![]() |
| Contemplando o Rio da Prata a partir da Colônia Sacramento |
Prata, rio localizado entre a Argentina e o Uruguai, é um
vasto estuário formado pela união dos rios Paraná e Uruguai, sendo considerado
o rio mais largo do mundo. Com cerca de 290-325 km de extensão, serve de
fronteira natural, banha Buenos Aires e possui águas marrons, fluindo para o
Atlântico. O nome "Río de la Plata" está ligado à busca europeia por
prata e influenciou o nome da Argentina (deriva do latim argentum, que
significa "prata"). Portanto, não é apenas uma fronteira geográfica,
mas também um ponto central para a cultura, economia e lazer da região platina.
Foi ao redor desse rio que vivemos experiências inesquecíveis em março de 2026.
.jpeg)
Diác. Manuel, CM rende homenagem à Virgem Milagrosa
Num passado não muito distante, conheci pelas redes sociais, Manuel
Gradin, estudante vicentino da Argentina, e, em 2022, ele veio fazer seu
Seminário Interno em Belo Horizonte – MG, fazendo pastoral em nossa Paróquia
Pai Misericordioso, quem de algum modo acompanhei, por também servir, como
padre, na Paróquia.
No início de 2026, recebemos o grato convite para participar
de sua ordenação diaconal. Alguns paroquianos, das comunidades onde ele fez
pastoral, mostraram-se interessados em participar. Afinal, fomos três
paroquianas: Fátima, Imaculada e Ednalva, e eu. Chegando na Argentina, pelo
Aeroparque Jorge Newbery, partimos para Belén de Escobar, região metropolitana
de Buenos Aires, na tarde de 06 de março, onde fomos recepcionados pelo
ordenando e seu amigo, brasileiro, o estudante vicentino, Icson Gentek. Tivemos
a tarde livre e, à noite, fomos à missa na capela de Nossa Senhora das Graças,
junto ao Colégio São Vicente de Paulo, onde vivem Manuel e mais dois padres
companheiros: Miguel Palau e Juan Gatti.
.jpeg)
Altar lateral da Virgem em Luján
No sábado, dia 07, aproveitamos a manhã para visitar Luján.
Fomos em dois Ubers; por pouco, não chegamos a tempo de concelebrar a missa das
11h. Justo quando os padres estavam na procissão de entrada, uni-me a eles,
graças ao meio de campo feito por Jonatan, amigo que havia conhecido dias
antes, quando servi como tradutor em uma das reuniões do CIEV (Consórcio de
Instituições Educacionais Vicentinos). Jonatan, muito obrigado! A Basílica
Menor de Nossa Senhora de Luján é dedicada à Nossa Senhora de mesmo nome,
padroeira da Argentina, e faz parte da Arquidiocese de Mercedes-Luján, cuja
sede fica na Catedral Basílica de Mercedes-Luján, na cidade vizinha de
Mercedes. Construída em estilo neogótico entre 1890 e 1935, a basílica já
foi visitada por diversas autoridades, incluindo o Papa São João Paulo II e
líderes argentinos de alto escalão. A basílica é fundamental para a
peregrinação a Nossa Senhora de Luján, uma celebração anual com quase 150 anos
de tradição, que atrai milhares de peregrinos em seus anos de maior movimento.
A presença da Congregação da Missão em Luján é significativa. Talvez a figura
mais ilustre seja o servo de Deus, padre Jorge María Salvaire, CM, que em 6 de
maio de 1890, iniciou a construção do edifício com o formato que existe até
hoje, bem como o exímio organizador de peregrinações.
* * * * *
.jpeg)
Painel do Servo de Deus, Pe. Jorge Salvarie, CM em exposição permanente na Basílica de Luján
Sim, a Congregação da Missão esteve responsável
pela pastoral da Basílica de Luján de 1872 até o ano de 2001. Em 28 de
fevereiro de 1872, o pároco, Pe. Eugenio Freret e três coirmãos franceses
assumiram a custódia do Santuário. Os Vicentinos foram fundamentais na
construção do templo e na difusão do culto à Virgem de Luján. Além da
assistência litúrgica, fundaram escolas, lares e obras de solidariedade na
região, com foco na evangelização dos pobres. Em 2001, após quase 130 anos, a
gestão pastoral da Basílica de Luján passou para as mãos dos padres diocesanos.
Luján se despediu dos Missionários Vicentinos em uma aglomerada missa em 11 de
novembro, às 20 horas, reunindo uma multidão de fiéis que choravam a despedida
dos Construtores e Guardiões do Santuário. Em dezembro daquele mesmo ano, a
comissão organizadora daquela despedida, já com os ânimos acalmados, publicou
uma carta para expressar as “manifestações públicas de gratidão, veneração e
admiração” a todos aqueles que participaram “desse gesto tão nobre e
espiritual”, acrescentando ainda: “A humildade do subsolo da Basílica,
transformado em cripta de expressão multifacetada da devoção mariana, é um
símbolo dos 128 padres e irmãos vicentinos que atuaram temporária, reiterada ou
permanentemente no Santuário. Poucos têm placas comemorativas, mas todos foram
chamados a estar inscritos no Livro da Vida. A difusão da Palavra de Deus, a
celebração diária da memória da Paixão e morte de Cristo, a santificação pelos
sacramentos do batismo, da eucaristia e da reconciliação de milhões de cristãos
de todas as classes sociais..., tudo isso, somado à ação solidária e caritativa
que, por meio de organismos especializados..., se expandiu até mesmo às
dioceses mais remotas da República... Havia motivos para essas manifestações de
gratidão, e vocês, assim como nós, sentiram o impacto dessa saída dos Padres
Vicentinos”. Também um artigo, escrito por ocasião da partida da CM de
Luján por um membro de outra congregação religiosa, começava assim: “Atrás
deles e para sempre, permanece de pé aquela bela Basílica mariana, sentinela da
fé e testemunha do trabalho incansável desta comunidade missionária, que, pedra
a pedra, pedido após pedido, ofereceu à Virgem Gaúcha sua bela casa. Os
vicentinos viveram evangelizando Luján e sua zona de influência durante quase
130 anos (1872-2001). Os anos deixam marcas e tecem amizades no coração de uma
paróquia que hoje vê partir esses guardiões do santuário com dor, mas com muita
gratidão”. (SARASOLA, Ventura. Santuario de Nuestra Señora de Luján - Argentina. In
Vincentiana, Vol. 47, No. 5-6 Art. 59, 2003).
* * * * *
.jpeg)
Alguns Coirmãos presentes na ordenação
A noite de sábado foi especial, pois nos reunimos na Capela
do Colégio em Escobar para a missa de ordenação de Manuel e recepção. Estiveram
presentes muitos coirmãos da Província APU (Argentina, Uruguai e Paraguai),
amigos e familiares do neodiácono. Foi um momento de festa, fraternidade e
celebração, em que pudemos conhecer presencialmente muitos que só tínhamos
contatos virtuais e rever pessoas queridas como Angelina, German e Jorge.
.jpeg)
Obelisco no centro de Buenos Aires
No domingo, dia 08, fomos a Buenos Aires, visitamos o centro
histórico da cidade: Obelisco, erguido em comemoração ao quarto centenário da
fundação da cidade; Catedral Metropolitana de Buenos Aires, dedicada à
Santíssima Trindade e que nos trouxe à memória o saudoso Papa Francisco; e Casa
Rosada, localizada em frente à Praça de Maio, a sede do Poder Executivo da
Argentina; logo almoçamos na casa provincial. Ali conhecemos o Pe. Daniel
Boglioto, CM, que falava português por ter feito missão em Moçambique, bem como
estivemos com outros padres e visitantes, entre eles, o Pe. Daniel Rosales, CM,
Visitador Provincial. Os coirmãos foram muito solícitos e prepararam uma
tradicional carne argentina para nós, visitantes. À tarde, retornamos a
Escobar, onde tivemos missa acolitada pelo neodiácono, missa essa que não pude
concelebrar, pois me haviam pedido para atendendo confissões. Em seguida,
saímos a jantar com Diác. Manuel e Victória numa churrascaria próxima a
Escobar.
.jpeg)
Pe. Carlos, CM nos mostra o Santuário da Milagrosa em Buenos Aires
Já era segunda-feira, 09 de março, e uma das nossas
companheiras de viagem, Ednalva, tinha que voltar ao Brasil. Assim que partimos
de Escobar para Buenos Aires, encontramos Antônio Medrano e almoçamos com o Pe.
Carlos González e os demais coirmãos que residem no Santuário La Milagrosa, que
igualmente foram muito amáveis e acolhedores, preparando uma massa deliciosa
para nós. Deixamos Ednalva no aeroporto e aproveitamos o restante do dia no centro
da capital.
.jpeg)
Pe. Miguel, CM nos acolhe em Uruguai
Na manhã do dia seguinte, 10 de março, Imaculada, Fátima e eu
cruzamos o Prata rumo a Montevidéu. O ideal seria ir de barco, mas alguns de
nós temiam a água. Chegando no Uruguai, fomos acolhidos, ainda no Aeroporto
Internacional de Carrasco, pelo Pe. Miguel Paez, que nos conduziu até a
comunidade do Santuário da Medalha Milagrosa e Santo Agostinho. Ali nos
esperavam Pe. Héctor Oviedo e o estudante Maykol Cortes. Na manhã do mesmo dia,
caminhamos pelo bairro La Unión, onde fica o Santuário, e, à tarde, fomos ao
Centro Histórico de Montevidéu e visitamos o Museu da Casa do Governo, a
Catedral Basílica da Imaculada Conceição, São Felipe e São Tiago de Montevidéu
e o Teatro Solis.

Pe. Hector, CM nos acolhe na Comunidade de Montevideu
No dia seguinte, 11 de março, o Pe. Miguel nos levou a
conhecer Colônia do Sacramento, uma cidade histórica no Uruguai, reconhecida
como Patrimônio Mundial da UNESCO, fundada em 1680 por portugueses. Ela é
famosa pelo seu centro histórico com arquitetura luso-espanhola e ruas de
pedra, fica às margens do Rio da Prata, oferecendo um charmoso refúgio com
ótimos restaurantes, vinhos e um belo pôr do sol. Vale salientar que a cidade
abriga o Museu Português e o Museu Espanhol, evidenciando a história de disputas
territoriais. Conta-se, que alguns anos após o Descobrimento do Brasil, uma
expedição portuguesa comandada por Martim Afonso de Sousa chegou com suas
caravelas até o estuário do Rio da Prata, com a missão de colocar marcos de
posse portuguesa na margem esquerda da foz daquele rio, tendo, entretanto, sido
incapaz de completá-la em razão do naufrágio de sua embarcação. A vila é
maravilhosa; visitamos a Basílica do Santíssimo Sacramento, o cais e o farol.
Almoçamos na Colônia e compramos lembrancinhas e alfajores antes de retornar a
Montevidéu.
.jpeg)
Sem. Maykol, CM nos guia pelo bairro União
No dia 12 de março, aproveitamos para descansar; ficamos todo
o dia em casa, as meninas fizeram quitutes e eu maratonei uma série brasileira
em pleno Uruguai, “Dona Beja”. À tarde retornamos a Buenos Aires. Esperava-nos,
no Aeroparque, o confrade Sebastian Gramajo, que nos ofereceu um jantar e, como
bom xeneize, nos levou para conhecer La Bombonera, estádio do Boca Juniors.
Sebastian coroou nossa estada fazendo-se um conosco, mostrando-se próximo e
especialmente solícito. Deus o retribua por tamanha generosidade.
.jpeg)
Cde. Sebastián nos guia por Buenos Aires
Na manhã da sexta-feira, dia 13 de março, partimos de Buenos
Aires, Argentina, para Belo Horizonte, Brasil. Esta viagem à Argentina foi
espetacular; diferente da última vez, não tive imprevistos desagradáveis,
estive por mais tempo, escutei o povo sobre a realidade do país, especialmente
os motoristas de Uber. Os coirmãos foram um rio, não de prata, mas de ouro, o
ouro da fraternidade, da acolhida e do cuidado. A todos, nominamos ou não, o
nosso muito obrigado. Que a caridade e a missão, aprendidas de Jesus, a modelo
vicentino, continuem fazendo-nos um. Que Deus os abençoe e sigam sob a poderosa
proteção da Virgem Milagrosa! Amém. 🤗🚗✈️
![]() |
| Gracias por todo. Dios los bendiga a todos. |

.jpeg)


Nenhum comentário:
Postar um comentário