sábado, 19 de setembro de 2026

Missão do Japão: 20/09/2026: XXV Domingo do Tempo Comum. ANO A Homilia


 

Meus irmãos e minhas irmãs, que a paz de Jesus esteja com todos vocês!

O Evangelho deste domingo nos apresenta uma parábola muito bonita e, ao mesmo tempo, provocadora: a parábola dos trabalhadores da vinha.

Jesus conta que um patrão saiu várias vezes ao longo do dia para contratar trabalhadores. Alguns começaram a trabalhar de madrugada; outros, pela manhã; outros, à tarde. E, no final do dia, todos receberam o mesmo pagamento.

Os que trabalharam desde cedo começaram a reclamar. Afinal, humanamente falando, parecia injusto que aqueles que trabalharam menos recebessem o mesmo salário.

Mas Jesus quer nos ensinar que a lógica de Deus é diferente da nossa: enquanto nós muitas vezes medimos as pessoas pelo que elas fazem, Deus olha para cada uma com amor e misericórdia.

1. Deus nunca se esquece de nós

Na primeira leitura, o profeta Isaías nos convida:

"Buscai o Senhor, enquanto pode ser encontrado; invocai-o, enquanto ele está perto."

E acrescenta que os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos, e os seus caminhos não são os nossos caminhos.

Quantas vezes queremos que Deus aja conforme os nossos critérios! Queremos respostas rápidas, soluções imediatas e que as coisas aconteçam exatamente como planejamos.

Mas Deus enxerga muito além daquilo que conseguimos enxergar.

Aqui, na realidade da nossa comunidade, quantas pessoas enfrentam dificuldades diariamente! Há famílias preocupadas com o sustento da casa, pessoas procurando emprego, mães e pais preocupados com os filhos, jovens sem saber que caminho seguir e pessoas carregando sofrimentos no seu íntimo.

A Palavra de Deus nos recorda que o Senhor não se esquece de nenhum de seus filhos.

Assim como o patrão da parábola saiu várias vezes para procurar trabalhadores, Deus continua saindo ao nosso encontro. Ele nos procura, nos chama e nos oferece uma oportunidade de recomeçar.

Não importa se você começou ontem ou se já caminha com Deus há muitos anos. A porta da misericórdia continua aberta!

 

2. Não tenha inveja da graça que Deus concede ao outro

No Evangelho, os trabalhadores que chegaram primeiro ficaram incomodados porque os últimos receberam o mesmo pagamento.

Eles olharam para o que os outros estavam recebendo e se esqueceram daquilo que também haviam recebido.

Isso acontece conosco?

Às vezes, ficamos tristes quando vemos alguém prosperar, receber uma oportunidade ou experimentar uma bênção que nós também desejávamos.

Na comunidade, isso pode acontecer quando alguém recebe uma responsabilidade, quando uma pastoral cresce, quando uma pessoa é reconhecida ou quando Deus concede uma graça a alguém que, na nossa opinião, não a merecia.

E então começamos a comparar, julgar e reclamar.

Mas Jesus nos convida a olhar para o outro com um coração diferente.

A bênção que Deus concede ao meu irmão não diminui o amor que Ele tem por mim.

Deus não precisa tirar de alguém para dar a outro. Sua misericórdia não é uma riqueza limitada.

Como missionários vicentinos, somos chamados a reconhecer a presença de Cristo em cada pessoa, especialmente nos pobres, nos esquecidos e naqueles que a sociedade costuma deixar para trás.

Não podemos anunciar um Deus misericordioso e, ao mesmo tempo, fechar o coração para quem precisa de uma nova oportunidade.

 

3. Nunca é tarde para responder ao chamado de Deus

Na parábola, alguns trabalhadores foram chamados quando o dia já estava terminando.

Eles poderiam pensar: "Agora já é tarde. Ninguém mais vai precisar de mim".

Mas o patrão também os chamou.

Essa é uma mensagem de esperança para todos nós!

Talvez alguém aqui pense: "Padre, já errei demais na vida. Já me afastei muito de Deus. Não tenho mais jeito".

Talvez alguém carregue a tristeza de ter abandonado a Igreja, de ter se afastado da família ou de ter tomado decisões das quais hoje se arrepende.

Mas escute com carinho esta Palavra: enquanto houver vida, haverá oportunidade de voltar para Deus e recomeçar.

O Senhor não olha apenas para o nosso passado. Ele também olha para aquilo que podemos nos tornar quando acolhemos sua graça.

Na segunda leitura, São Paulo nos recorda que Cristo deve ser glorificado em nossa vida. Ele compreende que viver é uma oportunidade de continuar servindo, testemunhando a fé e ajudando os irmãos.

Portanto, não basta dizer que acreditamos em Jesus. Precisamos permitir que essa fé transforme nossa maneira de viver.

Na família, no trabalho, na vizinhança e na comunidade, somos chamados a testemunhar Cristo com nossas atitudes.

Às vezes, uma palavra de carinho, uma visita a alguém que está sozinho, um alimento partilhado ou um pedido sincero de perdão podem ser sinais concretos da presença de Deus.

E nunca pensemos que é tarde demais para começar!

 

Conclusão

Meus irmãos e minhas irmãs, a parábola de hoje nos deixa três ensinamentos muito concretos:

·       Confie em Deus: Ele conhece suas lutas e não se esquece de você.

·       Não viva se comparando com os outros: alegre-se com as bênçãos que Deus concede aos seus irmãos.

·       Não tenha medo de recomeçar: Deus continua chamando você, mesmo quando parece que o dia está terminando.

Nesta Eucaristia, peçamos ao Senhor um coração semelhante ao seu: um coração que não exclui, não condena precipitadamente e não sente inveja do bem que acontece na vida do outro.

Que a nossa Paróquia seja verdadeiramente uma comunidade onde todos encontrem acolhida: os que chegaram primeiro e os que estão chegando agora; os que caminham há muitos anos e aqueles que estão voltando depois de muito tempo.

Que ninguém se sinta esquecido, rejeitado ou sem valor.

E que, inspirados por São Vicente de Paulo, aprendamos a reconhecer Jesus Cristo nos pobres e a servi-lo com amor, simplicidade e humildade.

Porque, no Reino de Deus, ninguém é amado por merecimento: todos somos alcançados pela graça e pela misericórdia do Pai. Amém!

Nenhum comentário:

Postar um comentário