No coração do Evangelho deste 6º Domingo da Páscoa, Jesus nos deixa uma das mais belas promessas: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15). Amar Jesus não é apenas sentir algo por Ele; é transformar esse amor em vida concreta, em escolhas, em atitudes, em fidelidade cotidiana. O amor verdadeiro deixa marcas. E a maior marca do amor a Cristo é viver segundo sua Palavra.
Jesus sabe que os discípulos enfrentarão dificuldades, perseguições e inseguranças. Por isso, Ele promete: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Defensor, para que permaneça convosco para sempre: o Espírito da Verdade”. Cristo não abandona os seus. Ele permanece presente por meio do Espírito Santo, que fortalece, consola, ilumina e sustenta a Igreja em todos os tempos.
Na primeira leitura, vemos exatamente isso acontecer. Em Atos dos Apóstolos, Filipe desce à Samaria e anuncia Cristo. O povo acolhe a Palavra, os enfermos são curados, os espíritos malignos são expulsos, e a consequência é clara: “houve grande alegria naquela cidade”. Onde o Evangelho é vivido, nasce alegria verdadeira. O Espírito Santo transforma ambientes, restaura pessoas e reacende esperanças.
Mas é interessante perceber que a fé não ficou apenas na emoção do momento. Os samaritanos acolheram a Palavra e abriram a vida para Deus. A fé tornou-se compromisso. Por isso Pedro e João impõem as mãos sobre eles, e recebem o Espírito Santo. O Evangelho não pode ser apenas ouvido; precisa ser encarnado.
É exatamente isso que São Vicente de Paulo recorda no pensamento proposto hoje. Ele afirma:
“A característica deste amor, o efeito ou sinal deste amor, meus irmãos, é o que diz Nosso Senhor: os que o amam, guardam a sua palavra.”
São Vicente nos ensina que amar Jesus significa amar sua doutrina, seus ensinamentos, seus conselhos e fazer deles um modo de viver. Não basta conhecer a Palavra; é preciso praticá-la e anunciá-la. A Congregação da Missão, dizia Vicente, existe para “levar o mundo à estima e ao amor de Nosso Senhor”.
Que profunda provocação para nós! Quantas vezes ouvimos o Evangelho, rezamos, participamos da missa, mas nossa vida continua igual? Jesus hoje nos pergunta: o Evangelho que você escuta aos domingos aparece nas suas atitudes de segunda-feira? Sua fé transforma o modo como você fala, trabalha, trata a família, vive os relacionamentos e olha para os pobres?
São Pedro, na segunda leitura, nos convida: “Estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança”. O cristão precisa testemunhar a fé não apenas com palavras, mas principalmente com a mansidão, com a coerência e com o amor. Num mundo marcado por tanta violência, egoísmo e indiferença, a maior pregação ainda é uma vida transformada pelo Evangelho.
Os compromissos propostos hoje são muito concretos e profundamente espirituais.
O primeiro: “Assim como Vicente, pergunte-se diante de cada situação da sua vida: qual seria a melhor maneira de agradar a Deus nesse momento?”
Essa pergunta pode mudar nossa vida. Antes de agir impulsivamente, antes de responder com raiva, antes de tomar decisões, deveríamos parar e perguntar: “Senhor, o que mais te agrada agora?” O amor amadurece quando aprendemos a buscar a vontade de Deus acima das nossas emoções e interesses.
O segundo compromisso: “O que posso fazer para viver uma fé ativa?”
Uma fé ativa é aquela que sai do discurso e entra na prática. É a fé que visita um doente, perdoa alguém, ajuda os necessitados, reza em família, educa os filhos no amor de Deus, participa da comunidade e vive a caridade. Fé sem testemunho torna-se apenas teoria religiosa.
E neste domingo, a Igreja no Brasil celebra também o Dia das Mães. Que providencial ouvir hoje Jesus falar do amor que permanece, do cuidado que consola e da presença que nunca abandona. Em muitas mães encontramos um reflexo desse amor de Deus. Quantas mães são presença do Espírito Santo dentro de casa: sustentando a família, consolando nos momentos difíceis, ensinando os valores da fé, rezando silenciosamente pelos filhos e fazendo da própria vida um dom.
Muitas vezes, o primeiro evangelho que uma criança conhece é o colo de sua mãe. O primeiro sinal do amor de Deus é o carinho, o cuidado e o sacrifício materno. Quantas mães evangelizam mais pelo exemplo do que pelas palavras!
Hoje queremos agradecer pelas mães vivas, pedir consolo pelas mães falecidas e rezar também pelas mulheres que carregam no coração o desejo da maternidade, pelas avós, madrinhas e tantas mulheres que exercem maternidade espiritual através do cuidado e do amor.
Que Maria, Mãe da Igreja, ensine todas as mães a serem sinais da ternura de Deus. E que o Espírito Santo prometido por Jesus habite nossas famílias, para que nossos lares sejam lugares de fé, de oração, de perdão e de amor verdadeiro.
Amém.

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