segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Homilia – Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos



Irmãos e irmãs, hoje nos reunimos diante de Deus para recordar, com carinho e saudade, nossos irmãos e irmãs que já partiram desta vida. É um dia marcado pela lembrança, pelas lágrimas, mas, sobretudo, pela esperança.

 

Em Belo Horizonte, quantas famílias hoje visitam os cemitérios, levam flores, acendem uma vela e fazem uma oração por seus entes queridos! São gestos de amor que revelam uma verdade muito bonita: quem ama não esquece! Mas nós, cristãos, não recordamos nossos falecidos apenas com saudade. Recordamos com fé, porque acreditamos que a morte não tem a última palavra. Nossa última palavra é a vida!

Gostaria de destacar três ensinamentos da Palavra de Deus.

 

1. A fidelidade a Deus: permanecer firmes mesmo nas dificuldades.

Na primeira leitura, Jó, mesmo diante do sofrimento, da perda e da dor, faz uma declaração extraordinária de fé: “Eu sei que o meu Redentor está vivo!”

Jó perdeu muitas coisas, enfrentou sofrimentos e não compreendia tudo o que estava acontecendo. Mesmo assim, não abandonou sua confiança em Deus.

Também nós, diante da morte de alguém querido, fazemos perguntas, sentimos saudade e, às vezes, experimentamos uma dor que parece não ter fim. Mas a fé nos ensina a permanecer confiantes.

A fidelidade a Deus não significa nunca chorar. Jesus também chorou diante da morte de seu amigo Lázaro. Ter fé é continuar confiando em Deus mesmo quando nossos olhos estão cheios de lágrimas.

 

2. A esperança da salvação: em Cristo, a morte foi vencida.

São Paulo nos recorda, na segunda leitura, que Cristo ressuscitou dos mortos e se tornou o primeiro entre aqueles que morreram.

Esta é a grande esperança da nossa fé: Jesus morreu, mas ressuscitou! E porque Ele vive, nós também somos chamados à vida.

A morte não é o fim da nossa história. É a passagem para a eternidade de Deus.

Por isso, hoje não celebramos a morte como uma derrota definitiva, mas professamos nossa esperança na ressurreição. Rezamos por aqueles que partiram, confiando na misericórdia de Deus, que conhece o coração de cada pessoa e deseja salvar todos os seus filhos.

Como vicentinos, aprendemos com São Vicente de Paulo que o amor não termina nos gestos, mas permanece na eternidade. Cada gesto de caridade, cada cuidado com os pobres, cada palavra de perdão e cada serviço realizado em nome de Cristo têm valor diante de Deus.

 

3. A vida eterna: viver preparados para o encontro com o Senhor.

No Evangelho, Jesus nos convida: “Ficai preparados, com as lâmpadas acesas!”

Jesus não nos convida a viver com medo da morte, mas com responsabilidade e amor. Estar preparado é viver cada dia com o coração voltado para Deus.

É perdoar enquanto temos tempo, amar enquanto temos oportunidade, ajudar quem precisa, reconciliar-nos com quem estamos afastados e não deixar para amanhã o bem que podemos fazer hoje.

A vida eterna começa a ser construída aqui, nas pequenas atitudes de amor e fidelidade.

Não sabemos o dia nem a hora em que o Senhor virá ao nosso encontro. Mas podemos escolher como queremos viver até esse dia: com fé, esperança e caridade.

 

Concluindo:

Meus irmãos e minhas irmãs, hoje a saudade nos reúne, mas a esperança nos sustenta.

Talvez alguém tenha vindo à Igreja trazendo no coração o nome de seu pai, de sua mãe, de um filho, de um irmão, de um amigo ou de alguém muito querido. Entreguemos todos à misericórdia de Deus.

Que a Palavra de Jó também seja a nossa profissão de fé: “Eu sei que o meu Redentor está vivo!”

E que nunca nos esqueçamos: para quem acredita em Cristo, a morte não é o fim, mas o começo de uma vida que não terá mais dor, sofrimento nem separação.

Que Nossa Senhora, Mãe da Esperança, interceda por nossos falecidos e nos ajude a viver preparados para o encontro definitivo com seu Filho. Amém!

 

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