Irmãos e irmãs, o 2º Domingo da Quaresma nos convida a dar um passo a mais no caminho iniciado na Quarta-feira de Cinzas. Se no primeiro domingo fomos levados ao deserto das tentações, hoje somos conduzidos ao monte da Transfiguração. A Quaresma é exatamente isso: um caminho que passa pela renúncia, mas que aponta para a luz; um tempo de conversão que não termina na cruz, mas se abre para a Páscoa.
1. “Sai da tua terra” (Gn
12,1)
A primeira leitura apresenta o chamado de
Abraão. Deus lhe diz: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu
pai”. Abraão não recebe um mapa detalhado, apenas uma promessa. Ele precisa
confiar e partir.
Este é o movimento
quaresmal: sair. Sair das seguranças falsas, dos hábitos que nos
aprisionam, das atitudes que nos afastam de Deus e dos irmãos. Quaresma não é
só deixar algo exterior, mas permitir que Deus nos desinstale interiormente.
Na vida de hoje, isso significa perguntar:
– De que “terra” Deus está me chamando a sair?
– Que comodismo, medo ou pecado preciso deixar para trás para crescer na fé?
2. “Participa comigo dos
sofrimentos” (2Tm 1,8b-10)
São Paulo lembra a Timóteo que seguir Cristo
não é caminho de facilidades, mas de compromisso. Ele fala de uma graça que nos
foi dada em Cristo Jesus, que venceu a morte e fez brilhar a vida.
A Quaresma nos ajuda
a compreender que a cruz não é o fim, mas passagem. Assumir as dificuldades com
fé — na família, no trabalho, na missão, na vivência da Igreja — é participar
da obra salvadora de Deus.
Aplicando à nossa realidade:
– Quantas vezes queremos a glória sem o esforço da fidelidade?
– Quantas vezes nos calamos diante do sofrimento alheio para não “nos
comprometer”?
3. A Transfiguração:
vislumbrar a glória para não desistir (Mt 17,1-9)
No Evangelho, Jesus Cristo leva Pedro,
Tiago e João ao monte e se transfigura diante deles. Aparecem Moisés e Elias,
e a voz do Pai proclama: “Este é meu Filho amado, escutai-o!”
Jesus oferece aos discípulos uma experiência de luz antes da cruz, para que não
desanimem quando chegarem a Jerusalém.
Também nós, na Quaresma, somos chamados a
subir ao monte:
– pela oração mais intensa,
– pela escuta atenta da Palavra,
– pela caridade concreta.
Esses momentos de encontro com Deus não nos
afastam da realidade; ao contrário, nos fortalecem para descer do monte e
continuar a missão, mesmo quando ela exige sacrifício.
4. Aplicação prática para
hoje
Viver bem este tempo quaresmal significa:
- Escutar mais a voz de Jesus: reservar tempo para a Palavra
e o silêncio.
- Confiar como Abraão: dar passos de fé, mesmo sem ter todas
as respostas.
- Assumir a cruz com esperança: transformar dificuldades em
ocasião de crescimento espiritual.
- Descer do monte: levar para a vida concreta — família,
trabalho, comunidade — a luz que recebemos na oração.
Conclusão
A Quaresma nos educa a caminhar com os olhos
fixos na promessa de Deus. A Transfiguração nos lembra que a última palavra não
é o sofrimento, mas a vida. Que, fortalecidos por esta liturgia, saibamos ouvir
o Filho amado e continuar firmes no caminho da conversão, certos de que a
Páscoa já desponta no horizonte. Amém.

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