sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Missão do Japão: 13/09/2026: XXIV Domingo do Tempo Comum. ANO A Homilia



Meus irmãos e minhas irmãs,

o Evangelho de hoje começa com uma pergunta muito humana. Pedro chega para Jesus e pergunta:

“Senhor, quantas vezes devo perdoar? Até sete vezes?”

Pedro provavelmente achava que estava sendo muito generoso. Sete vezes já seria bastante! Mas Jesus responde:

“Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.”

Jesus não está querendo que a gente fique fazendo conta. Ele está dizendo: o perdão não pode ter uma calculadora.

 

1. O rancor pesa mais em quem guarda

A primeira leitura é muito direta:

“Perdoa a injustiça do teu próximo e, quando pedires, serão perdoados os teus pecados.”

Todos nós sabemos como é difícil perdoar.

·        Às vezes alguém falou uma coisa que machucou.

·        Alguém da família decepcionou.

·        Alguém dentro da própria comunidade nos tratou mal.

E a gente diz: “Eu perdoo, mas não esqueço!”

E é verdade: algumas feridas não desaparecem de um dia para o outro.

Mas existe uma diferença entre lembrar uma ferida e alimentar uma ferida.

Quando eu fico remoendo, pensando todos os dias naquilo, desejando que a outra pessoa sofra, o problema já não está somente nela. O problema começa a morar dentro de mim.

O rancor vai roubando nossa paz.

Por isso, perdoar não significa dizer que aquilo que aconteceu foi certo.

Perdoar é decidir que o mal que fizeram comigo não vai determinar quem eu vou ser.

 

2. Jesus conta uma história para abrir nossos olhos

No Evangelho, Jesus fala de um homem que tinha uma dívida enorme.

Ele pede misericórdia ao rei e recebe o perdão.

Mas, depois de ser perdoado, encontra alguém que lhe devia muito menos. E, em vez de ter misericórdia, manda cobrar a dívida.

É aí que está a grande contradição.

Ele queria misericórdia para si, mas não queria oferecer misericórdia ao outro.

E Jesus está nos fazendo uma pergunta hoje:

“Você reconhece quanto Deus já perdoou você?”

Porque, antes de sermos pessoas que perdoam, somos pessoas perdoadas por Deus.

·        Quantas vezes falamos sem pensar?

·        Quantas vezes julgamos alguém?

·        Quantas vezes prometemos mudar e voltamos a cometer o mesmo erro?

E, mesmo assim, Deus continua nos acolhendo.

É isso que fazemos todas as vezes que rezamos:

“Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.”

Essa oração é bonita, mas também é exigente.

Porque estamos dizendo a Deus:

“Senhor, perdoa-me do jeito que eu também procuro perdoar.”

 

3. A segunda leitura nos coloca no lugar certo

São Paulo diz:

“Ninguém de nós vive para si mesmo, e ninguém morre para si mesmo.”

Isso vale muito para a nossa vida em comunidade.

Nós não estamos aqui sozinhos.

Na família, na igreja, na pastoral, na comunidade, sempre vamos encontrar pessoas diferentes de nós.

·        Tem gente que pensa e fala de um jeito diferente.

·        Tem gente que tem outro temperamento.

·        Tem gente que nos irrita.

E nós também, meus irmãos, podemos irritar os outros!

Por isso, uma comunidade cristã não é uma comunidade de pessoas perfeitas.

É uma comunidade de pessoas que estão aprendendo a amar, a pedir perdão e a perdoar.

Aqui na Paróquia, nós temos uma grande escola: a misericórdia de Deus.

Se Deus é misericordioso conosco, nós também precisamos aprender a ser misericordiosos uns com os outros.

 

4. O perdão começa nas coisas pequenas

Às vezes pensamos que perdoar significa fazer algo extraordinário.

Mas, na maioria das vezes, começa com coisas muito simples:

·        Parar de falar mal daquela pessoa.

·        Não ficar jogando o erro dela na cara.

·        Não alimentar fofoca.

·        Dar uma nova oportunidade.

·        Voltar a conversar.

·        Rezar por quem nos machucou.

E, quando for possível e seguro, dar o primeiro passo para a reconciliação.

Talvez hoje Jesus esteja dizendo para alguém aqui: “Chega de carregar isso sozinho.”

Talvez exista dentro de você uma mágoa antiga.

Uma coisa que aconteceu há meses.

Ou há anos.

E você continua carregando.

Hoje Jesus não está dizendo que sua dor não importa.

Ele está dizendo: “Filho, filha, não deixe essa dor destruir o seu coração.”

 

5. Perdoar é deixar Deus cuidar da ferida

E aqui precisamos entender uma coisa importante:

Perdoar não significa aceitar abusos ou permanecer em uma situação de violência.

Há situações que precisam de distância, proteção, justiça e acompanhamento.

Mas mesmo quando precisamos manter distância, podemos pedir a Deus:

“Senhor, tira do meu coração o ódio, a vingança e o desejo de destruir aquela pessoa.”

Isso também é perdão.

Perdoar é entregar a Deus aquilo que eu não consigo resolver sozinho.

 

História: A pedra na mochila

Conta-se que um homem procurou um padre e disse:

— Padre, eu não consigo perdoar uma pessoa. Ela me fez muito mal. Já faz anos, mas eu ainda sinto raiva.

O padre ficou em silêncio por alguns segundos e então pediu:

— Pegue uma pedra e coloque dentro de uma mochila.

O homem pegou a pedra e colocou na mochila.

— Agora carregue essa mochila durante o dia inteiro.

Ele obedeceu.

Depois de algumas horas, voltou cansado e disse:

— Padre, essa mochila está muito pesada!

O padre respondeu:

— A pedra não ficou mais pesada. Foi você que ficou cansado de carregá-la.

E então disse:

— É assim que acontece com o rancor. Aquilo que fizeram com você aconteceu uma vez. Mas, cada vez que você revive a ofensa, a raiva, a conversa, a humilhação, você coloca novamente aquela pedra dentro da mochila.

O homem perguntou:

— Então, padre, o que eu faço?

O padre respondeu:

Abra a mochila e entregue a pedra a Deus.

— Mas eu não consigo esquecer!

— Você não precisa esquecer tudo de uma vez. Você precisa parar de carregar.

 

Então, nesta semana, quando aquela lembrança voltar e a pedra da sua mochila pesar, em vez de alimentar a raiva, façamos uma oração: “Jesus, eu entrego esta pessoa a Vós. Eu entrego esta ferida a Vós. Eu não quero mais carregar esta pedra.”

E assim, pouco a pouco, o coração vai ficando mais leve. Porque perdoar não muda o passado, mas pode mudar o nosso futuro.

E quem aprende a perdoar começa a experimentar, dentro de si, a mesma misericórdia que um dia recebeu de Deus.

 

Conclusão

Meus irmãos,

talvez hoje não consigamos perdoar tudo.

Tudo bem.

Comecemos por uma coisa.

Uma pessoa. Uma ferida. Uma situação.

E digamos:

“Jesus, eu ainda não consigo perdoar completamente. Mas eu quero querer perdoar. Começa em mim.”

Porque o cristão não é aquele que nunca é ferido.

O cristão é aquele que, mesmo ferido, não permite que o ódio tenha a última palavra.

E nós somos discípulos do Pai Misericordioso.

Então, nesta semana, façamos uma experiência:

não alimentar uma mágoa.

Não falar mal de alguém que nos feriu.

Rezar por essa pessoa.

E, se for possível, dar um pequeno passo em direção à reconciliação.

Porque, no final, Jesus não quer apenas que sejamos pessoas que receberam o perdão.

Ele quer que sejamos também pessoas que sabem perdoar.

Que Nossa Senhora, Mãe da Misericórdia, nos ensine a guardar no coração não as mágoas, mas a misericórdia.

E que São Vicente de Paulo, homem de caridade e misericórdia, nos ajude a transformar nossa fé em gestos concretos de amor.

 

Senhor Pai Misericordioso,
cura nossas feridas, liberta-nos do rancor
e ensina-nos a perdoar como nós mesmos somos perdoados por Vós.
Amém.

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