Queridos irmãos e irmãs,
A Palavra de Deus deste 19º
Domingo do Tempo Comum nos conduz ao encontro de um Deus que não se
manifesta no espetáculo, mas na simplicidade; que nos convida a confiar mesmo
em meio às tempestades; e que nos ensina a viver o amor concreto pelos irmãos.
Hoje, de modo especial,
podemos contemplar a vocação do pai de família. Em um mundo que muitas vezes
valoriza o poder, a aparência e o sucesso, Deus recorda que a verdadeira
grandeza do pai está na simplicidade do coração, na fé firme em Cristo e na
capacidade de amar e servir sua família e a sociedade.
1. O pai de
família é chamado à simplicidade
Na primeira leitura, o
profeta Elias experimenta um momento de profunda crise. Cansado, perseguido e
desanimado, refugia-se numa caverna. Então Deus lhe diz que sairá para passar
diante dele.
Elias espera encontrar Deus
nas manifestações grandiosas: no vento impetuoso, no terremoto, no fogo. Mas
Deus não está em nenhum deles. Finalmente, manifesta-se na brisa suave.
Que lição maravilhosa!
Deus prefere a simplicidade. Ele fala no silêncio. Ele transforma os
corações na delicadeza.
Essa é também a missão do
pai de família.
O pai não precisa ser um
super-herói. Não precisa resolver todos os problemas sozinho. Muitas vezes, sua
maior missão acontece nas pequenas coisas:
- quando escuta um filho
com atenção;
- quando trabalha
honestamente;
- quando reza antes das
refeições;
- quando pede perdão;
- quando abraça a esposa
depois de um dia difícil;
- quando transmite
serenidade em vez de gritos.
É nessa "brisa
suave" da convivência diária que Deus age.
As famílias não precisam de
pais perfeitos.
Precisam de pais presentes.
2. O pai de
família é chamado a acreditar que Jesus é o Senhor
No Evangelho encontramos os
discípulos enfrentando uma tempestade.
Quantas famílias vivem
tempestades!
·
Tempestades
financeiras.
·
Problemas
de saúde.
·
Filhos
afastados da Igreja.
·
Crises no
casamento.
·
Desemprego.
·
Violência.
·
Solidão.
Enquanto isso, Jesus vem
caminhando sobre as águas.
Pedro pede:
"Senhor, se és tu,
manda-me ir ao teu encontro."
Enquanto olha para Jesus,
Pedro caminha.
Quando olha para o vento,
afunda.
Não é exatamente isso que
acontece conosco?
Quando a família coloca
Jesus no centro, encontra força.
Quando coloca apenas o
dinheiro, o medo, a opinião dos outros ou os problemas no centro, começa a
afundar.
O pai cristão é aquele que
ensina, antes de tudo, pela própria vida:
"Em nossa casa, Jesus é
o Senhor."
·
Ele talvez
não saiba responder todas as perguntas dos filhos.
·
Talvez não
tenha grandes estudos.
·
Talvez
tenha limitações.
Mas pode ensinar algo que
vale para toda a vida:
"Filho, vamos
rezar."
Essa simples atitude forma
santos.
No final do Evangelho, todos
fazem uma profissão de fé:
"Verdadeiramente, tu és
o Filho de Deus."
Esta deveria ser a maior
herança deixada por um pai.
Mais importante do que bens
materiais é transmitir a fé.
·
Casas podem
ser vendidas.
·
Dinheiro
acaba.
·
Mas uma fé
transmitida aos filhos atravessa gerações.
3. O pai de
família é chamado à solidariedade
Na segunda leitura, São
Paulo abre o coração.
Ele sofre pelo seu povo.
Chega a dizer que aceitaria
sofrer por amor aos seus irmãos.
É o coração de um verdadeiro
pai.
O pai não vive apenas para
si.
Vive pelos outros.
A solidariedade começa
dentro de casa.
·
É dividir o
tempo.
·
É repartir
o pão.
·
É
participar da educação dos filhos.
·
É cuidar
dos idosos.
·
É respeitar
a esposa.
Mas ela também ultrapassa os
muros da família.
·
O pai
cristão educa os filhos para perceberem quem passa necessidade.
·
Ensina que
a mesa da família pode acolher um necessitado.
·
Mostra que
o amor ao próximo não é teoria, mas prática.
Uma família solidária
torna-se uma pequena Igreja doméstica.
4.Aplicando
ao nosso dia a dia
A Palavra de Deus nos deixa
três compromissos muito concretos.
·
Primeiro: cultivar a simplicidade.
Nem tudo precisa de
discussões ou grandes discursos. Muitas vezes, um gesto de carinho vale mais do
que muitas palavras.
·
Segundo: colocar Jesus no centro da família.
Reservar alguns minutos para
rezar juntos.
Participar da Missa.
Ler o Evangelho.
Confiar em Cristo nas
dificuldades.
·
Terceiro: viver a solidariedade.
Olhar para quem sofre.
Ensinar os filhos a
repartir.
Fazer da casa um lugar onde
todos se sintam acolhidos.
5.Conclusão
Conta-se que um menino foi
perguntado quem era o homem mais importante da sua vida.
Todos imaginavam que
responderia um jogador de futebol, um cantor ou algum personagem famoso.
Mas ele respondeu:
"Meu pai."
Perguntaram por quê.
Ele respondeu:
"Porque quando eu tenho
medo, ele segura minha mão. E quando ele segura minha mão, eu sinto que Deus
está segurando a dele."
Que imagem bonita!
É exatamente isso que Deus
deseja dos pais.
· Que sejam
homens simples como Elias diante da brisa.
· Homens de
fé como Pedro, que mesmo afundando não deixam de gritar: "Senhor,
salva-me!"
· Homens de
coração solidário como São Paulo.
E quando os filhos olharem
para seus pais, possam perceber neles um reflexo do próprio Cristo, que
continua caminhando sobre as águas das nossas tempestades e nos dizendo: "Coragem!
Sou eu. Não tenhais medo."
Amém.



