quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Missão do Japão: 09/08/2026: XIX Domingo do Tempo Comum. ANO A Homilia

 


Queridos irmãos e irmãs,

A Palavra de Deus deste 19º Domingo do Tempo Comum nos conduz ao encontro de um Deus que não se manifesta no espetáculo, mas na simplicidade; que nos convida a confiar mesmo em meio às tempestades; e que nos ensina a viver o amor concreto pelos irmãos.

Hoje, de modo especial, podemos contemplar a vocação do pai de família. Em um mundo que muitas vezes valoriza o poder, a aparência e o sucesso, Deus recorda que a verdadeira grandeza do pai está na simplicidade do coração, na fé firme em Cristo e na capacidade de amar e servir sua família e a sociedade.

 

1. O pai de família é chamado à simplicidade

Na primeira leitura, o profeta Elias experimenta um momento de profunda crise. Cansado, perseguido e desanimado, refugia-se numa caverna. Então Deus lhe diz que sairá para passar diante dele.

Elias espera encontrar Deus nas manifestações grandiosas: no vento impetuoso, no terremoto, no fogo. Mas Deus não está em nenhum deles. Finalmente, manifesta-se na brisa suave.

Que lição maravilhosa!

Deus prefere a simplicidade. Ele fala no silêncio. Ele transforma os corações na delicadeza.

Essa é também a missão do pai de família.

O pai não precisa ser um super-herói. Não precisa resolver todos os problemas sozinho. Muitas vezes, sua maior missão acontece nas pequenas coisas:

  • quando escuta um filho com atenção;
  • quando trabalha honestamente;
  • quando reza antes das refeições;
  • quando pede perdão;
  • quando abraça a esposa depois de um dia difícil;
  • quando transmite serenidade em vez de gritos.

É nessa "brisa suave" da convivência diária que Deus age.

As famílias não precisam de pais perfeitos.

Precisam de pais presentes.

 

2. O pai de família é chamado a acreditar que Jesus é o Senhor

No Evangelho encontramos os discípulos enfrentando uma tempestade.

Quantas famílias vivem tempestades!

·        Tempestades financeiras.

·        Problemas de saúde.

·        Filhos afastados da Igreja.

·        Crises no casamento.

·        Desemprego.

·        Violência.

·        Solidão.

Enquanto isso, Jesus vem caminhando sobre as águas.

Pedro pede:

"Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro."

Enquanto olha para Jesus, Pedro caminha.

Quando olha para o vento, afunda.

Não é exatamente isso que acontece conosco?

Quando a família coloca Jesus no centro, encontra força.

Quando coloca apenas o dinheiro, o medo, a opinião dos outros ou os problemas no centro, começa a afundar.

O pai cristão é aquele que ensina, antes de tudo, pela própria vida:

"Em nossa casa, Jesus é o Senhor."

·        Ele talvez não saiba responder todas as perguntas dos filhos.

·        Talvez não tenha grandes estudos.

·        Talvez tenha limitações.

Mas pode ensinar algo que vale para toda a vida:

"Filho, vamos rezar."

Essa simples atitude forma santos.

No final do Evangelho, todos fazem uma profissão de fé:

"Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus."

Esta deveria ser a maior herança deixada por um pai.

Mais importante do que bens materiais é transmitir a fé.

·        Casas podem ser vendidas.

·        Dinheiro acaba.

·        Mas uma fé transmitida aos filhos atravessa gerações.

 

3. O pai de família é chamado à solidariedade

Na segunda leitura, São Paulo abre o coração.

Ele sofre pelo seu povo.

Chega a dizer que aceitaria sofrer por amor aos seus irmãos.

É o coração de um verdadeiro pai.

O pai não vive apenas para si.

Vive pelos outros.

A solidariedade começa dentro de casa.

·        É dividir o tempo.

·        É repartir o pão.

·        É participar da educação dos filhos.

·        É cuidar dos idosos.

·        É respeitar a esposa.

Mas ela também ultrapassa os muros da família.

·        O pai cristão educa os filhos para perceberem quem passa necessidade.

·        Ensina que a mesa da família pode acolher um necessitado.

·        Mostra que o amor ao próximo não é teoria, mas prática.

Uma família solidária torna-se uma pequena Igreja doméstica.

 

4.Aplicando ao nosso dia a dia

A Palavra de Deus nos deixa três compromissos muito concretos.

·        Primeiro: cultivar a simplicidade.

Nem tudo precisa de discussões ou grandes discursos. Muitas vezes, um gesto de carinho vale mais do que muitas palavras.

·        Segundo: colocar Jesus no centro da família.

Reservar alguns minutos para rezar juntos.

Participar da Missa.

Ler o Evangelho.

Confiar em Cristo nas dificuldades.

·        Terceiro: viver a solidariedade.

Olhar para quem sofre.

Ensinar os filhos a repartir.

Fazer da casa um lugar onde todos se sintam acolhidos.

 

5.Conclusão

Conta-se que um menino foi perguntado quem era o homem mais importante da sua vida.

Todos imaginavam que responderia um jogador de futebol, um cantor ou algum personagem famoso.

Mas ele respondeu:

"Meu pai."

Perguntaram por quê.

Ele respondeu:

"Porque quando eu tenho medo, ele segura minha mão. E quando ele segura minha mão, eu sinto que Deus está segurando a dele."

 

Que imagem bonita!

É exatamente isso que Deus deseja dos pais.

·      Que sejam homens simples como Elias diante da brisa.

·      Homens de fé como Pedro, que mesmo afundando não deixam de gritar: "Senhor, salva-me!"

·       Homens de coração solidário como São Paulo.

E quando os filhos olharem para seus pais, possam perceber neles um reflexo do próprio Cristo, que continua caminhando sobre as águas das nossas tempestades e nos dizendo: "Coragem! Sou eu. Não tenhais medo."

Amém.


 

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