irmãos e irmãs, Deus continua nos convidando para a sua festa! Ele nos chama para a Missa, para a oração, para a vida em comunidade e, sobretudo, para o amor ao próximo. Mas será que temos dado a Deus o lugar que Ele merece em nossa vida? Será que não estamos tão preocupados com o trabalho, as dificuldades financeiras e os problemas de casa que acabamos nos esquecendo da fé e dos irmãos?

Na periferia, conhecemos bem o peso da vida. Há famílias que lutam para colocar o pão na mesa, mães que choram pelos filhos, jovens que enfrentam a falta de oportunidades e pessoas que sofrem com a violência. Justamente para essas pessoas, Deus prepara uma mesa de vida, dignidade, esperança e fraternidade.

São Paulo nos ensina, na segunda leitura, que aprendeu a viver tanto na abundância como na necessidade, confiando naquele que lhe dá força. Isso não significa aceitar a injustiça ou cruzar os braços diante do sofrimento. Significa manter a esperança em Deus e continuar lutando pelo bem, mesmo quando a caminhada é difícil.

Hoje, também olhamos com carinho para Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira do Brasil. Maria, que apareceu pequena e frágil nas águas do rio Paraíba, tornou-se sinal de esperança para milhões de brasileiros. Sua imagem nos recorda que Deus olha com amor para os pequenos, os pobres e os esquecidos.

Peçamos à Mãe Aparecida que proteja nosso Brasil. Que ela interceda pelas famílias, pelos desempregados, pelas crianças, pelos jovens e pelos idosos. Que ajude nossos governantes a trabalharem com honestidade, justiça e compromisso com os mais pobres. Que nosso país supere a violência, a fome, a corrupção e a divisão, e se torne uma grande família, onde todos tenham pão, moradia, trabalho e dignidade.

E há um detalhe importante no Evangelho: o rei encontra um homem sem a veste adequada para a festa. Essa imagem nos recorda que não basta aceitar o convite de Deus com palavras; precisamos vestir a roupa do amor, da misericórdia e da conversão. Não basta estar na igreja: precisamos levar Jesus para dentro de nossas casas e para as ruas do nosso bairro.

Certa vez, um homem muito simples recebeu um convite para participar de uma grande festa. Ficou muito feliz, mas, olhando para suas roupas velhas, pensou: “Não tenho uma roupa bonita para essa ocasião. Acho que não posso ir”.

O dono da festa soube da situação e mandou entregar-lhe uma roupa nova. O homem ficou agradecido, vestiu a roupa e foi para a festa.

No caminho, porém, encontrou um vizinho que passava fome. O homem parou, partilhou com ele o alimento que levava e o ajudou a chegar até sua casa. Quando finalmente chegou à festa, estava um pouco atrasado, mas levava no coração uma alegria muito maior: havia ajudado alguém que precisava.

O dono da festa o recebeu com alegria, porque percebeu que aquele homem não tinha apenas vestido uma roupa nova por fora; seu coração também estava revestido de amor.

A roupa que Deus deseja de nós é a roupa da misericórdia, da solidariedade e da caridade!

No Evangelho de hoje, Jesus nos ensina que somos todos convidados para a festa do Reino de Deus. Mas não basta aceitar o convite apenas com palavras. É preciso mudar o coração e demonstrar nossa fé por meio de nossas atitudes.

De que adianta participar da Missa e ignorar um vizinho que passa necessidade? De que adianta rezar a Nossa Senhora Aparecida e não tratar com amor as pessoas da nossa própria família?

Meus irmãos, Nossa Senhora Aparecida nos aponta o caminho de Jesus. Que ela nos ajude a vestir, todos os dias, a roupa do amor e da fraternidade, especialmente junto aos mais pobres e sofridos.

Para levarmos para casa, fica esta pergunta: se Jesus olhasse hoje para a roupa do nosso coração, encontraria nela os sinais do amor?

Como missionários e discípulos de Jesus, seguindo o exemplo de São Vicente de Paulo, somos chamados a reconhecer Cristo nos pobres e a transformar nossa fé em gestos concretos de caridade.

Que Nossa Senhora Aparecida nos ensine a dizer “sim” a Deus, e que esse “sim” se transforme em serviço, solidariedade e compromisso com o nosso povo.

Amém! 🙏

sábado, 3 de outubro de 2026

Missão do Japão: 04/10/2026: XXVII Domingo do Tempo Comum. ANO A Homilia

 


Meus irmãos e minhas irmãs,

O Evangelho de hoje nos apresenta uma imagem muito bonita e, ao mesmo tempo, muito séria: um homem planta uma vinha, cuida dela, cerca, prepara tudo e espera que ela produza frutos.

 

Essa vinha representa a nossa vida, a nossa família, a nossa comunidade e também o mundo que Deus colocou em nossas mãos.

Na primeira leitura, o profeta Isaías também fala da vinha. Deus diz: “Que mais poderia eu ter feito por minha vinha que eu não tenha feito?”

 

É uma pergunta que também podemos fazer para nossa vida:
Deus já fez tanto por mim... Que frutos estou produzindo?

Deus nos deu a vida. Deu-nos uma família, pessoas que nos amam, uma comunidade, dons, oportunidades, a fé e, sobretudo, Jesus Cristo. Deus não deixa de cuidar de nós.

Mas o problema da vinha do Evangelho é que ela recebeu muito e produziu pouco.

 

E aqui está uma primeira mensagem para nós: não basta receber de Deus; precisamos produzir frutos.

Que frutos?

·        Frutos de amor.

·        Frutos de perdão.

·        Frutos de solidariedade.

·        Frutos de paciência.

·        Frutos de honestidade

·        Frutos de serviço.

Às vezes, queremos uma Igreja que faça muitas coisas por nós. Mas Jesus também pergunta: “O que você está fazendo pelos outros?”

Na comunidade, na família, no trabalho, na vizinhança: que fruto a minha presença está produzindo?

 

Meus irmãos, uma família pode morar numa casa simples, pode enfrentar dificuldades financeiras, problemas, enfermidades e tantas preocupações. Mas, quando existe amor, perdão e união, aquela casa se transforma numa verdadeira vinha de Deus.

 

E o contrário também acontece: uma casa pode ter muitas coisas materiais, mas se falta diálogo, respeito e perdão, os frutos são amargos.

 

São Vicente de Paulo nos ensina que a fé precisa chegar às mãos e aos pés. Não basta dizer que amamos a Deus; precisamos cuidar dos seus filhos, especialmente dos mais pobres e sofridos.

Por isso, a pergunta do Evangelho é muito concreta:
Que fruto Deus está esperando de mim?

·        Talvez hoje Deus esteja esperando que eu perdoe alguém.

·        Talvez esteja esperando que eu volte a conversar com alguém da minha família.

·        Talvez esteja esperando que eu pare de reclamar e comece a ajudar.

·        Talvez esteja esperando que eu volte a rezar.

·        Talvez esteja esperando que eu procure novamente a Igreja.

·        Talvez esteja esperando simplesmente que eu seja mais paciente com quem vive ao meu lado.

 

A segunda leitura nos ajuda nesse caminho. São Paulo diz: “Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai a Deus as vossas necessidades, pela oração.”

Isso é muito importante para nós que vivemos tantas preocupações.

Há problemas que não conseguimos resolver imediatamente. Há contas, enfermidades, desemprego, conflitos familiares, preocupações com os filhos e tantas outras coisas.

São Paulo não está dizendo: “Não tenha problemas”.

Ele está dizendo: “Não carregue seus problemas sozinho.”

Coloque-os nas mãos de Deus.

Reze. Converse com Deus. Confie.

E depois faça a sua parte.

A oração não substitui a responsabilidade. A oração nos dá força para assumir nossa responsabilidade.

 

Por isso São Paulo termina dizendo para praticarmos aquilo que aprendemos e recebemos.

É uma fé que se transforma em vida.

Meus irmãos, o Evangelho também nos apresenta uma verdade muito forte: os trabalhadores da vinha rejeitam até mesmo o filho do proprietário. É uma referência a Jesus, o Filho enviado pelo Pai.

Jesus é aquele que veio até nós, mas muitas vezes também é rejeitado.

·        Nós o rejeitamos quando rejeitamos o irmão.

·        Nós o rejeitamos quando fechamos o coração para quem sofre.

·        Nós o rejeitamos quando somos incapazes de perdoar.

·        Nós o rejeitamos quando pensamos somente em nós mesmos.

 

Mas existe uma boa notícia: Deus não desiste da sua vinha. Deus não desiste de nós.

·        Mesmo quando produzimos poucos frutos, Ele continua cuidando.

·        Mesmo quando erramos, Ele nos oferece uma nova oportunidade.

·        Mesmo quando caímos, Ele nos levanta.

 

É por isso que esta Palavra não deve nos deixar tristes, mas deve nos ajudar a começar de novo.

Hoje, ao sair desta igreja, leve uma pergunta no coração:

“Senhor, que fruto o Senhor espera de mim nesta semana?”

·        Talvez seja um telefonema.

·        Um pedido de perdão.

·        Uma visita.

·        Uma ajuda.

·        Uma oração.

·        Um gesto de carinho.

·        Uma palavra de esperança.

·        Uma atitude de serviço.

 

São Vicente exortava os missionários a deixarem que Deus fosse o Senhor de suas vidas, de sua “vinha pessoal”, de modo que suas virtudes atuassem em seus corações sem qualquer resistência:

 “Reina, de uma maneira especial, sobre os justos que o honram e o servem, sobre as boas almas, que se entregam a Deus, que só respiram a Deus. Reina sobre os eleitos, que devem glorificá-lo eternamente. É sobre tais pessoas que reina de modo particular, pelas virtudes que elas praticam e que receberam dele. É o Deus das virtudes, e não há nenhuma que não proceda dele. Procedem todas desse manancial infinito, que as infunde nas almas escolhidas. Prontas sempre para recebê-las, são sempre fiéis em praticá-las. Desse modo procuram o Reino de Deus e é desta maneira que Deus reina sobre elas” (SV BR XII, 136).

Compromisso: Examinar minha vida e responder com sinceridade: Sou um trabalhador fiel da vinha de Deus? Que frutos estou dando?

 

Que a nossa Paróquia Pai Misericordioso seja uma vinha bonita do Senhor: uma comunidade que acolhe, que serve, que perdoa e que cuida dos pobres e dos pequenos.

 

E que, quando Deus olhar para a nossa vida, possa encontrar muitos frutos.

Não frutos de riqueza ou de aparência, mas frutos de amor.

 

Porque, no final, é isso que Deus espera de nós:

que aquilo que recebemos gratuitamente de suas mãos também seja oferecido gratuitamente aos nossos irmãos.

Amém.