domingo, 17 de julho de 2016

Olha quem te olha

Fala preparada para o 2° Acampamento: Ligados em Cristo, da Obra Aliança com Maria de Bela Cruz – Ce, acontecido em Preá, Cruz - Ce


I. APRESENTAÇÃO: Pessoal e, se viável, dos acampantes
Música para introdução/reflexão:
1. “Olha quem te olha” – Com. Rainha da Paz ou
2. “O amado” – Walmir Alencar 

II. CHUVA DE IDEAIS EM TORNO DA TEMÁTICA: Olhar
Perguntar a assembleia o quem vem na sua mente quando se escuta palavras como: ver, olhar, olha, etc. O que o mundo, as mídias, o nosso imaginário mostram sobre isso. Eis algumas possíveis respostas:
1. Músicas
·         “Olhar 43” – RPM
·         Num golpe de olhar... “Renata” – Latino
·         Olha bem no fundo dos meus olhos... “De janeiro a janeiro” – Nando Reis
·         Olha pro céu meu amor... “Olha pro Céu” – Mastruz com Leite
·         Veja só você, depois de me perder... “Tarde demais” – Raça Negra
·         Ver teus olhos no espelho... “Olhos no Espelho” – Adriana Arydes
2. Diversos
·         Deus é o olho que tudo ver – Frase/adágio popular
·         Ficarei olhando até que você me entenda – Frase/adágio popular
·         Olha elaaaaa! – Ana Pula Ex-BBB
·         Os olhos são espelhos da alma – Frase/adágio popular
·         Pare, olhe e siga – Sinalização de trânsito.
·         Na bíblia a palavra “Olha” parece 53 vezes e o verbo “Olhar” 61 vezes – Bíblia Pastoral da Paulus. 
Música para exercitar o olhar: Pedir que os participantes fiquem em duplas de frente um para o outro e cante, gesticule e/ou medite uma das musicas a seguir:
a) “Te ofereço paz” – Grupo arte nascente
b) “De janeiro a Janeiro” – Roberta Campos com participação de Nando Reis

 III. DESENVOLVIMENTO DO TEMA: “Olha quem te olha”
1. Na história sempre se ouve, especialmente nossos pais dizendo frases como:
·         “Cuidado, porque Deus está vendo!”
·         “Deus vê e castiga”
·         “Esse é olho que tudo vê (mostrando a pirâmide com olho no centro), etc.
Porém estudando a Palavra descobrimos que o olhar de Deus para nós não é de um Deus castigador, mas um olhar de pai/mãe, amor, cuidado, carinho, misericórdia, ternura, etc.
2.Deus nos olhou primeiro, nos conheceu primeiro e nos amou primeiro, também nós somos convidados a fazer o mesmo: olhar, conhecer e amar a Deus.
3. Em Gn 1, 1s, vemos que Deus criou o firmamento, a terra, o céu, as águas, os peixes, os animais, as plantas, o universo... Ele criou, olhou para a sua criação e viu que tudo era bom.
Deus criou o homem (homem e mulher - Gn 1,27) a sua imagem e semelhança... Ele olhou para a sua obra prima e viu que era boa.
4. Podemos concluir assim que Deus os vê com bondade, como pessoas boas. E nós, como olhamos? Como vemos Deus?! Deus nos fez bons, porém eu tenho me preservado nessa bondade?
a) Como me apresento para Deus?
b) Que vida eu levo hoje?
c) Como as pessoas me veem?
d) Sou uma pessoa transparente ou vivo de máscaras?  
e) Deus me vê com amor e misericórdia, o outo me vê com as minhas máscaras, porém eu, como eu me vejo?

 
5. Não importa como o mundo nos vê. Deus o faz com misericórdia. Abramos a nossa bíblia e vejamos algumas passagens onde Jesus volta para nós o seu olhar amoroso. O olhar de Cristo é:
a) Olhar misericordioso – Vocação de Mateus (Mt 9, 9):
Jesus viu Mateus e o chamou, ele deixou tudo e seguiu o Mestre. Mateus, por ser cobrador de imposto, era visto, pelo povo da época, como pecador, pessoa ruim, de má fama. Jesus, porém não viu a aparência, mas a essência, Jesus viu o coração (I Sm 16, 7). Mateus viu misericórdia no olhar de Jesus e já não quis tira os seu olhar do Messias. (Esse é o lema episcopal do Papa Francisco: “miserando atque elegendo” escolhido pela misericórdia de Deus).
b) Olhar diferenciado – Visita a Zaqueu (Lc 19, 1s)
c) Olhar inclusivo – Mulher adúltera (Jo 8, 1s)
d) Olhar relacional – Jantar na casa de pecadores (Mc 2, 15s)
e) Olhar de perdão - Pai misericordioso (Lc 15, 11s) 

6. Jovem, “Olha quem te olha!” Não olha para o pecado, mas sim, olha para Deus!
Cantar o refrão:
“Olha Quem te olha
É Jesus que quer te conhecer, abre teu coração!
Olha Quem te olha e não permita que mais nada
Te faça sair dessa visão”

7. Deus está olhando para mim, para nós, mas, infelizmente, nós desviamos nosso olhar do sagrado. Para onde estamos olhando!? Para onde olha o jovem hoje?!
a) Escolhas egoístas, individualismo.
b) Emancipação desordenada – cada um que ser senhor de si, quando somos chamados a deixar Deus ser o Senhor de nossa vida.
c) Consumismo desembreado – colaborando ainda mais a destruição do planeta. Eis a preocupação do Papa Francisco escrevendo a Laudato Si 
d) Contra valores – Valorizando o mundano em detrimento do sagrado
e) Longe, as ilusões do mundo – esquecendo quem olha por nós, a nossa família, a nossa mãe. Voltemos um olhar para ele e estejamos com eles – os nossos familiares.  
f) Hedonismo – o prazer como estilo de vida
g) Pecados virtuais – games e pornografia
h) Apologia a desgraça dos outros – envio de vídeos que denigrem a dignidade das pessoas via watts app
i) Comunicação do isolamento das redes sociais – o mundo virtual se sobrepondo ao mundo real, as comunidades online sendo mais valorizadas que a comunidade paroquial, comunidade de vida.
j) Queima de etapas – criança quer ser jovem, jovem adulto, adulto criança.
l) Para o próprio umbigo – narcisismo
m) “Do contra” – gerando desintegração social e cultural 
n) Competição – quando somos chamados à cooperação e a solidariedade
o) Afetividade autônoma, prazer pessoal
p) Indiferença religiosa 
r) Informação, contrário de formação
s) Material (ter e poder), esquecendo-se do espiritual (ser)
t) Drogas
u) Ídolos e famosos – quando os verdadeiros modelos são Jesus, Maria e os Santos
v) Livros e textos de ficção, bruxaria e magias negras – quando devemos conhecer mais sobre a Palavra, textos edificantes e que trazem luz, harmonia e paz para o mundo
x) Vida alheia (Dizia um professor meu que a vida dos outros é sempre mais interessante) – quando olhamos demais para a vida alheia esquecemos de cuidar a nossa. Tiremos a trave de nosso olho! (Mt 7, 5)
z) Critico destrutivo - quando deveria ser construtivo e motivador, uma vez que o mundo já tem críticos demais devemos ser um motivador de pessoas.

Música de meditação: "Jovem te olho" – Adriana Arydes

8. A saída para tudo isso é um encontro pessoal com Jesus Cristo. Olhemos para Cristo presente no sacrário, olhemos para Cristo que está presente no irmão.
a) Esqueçamos de todos os “ISMOS”: egoísmo, pessimismo, individualismo, e potencializemos o “DADE”: comunidade, fraternidade, igualdade, etc.   
b) Olhemos para Cristo como ele nos olha. Esse olhar nos traz a verdadeira felicidade. O próprio Jesus Cristo disse que são feliz os que trazem esse olhar, os que praticam a misericórdia, porque alcançarão ainda mais misericórdia para esse mundo.
Ainda sobre a felicidade, a Palavra coloca, em Lc 11, 27s, que certo dia quando Jesus estava ensinando, uma mulher da multidão exclamou: “Bem-aventurada àquela que te deu à luz, e os seios que te amamentaram!” Ele, porém, afirmou: “Antes disso, mais felizes são todos aqueles que ouvem a Palavra de Deus e lhe obedecem”. Eis ai o segredo de uma vida feliz. Ser como Jesus não só no olhar, mas nas palavras e especialmente, nas obras, nas ações. 

9. O homem se faz por modelos, já que desde criança, agimos por imitação. O primeiro exemplo é Cristo, como temos visto desde o inicio dessa fala. Agora porém apresentaremos três outros modelos que souberam olhar como Ele nos olha.
a) Mariavia do testemunho. Maria soube olhar para Deus e colocar em prática seu projeto. Seu silêncio é um silencio que fala, porque ela fala por suas obras, por suas ações, por seus gestos. Assim como para o seu filho Jesus, hoje também ela olha por nós, pois Jesus nos a deu como mãe (Jo 19, 26-27). Peçamos esse olhar de Maria cantando:
Mae, olha por mim.
Acontece, às vezes nos sentimos sós,
E pensamos que ninguém olha por nos
E que somos como criança perdida
Mas esse, coração criança
Mesmo perdido
Busca força,
E com um grito
Chama por alguém
Que nunca vai deixa-lo assim
Chama mãe, vem olhar por mim.
É minha mãe,
Que consola meu coração
Que me guia pela mão
Que me ensina a caminhar
É minha mãe
Que faz o sol estremecer
Me dá Jesus me faz viver
Me faz ter fé
Me faz amar
Ensina-me a dizer sim
A dar tudo de mim
Molda-me a teu jeito
Me põe junto a teu peito
E me leva ao Salvador.

b) Santa Tereza D’Ávilavia da oração mental.
Santa Teresa de Jesus (*1515 +1582). Virgem e Doutora da Igreja. Natural de Espanha, foi uma freira carmelita, mística e santa católica do século XVI, importante por suas obras sobre a vida contemplativa através da oração mental e por sua atuação durante a Contra Reforma e sua colaboração para a Ordem Carmelita. Canonizada em 1622, pelo Papa Gregório XV. Sugere-nos olhar Aquele que nos olha por meio de exercícios espirituais: (Aplicar os exercícios a seguir com musicas instrumentais ao fundo)
i) Gn 1, 31 – Deus viu tudo o que tinha feito e era muito bom. Ao concluir sua obra Deus fez um passeio pelo jardim... Saiamos nós também a contemplar a criação, as coisas e as pessoas ao nosso redor, e a perceber a bondade em cada ser.
ii) Mc 10, 46-52 – A cura do cego Bartimeu. Como Bartimeu, clamemos a Jesus: “Cristo, tem de piedade de mim”, “Senhor, que eu veja!” Sinta Jesus se aproximando de você, sinta as mãos de Jesus sobre seus olhos, curando-os, tirando as traves para ver o mundo, o outro, a sua própria vida com um novo olhar.
iii) Mc 6, 34s – Jesus e a multidão. Jesus desceu da barca, viu a multidão e teve compaixão daquele povo, porque parecia como ovelha sem pastor. Imaginemo-nos como integrantes daquela multidão, para onde Jesus dirige seu olhar, deixe-se contemplar por Jesus, sinta-se uma daquelas ovelhas e aprenda com aquele olhar.

c) São Vicente de Paulo – Via da contemplação, pois Vicente era contemplativo na ação.
Vicente de Paulo (*1581 + 1660) Padroeiro das Obras de Caridade. Natural da França. Foi um sacerdote católico francês, fundador da Congregação da Missão, Filhas da Caridade e Damas da Caridade. Um dos grandes protagonistas da Reforma Católica na França do século XVII. Canonizado em 1737, pelo Papa Clemente XII. São Vicente nos sugere um olhar de caridade que se transforme ação em prol de cristo na pessoa dos pobres.
i) Lc 10, 25s – O Bom Samaritano. Na parábola nos é apresentado três olhares. O primeiro de um sacerdote (olhar de repúdio), o segundo de um levita (olhar de indiferença), o terceiro de um samaritano (olhar de compaixão). Os dois primeiros não se importaram com aquele homem, que foi atacoado por ladrões. Já o terceiro, o samaritano: viu, compadeceu-se, aproximou-se, limpou as feridas, colocou-o no transporte, levou-o a pensão, cuidou dele, encomendou que o dono da pensão também o fizesse e pagou as despesas!
ii) São Vicente direciona o olhar de Santa Luisa. Luisa de Marilac era uma mulher dócil ao amor de Deus e íntima de seu Santo Espírito. Teve inicialmente uma vida conturbada. Abalada pela morte da mãe, por viver sem os cuidados do pai, rejeitada no convento, morte do marido e por ter um filho bastante difícil sofria bastante e se olhava para Deus buscando forças. Vicente torna-se seu confessor e orienta-lhe que olhe para o pobre, faça algo em prol do outro, seguindo um tríplice princípio que também serve para nós:
“Amar a Deus com a força de nossos braços e o suor de nossa fronte;
ver Jesus Cristo no próximo, amando e servindo a Nosso Senhor em cada um, e cada um em Nosso Senhor; e
Não adiantar-se à Divina Providência, esperando com calma sua voz de mando".
iii) Ter uma grande intimidade com o Senhor - Ele lia todos os dias as Sagradas Escrituras e orientou seus coirmãos a fazer o mesmo: “Cada dia os padres e clérigos lerão um capítulo do Novo Testamento e respeitarão o livro como regra de perfeição cristã e para melhor aproveitamento o lerão ajoelhados, com a cabeça descoberta e no final da leitura farão os três atos seguintes:
Adorar as verdades contidas no capítulo,
Aplicar-se para ter os mesmos sentimentos com os quais Nosso Senhor os pronunciou, e
Esforçar-se para praticar os conselhos ou preceitos ali contidos.”
Foi na Palavra que São Vicente descobriu e pode aplicar na sua realidade esse olhar que incluía e dava dignidade aos desamparados. São Vicente de Paulo teve um olhar de compaixão e misericórdia, capaz de indignar-se frente a tudo aquilo que era desumano: “Como ser um cristão e ver seu irmão sofrendo sem chorar com ele? Sem ficar doente com ele? É não ter caridade, é ser cristão de fachada; é não ser humano, é ser pior que os animais”. O olhar de Vicente percebeu o Pobre na sua dimensão pessoal e social. Olhando ao seu redor, ele reconheceu a dor e o sofrimento dos Pobres e colocou todos os seus dons a serviço do povo sofredor, pois, para ele, o Pobre.

iv) Um olhar de caridade para com o próximo implica em:
·         Trazê-lo para junto de nós;
·         Acolher a pessoa em nossa vida;
·         Colocar-se no lugar do outro;
·         Entender a sua história;
·         Ocupar-se da situação do irmão;
·         Tomar conta dele;
·         Ajuda-lo a ser melhor;
·         Entender a dor e o sofrimento do outro;
·         Ver as múltiplas formas de pobreza que acometem o corpo, a mente e a alma de tantos irmãos espalhados pelas periferias de nossa sociedade;
·         Lutar para transformar as realidades, as estruturas de pobrezas;
·         Libertar-se de preconceitos que nos afastam dos excluídos;
·         Levar-nos ao encontro do Cristo agonizante na pessoa dos Pobres.
Música para meditação: “Olhar e caridade” – Identidade Nação  

10. Para concluir apresentamos colaborações de dois grandes bispos da Igreja que nos ensinam a bem direcionar nosso olhar: Papa Francisco (Bispo de Roma – Itália) e Dom Helder Câmara (Bispo de Olinda e Recife – Brasil).

a) Para o Papa Francisco, é nos sacramentos que devemos procurar Jesus:
“Deixemo-nos olhar pelo Senhor na oração, na Eucaristia, na Confissão, nos nossos irmãos, especialmente naqueles que se sentem postos de lado, que se sentem mais sozinhos. E aprendamos a olhar como Ele nos olha” – Homilia em Cuba em 21 set. 2015.

b) Dom Helder convida que mudemos o nosso olhar.
“Conta-se que, certa vez, Dom Helder Câmara celebrava a missa em uma pequena comunidade. No momento da comunhão quando os fiéis recebiam a Hóstia, na fila, colocou-se uma pessoa alcoolizada. Ela estava totalmente bêbada e quando se aproximou para receber a Eucaristia, Dom Helder, sem titubear, deu-lhe a comunhão naturalmente como tinha feito com as demais pessoas que estavam na fila. É claro que muitos ficaram indignados em presenciar tal comportamento. Uma das pessoas presentes, não se conteve e veio falar com Dom Helder depois da Missa. “Dom Helder,” – perguntou ela – “O Senhor não viu que aquela pessoa que foi receber a comunhão estava bêbada?”. E Dom Helder, olhando para ela, disse: “Sim, minha filha, eu vi que aquele homem estava bêbado. Eu só não vi as causas por que ele tinha bebido e estava bêbado”. (cf. Um Olhar de Caridade, Mizaél Donizetti Poggioli, p. 120-121).

Mudemos nosso olhar. Adotemos o olhar misericordioso de Jesus e olhemos como ele nos olha!

Obrigado!

Cleber Teodosio

Seminarista da Congregação da Missão 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Pe. Tomaž Mavrič: Novo Sucessor de São Vicente

Pe. Mól, CM (Provincial da PBCM) e Pe. Tavrič, CM (Superior Geral)  

5 de julho de 2016. Nosso dia começou com a celebração da Eucaristia, presidida pelo Padre Gregory Gay, em seu último ato como 24º Superior Geral. Ao final da celebração, a Assembleia invocou a bênção do Senhor sobre o Padre Gregory, prorrompendo depois em vibrante aplauso para dizer do reconhecimento agradecido de toda a Congregação pela fecundidade de seu generalato ao longo dos 12 últimos anos.

Na sala magna, reunidos os 113 delegados, sustentados pela comunhão espiritual de tantos irmãos e irmãs espalhados pelo mundo, invocamos o Espírito Santo e procedemos à eleição do novo sucessor de São Vicente para os próximos seis anos. Depois do terceiro escrutínio, acolhemos a novidade do Espírito na pessoa do Padre Tomaž Mavrič, atual Vice-Visitador da Vice-Província de São Cirilo e São Metódio, que compreende três países Ucrânia, Rússia e Bielorrússia. O que sabemos a respeito de sua trajetória é ainda muito pouco. Nasceu no dia 9 de maio de 1959, em Buenos Aires (Argentina), filho de migrantes eslovenos. Foi admitido à Congregação a 11 de dezembro de 1976, emitiu os Votos Perpétuos no dia 8 de abril de 1982 e foi ordenado presbítero em 29 de junho de 1983. Tendo passado por vários países (Canadá, Eslovênia, Rússia, Irlanda, Eslováquia e Ucrânia, onde residia até agora), possui ampla experiência ministerial: missão entre os pobres, pastoral paroquial, orientação de retiros, animação vocacional, formação dos nossos, governo provincial, etc. Conhece várias línguas: espanhol, russo, inglês, esloveno. Agora, temos o Padre Mavrič como 25º Superior Geral da Congregação da Missão e da Companhia das Filhas da Caridade, legitimamente escolhido nesta 42ª Assembleia. Ao novo sucessor de São Vicente, acolhemos com espírito de fé e gratidão sincera, prestamos obediência e oferecemos nossa colaboração, assegurando-lhe nossa proximidade espiritual e nossa recordação na próxima Eucaristia que celebrarmos.

A Assembleia prosseguiu, analisando os primeiros dos 11 postulados enviados pela Cúria e pelas Províncias, trabalho ao qual daremos continuidade nos próximos dias. Pedimos aos Coirmãos que continuem a acompanhar-nos com suas preces.   

Pe. Mól e Pe. Vinícius 

Pe. Mavrič - 25º Superior Geral da CM

segunda-feira, 30 de maio de 2016

PRECE A DIVINA MISERICÓRDIA


Senhor...
Ajuda-me a ser discípulo, não funcionário de Deus;
Ajuda-me a ter altruísmo com o meu próximo;
Ensina-me a ter um coração agradecido;
Livra-me do pecado da fofoca;
Permite-me ser ouvido para o outro; 
Que Deus esteja no meu pensar, falar e fazer. No meu ontem, hoje e sempre;
Que entenda que preciso de Deus e do outro para viver melhor;
Que eu aja com humanidade, tratando bem os meus irmãos;
Que eu dedique mais tempo a oração;
Que eu entenda que não posso ser feliz, bom e útil sozinho, senão em relação com Deus e com o outro;
Que eu entenda que não sou melhor que os outros;
Que eu exercite o dom do cuidado;
Que eu me compadeça com o sofrimento, a perca, a dor do outro, dos perseguidos, dos injustiçados;
Que eu não seja indiferente ao teu coração e amor;
Que eu reconheça o valor do e no outro;
Que eu reze pelos meus parentes vivos e falecidos, bem como por aqueles que são esquecidos pelos seus;
Que eu seja eu em todos os lugares;
Que eu seja sinal de Deus na minha família, na rua e em meio ao mundo;
Que eu seja um instrumento nas mãos de Deus;
Que eu tenha sede de Deus e busque sempre o fortalecimento de minha fé; 
Que eu Ti receba na Eucaristia com muito fervor e Ti sirva na pessoa dos mais necessitados;
Que eu use meu tempo livre para fazer coisas boas;
Que eu vele pela dignidade das pessoas, e não exponha as pessoas;
Que o critério para toda minha ação seja Cristo.
Amém.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

FESTA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA - 2016

Pe. Garcia, CM preside um noitário do triduo em honra a N. Sra. de Fátima
 Sem dúvida, umas das mais singulares e belas histórias que a humanidade já ouviu, refere-se a um episódio que se deu entre 1916 e 1920, na região montanhosa chamada Serra d’Aire – Cova da Iria, Portugal. Três pastorinhos – duas meninas, de dez e sete anos, e um menino de nove – contaram ter visto seis vezes uma Senhora toda vestida de luz, em cima de um arbusto. Falava-lhes e logo após desaparecia. Na última das aparições, na presença de setenta mil pessoas, realizou um admirável milagre para provar a veracidade do que dizia. (1)

Dois pastorinhos – Jacinta Marto e Francisco Marto morreram pouco depois, como a Senhora predissera. O tempo confirmou mais tarde as outras profecias: a revolução bolchevique, os horrores da Segunda Guerra Mundial e a ameaça do marxismo, que chegou a pairar sobre o mundo todo. A Senhora afirmou que, se os seus desejos fossem atendidos, Ela haveria de converter a Rússia e a paz reinaria no mundo; do contrário, muitas nações da terra seriam flageladas e escravizadas.
Comunidade de Cercadinho participa do triduo en honra a N. Sra. de Fátima
A terceira pastorinha – Lúcia dos Santos entrou para o Carmelo em Coimbra, falecendo em 2005, aos 97 anos. As três crianças viam Nossa Senhora, porém só a Lúcia foi dado a graça de ouvir e falar com Aquela sobre quem Isaias escreveu que “daria à luz ao Filho de Deus”, (Is 7,14) quem o Arcanjo Gabriel saudou como “Cheia de Graça”, (Lc 1,28) e quem ainda profetizaria de si mesmo, ser “bem-aventurada por todas as gerações”. (Lc 1,45) 

Em vários momentos essa Senhora mudou o curso da história. Manifestando-se outras vezes em diversos lugares e situações, a saber: à jovem Bernadete em Lourdes, à noviça Catarina Labouré em Paris, ao indígena Diego em Guadalupe, aos pescadores em Aparecida, aos jovens em Medjugorje, etc. 

Em nossos dias, e aqui em nosso meio, Ela também deseja trazer e semear sua mensagem de paz e de esperança, antes da consumação dos séculos, quando conforme predisse São João, surgirá “vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas sobre sua cabeça”. (Ap 12,1)

Detalhes da apresentação das aparições encenada pelas crianças e jovens da Comunidade
A oração do Santo Rosário, recomendada sabiamente pela Mãe de Deus, é poderosa na união das famílias e fortalecimento da comunidade. O Papa Francisco, em muitas ocasiões, porém especificamos aqui duas - Encontro de Jovens Vocacionados no Vaticano 2013 e na visita ao Quênia África 2015, pediu que, por favor, rezemos o terço e mostrando um terço que trazia no bolso, afirmou que sempre o tinha consigo, para rezar. 

Nesse dia 13 de maio de 2016, nós também da Paróquia Santo Antônio de Orlenas, somos convidados a nos unir à Comunidade Nossa Senhora de Fátima, a aproximar-nos de Cristo, da Virgem e dos irmãos por meio da oração, da eucaristia e da festa que temos a alegria de celebrar. Participe! 

(1) WALSH, William Thomas. Nossa Senhora de Fátima. São Paulo: Quadrante, 1996
Publicado na Folha de Orleans - By Alison Medeiros e Cleber Teodosio  

segunda-feira, 25 de abril de 2016

SANTUÁRIO DE SANTA PAULINA - NOVA TRENTO - SC BRASIL


O Santuário de Santa Paulina está situado no município de Nova Trento - SC, a 98 km da capital Florianópolis. É o maior e mais importante santuário dedicado a Santa Paulina no Brasil e no mundo. O mesmo atrai turistas, de cunho religioso e ecológico, nacionais e internacionais, e como nos demais empreendimentos do tipo, oferece sua colaboração religiosa, social e econômica para os que por ali passam ou buscam em torno a esse, fortalecimento para as suas almas ou até o sustento para as suas vidas. 

As atividades próprias do Santuário são levadas pelos Padres do Sagrado Coração de Jesus, mas especialmente pelas Irmãzinhas da Imaculada Conceição – congregação essa, fundada pela então Amábile Lucia Visintainer, hoje conhecida como Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus – considerada a primeira santa brasileira, ainda que não tenha nascido no Brasil. 

A Santa tem ascendência italiana. Filha de Napoleone Visintainer e Anna Pianezzer, que em 1876, imigraram para o Brasil, instalando-se em Vígolo, interior e hoje bairro de Nova Trento - SC. 

Amábile ajudava seus pais na agricultura. Uma jovem de fé viva que se traduziam nos gestos de seu dia a dia. Numa noite, Amábile teve um sonho encantador, onde surgiu uma lindíssima senhora, que lhe falou, mas Amábile não conseguiu entender uma palavra. Angustiada, acordou.
Na noite seguinte, o sonho se repetiu, Amábile encoraja-se e ouve as palavras:
-“Desejo ardentemente que comeces uma obra: trabalhar pela salvação.
-Mas como, se não tenho meios e sou tão ignorante e miserável?” Nisso acorda.
Na terceira noite, a mesma aparição, a Belíssima Senhora pergunta:
“-Filha, que resolveste?
-Servir-vos, minha querida Mãe, mas eu não sou ninguém.
-Dar-te-ei uma pessoa que te ajude. Mais tarde, mostrar-te-ei as filhas que quero te confiar”.

Um dia, numa conversa com Virginia, enquanto moinham fubá, Amábile disse: "-Por que não fazer um casebre para aí rezar, trabalhar e ajudar os pobres enfermos?" Uma vez comprada a ideia, em 12 de julho de 1890, Amábile Visintainer e Virginia Nicolodi acompanhadas por seu pai Napoleone Visintainer e seu irmão Luigi, levam uma idosa cancerosa para um casebre e, com sua companheira, passa a presta-lhe cuidados. Época em que o Pe. Augusto Servanzi, SJ, confia aos cuidados das jovens a catequese, os doentes e a capela de Vígolo. Desse gesto de amor-doação, nasce a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição.

Madre Paulina, nascida em Vígolo Vattaro, Trento - Itália em 16/12/1865, faleceu em São Paulo - SP, Brasil, em 09/07/1942. Foi canonizada, pelo Papa João Paulo II no Vaticano, em 19/05/2002. Hoje a Congregação, fundada pela Santa, está presente em 16 Estados brasileiros e em 11 países. A Casa Mãe, em Nova Trento tem várias atividades em execução, no âmbito da ação pastoral, saúde, educação, hospitalidade, família e social, voltadas para manutenção da obra, uma das principais é o Santuário, com missas e confissões diárias, porém o dia que tem mais visibilidade é o terceiro domingo do mês, quando se transmite missas pela TV Aparecida (6h) e Rede Século XXI (9h30). Nos demais domingo, missas são veiculadas (10h), por três rádios do Estado Catarinense: Cultura, de Florianópolis; Vale, de Tijucas e Católica de Balneário Camboriú.            

Testamento de Madre Paulina
"Sede bem humildes, confiai em Deus e em Maria Imaculada. Permanecei firmes e adiante. Santa Caridade entre vós e, especialmente, para com os doentes das santas casas, dos asilos, etc. Tende grande amor à prática da Santa Caridade. Está terminada a minha missão. Morro contente. Dou, de todo o coração, a vós todas, a minha bênção."

Para saber mais: clique aqui

quinta-feira, 31 de março de 2016

Missão de Semana Santa na Ilha Rasa – PR, Março 2016


A missão da Igreja é evangelizar! É o que tentamos fazer diariamente, até em nossos mais simples gestos do dia a dia, pois anunciar Cristo, mas que proferir bonitas palavras, é vivê-las, testemunhando o Ressuscitado em cada momento de nossa existência.

A ação pode e deve vir acompanhada da palavra, ambas se complementam. O movimento também é necessário. Jesus mesmo enviou os seus discípulos a evangelizar, e logo os recebeu para que partilhassem a alegria da missão (cf Lc 10, 3-24); assim o ir e vir do missionário, hoje, legitima-se e se faz necessário. 


Os formadores, do Seminário Nossa Senhora das Graças de Curitiba - os padres Guilherme Schelbauer*, CM, Ilson Hubner, CM, e Wilson Garcia, CM, estão atentos a essa questão e sempre enviam, nós, seus formandos inspirados no “ide” de Mateus capítulo 28 versos 19. Na última Semana Santa, fomos enviados às diversas paróquias vicentinas instaladas no Paraná, ao Júlio Cardoso e a mim (Cleber Teodósio), nos tocou a Paróquia de Bom Jesus dos Perdões de Guaraqueçaba, mais precisamente à comunidade de Nossa Senhora Assunta ao Céu de Ilha Rasa. 

Após quase duas horas de ônibus até Paranaguá e de aí mais quase três até Ilha Rasa, fomos recepcionados pela jovem Isabele Barbosa na tardinha da segunda 21, que nos conduziu até a casa do seu Pai e coordenador da Comunidade Oromar Barbosa. Bem acolhidos descansamos e no dia seguinte, acompanhados pelo jovem Maurício Lima, visitamos a comunidade de Almeida, ali visitamos as cinco únicas casas cujos moradores eram católicos, voltando a comunidade de Ponta do Lanço, ainda visitamos uma família, a tarde e nos dias seguintes as visitas se deram na comunidade de mesmo nome da Ilha, acompanhados por Isabele e/ou por Mateus Ribeiro. 

A Ilha Rasa é uma área de proteção ambiental que se encontra no litoral norte do Estado, tem aproximadamente 15 km de extensão e 03 de largura. É um local simples e acolhedor, com uma média de 800 pessoas que têm como fonte de renda a pesca ou a educação. Na Ilha há duas escolas com ensino fundamental e médio, oito templos religiosos, dois católicos e os demais de quadro denominações evangélicas. O turismo não é muito ativo na ilha pelo fato de quase não apresentar praias, mas sempre recebe visitantes, especialmente na festa da padroeira do lugar, que se realiza no terceiro fim de semana de agosto.

Na comunidade realizamos as celebrações comuns da Semana Santa: Instituição da Eucaristia (quinta, 24), Paixão do Senhor (sexta, 25), Vigília Pascal, com a presença do Pároco, Pe. Luiz Carlos, CM, (sábado, 26) e Ressurreição do Senhor (domingo, 27), bem como participamos do grupo de oração, ministramos o terço na quinta, e realizamos diferentes encontros com as crianças, jovens e adultos, todos de cunho espiritual, formativo (Campanha da Fraternidade Ecumênica) e de animação vocacional. Na tarde de sexta, Júlio e eu ainda fomos a sede da Paróquia em Guaraqueçaba em busca de Hóstias Consagradas e da vela que se tornaria Círio Pascal na Vigília do dia seguinte.   

Na tarde do domingo deixamos a Ilha e nos dirigimos à Ilha das Peças, onde nos unimos àquela Comunidade e aos seminaristas Edvaldo Cordeiro e Ramon Aurélio, para celebramos com eles o encerramento das missões. Ali dormimos e no dia seguinte voltamos ao Seminário em Curitiba, não antes de rezar pelo povo, agradecer a Deus pela missão e passar pela Porta Santa do Ano da Misericórdia da Catedral de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá.   

sábado, 6 de fevereiro de 2016

SMP Vicentina, Japeri – RJ 2016


“Temos razões para louvar a Deus por isto: pela bondade e misericórdia de Deus, existem entre nós membros enfermos e moribundos que transformam sua dor e sofrimento em um palco de paciência, em que todas as suas virtudes brilham de forma radiante. ” (SV XI, 73).

Depois de muitas edições nas ‘Minas Gerais’, as Santas Missões Populares Vicentinas voltaram ao Estado do Rio, acontecendo de 16 a 30 de janeiro de 2016 na cidade de Japeri, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, pertencente a Diocese de Nova Iguaçu (RJ), e nas demais comunidades da Paróquia: Santo Antônio, Nossa Senhora do Rosário Santa/Águeda, Santa Edwiges/Francisco e São José, todas na sede do município, porém estendendo-se à Comunidade de Nossa Senhora Aparecida, instalada na zona rural. Uma vez em Japeri foi possível constatar as alegrias e sofrimentos anunciados na carta convite à essa missão. Ver aqui carta na integra!

Além da Congregação da Missão, participaram da missão membros dos Regionais da Família Vicentinas assessorados pela PBCM vindos de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro, entre eles: Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Missionários Leigos Vicentinos e Sociedade de São Vicente de Paulo.
A acolhida dos missionários se deu na Matriz – comunidade Nossa Senhora da Conceição. O forte das missões foram as visitas domiciliares, somadas por encontros com crianças, jovens e casais, bem como por formações. O bispo Dom Luciano, esteve na abertura e na avaliação final. A Congregação da Missão se fez presente pelos padres: Alexandre Franco, Agnaldo de Paula, Denilson Mathias, Francisco Gomes, José Valdo e Pedro Lima, e dos seminaristas da teologia (06) da filosofia (05) e um vocacionado. O encerramento aconteceu na Comunidade São José, com uma eucaristia e uma noite cultural, onde o Pe. Agnaldo colocou que “missão não é só fazer uma tarefa, para isso se usaria uma técnica, dinheiro... missão é ser, ser missionário em todo momento, é a vida mesma e se dá no dia a dia.” Agradecido, o Pároco, Pe. Paulo Machado, referiu ao período das SMP Vicentinas, parafraseando Mateus 11: “vejam: os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; ...e aos pobres é anunciado o Evangelho,” rematando que as missões impulsionaram à Paroquia olhar para novos horizontes.
As missões foram um tempo privilegiado de fortalecimento da comunidade local, da presença viva dos agentes pastorais nas ruas e juntos às famílias. A visita da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, que coincidentemente se deu durante as missões, foi um diferencial para os missionários que levavam a imagem da Mãe até os doentes e idosos alegrando, iluminando e distribuindo as graças do Pai por meio da ilustre visita. Todo o trabalho foi ministrado sobre a confiança da segura benção de Deus e da proteção da Santíssima Virgem, que tornaram possível, também naquele lugar, a “Pequena Companhia” a realização do seu fim: seguir a Cristo evangelizador dos pobres.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Cristo Redentor é idealizado por um Padre da Missão


O Cristo está localizado no topo do Morro do Corcovado, a 709 metros acima do nível do mar. De seus 38 metros, oito estão no pedestal. A inauguração do Monumento foi realizada no dia 12 de outubro de 1931, pelo Cardial Dom Sebastiao Leme, Arcebispo do Rio de Janeiro, isto é, nove anos após a bênção da pedra fundamental, em 1922. 

O protótipo, em gesso, foi executado pelo escultor francês de origem polonesa Maximilien Paul Landowski, segundo o projeto arquitetônico do Engenheiro Heitor da Silva Costa.
Novas sete maravilhas do mundo: 1º Grande Muralha (China), 2º Ruínas de Petra (Jordânia), 3º Estátua do Cristo Redentor (Brasil),4º Machu Picchu (Peru), 5º Pirâmide de Chichen Itza (México), 6º Coliseu (Roma) e o 7º Taj Mahal (Índia).
A ideia construção do monumento partiu da iluminação de um padre da Congregação da Missão, como apresenta os dados anexos. A estátua é, desde 2007, a 3ª das novas sete maravilhas do mundo, bem como talvez o mais conhecido cartão postal do Brasil.

É curioso como muitos cariocas nunca se deram o prazer de visitar o Cristo, não sabemos se porque se cobra uma taxa com média de R$ 50 (cinquenta reais) ou por acomodação mesmo – sempre deixam para manhã e a vida assim se passa. Porém é visita obrigatória para todos que passam pela cidade maravilhosa. A subida se dá a pé, de carro ou bonde (o mais recomendado).

No topo do morro há serviços de lanches, cafés e demais bebidas, bem como loja de souvenires, e claro pátios cercados de muretas de onde se pode ver a Capital Fluminense de ângulos diversos e em paisagens inesquecíveis. Na base do monumento há uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

Curiosidades Históricas:

1. Proposição da Princesa Isabel
A Princesa Isabel, para comemorar a libertação dos escravos, no dia 02 de agosto de 1888, propôs a construção, no morro do Corcovado, de uma imagem do Coração de Jesus, o coração que tanto amou e sofreu.

2. Pe. Pedro Maria Boss, CM, ao editar o livro Imitação de Cristo (1903), defende a construção do Cristo Redentor no Corcovado.
“O Corcovado! Lá ergue o gigante de pedra, alcantilado, altaneiro e triste, como interrogando o horizonte imenso...: quando virá?... Há tantos séculos espero?
Sim, aqui está o pedestal único no mundo, quando vem a estátua, como eu colossal, imagem de Quem me fez!...
Ai, Brasil amado! Que deixaste passar a data mágica do grande jubileu, jubileu duas vezes para ti, 1900!
Acorda de pressa, levanta naquele cume sublime a imagem de Jesus Salvador.
Escreva tua mão, a tremer de arrependimento, de esperança e amor, no granito eterno:
CHRISTO REGI BRAZILIA POENITENS
A Este Rei servir, reinar será. E clamarão as outras nações, irmãs no Evangelho; invejando-te o monumento sem par, sem rival: "Na terra de SANTA CRUZ, tudo é grande, a natureza, os montes e o povo também!..."
Lá vai meu humilde brado, Deus lhe proporcione echo em todo o Brasil, até realizar-se este voto que pesaroso até campa levarei.
E bem cabida aqui me parece a minha suplica: nem todos, por causas diversas, lerão o livro; ao passo que em todas as línguas e linguagens, a imagem dirá ao grande e ao pequeno, ao sábio e ao analfabeto, a todos: Ego Sun Via, Veritas et Vita. Eu sou o caminho, a verdade e a vida
Venite ad me omnes!”

3.Discursos de Inauguração e Congresso de Cristo Redentor
a) “Esse prodígio de fé e patriotismo, que representa uma aspiração nacional e o voto de um ilustre MISSIONÁRIO LAZARISTA, realizou-se por iniciativa e sob o valoroso patrocínio do eminente Senhor Cardeal Dom Sebastião Leme, legítimo orgulho e glória imarcescível do nosso episcopado. Queira Sua Eminência e Reverendíssima aceitar os mais vivos aplausos e gratidão perene dos católicos brasileiros”.
Dom Joao Becker - Arcebispo de Porto Alegre

b) "O insigne Marconi iluminou o Cristo do Corcovado, ligando assim a gloriosa Itália ao Brasil". Dom Joao Becker - Arcebispo de Porto Alegre

c) "Ou o Estado reconhece o Deus do povo, ou o povo não reconhecerá o Estado".
Cardial Dom Sebastiao LemeArcebispo do Rio de Janeiro (Encerramento do Congresso de Cristo Redentor)

4.Cristo Redentor eleito como a 3ª Maravilha do Mundo
A 07 de julho de 2007, em Lisboa Portugal, a Estátua do Cristo Redentor foi oficialmente reconhecida como nova Maravilha do Mundo.

5. Hino ao Cristo Redentor e Acróstico do Corcovado

a) Refrão do Hino a Cristo Redentor, de Maria José de Amarante
“Corações brasileiros avante!
No Brasil Cristo-Rei aclamai
Seja o hino de fé mais vibrante
A Jesus, nosso Deus, nosso Pai. ”

b) O Altar do Brasil Vianna da Silva (engenheiro)
Chega afinal o dia desejado
O povo brasileiro, ouvindo o grito
Retumbante do santo Lazarista
Coloca no 'Pico alcantilado'
Onde há de ficar sobre o granito,
Velando pela Pátria idealista,
A estátua colossal de nosso amado
Deus e Senhor da Terra e do Infinito
O Cristo Redentor.




Referências

IPROSUL - 164 Outubro/Dezembro 2007 p. 71.

NEW7WONDERS. Lisboa é agora parte da memória global. Disponível em: . Acessado em 01/11/2015.

Padre da Missão* Imitação de Christo S.N. Versão Portugueza. 4ª Edição Rio de Janeiro Collegio da Immda Conceição, 1934. (Prólogo, com data de 29 de junho de 1903, p. XII e XIII - Rodapé)

*Pe. Pedro Maria Boss, Sacerdote da Congregação da Missão, nascido na França, aos 16/12/1834 e falecido no Brasil em 03/01/1916.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Padre Zezinho é homenageado pela PUCPR


Padre Zezinho atendeu convite do Instituto Ciência e Fé e curso de Teologia da PUCPR e foi o grande homenageado do Projeto Diálogos Contemporâneos promovido pelo mesmo instituto. O evento se deu no auditório TUCA no dia 14/10/2015, no período da noite. 

O tema discutido foi: “A Formação do Imaginário Religioso Brasileiro: Letras e Canções do Padre Zezinho”, contou com a participação da banda Cantores de Deus, que interpretou seus maiores sucessos, como “Maria de Nazaré”, “Utopia”, “Mãe do céu morena”, “Um coração para amar”, “Um certo galileu” e “Oração da família”.

Na oportunidade o arcebispo de Curitiba e Grão-Chanceler da PUCPR, José Antônio Peruzzo, agradeceu, em nome da arquidiocese o homenageado, bem como, o reitor da PUCPR, professor Waldemiro Gremski, também agradeceu ao padre e anunciou a resolução do seu conselho de lhe conceder o título de Doutor Honoris Causa. 

José Fernandes de Oliveira, o Padre Zezinho, possui quase 50 anos de carreira. É reconhecido como um dos maiores nomes da canção religiosa brasileira, com uma produção ainda não catalogada na íntegra, dado o tamanho da sua obra. Foram mais de 131 discos, entre vinis, CDs e DVDs e quase uma centena de livros, programas radiofônicos e televisivos. Suas músicas abordam, além da fé, assuntos sociais, culturais e políticos e continuam sendo executadas em celebrações litúrgicas, em uma prova da sua abrangência e contemporaneidade. 

Estivemos no evento Marisete Obrzut, Ramon Aurélio, Pe. Wilson Garcia e eu (Cleber Teodósio). Ali tivemos a oportunidade de vivemos momentos únicos, que nos fizeram recordar situações de nossas vidas e que também povoa o nosso imaginário – sejam encontros posteriores com o Padre Zezinho ou com sua vasta obra. Saímos do evento com o coração agradecido e incluídos no grande número de pessoas que bebemos do legado do Padre.

Para saber mais sobre o Pe. Zezinho:
1. Perfil

Fontes:
Imagens: Divulgação Pucpr e Ramon Aurélio
http://www.pucpr.br/noticia.php?ref=1&id=2015-10-15_59745

domingo, 11 de outubro de 2015

II Jornada da JMV Rio 2015


 Agradeço a Deus e a PBCM por haver tornado possível a minha participação na II Jornada da Juventude Mariana Vicentina – JMV da Província Rio, realizada de 25 a 27 de setembro de 2015, em Petrópolis – RJ. O evento trouxe como tema central “Sejam Protagonista das Mudanças”. Ideia inspirada nas palavras do Papa Francisco quando também esteve no Rio na Jornada Mundial da Juventude de 2013.


Participamos do encontro, mais de 200 jovens, desembocados, filhas da caridade, seminarista e padres, provenientes das seguintes províncias: Curitiba, Recife e Rio de Janeiro – de forma direta, e Amazonas e Fortaleza - de forma indireta.


A acolhida se deu na sexta-feira, dia 25, no período da tarde, onde cada delegação também foi convidada a montar os seus stands. 


No sábado, dia 26, vivenciou-se, a Palestra Magna, ministrada por Silvana Nascimento, jovem da JMV Corrêas, apresentando diversas dicas de como o jovem de hoje pode ser protagonista de sua própria vida. Concluiu-se com a Adoração ao Santíssimo, enfatizando que só no encontro pessoal com Cristo os jovens encontram sua vitalidade para evangelizar a realidade em que vivem. Bem como, durante uma segunda palestra, ministrada por Valcir Rangel, Desembocado e Assessor da JMV Taubaté, que discorreu sobre as atitudes que deve tomar o jovem para aproximar-se da Cruz de Cristo. Durante o dia houve atividades culturais, tais como: oficinas de arte, literatura, jazz, zumba, música etc. Assim mesmo um passeio turístico pela cidade anfitriã e oficinas formativas: “Ir contra a corrente”, “Apostar em grandes ideais” e “Ser revolucionário”. Um dos pontos altos do encontro foi a visita do bispo local, Dom Gregório Paixão, OSB que durante a sua saudação contou três historinhas que trouxeram ensinamentos inesquecíveis à vida dos presentes. Já durante a noite rezamos o terço luminoso, e fechamos o dia com uma noite cultural.


No domingo 27, Bruno Mattos, Desembocado da JMV Rio, desenvolveu o tema: “Servir sem medo” tendo como inspiração a São Vicente de Paulo, ainda que o mesmo trouxe outros exemplos, como a Maria do Magnificat e o Cristo Servidor e Evangelizador dos Pobres; parafraseou o Papa Francisco, quando estimula os jovens a servir sem medo e recomendou aos presentes a atuarem observando os sinais dos tempos, como o fez Vicente de Paulo. Ainda que à tarde a programação trouxesse atividades esportivas, o encontro foi encerrado oficialmente ao meio dia, com uma missa presidida pelo Pe. Alexandre Nahass, CM – Diretor Provincial da JMV, e concelebrada pelo Pe. Gentil Pereira, PF – Desembocado.


O encontro foi revitalizante. O entusiasmo juvenil, o cuidado com que tudo foi preparado, pelo Conselho da JMV Rio, assessorado pela Ir. Rizomar Figueiredo, FC, demonstra a proteção de Maria sobre a Associação, que busca Amar como a Virgem, Ser como Jesus e Servir como São Vicente. Concluo esse relato com uma das histórias de Dom Gregório, que diz sobre um garotinho que esperava, em casa, com duas maçãs, seu pai voltar do trabalho. Uma vez em casa, o menino perguntou se o pai aceitava uma das maçãs, o pai respondeu que sim, a criança mordeu uma e outra maçã, e em seguida entregou uma ao pai, que ficou atônito e quis saber se era isso que ele o tinha ensinado “dá fruta mordida aos outros”... e o menino dirigindo-se ao pai disse que tinha provado as maçãs para lhe ofertar a mais doce. Assim também, Jesus teve muitas experiências aqui na terra, mais quis entregar à Família Vicentina a ação mais nobre, servir e evangelizar os pobres.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

VICENTE DE PAULO FALOU E AGIU


Fundador das missões em Tolouse
Socorros a Lorena, Picardia, Champanha
Missão na Irlanda, Escócia, Marrocos, Polônia
Membro do Conselho de Consciência
Superior do Colégio dos Bons Enfants
Capelão das Galeras.
Pároco de Clichy
Missões em: Villepreux, Joigny, Montmirrail,
Folleville, Peilart, Sérevilles,
Mâcon, Marselha, Courbion, Bourdeux...
Diligência junto à Richelieu em favor da PAZ
Apostolado com burgueses e Calvinistas. Opõe-se ao Jansenismo.
Conferencista - Movimenta-se, organiza, escreve cartas e regulamentos.
Direção espiritual – a família dos Gondi, Luisa de Marillac e algumas Congregações religiosas.
Fundador da: Confraria da Caridade, Companhia das Filhas da Caridade, Congregação da missão

UM APAIXONADO PELA PAZ

Um grande quadro enfeita quase sempre as casas das(os) filhas (os) do Padre Vicente: uma obra de João Francisco de Troy, datada do século XIX. Nela se vê o Padre Vicente sentado perto da Rainha Ana d'Áustria, do Cardeal Mazarino, 1º Ministro, do Chanceler Séguier, do Delfim Luís XIV, do Senhor Padre Charton, grão-penitenciário de Paris... Assim é composto o Conselho de Consciência, para tratar dos assuntos referentes à vida moral e religiosa do país. Nosso santo dele participa de 1643 a 1653. Sua ação é ele "ministro sem pasta", mas de uma atividade de apoio e de felizes conseqüências. É preciso fiscalizar a publicação de livros, acabarem com as comédias licenciosas, fazer campanha contra o duelo, a blasfêmia. Zela, sobretudo, pela distribuição eqüitativa e séria dos benefícios e nomeações episcopais. Está aí seu verdadeiro talento, a própria revelação ele seu gênio. Também intervém na querela jansenista, conseguindo 88 assinaturas de bispos contra as cinco proposições do Augustinus. Ao mesmo tempo, conserva-se fiel ao Abade de Saint-Cyran que sabia ser dos Baixos Pirineus e nascido no mesmo ano que ele.

Vicente tenta a política. Mas, opõe-se a Mazarino. Com coragem, obstinação, chega a exigir sua saída do cargo. O Cardeal não lhe perdoará tomar partido contra ele na Fronda dos Príncipes. A Juta torna-se púb1ica em 1654-1655. Fiel à família de Gondi, Vicente protege o Cardeal de Retz, encarcerado com Vicentinos. Quando ele foge, parte para a Espanha, depois para a Itália. São os primeiros Lazaristas que o escondem. Furioso, o cardeal obtém de Luís XIV, o fechamento desta casa de Roma. Vicente permanece impassível, aceitando o acontecimento com serenidade. Ana D’Áustria não se envolve nesse tumulto e conserva toda a sua confiança em São Vicente. Um dia, ela depõe nas mãos do Santo, perto de 18.000 libras de jóias para os seus pobres.

Um de seus biógrafos observa: "Ele teve na política um modesto sucesso; sua verdadeira missão estava em outra parte." Soube, porém, encontrar inflexões lancinantes para falar ela paz com este fino e cruel político que foi Mazarino. Sem perigo de redução, pode-se dizer que ele se comprometeu pelos pobres. Seu amor por eles levou-o a enfrentar riscos. neste sentido,é de uma modernidade espantosa e todos os não violentos do mundo podem se reencontrar nele.