sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Missão do Japão: 01/03/2026: 2º Domingo da Quaresma | ANO A (Mt 17,1-9) Homilia


Irmãos e irmãs, o 2º Domingo da Quaresma nos convida a dar um passo a mais no caminho iniciado na Quarta-feira de Cinzas. Se no primeiro domingo fomos levados ao deserto das tentações, hoje somos conduzidos ao monte da Transfiguração. A Quaresma é exatamente isso: um caminho que passa pela renúncia, mas que aponta para a luz; um tempo de conversão que não termina na cruz, mas se abre para a Páscoa.

 

1. “Sai da tua terra” (Gn 12,1)

A primeira leitura apresenta o chamado de Abraão. Deus lhe diz: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai”. Abraão não recebe um mapa detalhado, apenas uma promessa. Ele precisa confiar e partir.


Este é o movimento quaresmal: sair. Sair das seguranças falsas, dos hábitos que nos aprisionam, das atitudes que nos afastam de Deus e dos irmãos. Quaresma não é só deixar algo exterior, mas permitir que Deus nos desinstale interiormente.

Na vida de hoje, isso significa perguntar:
– De que “terra” Deus está me chamando a sair?
– Que comodismo, medo ou pecado preciso deixar para trás para crescer na fé?

 

2. “Participa comigo dos sofrimentos” (2Tm 1,8b-10)

São Paulo lembra a Timóteo que seguir Cristo não é caminho de facilidades, mas de compromisso. Ele fala de uma graça que nos foi dada em Cristo Jesus, que venceu a morte e fez brilhar a vida.


A Quaresma nos ajuda a compreender que a cruz não é o fim, mas passagem. Assumir as dificuldades com fé — na família, no trabalho, na missão, na vivência da Igreja — é participar da obra salvadora de Deus.

Aplicando à nossa realidade:
– Quantas vezes queremos a glória sem o esforço da fidelidade?
– Quantas vezes nos calamos diante do sofrimento alheio para não “nos comprometer”?

 

3. A Transfiguração: vislumbrar a glória para não desistir (Mt 17,1-9)

No Evangelho, Jesus Cristo leva Pedro, Tiago e João ao monte e se transfigura diante deles. Aparecem Moisés e Elias, e a voz do Pai proclama: “Este é meu Filho amado, escutai-o!”
Jesus oferece aos discípulos uma experiência de luz antes da cruz, para que não desanimem quando chegarem a Jerusalém.

 

Também nós, na Quaresma, somos chamados a subir ao monte:
– pela oração mais intensa,
– pela escuta atenta da Palavra,
– pela caridade concreta.

 

Esses momentos de encontro com Deus não nos afastam da realidade; ao contrário, nos fortalecem para descer do monte e continuar a missão, mesmo quando ela exige sacrifício.

 

4. Aplicação prática para hoje

Viver bem este tempo quaresmal significa:

- Escutar mais a voz de Jesus: reservar tempo para a Palavra e o silêncio.

- Confiar como Abraão: dar passos de fé, mesmo sem ter todas as respostas.

- Assumir a cruz com esperança: transformar dificuldades em ocasião de crescimento espiritual.

- Descer do monte: levar para a vida concreta — família, trabalho, comunidade — a luz que recebemos na oração.

 

Conclusão

A Quaresma nos educa a caminhar com os olhos fixos na promessa de Deus. A Transfiguração nos lembra que a última palavra não é o sofrimento, mas a vida. Que, fortalecidos por esta liturgia, saibamos ouvir o Filho amado e continuar firmes no caminho da conversão, certos de que a Páscoa já desponta no horizonte. Amém.


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