quinta-feira, 7 de maio de 2026

Um Rio que liga Argentina e Uruguai

Contemplando o Rio da Prata a partir da Colônia Sacramento


Prata, rio localizado entre a Argentina e o Uruguai, é um vasto estuário formado pela união dos rios Paraná e Uruguai, sendo considerado o rio mais largo do mundo. Com cerca de 290-325 km de extensão, serve de fronteira natural, banha Buenos Aires e possui águas marrons, fluindo para o Atlântico. O nome "Río de la Plata" está ligado à busca europeia por prata e influenciou o nome da Argentina (deriva do latim argentum, que significa "prata"). Portanto, não é apenas uma fronteira geográfica, mas também um ponto central para a cultura, economia e lazer da região platina. Foi ao redor desse rio que vivemos experiências inesquecíveis em março de 2026.

Diác. Manuel, CM rende homenagem à Virgem Milagrosa


Num passado não muito distante, conheci pelas redes sociais, Manuel Gradin, estudante vicentino da Argentina, e, em 2022, ele veio fazer seu Seminário Interno em Belo Horizonte – MG, fazendo pastoral em nossa Paróquia Pai Misericordioso, quem de algum modo acompanhei, por também servir, como padre, na Paróquia. 

O noivo e os convidados


No início de 2026, recebemos o grato convite para participar de sua ordenação diaconal. Alguns paroquianos, das comunidades onde ele fez pastoral, mostraram-se interessados em participar. Afinal, fomos três paroquianas: Fátima, Imaculada e Ednalva, e eu. Chegando na Argentina, pelo Aeroparque Jorge Newbery, partimos para Belén de Escobar, região metropolitana de Buenos Aires, na tarde de 06 de março, onde fomos recepcionados pelo ordenando e seu amigo, brasileiro, o estudante vicentino, Icson Gentek. Tivemos a tarde livre e, à noite, fomos à missa na capela de Nossa Senhora das Graças, junto ao Colégio São Vicente de Paulo, onde vivem Manuel e mais dois padres companheiros: Miguel Palau e Juan Gatti.

Altar lateral da Virgem em Luján


No sábado, dia 07, aproveitamos a manhã para visitar Luján. Fomos em dois Ubers; por pouco, não chegamos a tempo de concelebrar a missa das 11h. Justo quando os padres estavam na procissão de entrada, uni-me a eles, graças ao meio de campo feito por Jonatan, amigo que havia conhecido dias antes, quando servi como tradutor em uma das reuniões do CIEV (Consórcio de Instituições Educacionais Vicentinos). Jonatan, muito obrigado! A Basílica Menor de Nossa Senhora de Luján é dedicada à Nossa Senhora de mesmo nome, padroeira da Argentina, e faz parte da Arquidiocese de Mercedes-Luján, cuja sede fica na Catedral Basílica de Mercedes-Luján, na cidade vizinha de Mercedes. Construída em estilo neogótico entre 1890 e 1935, a basílica já foi visitada por diversas autoridades, incluindo o Papa São João Paulo II e líderes argentinos de alto escalão. A basílica é fundamental para a peregrinação a Nossa Senhora de Luján, uma celebração anual com quase 150 anos de tradição, que atrai milhares de peregrinos em seus anos de maior movimento. A presença da Congregação da Missão em Luján é significativa. Talvez a figura mais ilustre seja o servo de Deus, padre Jorge María Salvaire, CM, que em 6 de maio de 1890, iniciou a construção do edifício com o formato que existe até hoje, bem como o exímio organizador de peregrinações.

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Painel do Servo de Deus, Pe. Jorge Salvarie, CM em exposição permanente na Basílica de Luján


Sim, a Congregação da Missão esteve responsável pela pastoral da Basílica de Luján de 1872 até o ano de 2001. Em 28 de fevereiro de 1872, o pároco, Pe. Eugenio Freret e três coirmãos franceses assumiram a custódia do Santuário. Os Vicentinos foram fundamentais na construção do templo e na difusão do culto à Virgem de Luján. Além da assistência litúrgica, fundaram escolas, lares e obras de solidariedade na região, com foco na evangelização dos pobres. Em 2001, após quase 130 anos, a gestão pastoral da Basílica de Luján passou para as mãos dos padres diocesanos. Luján se despediu dos Missionários Vicentinos em uma aglomerada missa em 11 de novembro, às 20 horas, reunindo uma multidão de fiéis que choravam a despedida dos Construtores e Guardiões do Santuário. Em dezembro daquele mesmo ano, a comissão organizadora daquela despedida, já com os ânimos acalmados, publicou uma carta para expressar as “manifestações públicas de gratidão, veneração e admiração” a todos aqueles que participaram “desse gesto tão nobre e espiritual”, acrescentando ainda: “A humildade do subsolo da Basílica, transformado em cripta de expressão multifacetada da devoção mariana, é um símbolo dos 128 padres e irmãos vicentinos que atuaram temporária, reiterada ou permanentemente no Santuário. Poucos têm placas comemorativas, mas todos foram chamados a estar inscritos no Livro da Vida. A difusão da Palavra de Deus, a celebração diária da memória da Paixão e morte de Cristo, a santificação pelos sacramentos do batismo, da eucaristia e da reconciliação de milhões de cristãos de todas as classes sociais..., tudo isso, somado à ação solidária e caritativa que, por meio de organismos especializados..., se expandiu até mesmo às dioceses mais remotas da República... Havia motivos para essas manifestações de gratidão, e vocês, assim como nós, sentiram o impacto dessa saída dos Padres Vicentinos”. Também um artigo, escrito por ocasião da partida da CM de Luján por um membro de outra congregação religiosa, começava assim: “Atrás deles e para sempre, permanece de pé aquela bela Basílica mariana, sentinela da fé e testemunha do trabalho incansável desta comunidade missionária, que, pedra a pedra, pedido após pedido, ofereceu à Virgem Gaúcha sua bela casa. Os vicentinos viveram evangelizando Luján e sua zona de influência durante quase 130 anos (1872-2001). Os anos deixam marcas e tecem amizades no coração de uma paróquia que hoje vê partir esses guardiões do santuário com dor, mas com muita gratidão”. (SARASOLA, Ventura. Santuario de Nuestra Señora de Luján - Argentina. In Vincentiana, Vol. 47, No. 5-6 Art. 59, 2003).

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Alguns Coirmãos presentes na ordenação


A noite de sábado foi especial, pois nos reunimos na Capela do Colégio em Escobar para a missa de ordenação de Manuel e recepção. Estiveram presentes muitos coirmãos da Província APU (Argentina, Uruguai e Paraguai), amigos e familiares do neodiácono. Foi um momento de festa, fraternidade e celebração, em que pudemos conhecer presencialmente muitos que só tínhamos contatos virtuais e rever pessoas queridas como Angelina, German e Jorge.

Obelisco no centro de Buenos Aires


No domingo, dia 08, fomos a Buenos Aires, visitamos o centro histórico da cidade: Obelisco, erguido em comemoração ao quarto centenário da fundação da cidade; Catedral Metropolitana de Buenos Aires, dedicada à Santíssima Trindade e que nos trouxe à memória o saudoso Papa Francisco; e Casa Rosada, localizada em frente à Praça de Maio, a sede do Poder Executivo da Argentina; logo almoçamos na casa provincial. Ali conhecemos o Pe. Daniel Boglioto, CM, que falava português por ter feito missão em Moçambique, bem como estivemos com outros padres e visitantes, entre eles, o Pe. Daniel Rosales, CM, Visitador Provincial. Os coirmãos foram muito solícitos e prepararam uma tradicional carne argentina para nós, visitantes. À tarde, retornamos a Escobar, onde tivemos missa acolitada pelo neodiácono, missa essa que não pude concelebrar, pois me haviam pedido para atendendo confissões. Em seguida, saímos a jantar com Diác. Manuel e Victória numa churrascaria próxima a Escobar. 

Pe. Carlos, CM nos mostra o Santuário da Milagrosa em Buenos Aires


Já era segunda-feira, 09 de março, e uma das nossas companheiras de viagem, Ednalva, tinha que voltar ao Brasil. Assim que partimos de Escobar para Buenos Aires, encontramos Antônio Medrano e almoçamos com o Pe. Carlos González e os demais coirmãos que residem no Santuário La Milagrosa, que igualmente foram muito amáveis e acolhedores, preparando uma massa deliciosa para nós. Deixamos Ednalva no aeroporto e aproveitamos o restante do dia no centro da capital.

Pe. Miguel, CM nos acolhe em Uruguai


Na manhã do dia seguinte, 10 de março, Imaculada, Fátima e eu cruzamos o Prata rumo a Montevidéu. O ideal seria ir de barco, mas alguns de nós temiam a água. Chegando no Uruguai, fomos acolhidos, ainda no Aeroporto Internacional de Carrasco, pelo Pe. Miguel Paez, que nos conduziu até a comunidade do Santuário da Medalha Milagrosa e Santo Agostinho. Ali nos esperavam Pe. Héctor Oviedo e o estudante Maykol Cortes. Na manhã do mesmo dia, caminhamos pelo bairro La Unión, onde fica o Santuário, e, à tarde, fomos ao Centro Histórico de Montevidéu e visitamos o Museu da Casa do Governo, a Catedral Basílica da Imaculada Conceição, São Felipe e São Tiago de Montevidéu e o Teatro Solis.

Pe. Hector, CM nos acolhe na Comunidade de Montevideu


No dia seguinte, 11 de março, o Pe. Miguel nos levou a conhecer Colônia do Sacramento, uma cidade histórica no Uruguai, reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO, fundada em 1680 por portugueses. Ela é famosa pelo seu centro histórico com arquitetura luso-espanhola e ruas de pedra, fica às margens do Rio da Prata, oferecendo um charmoso refúgio com ótimos restaurantes, vinhos e um belo pôr do sol. Vale salientar que a cidade abriga o Museu Português e o Museu Espanhol, evidenciando a história de disputas territoriais. Conta-se, que alguns anos após o Descobrimento do Brasil, uma expedição portuguesa comandada por Martim Afonso de Sousa chegou com suas caravelas até o estuário do Rio da Prata, com a missão de colocar marcos de posse portuguesa na margem esquerda da foz daquele rio, tendo, entretanto, sido incapaz de completá-la em razão do naufrágio de sua embarcação. A vila é maravilhosa; visitamos a Basílica do Santíssimo Sacramento, o cais e o farol. Almoçamos na Colônia e compramos lembrancinhas e alfajores antes de retornar a Montevidéu.

Sem. Maykol, CM nos guia pelo bairro União


No dia 12 de março, aproveitamos para descansar; ficamos todo o dia em casa, as meninas fizeram quitutes e eu maratonei uma série brasileira em pleno Uruguai, “Dona Beja”. À tarde retornamos a Buenos Aires. Esperava-nos, no Aeroparque, o confrade Sebastian Gramajo, que nos ofereceu um jantar e, como bom xeneize, nos levou para conhecer La Bombonera, estádio do Boca Juniors. Sebastian coroou nossa estada fazendo-se um conosco, mostrando-se próximo e especialmente solícito. Deus o retribua por tamanha generosidade.

Cde. Sebastián nos guia por Buenos Aires


Na manhã da sexta-feira, dia 13 de março, partimos de Buenos Aires, Argentina, para Belo Horizonte, Brasil. Esta viagem à Argentina foi espetacular; diferente da última vez, não tive imprevistos desagradáveis, estive por mais tempo, escutei o povo sobre a realidade do país, especialmente os motoristas de Uber. Os coirmãos foram um rio, não de prata, mas de ouro, o ouro da fraternidade, da acolhida e do cuidado. A todos, nominamos ou não, o nosso muito obrigado. Que a caridade e a missão, aprendidas de Jesus, a modelo vicentino, continuem fazendo-nos um. Que Deus os abençoe e sigam sob a poderosa proteção da Virgem Milagrosa! Amém. 🤗🚗✈️

Obrigado, Manu, pelo convite




Gracias por todo. Dios los bendiga a todos. 

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