Cruz: Nossa missão não tem como foco o viés devocional, mas a Cruz de Jesus, lugar especial onde é revelada o Amor de Deus. Não um Deus ornado de poderes, mas de misericórdia; não um Deus complexo, mas simples; não um Deus todo poderoso, mas que se faz fraco, manifestando assim sua opção preferencial pelos fracos, pelos pobres, pelos humildes. Palavra e Pão: Nossa missão, tendo com foco essa Cruz de Jesus, é mantida, abastecida e sustentada pela eucaristia. A Palavra, além de vicentinamente aludir ao primeiro Sermão da Missão pregado por São Vicente de Paulo em Folleville, em 1617, é para nós a voz de Deus, mensagem que nos guia, ensina e liberta. O Pão, também remete à caridade empregada por São Vicente e seus paroquianos junto àquela família de Châtillon, em 1617, bem como, é para nós, pão da vida, pão dos pobres, pão que nos reúne em torno de Cristo, dispensador da Graça Deus. Caminho: O Caminho é Cristo Missionário, as Pegadas somos nós, “Igreja em saída”. Em Cristo caminhamos. Cada passo mostra nosso desejo de anunciá-lo como Verdade e Vida. (Jo 14,6). Esse anúncio, o fazemos descalços, despojados de toda autossuficiência, mas munidos das virtudes vicentinas (Humildade, Simplicidade, Mansidão, Mortificação e Zelo), virtudes estas extraídas do Evangelho de Jesus. Luz: Significa que, iluminados por Cristo, Sol da Justiça, seremos capazes de discernir os sinais dos tempos, para responder com generosidade, justiça e caridade a nossa vocação de discípulos/missionários, a partir do carisma vicentino. Por último, temos o Letreiro: Santas Missões Populares Vicentinas, com as cores missionárias e o versículo: “O Senhor me enviou para evangelizar os pobres” (Lc 4,18), indicando que também nós queremos continuar a missão iniciada por Jesus. Tudo nessa ilustração aponta para Cristo, pois Ele é nosso ponto de partida e de chegada. Assim nos lembrava São Vicente de Paulo: "vivemos em Jesus Cristo pela morte em Jesus Cristo, e que temos de morrer em Jesus Cristo pela vida de Jesus Cristo e que nossa vida tem que estar oculta em Jesus Cristo e cheia de Jesus Cristo, e que para morrer como Jesus Cristo, tem que se viver como Jesus Cristo”. (SVP, Coste I, 197).
“Não sou daqui, nem dali, mas de qualquer lugar onde Deus aprouver que eu esteja". (SVP Coste IX, II) A Congregação da Missão e os demais ramos da Família Vicentina dos regionais Belo Horizonte e Rio de Janeiro se unem para realizar as Santas Missões Populares Vicentinas. Essa atividade é inspirada em Cristo e é a ação mesma da Igreja, desenvolvida por São Vicente de Paulo e realizada também no Brasil com a chegada dos Padres Vicentinos Antônio Viçoso e Pe. Leandro Castro em 1819. É nesse contexto de celebração de 200 anos da chegada desses missionários no País, que essas missões serão realizadas na Paróquia São Roque, Itaobim – MG, Diocese de Araçuaí, de 18 de janeiro a 1º de fevereiro de 2020. Os trabalhos desse ano têm caráter de pós-missão, uma vez que ano passado, as missões foram realizadas também ali. Os missionários são acolhidos dentro do espírito vicentino da simplicidade nas famílias da Paróquia, e levam consigo alegria, fé, disponibilidade e a solidariedade que lhe são tão características. Antes das atividades próprias da missão, os missionários têm formações específicas durante seis meses, e já ali na paróquia anfitriã, com os missionários locais, um momento de acolhida, apresentação, entrosamento e missa de envio. Nos dias seguintes, organizados em equipes e já nas diferentes comunidades, missionários locais e de fora, realizam visitas domiciliares e formações que visam orientar as lideranças e o Povo de Deus em geral sobre Bíblia, liturgia, celebração da Palavra e fortalecimento das pastorais e da instituição familiar. É natural que nas SMPV, os missionários participem na condição de vida da comunidade e das pessoas; visitem o maior número possível de famílias, especialmente as mais pobres, onde houver doentes, idosos e, também, as lideranças; realizem atividades ligadas à área de formação e celebração. As missões são encerradas com uma missa onde participam os missionários e comunidades envolvidas na missão. Que o Deus de bondade, Maria e São Vicente continue dando forças a nossos missionários a fim de que a possamos continuar seguindo e servindo Jesus Cristo, evangelizador dos pobres.
(Dia Mundial das Missões e
da Obra Pontifícia da Infância Missionária)
Ex 17,8-13a, Sl 120 (121), 2
Tim 3,14-4,2 e Lc 18,1-8
Fé – Oração – Justiça – Missão
Iniciar convidando o povo a cantar juntos:
“Unidos pela força
da oração, ungidos pelo espírito da missão, vamos juntos construir, uma Igreja
em ação.”
A Palavra que a
liturgia de hoje nos apresenta convida-nos a manter com Deus uma relação
estreita. Apresentando como temas centrais a oração, a fé e a missão, permeadas pelo viés da justiça, que disposto a nos salvar,
Deus está sempre pronto anos fazer!
O Evangelho traz tem duas partes
distintas:
·A 1ª está para a
necessidade de orar sempre, representada pela parábola da viúva insistente que faz o juiz injusto atuar em seu favor.
·A 2ª, para a
necessidade de manter a fé, quando o próprio Jesus nos explica a parábola.
Vemos assim que Deus
não está ausente nem fica insensível diante do sofrimento do seu Povo… Saibamos
pois, que Deus nos ama e que tem um projeto de salvação para todos nós; e essa
descoberta só se pode fazer através da oração, de um diálogo contínuo e
perseverante com Deus.
A primeira leitura narra a vitória de Israel contra os amalecitas,
graças às orações de Moisés, que de braços levantados rogava a Deus pelo seu povo.
Dando-nos a entender que Deus intervém no mundo e o salva servindo-Se, muitas
vezes, da ação do homem; mas, para que o homem possa ganhar as duras batalhas
da existência, ele tem que contar com a ajuda e a força de Deus… Ora, essa
ajuda e essa força brotam da oração, do diálogo com Ele.
Na segunda leitura, Paulo aconselha Timóteo a permanecer firme em Deus e emSua verdade.E apresenta uma outra fonte privilegiada de
encontro entre Deus e o homem: a Escritura Sagrada… Sendo que a Palavra com que
Deus indica aos homens o caminho da vida plena, deve assumir um lugar
preponderante na experiência cristã.
Ciente de que como
disse Jesus: mais do que aquele juiz, Deus nos fará justiça e o fará bem
depressa. Reflitamos:
1. A
partir da minha realidade hoje: identifico-me com a viúva humilde e necessitada de Deus ou com o juiz prepotente, cheio de si?
2.
Como é minha oração a Deus? Confio a ele minha vida, minhas necessidades?
3.
Peço sua sabedoria para fazer sua santa vontade, ou quero que Deus faça as
minhas?
4. Em
que situações me custa orar sem desanimar?
Lembremos o que nos
diz São Vicente: “Deus não se nega em nos atender, quando rezamos com humildade
e confiança”. Portanto, não desanimemos!
Hoje também a nossa
Igreja celebra o Dia Mundial das Missões
e da Obra Pontifícia da Infância Missionária. A igreja é essencialmente
missionária. E vale lembrar que ela nasce da missão de Jesus e de seus
discípulos, não o contrário!
O Papa Francisco tem
insistido numa Igreja Missionária, de portas abertas, em saída. Legado deixado
por Jesus e aderido por muitos, no decorrer da história, tal como, para citar
alguns: São Vicente de Paulo, Santa
Terezinha do Menino Jesus e São Francisco Xavier. Cada um, a seu modo, fez
a missão de Deus acontecer no mundo.
Nesse mês de
outubro, estamos vivendo o Mês Extraordinário
Missionário, convocado pelo Papa Francisco no ano passado, que tem como
objetivo: “nutrir o ardor da atividade
evangelizadora da Igreja ad gentes.”
Aqui temos a logomarca desse
mês missionário, que também traz uma mensagem:
Cruz
Missionária: que acolhe o mundo, interliga os povos, estabelecendo a comunicação. É
sinal da comunhão entre Deus e os homens devido à universalidade da nossa
missão. A Cruz é luminosa, cheia de cor, sinal da vitória e da Ressurreição.
Mundo
Transparente: significando que a nossa ação de evangelização não tem barreiras: é
fruto do Espírito Santo. É como o amor de Jesus que não conhece nem fronteiras.
Palavras
“batizados e enviados”: do lado da Cruz brota o Batismo, para salvação do
mundo a que somos enviados a anunciar o Evangelho de Jesus. É a Igreja de
Cristo em ação!
As
cores da Cruz: representam os cinco continentes: o vermelho: América, verde: África,
branco: Europa, amarelo: Ásia e azul
Oceania. Cada cor tem um significado simbólico que torna possível a ligação
entre os continentes através dos povos, na comunhão de Deus com a Humanidade.
Concluiremos nossa fala matizando
que para fazer justiça meio às necessidades dos mais pobres hoje - tal como fez
aquele juiz e, continuamente, faz Deus, podemos realizar três movimentos:
1. Rezar com confiança e sem desanimar. Muitos são os modelos de
orações que temos, desde aquela espontânea - que nasce do fundo de nosso
coração (diálogo com Deus) até as pré-formuladas, como o Rosário de Nossa Senhora
(incluso mês estamos celebrando)
2. Alimentar nossa fé por meio do contato com a Palavra de Deus. Lendo
diariamente a Bíblia, participando das celebrações da Comunidade e engajando-se
nos círculos bíblicos que estão sendo formados em nossa Paróquia.
3. Realizar a missão que todo cristão é chamado a fazer a partir do
batismo, esse anúncio de Jesus Cristo pode se dá pelo nosso testemunho desde pequenos gestos dentro de nossa própria
casa/família/comunidade ou a partir de
um grupo específico tal como é o MISEVI, que inclusive dessa paróquia já
foram enviados muitos missionários às SMPV realizadas pela Família Vicentina do
Regional Belo Horizonte em diferentes paróquias do País. Uma prática que muitos
de nós aqui presentes poderemos retomar. Vale muito a pena!
A missão de evangelizar é de
todos nós! Eu, você, nós somos sempre uma missão, e o somos, porque somos fruto
do amor de Deus. Quem ama, põe-se em movimento, dá-se ao outro e tece relações
que geram vida.
Voltemos nosso olhar, a essa
imagem de Nossa Senhora, e peçamos: “Maria,
nossa Mãe,/ Tu que desde a anunciação/ te colocaste em movimento,/ envolvendo-te
totalmente na missão de Jesus;/ missão que, ao pé da cruz,/ haveria de se
tornar também a Tua./ Ajuda-nos, a como Tu,/ gerar no mundo,/ pela fé e pelo
Espírito,/ novos filhos e filhas para Deus.”/ Amém!
Em sua viagem à Madagascar (África) o Papa Francisco realizou uma visita à Cidade da Amizade
(Akamasoa) fundada pelo Pe. Pedro Opeka, CM, onde vivem milhares de famílias
pobres tiradas de lixões. Ali o Padre ofereceu-lhes vida digna com trabalho
educação e moradia.
Num
primeiro momento o Pontífice se encontrou com mais de oito mil crianças e
jovens em uma quadra coberta, a quem lhes disse: “Queridos jovens de Akamasoa, desejo
dirigi-lhes uma mensagem especial: nunca cruzem os braços diante dos efeitos
nefastos da pobreza, nem jamais sucumbam às tentações do caminho fácil ou do fecha-se
em se mesmo”.
Vale
salientar que além das autoridades eclesiásticas e civis, também estava ali
presente o Superior Geral da Congregação da Missão Pe. Tomaž Mavrič, CM que oportunamente
saudou o Santo Padre e o acompanhou durante esta visita.
Ver a seguir, a mensagem completa dirigida aos
jovens:
É uma grande alegria poder encontrar-me com o padre
Pedro Opeka, CM. Conhecemo-nos na universidade de teologia por volta de 1968, época
em que ele não gostava tanto de estudar, quanto de trabalhar.
É uma grade alegria para mim, poder encontrar-lhes
nesta grande obra. Akamasoa é a expressão da presença de Deus em meio a seu povo
pobre; não uma presença esporádica, circunstancial, é a presença de um Deus que
decidiu viver e permanecer sempre em meio de seu povo.
Nesta tarde são numerosos no coração desta “Cidade
da amizade”, que construíram com suas mãos e que —não duvido— seguirão construindo
para que muitas famílias possam viver com dignidade. Ao ver seus rostos
radiantes, dou graças ao Senhor que escutou o clamor dos pobres e que manifestou
seu amor com sinais concretos como a criação deste povo.
Seus gritos que surgem da impotência de viver sem
teto, de ver crescer seus filhos na desnutrição, de não ter trabalho, pelo
olhar indiferente - para não dizer desprezível - de tantos, transformaram-se em
cantos de esperança para vocês e para todos os que os veem. Cada canto destes bairros,
cada escola ou dispensário são um hino de esperança que desmente e silencia
toda fatalidade. Digamos com força: “a pobreza não é uma fatalidade!”
Com efeito, este povo possui uma longa história
de valentia e ajuda mútua. Este povo é o resultado de muitos anos de trabalho árduo.
Nos cimentos encontramos uma fé viva que se traduziu em atos concretos, capaz
de “mover montanhas”. Uma fé que permitiu ver possibilidade, onde só se via
precariedade; ver esperança, onde só se via fatalidade; ver vida onde tantos
anunciavam morte e destruição.
Recordem-se do que escreveu o apóstolo São Tiago:
“a fé sem as obras é completamente morta” (Tg 2,17). Os cimentos do trabalho mancomunado
e o sentido de família e de comunidade possibilitaram que se restaure artesanal
e pacientemente a confiança não só em vocês, senão entre vocês, o que lhes
permitiu serem os primeiros protagonistas e artesãos desta história.
Uma educação em valores que possibilitou as
primeiras famílias iniciar a aventura com o padre Opeka puderam transmitir o tesouro
enorme do esforço, a disciplina, a honestidade, o respeito a si mesmo e aos demais.
E vocês puderam compreender que o sonho de Deus não é só o progresso pessoal,
mas principalmente o comunitário, que não há pior escravidão - como nos lembrava
o padre Pedro, que viver cada um só para si.
Queridos jovens de Akamasoa, desejo dirigi-lhes
uma mensagem especial: nunca cruzem os braços diante dos efeitos nefastos da
pobreza, nem jamais sucumbam às tentações do caminho fácil ou do fechar-se em se
mesmo. Obrigado, Fanny, por esse bonito testemunho que nos deu em nome dos jovens
do povo.
Queridos jovens: o trabalho realizado por seus
pais, agora toca a vocês continuar. E encontrarão a força para realizá-lo em sua
fé e no testemunho vivo plasmado por aqueles que os antecederam em suas vidas.
Deixem que floresçam em vocês os dons que o Senhor lhes deu. Peçam-lhe que os
ajude a colocar-se ao serviço de seus irmãos e irmãs com generosidade.
Assim, Akamasoa não será apenas um exemplo
para as gerações futuras, senão muito mais, o ponto de partida de uma obra
inspirada em Deus que alcançará seu pleno desenvolvimento na medida em que
siga testemunhando seu amor às gerações presentes e futuras.
Rezemos para que em toda Madagascar e em outras
partes do mundo se prolongue o brilho desta luz, e possamos conseguir modelos
de desenvolvimento que privilegiem a luta contra a pobreza e a exclusão social
a partir da confiança, a educação, o trabalho e o esforço, que sempre são indispensáveis
para a dignidade da pessoa humana.
Queridos amigos de Akamasoa, querido padre
Pedro e seus colaboradores: Obrigado mais uma vez por seu testemunho profético
e seu testemunho gerador de esperança. Que Deus siga abençoando vocês.
Peço-lhes que, por favor, não se esqueçam de
rezar por mim.
Depois, o Padre
Opeka pegou carona no papamóvel e foi com o Papa Francisco a um lugar preparado
junto a um monumento construído em pedra que pesa 600 Kg, em homenagem ao
Sagrado Coração de Jesus, de onde o Pontífice fez a seguinte oração aos
trabalhadores que ali o esperavam:
Deus nosso Pai, criador do céu e da terra,
nós Vos damos graças por nos reunirdes aqui
como irmãos,
em frente desta pedreira britada pelo trabalho
do homem:
nós Vos pedimos por todos os trabalhadores.
Por aqueles que o fazem com as próprias mãos
e enorme esforço físico.
Preservai os seus corpos do desgaste excessivo:
que não lhes falte a ternura e a capacidade de
acariciar os seus filhos e jogar com eles.
Concedei-lhes o vigor da alma e a saúde do
corpo
para que não fiquem esmagados pelo peso da sua
tarefa.
Fazei que o fruto do trabalho lhes permita
Assegurar uma vida digna às suas famílias.
Que encontrem nelas, à noite, calor, conforto e
encorajamento,
e que juntos, reunidos sob o vosso olhar,
conheçam as verdadeiras alegrias.
Saibam as nossas famílias que a alegria de
ganhar o pão
é perfeita, quando este pão é partilhado.
Que as nossas crianças não sejam forçadas a
trabalhar,
possam ir à escola e continuar os seus estudos,
e os seus professores consagrem tempo a esta
tarefa,
sem precisarem doutras atividades para a
subsistência diária.
Deus da justiça, tocai os corações de
empresários e dirigentes: que eles provejam a tudo o que é necessário
para assegurar a quantos trabalham um salário
digno
e condições respeitosas da sua dignidade de
pessoas humanas.
Com paterna misericórdia, cuidai
daqueles que não têm trabalho,
e fazei que o desemprego, causa de tantas
misérias,
desapareça das nossas sociedades.
Possa cada um conhecer a alegria e a dignidade
de ganhar o pão
para o trazer para casa e sustentar os seus
queridos.
Criai entre os trabalhadores um espírito de
verdadeira solidariedade:
saibam velar uns pelos outros,
encorajar-se mutuamente, sustentar quem está
extenuado, levantar aquele que caiu.
Perante a injustiça, que o seu coração nunca
ceda ao ódio,
ao rancor, à amargura, mas mantenha viva a
esperança
de ver um mundo melhor e trabalhar por ele.
Que saibam, juntos e de forma construtiva,
fazer valer os seus direitos
e que as suas vozes e o seu clamor sejam
atendidos.
Deus nosso Pai, Vós destes, como protetor
aos trabalhadores do mundo inteiro, São José,
pai adotivo de Jesus, esposo corajoso da Virgem
Maria:
a Ele, entrego todos que trabalham aqui, em
Akamasoa,
e todos os trabalhadores de Madagáscar,
especialmente aqueles
que levam uma vida precária e difícil.
Que Ele os guarde no amor do vosso Filho
e os sustente na sua vida e na sua esperança.
Amém!
O que se
nota no apostolado do Papa Francisco, além da acolhida, alegria e misericórdia,
é uma verdadeira aporofilia (do grego άπορος + φιλία = amizade/amor ao pobre), características
encontradas em Cristo, São Vicente e em teologias como a Africana ou da América
Latina. Que o Senhor conduza nosso Pontífice a fim de que ele continue nos
guiando com sua sabedoria, serviço e espiritualidade. Fonte: Vatican News Vídeo resumo:
Deus nosso Pai, dai-nos por interseção de São Vicente de Paulo, as virtudes missionárias, a fim de melhor seguir teu filho Jesus Cristo, Evangelizador dos Pobres.
Por tua vida e missão, morte e ressurreição, vivamos teu zelo, humildade e mansidão, simplicidade e mortificação. Amém
Mãe acompanha missionário à casa do filho em Francisco Badaró - MG
“Não há melhor modo
de assegurar nossa felicidade eterna do que viver e morrer no serviço dos pobres,
nos braços da Providência e numa verdadeira renuncia a nós mesmos em seguimento
de Jesus Cristo” (SVP, III, 359).
O Pe. Robert Maloney, CM, na segunda
parte de seu livro o caminho de Vicente de Paulo (1998), apresenta umas palavras a
todos aqueles que querem dedicar suas vidas a seguirem a Jesus Cristo evangelizador
dos pobres.
Trilhando esse caminho,
encontraremos, como São Vicente, um gozo, porque estaremos vivendo como ele viveu
o espírito de Jesus a quem o Pai enviou para anunciar a Boa Nova aos pobres.
Louvemos a Deus pelo chamado que ele
nos fez e faz a vivermos a vocação vicentina. Compõe a nossa missão, nas
palavras do Fundador:
“Fazer os pobres conhecerem a Deus
anunciando-lhes Jesus Cristo, dizer-lhes que o reino dos céus já chegou e que
esse reino é para os pobres. Como isso é grande! E que fomos chamados para ser
companheiros e para participarmos dos planos do Filho de Deus, é algo que
supera nossa compreensão. Que! Fazemos... não me atrevo a dizer sim; evangelizar
os pobres é um serviço tão grande que é por excelência o ofício do filho de
Deus! Somos instrumentos para que o Filho de Deus continue fazendo no céu o que
fez na terra. Que grande motivo para louvar a Deus, meus irmãos e agradecer
incessantemente essa graça” (SVP, XI, 387)
Servir a Deus ao modelo vicentino
implica muita sinceridade, humildade e coragem. Uma vez dando o seu sim, siga
fiel e se por algum momento aparecer a tentação de desistir, imagine, como
dizia São Vicente, multidões sem número, com os braços estendidos gritando seu
nome (SVP, I, 286). Dê sua vida a Deus, aos pobres, e aos seus irmãos, servos dos
pobres. Se fizer o compromisso, seja fiel a ele.
Capítulo
I
O fim da Congregação: O
fim principal é seguir Jesus Cristo evangelizador dos pobres, isto se dá de
três modos:
1.“Empenhar-te
em revestir-te do espirito de Jesus Cristo, o evangelizador dos pobres, e assim
cresceras na verdadeira santidade” (p. 197).
2.“Prega
o evangelho aos pobres. Este é o teu principal trabalho” (p. 197).
3.“Ajuda
também a outros sacerdotes e leigos em sua formação como portadores da boa nova
aos pobres” (p. 198).
Capitulo
II
O lugar do evangelho: É
missão fundamental de um membro da Congregação o anúncio da palavra de Deus aos
mais pobres. Mas para anunciar primeiro é preciso escutar, uma boa pregação se
dá por meio de palavras e testemunho. O missionário também precisa no seu
apostolado saber escutar as pessoas e dar uma palavra de conforto a elas.
Capítulo III
Serviço dos pobres: São
Vicente dizia aos seus missionários que é preciso ter muito amor para com os
pobres e muitas vezes no serviço a eles “encontrarás frustrações ao pregar, ao
ensinar, ou ao trabalhar pelos pobres” (p. 202). Antes de buscar ensinar o
povo é preciso viver o que se ensina.
Capítulo IV
Celibato: O celibato para um
missionário é a disponibilidade e o entusiasmo de anunciar o evangelho e servir
ao povo. “O celibato é um testemunho de tua fé em certos valores que
transcendem a importância da união sexual. É o sinal de tua dedicação a um
projeto total e absorvente de oração, trabalho apostólico, mobilidade
missionaria a serviço do reino de Deus” (p. 205).
Capítulo V
Pobreza: O membro da
congregação buscará por meio do voto de pobreza ter uma vida simples e buscará
partilhar o que tem com a comunidade e com os pobres.
Capítulo VI
Obediência: Segundo São Vicente, precisamos
ser obedientes como Jesus foi obediente à vontade de Deus. “A vida em comum
exige modos de pensar e agir em comum. implica também decisões inevitavelmente,
com as quais alguns não estarão de acordo” (p. 209).
Capítulo VII
Comunidade: São Vicente não
trabalha sozinho, ele cria uma comunidade, com ideais comuns. A vida de
comunidade não é fácil, mas também tem suas alegrias. Para que exista uma
comunidade de boa convivência, cada um dos membros precisa se esforçar para
amar, tolerar, respeitar, ceder para que haja uma verdadeira fraternidade.
Capítulo VIII
Atos de piedade: Como
Jesus que frequentemente se retirava com seus apóstolos para rezar, ficar a sós
com Deus assim também cada membro precisa unir-se a Deus nas orações e atos de
piedade, juntamente com a comunidade. São de fundamental importância à
participação na eucaristia, a leitura do novo testamento, a devoção a Maria,
etc.
Capítulo IX
Simplicidade: a
virtude da simplicidade é a mais estimada por São Vicente. Ele diz a respeito da
simplicidade, esta “é o meu evangelho” (pg. 217). Partindo dos escritos de São
Vicente ele da uma definição clara e simples desta virtude. “Nosso Senhor Jesus
Cristo nos pede a simplicidade da pomba que consiste em dizer as coisas
naturalmente como estão em nosso coração, sem cogitações inúteis, e fazendo
tudo com a atenção voltada para Deus, sem engano nem artificio. Por isso
esforçar-nos-emos para fazer tudo em espirito de simplicidade, sabendo que Deus
gosta de falar com os simples e que oculta os mistérios celestes aos sábios e
aos prudentes do mundo, enquanto revela aos humildes” (p. 217).
Capítulo X
Humildade: É uma das virtudes
fundamentais na espiritualidade, como Jesus dizia “aprendei de mim que sou
manso e humilde de coração” (p. 220). Se cada membro for humilde alcançará
muitas graças. É pela humildade que a companhia consegue fazer grandes coisas.
É preciso que vivamos a humildade prática e não a teoria, falar é fácil, mas
viver é difícil.
Capítulo XI
Mansidão: São Vicente no começo
era muito colérico, mas com a Graça de Deus ele pediu para mudar o seu caráter
e acabou tornando-se amável e benigno. São Vicente sabia corrigir com
amabilidade. A ira em algumas ocasiões da coragem e valentia, mas precisamos
saber conciliar o doce com o amargo, ou seja, a amabilidade e a firmeza. Assim
seremos pessoas calorosas na acolhida do outro, sobretudo do pobre.
Capítulo XII
Mortificação: É
preciso morrer todo dia ao pecado. Não devemos assumir posturas radicais na
mortificação, mas buscar fazer aquilo que São Vicente nos deixou nas
constituições, como: ser fiel ao estado que assume, moderar as palavras com as
pessoas, tratar bem a todos principalmente aqueles que menos nos agradam, saber
utilizar moderadamente os meios comunicativos, etc. Assim estaremos
contribuindo para o crescimento espiritual.
Capítulo XIII
Zelo: São Vicente dizia que “se o
amor de Deus é um fogo, então o zelo é sua chama” (pg. 227). É preciso que
trabalhemos e atuemos em favor dos pobres com constância todos os dias. Não
podemos nos acomodar ser ociosos é preciso colocar a mão na massa. Também temos
que cuidar para não cair no zelo indiscreto, que é o trabalho em excesso, pois
isto tem consequências péssimas. É preciso que conheçamos nossos limites e
respeitemos o nosso corpo para assim podermos bem servir os pobres.
Capítulo IV
Confiança na Providência: São
Vicente acreditava e confiava que tudo provém de Deus, que tudo é obra e dom de
Deus, sem ele não somos nada. As obras que São Vicente fundou é obra de Deus e
não de sua própria vontade. São Vicente nos deixou um estilo de vida simples e
despojado do que o mundo propõe (fama, dinheiro, luxo), é preciso se entregar
sem reservas nas mãos de Deus, pois se confiamos tudo a ele, tudo ira ser
providenciado no momento oportuno. Tudo é obra de Deus, nós apenas somos seus
instrumentos. Portanto, confiemos a Deus e a sua divina Graça.
Referência
MALONEY,
Robert. O caminho de Vicente de Paulo:
uma espiritualidade para nossos tempos a serviço dos pobres. Curitiba: Gráfica
Vicentina, 1998.