Meus irmãos e minhas irmãs,
O Evangelho de hoje nos apresenta
uma imagem muito bonita e, ao mesmo tempo, muito séria: um homem
planta uma vinha, cuida dela, cerca, prepara tudo e espera que ela produza
frutos.
Essa vinha representa a nossa
vida, a nossa família, a nossa comunidade e também o mundo que Deus colocou em
nossas mãos.
Na primeira leitura, o profeta
Isaías também fala da vinha. Deus diz: “Que mais poderia eu ter feito por minha vinha que eu não tenha
feito?”
É uma pergunta que também podemos
fazer para nossa vida:
Deus
já fez tanto por mim... Que frutos estou produzindo?
Deus nos deu a vida. Deu-nos uma
família, pessoas que nos amam, uma comunidade, dons, oportunidades, a fé e,
sobretudo, Jesus Cristo. Deus não deixa de cuidar de nós.
Mas o problema da vinha do
Evangelho é que ela recebeu muito e produziu pouco.
E aqui está uma primeira mensagem
para nós: não
basta receber de Deus; precisamos produzir frutos.
Que frutos?
·
Frutos de amor.
·
Frutos de perdão.
·
Frutos de solidariedade.
·
Frutos de paciência.
·
Frutos de honestidade
·
Frutos de serviço.
Às vezes, queremos uma Igreja que
faça muitas coisas por nós. Mas Jesus também pergunta: “O que você
está fazendo pelos outros?”
Na comunidade, na família, no
trabalho, na vizinhança: que fruto a minha presença está produzindo?
Meus irmãos, uma família pode
morar numa casa simples, pode enfrentar dificuldades financeiras, problemas,
enfermidades e tantas preocupações. Mas, quando existe amor, perdão e união,
aquela casa se transforma numa verdadeira vinha de Deus.
E o contrário também acontece: uma
casa pode ter muitas coisas materiais, mas se falta diálogo, respeito e perdão,
os frutos são amargos.
São Vicente de Paulo nos ensina
que a fé precisa chegar às mãos e aos pés. Não basta dizer que amamos a Deus;
precisamos cuidar dos seus filhos, especialmente dos mais pobres e sofridos.
Por isso, a pergunta do Evangelho
é muito concreta:
Que
fruto Deus está esperando de mim?
·
Talvez hoje Deus esteja esperando que eu perdoe alguém.
·
Talvez esteja esperando que eu volte a conversar com alguém da
minha família.
·
Talvez esteja esperando que eu pare de reclamar e comece a ajudar.
·
Talvez esteja esperando que eu volte a rezar.
·
Talvez esteja esperando que eu procure novamente a Igreja.
·
Talvez esteja esperando simplesmente que eu seja mais paciente com
quem vive ao meu lado.
A segunda leitura nos ajuda nesse
caminho. São Paulo diz: “Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai a Deus as
vossas necessidades, pela oração.”
Isso é muito importante para nós
que vivemos tantas preocupações.
Há problemas que não conseguimos
resolver imediatamente. Há contas, enfermidades, desemprego, conflitos
familiares, preocupações com os filhos e tantas outras coisas.
São Paulo não está dizendo: “Não
tenha problemas”.
Ele está dizendo: “Não carregue
seus problemas sozinho.”
Coloque-os nas mãos de Deus.
Reze. Converse com Deus. Confie.
E depois faça a sua parte.
A oração não substitui a
responsabilidade. A oração nos dá força para assumir nossa responsabilidade.
Por isso São Paulo termina dizendo
para praticarmos aquilo que aprendemos e recebemos.
É uma fé que se transforma em
vida.
Meus irmãos, o Evangelho também
nos apresenta uma verdade muito forte: os trabalhadores da vinha rejeitam até
mesmo o filho do proprietário. É uma referência a Jesus, o Filho enviado pelo
Pai.
Jesus é aquele que veio até nós,
mas muitas vezes também é rejeitado.
·
Nós o rejeitamos quando rejeitamos o irmão.
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Nós o rejeitamos quando fechamos o coração para quem sofre.
·
Nós o rejeitamos quando somos incapazes de perdoar.
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Nós o rejeitamos quando pensamos somente em nós mesmos.
Mas existe uma boa notícia: Deus não
desiste da sua vinha. Deus não desiste de nós.
·
Mesmo quando produzimos poucos frutos, Ele continua cuidando.
·
Mesmo quando erramos, Ele nos oferece uma nova oportunidade.
·
Mesmo quando caímos, Ele nos levanta.
É por isso que esta Palavra não
deve nos deixar tristes, mas deve nos ajudar a começar de novo.
Hoje, ao sair desta igreja, leve
uma pergunta no coração:
“Senhor, que fruto o Senhor espera
de mim nesta semana?”
·
Talvez seja um telefonema.
·
Um pedido de perdão.
·
Uma visita.
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Uma ajuda.
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Uma oração.
·
Um gesto de carinho.
·
Uma palavra de esperança.
·
Uma atitude de serviço.
São Vicente
exortava os missionários a deixarem que Deus fosse o Senhor de suas vidas, de
sua “vinha pessoal”, de modo que suas virtudes atuassem em seus corações sem
qualquer resistência:
“Reina, de uma maneira especial, sobre os
justos que o honram e o servem, sobre as boas almas, que se entregam a Deus,
que só respiram a Deus. Reina sobre os eleitos, que devem glorificá-lo
eternamente. É sobre tais pessoas que reina de modo particular, pelas virtudes
que elas praticam e que receberam dele. É o Deus das virtudes, e não há nenhuma
que não proceda dele. Procedem todas desse manancial infinito, que as infunde
nas almas escolhidas. Prontas sempre para recebê-las, são sempre fiéis em
praticá-las. Desse modo procuram o Reino de Deus e é desta maneira que Deus
reina sobre elas” (SV BR XII, 136).
Compromisso: Examinar
minha vida e responder com sinceridade: Sou um trabalhador fiel da vinha de
Deus? Que frutos estou dando?
Que a nossa Paróquia Pai
Misericordioso seja uma vinha bonita do Senhor: uma comunidade que acolhe, que
serve, que perdoa e que cuida dos pobres e dos pequenos.
E que, quando Deus olhar para a
nossa vida, possa encontrar muitos frutos.
Não frutos de riqueza ou de
aparência, mas frutos de amor.
Porque, no final, é isso que Deus
espera de nós:
que aquilo que recebemos
gratuitamente de suas mãos também seja oferecido gratuitamente aos nossos
irmãos.
Amém.

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