sábado, 21 de fevereiro de 2026

Missão do Japão: 22/02/2026: 1º Domingo da Quaresma | ANO A (Mt 4,1-11) Homilia



Meus irmãos e minhas irmãs, celebramos hoje o 1º Domingo da Quaresma. Esse tempo tão bonito e tão sério da nossa fé. É como se Deus nos tomasse pela mão e dissesse com carinho: “Volta para casa. Volta para o essencial. Volta para Mim.”

As leituras de hoje nos colocam diante de uma verdade profunda sobre a nossa vida.

 

Na primeira leitura, vemos o ser humano criado por Deus com amor, colocado no jardim, cercado de cuidado, mas também de liberdade. A tentação aparece como uma voz que confunde, que semeia dúvida, que promete felicidade fácil. O problema não foi o fruto em si, mas a quebra da confiança, o afastamento do coração humano daquele que é a fonte da vida. Toda tentação começa assim: quando deixamos de confiar plenamente em Deus.

 

São Paulo, na segunda leitura, nos lembra que o pecado entrou no mundo por essa ruptura, mas também nos enche de esperança: onde o pecado abundou, a graça de Deus superabundou. Se por um homem veio a desobediência, por Cristo veio a obediência que salva. A história não termina na queda, mas na redenção.

 

No Evangelho, contemplamos Jesus no deserto. Ele também é tentado. Ele sente fome, cansaço, solidão. O deserto não é apenas um lugar geográfico; é também o lugar das nossas lutas interiores. Quantas vezes somos tentados a escolher o caminho mais fácil, a trocar a fidelidade por vantagens, a colocar Deus em segundo plano?

 

Jesus nos ensina algo fundamental: não se vence a tentação com força humana, mas com fidelidade a Deus. Ele responde com a Palavra, confia no Pai, não negocia sua identidade de Filho. Ele nos mostra que a verdadeira vitória não está em impressionar, dominar ou possuir, mas em permanecer firmes no amor e na vontade de Deus.

 

A Quaresma é esse tempo de conversão, de voltar o coração para Deus; tempo de penitência, não como castigo, mas como remédio que cura; tempo de preparação para a Páscoa, para que o Cristo ressuscitado nos encontre mais livres, mais sinceros, mais cheios de fé.

 

Jejuar, rezar e praticar a caridade não são obrigações vazias. São caminhos para fortalecer o coração, para silenciar as vozes que nos afastam de Deus e escutar novamente a voz que nos chama pelo nome.

 

Hoje, o Senhor nos convida a olhar com honestidade para nossas tentações e fragilidades, sem medo, mas com confiança. Ele não nos abandona no deserto. Caminha conosco. Sustenta-nos. Levanta-nos quando caímos.

 

A fábula do lampião e do vento

Havia uma pequena aldeia cercada por colinas e, no centro dela, uma estrada escura que todos precisavam atravessar ao anoitecer. Para não se perderem, as pessoas levavam consigo um lampião aceso. A chama era pequena, mas suficiente para iluminar o caminho.

 

Certa noite, um jovem caminhava com seu lampião firme nas mãos. O vento, curioso e insistente, começou a soprar ao seu redor e cochichou:
Por que carregar essa chama frágil? Apague-a e caminhe mais leve. Eu conheço o caminho.

O jovem hesitou, mas seguiu em frente protegendo a chama com as mãos. O vento voltou a insistir:
Veja como a chama vacila… confie em mim. Sem ela, você andará mais rápido e sem esforço.

Cansado, o jovem pensou: “Talvez o vento esteja certo”. E, num descuido, abaixou o lampião. O vento soprou forte… e a chama se apagou.

No escuro, o caminho desapareceu. O jovem tropeçou, caiu e sentiu medo. Chamou pelo vento, mas ele já havia ido embora. Restou-lhe apenas o silêncio e a noite.

Com dificuldade, tateando no escuro, encontrou uma pedra e ali se sentou. Do fundo do bolso, tirou uma pequena faísca guardada — um resto de fogo que seu pai lhe havia dado antes da viagem, dizendo:
Se a chama apagar, reacenda. Mas nunca caminhe sem luz.

O jovem soprou com cuidado. A chama voltou, tímida, mas viva. E, protegendo-a com mais atenção, conseguiu atravessar a estrada até chegar em casa.

No dia seguinte, contou a todos o que havia aprendido:
O vento promete atalhos, mas só a luz mostra o caminho. A tentação fala alto e passa rápido; a fidelidade é silenciosa, mas nos leva em segurança.

 

Moral da fábula:

As tentações são como ventos fortes: prometem facilidade, poder ou descanso, mas apagam a luz que guia nossos passos. Quem guarda a chama da fé, mesmo pequena, nunca caminha sozinho nem se perde no escuro.

Que esta Quaresma seja um tempo de reencontro, de fidelidade renovada, de coração convertido. Que aprendamos com Jesus a dizer “não” ao que nos afasta de Deus e “sim” ao amor que salva. Assim, chegaremos à Páscoa não apenas com ritos celebrados, mas com vidas transformadas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário