Irmãos e irmãs, hoje nos
reunimos diante de Deus para recordar, com carinho e saudade, nossos irmãos e
irmãs que já partiram desta vida. É um dia marcado pela lembrança, pelas
lágrimas, mas, sobretudo, pela esperança.
Em Belo Horizonte, quantas
famílias hoje visitam os cemitérios, levam flores, acendem uma vela e fazem uma
oração por seus entes queridos! São gestos de amor que revelam uma verdade
muito bonita: quem ama não esquece! Mas nós, cristãos, não recordamos nossos
falecidos apenas com saudade. Recordamos com fé, porque acreditamos que a morte
não tem a última palavra. Nossa última palavra é a vida!
Gostaria de destacar três
ensinamentos da Palavra de Deus.
1. A fidelidade a Deus:
permanecer firmes mesmo nas dificuldades.
Na primeira leitura, Jó,
mesmo diante do sofrimento, da perda e da dor, faz uma declaração
extraordinária de fé: “Eu sei que o meu Redentor está vivo!”
Jó perdeu muitas coisas,
enfrentou sofrimentos e não compreendia tudo o que estava acontecendo. Mesmo
assim, não abandonou sua confiança em Deus.
Também nós, diante da morte
de alguém querido, fazemos perguntas, sentimos saudade e, às vezes,
experimentamos uma dor que parece não ter fim. Mas a fé nos ensina a permanecer
confiantes.
A fidelidade a Deus não
significa nunca chorar. Jesus também chorou diante da morte de seu amigo
Lázaro. Ter fé é continuar confiando em Deus mesmo quando nossos olhos estão
cheios de lágrimas.
2. A esperança da salvação:
em Cristo, a morte foi vencida.
São Paulo nos recorda, na
segunda leitura, que Cristo ressuscitou dos mortos e se tornou o primeiro entre
aqueles que morreram.
Esta é a grande esperança da
nossa fé: Jesus morreu, mas ressuscitou! E porque Ele vive, nós também somos
chamados à vida.
A morte não é o fim da nossa
história. É a passagem para a eternidade de Deus.
Por isso, hoje não
celebramos a morte como uma derrota definitiva, mas professamos nossa esperança
na ressurreição. Rezamos por aqueles que partiram, confiando na misericórdia de
Deus, que conhece o coração de cada pessoa e deseja salvar todos os seus filhos.
Como vicentinos, aprendemos
com São Vicente de Paulo que o amor não termina nos gestos, mas permanece na
eternidade. Cada gesto de caridade, cada cuidado com os pobres, cada palavra de
perdão e cada serviço realizado em nome de Cristo têm valor diante de Deus.
3. A vida eterna: viver
preparados para o encontro com o Senhor.
No Evangelho, Jesus nos
convida: “Ficai preparados, com as lâmpadas acesas!”
Jesus não nos convida a
viver com medo da morte, mas com responsabilidade e amor. Estar preparado é
viver cada dia com o coração voltado para Deus.
É perdoar enquanto temos
tempo, amar enquanto temos oportunidade, ajudar quem precisa, reconciliar-nos
com quem estamos afastados e não deixar para amanhã o bem que podemos fazer
hoje.
A vida eterna começa a ser
construída aqui, nas pequenas atitudes de amor e fidelidade.
Não sabemos o dia nem a hora
em que o Senhor virá ao nosso encontro. Mas podemos escolher como queremos
viver até esse dia: com fé, esperança e caridade.
Concluindo:
Meus irmãos e minhas irmãs,
hoje a saudade nos reúne, mas a esperança nos sustenta.
Talvez alguém tenha vindo à
Igreja trazendo no coração o nome de seu pai, de sua mãe, de um filho, de um
irmão, de um amigo ou de alguém muito querido. Entreguemos todos à misericórdia
de Deus.
Que a Palavra de Jó também
seja a nossa profissão de fé: “Eu sei que o meu Redentor está vivo!”
E que nunca nos esqueçamos:
para quem acredita em Cristo, a morte não é o fim, mas o começo de uma vida que
não terá mais dor, sofrimento nem separação.
Que Nossa Senhora, Mãe da
Esperança, interceda por nossos falecidos e nos ajude a viver preparados para o
encontro definitivo com seu Filho. Amém!

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