Tema: “Comunidades vocacionais: Encontro, Testemunho e Missão”
Lema: “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas” (At 2,46)
Meus irmãos e minhas irmãs,
Celebramos hoje, com grande alegria, a Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria. Maria, aquela que soube acolher a vontade de Deus, é elevada ao céu de corpo e alma. A sua Assunção é a confirmação de que a vida entregue a Deus nunca é perdida. Aquilo que é vivido no amor, na fidelidade e no serviço encontra sua plenitude em Deus.
E esta solenidade nos ajuda a olhar também para a vocação à vida religiosa consagrada. O tema que nos acompanha é muito bonito e profundamente atual: “Comunidades vocacionais: Encontro, Testemunho e Missão”, iluminado pelo lema dos Atos dos Apóstolos: “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas”.
Maria nos mostra que toda vocação nasce de um encontro, amadurece no testemunho e se realiza na missão.
1. Maria: mulher do encontro
O Evangelho começa dizendo: “Naqueles dias, Maria partiu apressadamente para a região montanhosa”.
Maria havia acabado de receber o anúncio do anjo. Poderia permanecer voltada para si mesma, contemplando a grandeza do mistério que acontecia em sua vida. Mas não. Ela se coloca a caminho para encontrar Isabel.
Aqui encontramos uma primeira característica de toda verdadeira vocação: quem encontra Cristo não permanece parado.
A vocação religiosa não é simplesmente uma escolha profissional, uma busca por segurança ou uma maneira de viver. É, antes de tudo, uma resposta a um encontro pessoal com Jesus Cristo.
Maria encontrou-se com Deus e, por isso, colocou-se a caminho.
Uma comunidade vocacional deve ser justamente um espaço onde os jovens possam fazer essa experiência: ser acolhidos, escutados, acompanhados e ajudados a discernir a voz de Deus.
Quantas vezes Deus chama, mas não encontramos ambientes onde sua voz possa ser escutada!
Por isso, nossas comunidades precisam ser comunidades que geram encontros: encontro com Cristo, encontro com a Palavra, encontro com a Eucaristia, encontro com os pobres e encontro fraterno entre as pessoas.
Uma comunidade que não acolhe, não escuta e não testemunha a alegria do Evangelho dificilmente despertará novas vocações.
2. Maria: mulher do testemunho
Quando Maria chega à casa de Isabel, acontece algo extraordinário. João Batista estremece no ventre de sua mãe, Isabel reconhece a presença de Deus e proclama:
“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!”
Maria não precisou fazer um grande discurso vocacional. Sua própria vida era testemunho.
Ela carregava Jesus e, por onde passava, levava Jesus.
Esta é uma pergunta importante para todos nós, especialmente para aqueles que vivem a vida consagrada:
Quando as pessoas encontram uma pessoa consagrada, encontram Jesus?
O mundo de hoje não precisa apenas de discursos sobre vocação. Precisa de testemunhas vocacionais.
Jovens precisam encontrar religiosos e religiosas felizes, pessoas apaixonadas por Cristo, profundamente humanas, capazes de viver a fraternidade, de servir os pobres e de anunciar o Evangelho com alegria.
A primeira leitura apresenta uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas. A tradição cristã reconhece nela uma imagem de Maria, mas também podemos contemplar a Igreja: uma comunidade chamada a permanecer fiel mesmo em meio às lutas.
A vida consagrada também possui essa dimensão de testemunho: mostrar que é possível viver para Deus, perseverar na fé e permanecer fiel à missão mesmo quando surgem dificuldades.
O lema nos recorda: “Perseverantes e bem unidos...”
• Não basta começar. É preciso perseverar.
• Não basta fazer promessas. É preciso viver a fidelidade cotidiana.
• Não basta estar juntos. É preciso construir comunhão.
3. Maria: mulher da missão
Depois de encontrar Isabel, Maria proclama o Magnificat:
“A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.”
O Magnificat é o canto de uma mulher que reconhece que sua vida pertence a Deus.
Maria não se coloca no centro. Deus está no centro.
E aqui encontramos a essência da vida consagrada: não viver para si, mas para Deus e para os irmãos.
O religioso consagrado é chamado a transformar sua própria vida em oferta.
• Oferta na oração.
• Oferta na comunidade.
• Oferta no serviço.
• Oferta na missão.
• Oferta junto aos pobres.
• Oferta no anúncio do Evangelho.
Por isso, uma comunidade vocacional não pode ser apenas um lugar onde se fala de vocação. Deve ser uma comunidade que vive vocacionalmente.
Uma comunidade que acolhe jovens, acompanha seus questionamentos, apresenta a beleza da vida consagrada e permite que eles vejam, concretamente, como se vive o Evangelho.
4. “Partiam o pão pelas casas”
O lema desta celebração nos leva ao início da Igreja:
“Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas.”
É uma imagem belíssima de comunidade.
• Eles perseveravam.
• Eles estavam unidos.
• Eles partilhavam o pão.
• Eles viviam a fé juntos.
Aqui encontramos três elementos fundamentais para qualquer vocação consagrada: comunhão, Eucaristia e missão.
A vocação não amadurece isoladamente.
Ninguém se torna religioso ou religiosa sozinho.
A vocação precisa de uma comunidade que sustente, corrija, encoraje, perdoe e acompanhe.
Por isso, nossas comunidades religiosas precisam recuperar sempre a beleza de partir o pão juntos, de rezar juntos, de celebrar juntos, de trabalhar juntos, de sofrer juntos e de servir juntos.
• Uma comunidade dividida contradiz o Evangelho que anuncia.
• Uma comunidade sem alegria dificilmente despertará vocações.
• Uma comunidade sem missão perde o sentido de sua consagração.
Mas uma comunidade perseverante, unida e missionária torna-se um verdadeiro anúncio vocacional.
5. A Assunção: a esperança de toda vocação
A segunda leitura nos oferece a chave para compreender a Assunção:
“Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram.”
Maria é a primeira criatura humana a participar plenamente da vitória de Cristo.
Sua Assunção nos recorda que a última palavra não é da morte, nem do sofrimento, nem do fracasso. A última palavra é de Deus.
E isso é profundamente vocacional.
Quem entrega sua vida a Cristo pode enfrentar renúncias, incompreensões, cansaço e desafios. Mas sabe que sua vida tem um destino maior.
Maria nos ensina a caminhar olhando para o céu, mas com os pés firmes na terra.
Olhar para o céu para não perder a esperança.
Olhar para a terra para não esquecer a missão.
Conclusão
Queridos irmãos e irmãs,
Nesta Solenidade da Assunção, peçamos a Maria que interceda por nossas comunidades e, de modo especial, pelas vocações à vida religiosa consagrada.
Que nossas comunidades sejam verdadeiras comunidades vocacionais:
• Comunidades de Encontro, onde as pessoas encontrem Cristo;
• Comunidades de Testemunho, onde se veja a alegria de seguir Jesus;
• Comunidades de Missão, onde ninguém tenha medo de sair para anunciar o Evangelho e servir os pobres.
Que o nosso lema se torne realidade entre nós:
“Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas.”
E que Maria nos ensine a dizer todos os dias, como ela:
“Eis aqui a serva do Senhor.”
Senhor Jesus,
chama jovens para tua Igreja.
Desperta vocações à vida consagrada.
Dá-nos comunidades acolhedoras, alegres e missionárias.
Que nossos religiosos e religiosas sejam testemunhas apaixonadas do Evangelho.
E que Maria, Assunta aos céus, nos ensine a viver com os olhos voltados para Deus e o coração aberto para os irmãos.
Maria, mulher do encontro, do testemunho e da missão, rogai por nós!
Nossa Senhora da Assunção, rogai pelas vocações à vida consagrada! Amém.

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