sábado, 21 de fevereiro de 2026

Missão do Japão: 22/02/2026: 1º Domingo da Quaresma | ANO A (Mt 4,1-11) Homilia



Meus irmãos e minhas irmãs, celebramos hoje o 1º Domingo da Quaresma. Esse tempo tão bonito e tão sério da nossa fé. É como se Deus nos tomasse pela mão e dissesse com carinho: “Volta para casa. Volta para o essencial. Volta para Mim.”

As leituras de hoje nos colocam diante de uma verdade profunda sobre a nossa vida.

 

Na primeira leitura, vemos o ser humano criado por Deus com amor, colocado no jardim, cercado de cuidado, mas também de liberdade. A tentação aparece como uma voz que confunde, que semeia dúvida, que promete felicidade fácil. O problema não foi o fruto em si, mas a quebra da confiança, o afastamento do coração humano daquele que é a fonte da vida. Toda tentação começa assim: quando deixamos de confiar plenamente em Deus.

 

São Paulo, na segunda leitura, nos lembra que o pecado entrou no mundo por essa ruptura, mas também nos enche de esperança: onde o pecado abundou, a graça de Deus superabundou. Se por um homem veio a desobediência, por Cristo veio a obediência que salva. A história não termina na queda, mas na redenção.

 

No Evangelho, contemplamos Jesus no deserto. Ele também é tentado. Ele sente fome, cansaço, solidão. O deserto não é apenas um lugar geográfico; é também o lugar das nossas lutas interiores. Quantas vezes somos tentados a escolher o caminho mais fácil, a trocar a fidelidade por vantagens, a colocar Deus em segundo plano?

 

Jesus nos ensina algo fundamental: não se vence a tentação com força humana, mas com fidelidade a Deus. Ele responde com a Palavra, confia no Pai, não negocia sua identidade de Filho. Ele nos mostra que a verdadeira vitória não está em impressionar, dominar ou possuir, mas em permanecer firmes no amor e na vontade de Deus.

 

A Quaresma é esse tempo de conversão, de voltar o coração para Deus; tempo de penitência, não como castigo, mas como remédio que cura; tempo de preparação para a Páscoa, para que o Cristo ressuscitado nos encontre mais livres, mais sinceros, mais cheios de fé.

 

Jejuar, rezar e praticar a caridade não são obrigações vazias. São caminhos para fortalecer o coração, para silenciar as vozes que nos afastam de Deus e escutar novamente a voz que nos chama pelo nome.

 

Hoje, o Senhor nos convida a olhar com honestidade para nossas tentações e fragilidades, sem medo, mas com confiança. Ele não nos abandona no deserto. Caminha conosco. Sustenta-nos. Levanta-nos quando caímos.

 

A fábula do lampião e do vento

Havia uma pequena aldeia cercada por colinas e, no centro dela, uma estrada escura que todos precisavam atravessar ao anoitecer. Para não se perderem, as pessoas levavam consigo um lampião aceso. A chama era pequena, mas suficiente para iluminar o caminho.

 

Certa noite, um jovem caminhava com seu lampião firme nas mãos. O vento, curioso e insistente, começou a soprar ao seu redor e cochichou:
Por que carregar essa chama frágil? Apague-a e caminhe mais leve. Eu conheço o caminho.

O jovem hesitou, mas seguiu em frente protegendo a chama com as mãos. O vento voltou a insistir:
Veja como a chama vacila… confie em mim. Sem ela, você andará mais rápido e sem esforço.

Cansado, o jovem pensou: “Talvez o vento esteja certo”. E, num descuido, abaixou o lampião. O vento soprou forte… e a chama se apagou.

No escuro, o caminho desapareceu. O jovem tropeçou, caiu e sentiu medo. Chamou pelo vento, mas ele já havia ido embora. Restou-lhe apenas o silêncio e a noite.

Com dificuldade, tateando no escuro, encontrou uma pedra e ali se sentou. Do fundo do bolso, tirou uma pequena faísca guardada — um resto de fogo que seu pai lhe havia dado antes da viagem, dizendo:
Se a chama apagar, reacenda. Mas nunca caminhe sem luz.

O jovem soprou com cuidado. A chama voltou, tímida, mas viva. E, protegendo-a com mais atenção, conseguiu atravessar a estrada até chegar em casa.

No dia seguinte, contou a todos o que havia aprendido:
O vento promete atalhos, mas só a luz mostra o caminho. A tentação fala alto e passa rápido; a fidelidade é silenciosa, mas nos leva em segurança.

 

Moral da fábula:

As tentações são como ventos fortes: prometem facilidade, poder ou descanso, mas apagam a luz que guia nossos passos. Quem guarda a chama da fé, mesmo pequena, nunca caminha sozinho nem se perde no escuro.

Que esta Quaresma seja um tempo de reencontro, de fidelidade renovada, de coração convertido. Que aprendamos com Jesus a dizer “não” ao que nos afasta de Deus e “sim” ao amor que salva. Assim, chegaremos à Páscoa não apenas com ritos celebrados, mas com vidas transformadas.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

MIssão do Japão: Homilia – Quarta-feira de Cinzas 2026

 


Queridos irmãos e irmãs,

Com a imposição das cinzas iniciamos a Quaresma: quarenta dias de graça, de combate espiritual e de preparação para a Páscoa do Senhor. Não é um tempo triste, mas sério. Não é um tempo de medo, mas de retorno. A Igreja nos conduz ao essencial.

O profeta Joel nos transmite o clamor de Deus: “Rasgai o coração e não as vestes” (Jl 2,13). Deus não quer aparências, quer verdade. A cinza sobre nossa cabeça recorda nossa fragilidade: somos pó. Mas também recorda que esse pó é amado por Deus. A Quaresma é o tempo de voltar para Ele de todo o coração.

São Paulo reforça: “Deixai-vos reconciliar com Deus” (2Cor 5,20). Não é apenas um conselho, é um apelo urgente. Ele ainda diz: “Eis agora o tempo favorável”. Não é depois da Páscoa. É agora. Conversão não é adiar decisões; é permitir que Deus transforme hoje o que precisa ser transformado.

O sentido da Quaresma

A Quaresma é um caminho pascal. Durante quarenta dias, recordamos os quarenta dias de Jesus no deserto. É um tempo de combate interior, de purificação e de amadurecimento da fé.

Não é apenas “deixar de fazer coisas”, mas reaprender a amar:

  • amar a Deus com mais profundidade,
  • amar o próximo com mais generosidade,
  • amar a si mesmo com mais verdade.

É um tempo de revisão de vida. Tempo de sacramento da reconciliação. Tempo de reorganizar prioridades. Tempo de preparar o coração para celebrar a vitória da vida sobre a morte.

Jejum e abstinência: o que significam?

Hoje a Igreja nos propõe o jejum e a abstinência.

  • Jejum: reduzir a quantidade de alimento. É um gesto de disciplina e liberdade. Recorda-nos que não vivemos só de pão. Educa nossos desejos. Fortalece nossa vontade. O jejum nos ajuda a reorganizar nossa relação conosco mesmos. Ele nos ensina autocontrole, sobriedade e equilíbrio.
  • Abstinência: especialmente da carne, é um sinal de penitência e simplicidade. É um gesto concreto que nos lembra que a fé toca também nosso corpo e nossas escolhas diárias.

Mas atenção: sem conversão interior, o jejum vira dieta e a abstinência vira formalidade. O verdadeiro jejum é também jejuar do orgulho, da crítica, da indiferença, da violência nas palavras. É criar espaço para Deus.

Os três pilares: três relações que precisam ser curadas

Jesus, no Evangelho, nos apresenta três práticas fundamentais:

  1. Jejum – nossa relação conosco mesmos
    Ele nos ensina a liberdade interior. Jejuar é aprender a dizer “não” para poder dizer “sim” ao que realmente importa.
  2. Esmola – nossa relação com os irmãos
    A esmola não é dar o que sobra, mas partilhar o que somos e o que temos. Pode ser ajuda material, mas também tempo, escuta, perdão, presença.
    Não há verdadeira Quaresma sem caridade concreta.
  3. Oração – nossa relação com Deus
    “Entra no teu quarto.” A oração é intimidade, é silêncio, é encontro.
    É na oração que o coração se transforma. É nela que encontramos força para viver o jejum e a caridade.

A Campanha da Fraternidade 2026

Neste caminho quaresmal, a Igreja no Brasil nos propõe também a Campanha da Fraternidade 2026, cujo tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), nos ajuda a concretizar a conversão em compromisso social.

A Campanha da Fraternidade não é algo paralelo à Quaresma; ela é expressão concreta dela. Enquanto nos convertemos interiormente, somos chamados a transformar também as realidades que geram sofrimento, injustiça e exclusão.

A fraternidade nos lembra que não caminhamos sozinhos. Converter-se é também assumir responsabilidade pelo mundo em que vivemos. É olhar para as feridas sociais com o olhar de Cristo. É transformar penitência em solidariedade.

Se o jejum cura nossa relação conosco, a esmola cura nossa relação com os irmãos e a oração cura nossa relação com Deus, a Campanha da Fraternidade nos recorda que essas três dimensões precisam gerar compromisso com a vida, com a justiça e com a dignidade humana.

Queridos irmãos,

A cinza que hoje recebemos não é o ponto final. É o começo.
É o sinal de que queremos recomeçar.

Que esta Quaresma seja um verdadeiro êxodo interior:

  • jejuando para sermos mais livres,
  • partilhando para sermos mais fraternos,
  • rezando para sermos mais íntimos de Deus.

E que, ao chegarmos à Páscoa, possamos celebrar não apenas a Ressurreição de Cristo, mas a nossa própria ressurreição espiritual.

Amém.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Missão do Japão: 08/02/2026: 5º Domingo Tempo Comum | ANO A (Mt 5,13-16) Homilia

 




Com alegria, vamos deixar a Palavra iluminar este 5º Domingo do Tempo Comum, tão concreto, tão pé no chão, tão desafiador para a vida de hoje.

 

“Vós sois o sal da terra… vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13-16)

As leituras deste domingo formam um verdadeiro itinerário do testemunho cristão.

O profeta Isaías é direto e quase desconcertante: não adianta uma fé feita só de ritos e palavras bonitas. O jejum que agrada a Deus é partilhar o pão com quem tem fome, acolher o pobre, vestir o nu, não virar o rosto ao irmão. E então vem a promessa: “tua luz surgirá como a aurora” (Is 58,8).


 A luz nasce quando a fé se transforma em gesto.

São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, reforça essa lógica. Ele diz que não anunciou o Evangelho com discursos sofisticados, mas com simplicidade, fraqueza e confiança no poder de Deus. A fé não se sustenta na eloquência humana, mas na coerência de vida. Em outras palavras: o Evangelho convence mais pelo que se vive do que pelo que se fala.

E Jesus, no Evangelho, sela tudo isso com imagens fortíssimas: sal e luz.
O sal não faz barulho, mas dá sabor. A luz não chama atenção para si, mas permite que os outros vejam melhor. Jesus não diz: “vocês deveriam ser”, mas “vocês são”. É identidade, é missão.

 

Um eco vicentino para os nossos dias

São Vicente de Paulo, com sua lucidez pastoral, aprofunda exatamente essa intuição do Evangelho. Ao aconselhar o jovem padre Antônio Durand, ele escreve:

“Cumpre que sejais como o sal, vós sois o sal da terra, impedindo que a corrupção se propague sobre o rebanho do qual sereis o pastor.”
(SV BR XI, 357)

E mais: Vicente compara o testemunho do líder cristão ao sol, que ilumina e aquece não porque se impõe, mas porque está cheio de luz, de graça e de boas obras.

Isso vale para padres, religiosos, lideranças… mas vale também para pais e mães, jovens, profissionais, agentes de pastoral, cristãos comuns no meio do mundo. Onde há descuido, frieza, injustiça, indiferença, o discípulo de Jesus é chamado a ser presença que purifica, ilumina e reconcilia.

 

Aplicando à nossa vida hoje

Ser sal e luz hoje não significa fazer coisas extraordinárias, mas viver o ordinário com amor e responsabilidade:

Ser sal na família, quando escolho o diálogo em vez da agressividade.

Ser luz no trabalho, quando ajo com honestidade mesmo quando ninguém está olhando.

Ser sal na comunidade, quando não deixo que fofocas, divisões ou desânimo contaminem as relações.

Ser luz na sociedade, quando me coloco ao lado dos mais frágeis e não me acostumo com a injustiça.

Como dizia São Vicente, é preciso estar cheio para poder transbordar. Ninguém ilumina se vive na escuridão; ninguém conserva se perdeu o sabor do Evangelho.

 

Compromisso para a semana

À luz da Palavra e do carisma vicentino, façamos nossos estes compromissos:

🙏🏼 Perguntar-nos com sinceridade:

De que maneira posso ser sal e luz para os outros na minha família, na minha comunidade, no meu trabalho?

Que atitudes concretas o Senhor me pede hoje?

 

 Assumir um gesto concreto:

“Estar presente” onde for necessário sal e luz: nas relações humanas que estão prestes a se corromper, nos ambientes marcados pelo conflito, na vida de alguém que precisa de escuta, cuidado e esperança.

Que o Senhor nos conceda a graça de não esconder a luz que Ele acendeu em nós e de nunca perder o sabor do Evangelho.
Assim, nossas obras falarão de Deus — e Ele será glorificado. 

 

sábado, 31 de janeiro de 2026

Missão do Japão: 01/02/2026: 4º Domingo Tempo Comum | ANO A (Mt 5,1-12a) Homilia



“Felizes com Jesus: a humildade como caminho, a sabedoria como dom”

Irmãos e irmãs,

O grande desejo do coração humano é a felicidade. Todos nós buscamos uma vida plena, com sentido, paz e alegria verdadeira. As leituras deste domingo nos mostram que essa felicidade não nasce do poder, do sucesso ou da autossuficiência, mas da humildade, da confiança em Deus e da sabedoria que vem do alto. Em Jesus, especialmente no Evangelho das Bem-aventuranças, encontramos um verdadeiro programa de vida feliz.

1. Um povo humilde que confia no Senhor

O profeta Sofonias anuncia a esperança para um povo ferido e fragilizado. Deus não promete salvar os fortes ou os orgulhosos, mas diz:

“Deixarei no meio de ti um povo humilde e pobre, que buscará refúgio no nome do Senhor.”

A humildade, na Bíblia, não é fraqueza. É a atitude de quem reconhece que precisa de Deus. O humilde não se apoia em si mesmo, mas confia no Senhor. Esse povo simples, que não vive de mentira nem de opressão, encontra segurança não nas próprias forças, mas na fidelidade de Deus.

Aqui já aparece um primeiro passo para a felicidade: reconhecer nossa pobreza interior e nossa necessidade de Deus.

2. A sabedoria que não vem do mundo

São Paulo, escrevendo aos coríntios, reforça essa lógica divina que contrasta com a lógica do mundo. Ele lembra que a maioria dos cristãos não era poderosa, nem sábia segundo os critérios humanos. E afirma algo desconcertante:

“Deus escolheu o que é fraco para confundir os fortes.”

A verdadeira sabedoria não está no orgulho intelectual, nem na busca de prestígio. Para São Paulo, Cristo é a nossa sabedoria, nossa justiça, santificação e redenção. Quem se gloria, glorie-se no Senhor.

Isso nos ensina que a felicidade não nasce da comparação, da vaidade ou do “ter mais”, mas de pertencer a Cristo e deixar que Ele dê sentido à nossa vida.

3. As Bem-aventuranças: o programa da felicidade cristã

No Evangelho, Jesus sobe à montanha e proclama as Bem-aventuranças. Não é um discurso qualquer. É o coração do Evangelho, o retrato do próprio Jesus e o caminho proposto a todo discípulo.

As Bem-aventuranças parecem estranhas aos olhos do mundo:

  • Felizes os pobres,
  • Felizes os mansos,
  • Felizes os que choram,
  • Felizes os misericordiosos,
  • Felizes os perseguidos…

Mas Jesus não está exaltando o sofrimento por si mesmo. Ele está dizendo que a felicidade nasce quando vivemos em comunhão com Deus e com os irmãos, mesmo em meio às dificuldades.

As Bem-aventuranças são um programa de vida:

  • Os pobres em espírito são felizes porque sabem que Deus é sua maior riqueza.
  • Os mansos são felizes porque não vivem dominados pela violência ou pelo ódio.
  • Os misericordiosos são felizes porque experimentam a mesma misericórdia de Deus.
  • Os que têm fome e sede de justiça são felizes porque não se conformam com a injustiça e caminham com Deus.

Viver assim só é possível em companhia de Jesus. Ele mesmo viveu cada Bem-aventurança até a cruz.

Conclusão

Irmãos e irmãs, a Palavra de Deus hoje nos convida a rever nossos critérios de felicidade. O mundo diz: “feliz é quem manda, quem aparece, quem acumula”. Jesus diz: feliz é quem confia, quem ama, quem serve, quem caminha com Ele.

A humildade nos abre para Deus.
A verdadeira sabedoria nos faz escolher Cristo.
E as Bem-aventuranças nos oferecem um caminho seguro para a felicidade que não passa.

Que, caminhando com Jesus, aprendamos a viver esse programa do Reino e experimentemos, já aqui, a alegria dos que colocam sua vida nas mãos do Senhor. 

Amém


sábado, 24 de janeiro de 2026

Missão do Japão: 25/01/2026: 3 Domingo Tempo Comum | ANO A (Mt 4,12-23) Homilia


 

Irmãos e irmãs,

A Palavra de Deus deste domingo nos coloca em movimento. Ela nos tira da acomodação e nos lembra que a fé cristã não é apenas algo que guardamos no coração, mas um caminho a ser trilhado, uma resposta concreta a um chamado que vem de Deus.

1. Um povo chamado a sair da escuridão (Is 8,23b–9,3)

O profeta Isaías anuncia esperança a um povo marcado pela dor, pela opressão e pela sensação de abandono: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz.”
Deus não se esquece do seu povo. Ele entra na história quando tudo parece perdido. A luz não nasce longe da realidade, mas no meio da noite, no meio das crises.

Essa luz é o próprio Deus que chama, que visita, que reacende a esperança. Também hoje, em nossas famílias e comunidades, muitas vezes experimentamos sombras: divisões, cansaço, desânimo, indiferença. A Palavra nos garante: Deus continua chamando e iluminando.

2. Um chamado que pede unidade e fidelidade (1Cor 1,10-13.17)

São Paulo faz um apelo forte à comunidade de Corinto: “Que não haja divisões entre vocês.”
A fidelidade a Deus passa, necessariamente, pela fidelidade à comunhão. Não somos seguidores de líderes, ideias ou grupos, mas de Jesus Cristo.

Quando colocamos interesses pessoais acima do Evangelho, a comunidade se enfraquece. Quando nos dividimos, a missão perde força. Ser fiel a Deus é escolher, todos os dias, o caminho da unidade, do diálogo, do perdão e do serviço.

3. Jesus chama e espera uma resposta imediata (Mt 4,12-23)

No Evangelho, Jesus inicia sua missão proclamando: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo.”
Ele chama pessoas simples, trabalhadores, gente comum. O mais impressionante é a resposta: “Eles deixaram as redes e o seguiram.”

Jesus não chama os perfeitos, mas os disponíveis. Ele não oferece garantias, mas propõe um caminho. Seguir Jesus é confiar, é aderir com o coração inteiro, é colocar a vida a serviço do Reino.

Também hoje, Jesus passa pela nossa “beira do mar” e nos chama pelo nome. Ele nos chama a segui-lo na família, na comunidade, no trabalho, na Igreja.

Conclusão – Uma história para iluminar nossa missão

Conta-se que, após uma grande tempestade, uma pequena vila ficou devastada. Cada morador começou a limpar apenas a frente da sua casa. O trabalho era lento e cansativo.
Um dia, uma criança começou a ajudar o vizinho, depois outro, e logo toda a vila estava trabalhando junta. O que antes parecia impossível, tornou-se possível quando perceberam que a força estava na união.

Assim é a nossa missão como comunidade de fé. Sozinhos, fazemos pouco. Juntos, fortalecidos pelo chamado de Deus e pela adesão firme a Jesus, somos luz no meio das trevas.

Que este domingo nos ajude a renovar nosso “sim” ao chamado do Senhor, a viver com fidelidade ao Evangelho e a fortalecer, com alegria e compromisso, a nossa comunidade de fé.
Amém.

 

sábado, 10 de janeiro de 2026

Missão do Japão: 11/01/2026: Batismo do Senhor | ANO A (Mt 3,13-17) Homilia



Celebramos hoje o Batismo do Senhor, uma festa que encerra o tempo do Natal e nos ajuda a compreender quem é Jesus e quem somos nós. Ao descer às águas do Jordão, Jesus não precisava de conversão, mas quis se solidarizar com a humanidade, assumir plenamente a nossa condição e inaugurar um caminho novo de vida, de missão e de esperança.

 

A primeira leitura, do profeta Isaías, apresenta a figura do Servo do Senhor: “Eis o meu servo, eu o sustento… coloquei sobre ele o meu espírito”. É um servo manso, que não grita, não quebra a cana rachada, não apaga o pavio que ainda fumega. Esse texto se cumpre plenamente em Jesus. No Batismo, o Pai confirma: Ele é o Servo amado, escolhido para trazer justiça, luz às nações e libertação aos que vivem nas trevas. O Batismo de Jesus revela, portanto, a sua identidade e a sua missão: servir, curar, restaurar, levantar os que estão caídos.

 

No Evangelho, vemos Jesus entrar no Jordão e, ao sair da água, os céus se abrem, o Espírito Santo desce sobre Ele e a voz do Pai se faz ouvir: “Este é o meu Filho amado, em quem eu pus todo o meu agrado”. Aqui está o coração desta festa: Jesus é o Filho amado, cheio do Espírito, enviado para realizar o projeto do Pai. Mas essa cena não diz respeito apenas a Jesus. Ela ilumina também o nosso Batismo.

 

Na segunda leitura, dos Atos dos Apóstolos, Pedro proclama que Deus “ungiu Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder”, e que Ele passou fazendo o bem. Eis um resumo belíssimo da missão de Jesus: passar pelo mundo fazendo o bem. E é exatamente isso que o Batismo nos propõe como caminho.

 

No nosso Batismo, também nós fomos mergulhados em Cristo, ungidos pelo Espírito Santo e chamados filhos e filhas amados de Deus. O Batismo não é apenas um rito do passado, uma lembrança da infância; é uma realidade viva, que gera frutos concretos na nossa vida.

Lembram da data do seu batismo?

 

Quais são, então, os frutos do Batismo?

a) nova criatura, b) remissão dos pecados, c) incorporação na igreja, d) vínculo sacramental da unidade dos cristãos e e) marca espiritual indelével (CIC, Artigos: 1262-1274)

 

As implicações práticas do Batismo para hoje são muito claras. Um batizado não pode ser indiferente à dor do outro. Um batizado não pode compactuar com a injustiça, a exclusão, a violência e a mentira. Um batizado é chamado a “passar fazendo o bem”, como Jesus: com gestos simples, com palavras que curam, com atitudes que constroem comunhão.

 

Ao celebrarmos hoje o Batismo do Senhor, peçamos a graça de renovar o nosso próprio Batismo. Que possamos ouvir, no fundo do coração, a mesma voz do Pai dizendo a cada um de nós: “Tu és meu filho amado, minha filha amada”. E, fortalecidos por essa certeza, deixemo-nos conduzir pelo Espírito para viver uma fé que gera frutos e transforma o mundo.

 

Pontos Práticos do Batismo

Condição: Desejar o batismo (Qualquer pessoa)

Idade: Criança ou adulto (7+, catequese e depois batismo e eucaristia)

Preparação: Curso para pais e padrinhos, ou batizando se já tiver a idade da razão.

Padrinho: Mínimo: uma pessoa de 16+ ou mais, ou um casal católico (com batismo, eucaristia e crisma). Se a pessoa for batizada e não católica, só pode ser testemunha do Batismo.

Adulto: É batizado por desejo. Não pode se batizar apenas em vista de outro sacramento (Matrimônio). O ideal é batizar o adulto na Vigília Pascal.

Obs.: Caso a pessoa queira casar sem batizar, tem que falar com padre e pedir dispensa ao bispo, configurando casamento com “disparidade de culto" ou “misto”. Sendo válido, mas não sacramental, e os filhos devem ser criados na fé católica.

Celebração: Deve ocorrer na igreja e no domingo, com a comunidade, fé e não em casa. Se em perigo de morte, pode ser em qualquer lugar.

Fórmula: (Nome do batizando), eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Modo: O ideal é a imersão, senão água na cabeça, mas que seja muita, para dar ideia de banho. Procurar fazer todos os passos possíveis do rito e logo registrar no livro de batismo da Igreja.

Bastimos válidos: Igrejas orientais, vétero-católica, protestantes tradicionais e principais pentecostais brasileiras

Não válidos: Pentecostal Unida do Brasil, Congregação Cristã, "Muitas Igrejas brasileiras", Mórmons, Testemunha de Jeová, Ciência Cristã, Umbanda, etc.

O Batismo é elemento de ecumenismo: unidade dos cristãos.  

Caso especial: Qualquer pessoa, batizada ou não, pode batizar outra, sob condição, mas apenas em caso de perigo de morte iminente. Usando sempre a matéria (água) e a fórmula abaixo. Logo, o batizado deve ser levado ao padre para complemento se for o caso.

Batismo sob condição: Fórmula: "Se você já não foi batizado, eu te batizo..."

 

Que o exemplo de Jesus, o Servo amado, nos inspire a viver nosso Batismo com compromisso, humildade e amor. Amém.