sábado, 3 de outubro de 2026

Missão do Japão: 04/10/2026: XXVII Domingo do Tempo Comum. ANO A Homilia

 


Meus irmãos e minhas irmãs,

O Evangelho de hoje nos apresenta uma imagem muito bonita e, ao mesmo tempo, muito séria: um homem planta uma vinha, cuida dela, cerca, prepara tudo e espera que ela produza frutos.

 

Essa vinha representa a nossa vida, a nossa família, a nossa comunidade e também o mundo que Deus colocou em nossas mãos.

Na primeira leitura, o profeta Isaías também fala da vinha. Deus diz: “Que mais poderia eu ter feito por minha vinha que eu não tenha feito?”

 

É uma pergunta que também podemos fazer para nossa vida:
Deus já fez tanto por mim... Que frutos estou produzindo?

Deus nos deu a vida. Deu-nos uma família, pessoas que nos amam, uma comunidade, dons, oportunidades, a fé e, sobretudo, Jesus Cristo. Deus não deixa de cuidar de nós.

Mas o problema da vinha do Evangelho é que ela recebeu muito e produziu pouco.

 

E aqui está uma primeira mensagem para nós: não basta receber de Deus; precisamos produzir frutos.

Que frutos?

·        Frutos de amor.

·        Frutos de perdão.

·        Frutos de solidariedade.

·        Frutos de paciência.

·        Frutos de honestidade

·        Frutos de serviço.

Às vezes, queremos uma Igreja que faça muitas coisas por nós. Mas Jesus também pergunta: “O que você está fazendo pelos outros?”

Na comunidade, na família, no trabalho, na vizinhança: que fruto a minha presença está produzindo?

 

Meus irmãos, uma família pode morar numa casa simples, pode enfrentar dificuldades financeiras, problemas, enfermidades e tantas preocupações. Mas, quando existe amor, perdão e união, aquela casa se transforma numa verdadeira vinha de Deus.

 

E o contrário também acontece: uma casa pode ter muitas coisas materiais, mas se falta diálogo, respeito e perdão, os frutos são amargos.

 

São Vicente de Paulo nos ensina que a fé precisa chegar às mãos e aos pés. Não basta dizer que amamos a Deus; precisamos cuidar dos seus filhos, especialmente dos mais pobres e sofridos.

Por isso, a pergunta do Evangelho é muito concreta:
Que fruto Deus está esperando de mim?

·        Talvez hoje Deus esteja esperando que eu perdoe alguém.

·        Talvez esteja esperando que eu volte a conversar com alguém da minha família.

·        Talvez esteja esperando que eu pare de reclamar e comece a ajudar.

·        Talvez esteja esperando que eu volte a rezar.

·        Talvez esteja esperando que eu procure novamente a Igreja.

·        Talvez esteja esperando simplesmente que eu seja mais paciente com quem vive ao meu lado.

 

A segunda leitura nos ajuda nesse caminho. São Paulo diz: “Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai a Deus as vossas necessidades, pela oração.”

Isso é muito importante para nós que vivemos tantas preocupações.

Há problemas que não conseguimos resolver imediatamente. Há contas, enfermidades, desemprego, conflitos familiares, preocupações com os filhos e tantas outras coisas.

São Paulo não está dizendo: “Não tenha problemas”.

Ele está dizendo: “Não carregue seus problemas sozinho.”

Coloque-os nas mãos de Deus.

Reze. Converse com Deus. Confie.

E depois faça a sua parte.

A oração não substitui a responsabilidade. A oração nos dá força para assumir nossa responsabilidade.

 

Por isso São Paulo termina dizendo para praticarmos aquilo que aprendemos e recebemos.

É uma fé que se transforma em vida.

Meus irmãos, o Evangelho também nos apresenta uma verdade muito forte: os trabalhadores da vinha rejeitam até mesmo o filho do proprietário. É uma referência a Jesus, o Filho enviado pelo Pai.

Jesus é aquele que veio até nós, mas muitas vezes também é rejeitado.

·        Nós o rejeitamos quando rejeitamos o irmão.

·        Nós o rejeitamos quando fechamos o coração para quem sofre.

·        Nós o rejeitamos quando somos incapazes de perdoar.

·        Nós o rejeitamos quando pensamos somente em nós mesmos.

 

Mas existe uma boa notícia: Deus não desiste da sua vinha. Deus não desiste de nós.

·        Mesmo quando produzimos poucos frutos, Ele continua cuidando.

·        Mesmo quando erramos, Ele nos oferece uma nova oportunidade.

·        Mesmo quando caímos, Ele nos levanta.

 

É por isso que esta Palavra não deve nos deixar tristes, mas deve nos ajudar a começar de novo.

Hoje, ao sair desta igreja, leve uma pergunta no coração:

“Senhor, que fruto o Senhor espera de mim nesta semana?”

·        Talvez seja um telefonema.

·        Um pedido de perdão.

·        Uma visita.

·        Uma ajuda.

·        Uma oração.

·        Um gesto de carinho.

·        Uma palavra de esperança.

·        Uma atitude de serviço.

 

São Vicente exortava os missionários a deixarem que Deus fosse o Senhor de suas vidas, de sua “vinha pessoal”, de modo que suas virtudes atuassem em seus corações sem qualquer resistência:

 “Reina, de uma maneira especial, sobre os justos que o honram e o servem, sobre as boas almas, que se entregam a Deus, que só respiram a Deus. Reina sobre os eleitos, que devem glorificá-lo eternamente. É sobre tais pessoas que reina de modo particular, pelas virtudes que elas praticam e que receberam dele. É o Deus das virtudes, e não há nenhuma que não proceda dele. Procedem todas desse manancial infinito, que as infunde nas almas escolhidas. Prontas sempre para recebê-las, são sempre fiéis em praticá-las. Desse modo procuram o Reino de Deus e é desta maneira que Deus reina sobre elas” (SV BR XII, 136).

Compromisso: Examinar minha vida e responder com sinceridade: Sou um trabalhador fiel da vinha de Deus? Que frutos estou dando?

 

Que a nossa Paróquia Pai Misericordioso seja uma vinha bonita do Senhor: uma comunidade que acolhe, que serve, que perdoa e que cuida dos pobres e dos pequenos.

 

E que, quando Deus olhar para a nossa vida, possa encontrar muitos frutos.

Não frutos de riqueza ou de aparência, mas frutos de amor.

 

Porque, no final, é isso que Deus espera de nós:

que aquilo que recebemos gratuitamente de suas mãos também seja oferecido gratuitamente aos nossos irmãos.

Amém.

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