sexta-feira, 29 de março de 2019

Entrevista com Diác. João Soares, CM sobre o EJV + JMJ


A Jornada Mundial da Juventude - JMJ, evento religioso da Igreja Católica, implementado por João Paulo II, em Roma, a partir dos encontros de 1984-1985. Desde usa primeira edição, a cada dois ou três anos, reúne milhares de fieis, especialmente, jovens, em diferentes países do mundo, objetivando favorecer o encontro pessoal com Cristo, e a promoção da paz entre os povos, tendo a juventude como embaixadora. A partir da edição do ano 1997, em Paris, a Família Vicentina passou a realizar prévia a jornada, o Encontro de Jovens Vicentinos – EJV, promovendo o fortalecimento da identidade dos participantes como membros da Igreja a partir da perspectiva do Carisma Vicentino.

Em janeiro de 2019, Panamá recebeu ambos os eventos: O IX EJV, de 18 a 21, em Arraiján com o tema: “A alegria de ser Vicentino” e a XXXIV JMJ, de 22 a 27, na Cidade do Panamá, sobre o tema: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). Participaram dos mesmos, diversos vicentinos brasileiros, dentre eles o seminarista Louis Francescon, CM para quem a experiência foi muito rica e uma oportunidade singular: “Nesses dias, a frase de motivação foi ‘eu acredito na força da Juventude’! Participar desses encontros é poder renovar a esperança e apostar nos milhares de jovens, que se comprometem com o seguimento a Jesus, com o Reino de Deus, abertos ao Espírito Santo, que capacita e interpela a Missão” Afirmou Louis. Da PBCM, fizeram-se presentes também os Padres Denilson Matias, CM e Alexandre Nahass, CM. Na missa de abertura do EJV, Pe. Tomaž Mavrič, CM disse que “a alegria do Evangelho provém da convicção de que, como disse São Vicente, continuamos a missão de Jesus na terra, e que o servindo aos pobres, serve-se próprio Jesus”. Já no final da Jornada, foi anunciado que a próxima JMJ se daria em Portugal. Entrevistamos, de ali, o Diác. João Soares, CM, que nos externou a alegria de ter peregrinado ao Panamá, bem como as expectativas para ser anfitrião do EJV+JMJ em 2022:

1.Qual a importância da realização de um encontro como o EJV para a Família Vicentina Internacional e em que isso implica a CM?
Creio que um encontro de jovens vicentinos a nível internacional realça o sentido de família. Família essa que não vive isolada, mas em comunhão. Uma família que partilha experiências, fé e, sobretudo, o amor a Deus nos pobres. Falar deste encontro é falar de comunhão, portanto faz todo o sentido. No que diz respeito a nós, Congregação da Missão, creio que este encontro permite duas coisas: a primeira porque dentro da CM existem jovens e, por isso, este encontro é também para nós; a segunda, porque nós não nos podemos esquecer que temos o dever de acompanhar a juventude, e por isso, este encontro é também um repto para nós.

2.Os eventos: EJV e a JMJ despertam nos jovens de hoje o desejo de seguir Jesus por meio da Vida Religiosa Consagrada? Como?
Acredito que estes encontros estimulam os jovens a uma maior vivência com Deus. Creio que o Evangelho do Semeador é uma boa parábola para explicar o que acontece nestes encontros. Há alguns que não lhes provoca sentimento algum, outros que até lhes provoca, mas falta-lhes raiz, ou seja, profundidade para assumir o projecto de Deus na sua vida; outros que são abafados pelas opiniões dos outros; e por fim, existem aqueles em que tem terreno para que este encontro com Deus possa provocar neles uma mudança de vida. O importante é que alguém semeie. O resto, deixemos com Deus, Ele saberá dizer como fazer.

3.A partir das temáticas, partilhas e convivência junto com pessoas que encontrou no EJV e JMJ Panamá 2019 que mensagem extrai para sua vida de Missionário Vicentino? 
Trago comigo duas ideias interessantes, que acredito que são essenciais para o meu ministério, principalmente no meio dos jovens. Em primeiro lugar, a ideia que para anunciar-lhes algo são necessários modelos. Maria foi o modelo utilizado nestes dois encontros, e, portanto, se quero chegar a alguém não lhes posso dar algo abstrato, mas uma fé que é vivida e vivenciada por alguém. Em segundo lugar, creio que devemos ter atenção às formas.  O mundo mudou, e as formas de transmissão da fé devem acompanhar essas mudanças. O que o Papa fez quando utilizou a palavra «influencer» ou outras palavras do género, revela uma aproximação àquilo que é vivido hoje em dia. Não demonizar o que existe, mas aproveitá-lo como uma oportunidade. Acredito que seja este o caminho.

4.Como está sua expectativa e a do País em receber, ai, a próxima JMJ? As atividades próprias do evento serão norteadas por qual tema?
Portugal já recebeu alguns megaeventos, entre eles, visitas papais, contudo creio que receber a próxima JMJ é uma oportunidade para estimular a fé deste povo. A expectativa é alta, porque alto é também o evento. Acredito que iremos fazer o melhor para que todos os jovens se sintam em casa, mas, sobretudo, para que todos os jovens possam fazer uma experiência de encontro com Jesus. Quanto ao tema, ainda não se decidiu, mas certamente a imagem de Maria vai estar muito vinculada, não fosse Portugal terra de Santa Maria.

5.Com a Jornada em Portugal, a Família Vicentina realizará, previamente, o EJV. O que vocês já têm pensado para o mesmo? 
No que diz respeito ao encontro de Jovens vicentinos, ainda esta tudo muito verde. Creio que ainda estamos no momento de festa por ter recebido a notícia. Contudo, acredito que, em breve, se criarão comissões para a organização do mesmo. É um encontro desejado e sei que já existem várias ideias em cima da mesa. Mas tal como disse anteriormente, penso que o importante é proporcionar aos jovens um encontro com Cristo, que, no nosso caso, esse encontro deve ser á maneira de Vicente de Paulo.

6.Como se dá a relação da CM Portugal com a Juventude Vicentina e com outros ramos da FV? Já desenvolvem trabalhos em colaboração? Deixe-nos um exemplo.
A colaboração dos jovens com a família vicentina creio que é boa. Existe o Conselho Nacional da Família Vicentina que elaboram projetos comuns, como a PAC (Programa de Ação Colaborativa), o Dia Nacional da Família Vicentina e depois nas ações concretas de cada grupo existe uma mútua colaboração. É verdade, que ainda há um caminho a fazer porque esta ideia de família ainda é muito recente na consciência dos próprios ramos, mas o caminho que está a ser trilhado vai num bom sentido.

7.Como a CM e a FV Portugal pode agir a fim de que o próximo EJV consiga cultivar nos jovens o desejo de se comprometerem como tal e logo como adultos ativos nos diferentes ramos vicentinos?
Como disse anteriormente, acho que a CM tem que proporcionar aos jovens modelos de vivência da vocação. E não basta com aqueles que já partiram e que agora estão nos altares. Creio que todos nós somos chamados a ser exemplos de vocação vicentina. Não nos podemos excluir. Estamos num tempo em que nos é exigida radicalidade, seriedade e uma forte vivência daquilo que o nosso fundador nos chamou a viver. Afinal este modelo de vida ajudou à santificação de muitos e acredito que poderá ainda ajudar a santificação de muitos mais. Mas sem uma demonstração autêntica, real e radical, não poderemos exigir nada, pois não estamos a dar nada. No fundo temos que ser uma alternativa ao mundo, estando no próprio mundo. É difícil, exigente, mas é possível.

Referência:

terça-feira, 5 de março de 2019

Pequeno Histórico sobre a Congregação da Missão



A Congregação da Missão (Congregatio Missionis, CM), Lazaristas ou ainda Padres e Irmãos Vicentinos, é uma sociedade de vida apostólica masculina católica fundada em Paris, no dia 17 de abril de 1625, por Vicente de Paulo (1581–1660). A origem remonta às missões junto aos pobres realizadas por Vicente de Paulo e outros padres. Em 1624 a comunidade religiosa instalou-se no Collège des Bons Enfants, em Paris, França. Receberam aprovação episcopal em 1626. Em 1634, através da bula Salvatoris Nostri do Papa Urbano VIII a Congregação teve aprovação pontifícia.

Essa Sociedade é composta por padres seculares e leigos consagrados (irmãos), que vivem e trabalham em comunidade e fazem os Votos de Estabilidade, Pobreza, Castidade e Obediência. Seus membros são conhecidos como padres e irmãos vicentinos ou lazaristas porque a primeira casa da Congregação, em Paris (1632), chamava-se “Casa de São Lázaro”. Hoje, possui cerca de 3000 membros, espalhados pelos cinco continentes, atuando em missões, seminários, paróquias, direção espiritual as Filhas da Caridade e Ramos da Família Vicentina, bem como, atuando em colégios e obras diversas de serviço aos pobres.

O lema da Congregação se inspira em Lucas 4,18: O senhor me enviou para evangelizar os pobres (em latim: Evangelizare pauperibus misit me), e segundo as Constituições, [1] a Congregação da Missão tem como finalidade: “Seguir Cristo Evangelizador dos pobres”. Este fim se realiza quando os seus membros e comunidades, fiéis a São Vicente:
·         Procuram com todas as forças revestir-se do espírito do próprio Cristo, para adquirirem a perfeição conveniente à sua vocação;
·         Aplicam-se a evangelizar os pobres, sobretudo os mais abandonados;
·         Ajudam os clérigos e os leigos na sua própria formação e os levam a participar mais plenamente na evangelização dos pobres".

Para atingir o fim da Congregação, a PBCM, por exemplo, segundo suas Normas Provinciais, Art. 3, tem como objetivos:
·         Imbuir-se do Espírito de Jesus Cristo, isto é, de suas disposições, intenções e engajamento pessoal, em favor dos marginalizados da sociedade. Jesus, Libertador dos pobres, é a regra da Província.
·         Exercer ação missionária que vise atender aos apelos dos pobres, nas situações concretas da realidade, pela organização pastoral do Povo de Deus, em áreas carentes, sobretudo no interior e na periferia das cidades, para viver integralmente sua fé, lutar por seus direitos, libertar-se de toda forma de escravidão ou exploração.
·         Aplicar-se à Formação de Agentes de Pastoral, clérigos e leigos, comprometidos com a causa evangélica dos pobres.

A Congregação é regida pelas atuais Constituições e os Estatutos que foram aprovados pela Santa Sé em 1984. O órgão máximo de seu governo é a Assembleia Geral que se reúne a cada seis anos e um superior geral, que residente em Roma e é auxiliado por quatro assistentes. Ao Superior Geral, também chamado de Visitador, cabe instituir as províncias e visitá-las.

Por sua vez, cada província realiza sua assembleia provincial a cada três anos. Elas possuem um superior provincial, também chamado de visitador, que tem como função promover a vida missionária de sua província. Os superiores locais são responsáveis pela missão e vida comunitária da casa.

Em 05 de julho de 2016, em Chicago - EEUU, durante a Assembleia Geral, foi eleito para um período de 06 anos, o atual Superior Geral - Padre Tomaž Mavrič, CM, o 25° sucessor de São Vicente de Paulo quem primeiro dirigiu a Congregação.



Contexto histórico - No final do século XVI e início do século XVII, a França foi cenário de grandes transformações políticas e religiosas. Do ponto de vista do cristianismo, o país foi palco da disputa entre católicos e protestantes e a Igreja Católica tentava implementar as resoluções do Concílio de Trento.

Neste contexto, a Congregação da Missão foi fundada pelo sacerdote francês e santo católico Vicente de Paulo, em 17 de abril de 1625. Como membro do clero secular de Paris, a partir de 1717, Vicente tornou-se preceptor dos filhos do General das Galés de Paris, M. de Gondi, em Picardia. A Senhora de Gondi concedeu-lhe a tarefa de instrução das aldeias e vilas de sua propriedade. Ali pode observar a miséria e ignorância em que viviam os camponeses, que acreditavam em todo tipo de superstição. Enquanto que nas cidades a presença das universidades garantia a formação do clero urbano, no campo prevalecia um clero mal formado e a ignorância dos camponeses. Diante desta situação, Pe. Vicente organizou algumas missões populares. Para organizar esta tarefa, ele associou-se a outros sacerdotes seculares sob autorização do então arcebispo de Paris, Jean-François Paul de Gondi, irmão do General das Galés.

A Congregação nascente instalou-se em um velho colégio parisiense, o Collège des Bons Enfants em 1624. A aprovação das regras pelo arcebispo veio em 14 de abril de 1626. O objetivo era assim descrito pelo grupo: "viver em comunidade ou confraria para devotar-se à salvação dos camponeses pobres". Um decreto do arcebispo de Paris anexa o Colégio des Bons Enfants à Congregação. Em 1832, a Congregação tomou posse do priorado de São Lázaro, subúrbio de Paris, deixando alguns padres no colégio, que se tornou então um seminário lazarista.

As missões eram compostas de diversas atividades: oração, catecismo em grupos, confissões, encontro com os líderes e professores da região e visitas aos doentes. Os padres da Missão iam às áreas rurais, onde permaneciam de 15 dias a dois meses, geralmente no verão. Geralmente uma missão iniciava com sermões pela manhã cedo, antes do trabalho dos camponeses. A seguir, o catecismo era ensinado às crianças. À tarde o catecismo era dado aos mais velhos e outros fiéis. A missão era concluída com a Eucaristia, quando as crianças faziam a primeira comunhão, seguida da procissão do Santíssimo Sacramento.

Embora os membros da Congregação façam votos, seu fundador não quis criar uma ordem religiosa: os seus membros são do clero secular, unidos em uma sociedade de vida apostólica. O primeiro voto a ser estabelecido para a Congregação foi o voto de Estabilidade, seguido pelos votos de Pobreza, Castidade e Obediência. Emitem os votos, não para estarem em estado de santidade, mas em estado de missão. Seus formandos não participam de um noviciado, mas de um Seminário Interno, distinto dos seminários diocesanos. Os membros da Congregação deveriam usar trajes do clero secular. Sua distinção deveria ser seu empenho apostólico.

Após sua fundação, a Sociedade teve um grande crescimento: de 25 membros em 1632, em 1672 seriam 508 padres e 262 irmãos leigos consagrados. Entretanto, a Revolução Francesa dispersou a Congregação com a supressão das ordens religiosas. Nesta ocasião, 24 foram mortos ou morreram nos pontões.

A Congregação foi restabelecida por Napoleão Bonaparte em 1804, quando 70 coirmãos se reuniram. Nova supressão ocorreu em 1809. Com a restauração francesa, em 1816, a congregação foi novamente reestabelecida.

Um contínuo crescimento ocorreu no século XIX, com a abertura de novas casas, missões nas paróquias e seminários pela França, bem como com a expansão de missões pela América do Sul, China e Oriente Médio.

No século XX, a separação entre a Igreja e o estado na França, a Congregação não possuiria mais o reconhecimento como representação francesa no exterior. Apesar disto, está presente ao redor do mundo. No período pós-guerra, na França, o padre vicentino Édouard Rocher lança as "missões sob as tendas" nos bairros operários.

Segundo Herrera (1949) a história da Congregação poderia ser resumida em oito épocas:

Na época vicentina a Congregação nasce, organiza-se e cresce sobre o olhar do Santo Fundador, rompe a crisálida francesa para beber a água da Catolicidade nas fontes eternas de Roma, e, por último, em voos apostólicos pousa em terras polonesas, nas costas barbaresca (norte da África), na negra Madagascar e nas Ilhas Britânicas.

Na época pós-vicentina se redobra sobre si mesma para aperfeiçoar sua organização com as "Constitutiones selectae" e com os regulamentos dos diversos ofícios, perde Madagascar e as Ilhas Britânicas e se consolida e desenvolve como mestra do Clero e do povo na França, Itália e Polônia.

Na época do século XVIII ensina ao Clero com Pedro Collet nos Seminários da Europa, é missionária do povo, em Espanha e em Itália, prossegue sua epopeia barbaresca e se cobre de glória em China com o heroico triunvirato e com a missão imperial.

Na época da Revolução as obras da Congregação naufragam na França, mas seu espírito sobrenada no sangue dos mártires, enquanto que nas demais províncias se definem e se conservam as posições conquistadas.

A época dos Vicariatos se caracteriza pelo dualismo autoritário, ainda que se conserve a unidade espiritual. O Vicariato francês trata de recolher os escombros e reconstruir a casa solarengo, enquanto que o governo romano e demais províncias, mesmo sem deixar de sentir os estragos da Revolução, conservam e desenvolvem as obras em estado mais ou menos próspero e as leva ao Novo Mundo por obra de Félix Andreis (1778 1820) – primeiro Superior Geral da CM, americano.

Vale aqui salientar que além da mudança Cúria Geral à Roma, entre os anos 1828 e 1843 ocorreram quatro acontecimentos que colaboraram para o crescimento da Congregação: a) o restabelecimento da unidade do regime, b) a trasladação das relíquias de São Vicente, c) a aparição da Medalha Milagrosa e d) o martírio de Perboyre.

Na época "etiênica" a Congregação é a águia vigorosa, que se apoiando nessas quatros bases, tende seu voo rumo a todos os países europeus, inclusive a regiões mais distantes da terra, com afãs apostólicos enquanto que na época "fiática" se recolhe em si mesma, reafirmando em seu espírito e prosseguindo seu voo, acrescentado pelo vigor hispânico, que afirma seu propósito de conquista espiritual nas Antilhas, México e Filipinas.

Na época contemporânea, acentua-se a preponderância hispânica que prossegue sua expansão pelas terras de Venezuela, Bolívia, Inglaterra, América do Norte e, por último, pela Índia inglesa, enquanto que outras Províncias, Holanda, Bélgica, América do Norte, Polônia e Itália, sentem-se com grandes afãs de missão.

Atualmente os Vicentinos no mundo são 3106 organizados em 507 comunidades locais em 91 países, nos cinco continentes.

Lazaristas no Brasil

A Congregação da Missão chegou ao Brasil com a chegada de missionários portugueses em 1819 e posteriormente franceses (a partir de 1850), que se estabeleceram em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. O trabalho destes missionários deu origem à Província Brasileira da Congregação da Missão. No final do século XIX, missionários poloneses chegaram ao Sul do Brasil, gerando a Província Sul. Missionários holandeses estabeleceram-se no Norte/Nordeste do país, onde foi criada a Província de Fortaleza. Hoje a Congregação da Missão está presente no país através destas três províncias.

Vale salientar que, segundo Souza (2016) os primeiros padres lazaristas a virem ao Brasil foram: Pe. Manoel de Brito que foi reitor do seminário São José do Rio Comprido - RJ de 1810 a 1813, Pe. José Cardoso de Brito seu sucessor de 1813 a 1814 e Pe. Alexandre Macedo, que autorizado pelos seus superiores, serviu como Procurador da Corte do então Príncipe Regente de Portugal, D. João VI, vindo ao Brasil fugido da ameaça de Napoleão Bonaparte, em 29 de novembro de 1807.

Província do Rio de Janeiro – PBCM - Província Brasileira da Congregação da Missão
Os Lazaristas portugueses: Padres Leandro Castro e Antônio Viçoso, chegaram ao Brasil em 1819, com a finalidade de serem missionários na então capitania do Mato Grosso. Por ocasião da sua chegada, a missão já estava ocupada pelos capuchinhos. Receberam então de Dom João VI a ermida de Nossa Senhora Mãe dos Homens, no Caraça, Minas Gerais, com a finalidade de ali fundar um colégio. Ali chegaram em 15 de abril de 1820. Uma vez no local os missionários abriram o colégio, com a ajuda do noviço João Garcez, que se tornaria o primeiro padre da CM do Brasil. Em 1863 o Colégio do Caraça funcionava como seminário menor e internato e alcançou grande fama: ali estudaram diversos nomes importantes na história do país, governadores e os ex-presidentes Artur Bernardes e Afonso Pena. O colégio funcionou por 150 anos, até 1968, quando um incêndio destruiu parte de suas instalações. Por esta ocasião, a urbanização do país e as reformas na Igreja já não comportavam o modelo de internato e aquele tipo de seminário. Para dar continuidade às atividades educativas, os padres da Congregação da Missão já haviam fundado no Rio de Janeiro o Colégio São Vicente de Paulo, que consideram como herdeiro do Colégio do Caraça.

Além do Colégio do Caraça, dirigiram colégios em Congonhas do Campo - MG (1827-1860) e Campina Verde - MG (1829-1983) e o Seminário de Jacuecanga - RJ (1822-1837). Dedicaram-se também às missões populares, principalmente no entorno do Caraça e de Campina Verde. Em Minas Gerais, um lazarista de grande importância foi Dom Antônio Ferreira Viçoso, bispo de Mariana.

A partir de 1850, a missão dos padres lazaristas se expande, sobretudo pela melhora de suas relações com o Império Brasileiro. Chegam ao país, diversos missionários franceses, e o trabalho de formação do clero foi incrementado: diversos seminários diocesanos passam a ser dirigidos pela congregação, como os seminários maior e menor de Mariana - MG (1849-1966), de Salvador - BA (1856-1860; 1888-1957), de Fortaleza - CE (1864-1963), de Diamantina - MG (1866-1964). Em abril de 1869 o Bispo do Rio de Janeiro, Dom Pedro Maria de Lacerda confiou aos Padres da Congregação de São Vicente de Paulo a administração do Seminário São José, onde permaneceram até 1901. Os colégios e seminários onde atuavam os lazaristas tornaram-se centros missionários, de onde partiam para evangelização popular. Esta obra foi fundamental para a formação do clero brasileiro, ajudando a conformar um novo rosto à igreja no Brasil.

No início do século XX, a vinda de missionários franceses cessou. A atuação da Congregação passou a contar com os seus quadros formados no Brasil, dedicados, sobretudo à formação do clero diocesano. Novos seminários foram a eles confiados: os Seminários de São Luís - MA (1913-1962), de Curitiba – PR (1895-1961), de Botucatu - SP (1913-1942), de Brasília - DF (1962-1971), de Aparecida – SP (1969-1976) e de Luz MG (1970-1977), de Irati - PR (1928-1948) e de Fortaleza – CE (1864-1963). A formação dos padres da Congregação era feita no Seminário Maior de Petrópolis – RJ (1890-1968; 1972-1979; 1983). Obras educacionais eram mantidas nos colégios do Caraça, Campina Verde, Irati e Rio de Janeiro. As missões populares mantiveram-se com mesmo conteúdo e metodologia. A partir dos anos 1960, as reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II tiveram grande impacto na Província. O modelo de grandes seminários foi questionado, bem como o modelo das missões populares. Os seminários entraram em crise. Diversos padres deixaram a Congregação. A partir de então, uma renovação e atualização nos métodos e na Congregação vem sendo empreendida: na formação, assumiu-se a pedagogia libertadora; nas missões, experiências de missões renovadas estão sendo encaminhadas. A organização interna busca um novo modelo de vida comunitária, uma atualização administrativa e teológico-missionária, em vistas de responder aos desafios do tempo presente.

A Província do Sul - CMPS
A Congregação da Missão chegou ao sul do Brasil juntamente com os imigrantes europeus ao final do século XIX. Em 1898, Dom José de Camargo Barros, o primeiro bispo de Curitiba, solicitou à província polonesa missionários para atender aos imigrantes poloneses. Assim, 96 padres e 03 irmãos coadjutores poloneses chegaram ao Brasil entre 1903 a 2003, com esta finalidade. Instalaram-se inicialmente em Araucária. A vice província polonesa foi criada em 1921, tornando-se a Congregação da Missão Província do Sul em 1969, atuante nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e estado de São Paulo. Atuam em paróquias, missões populares, seminários, faculdade, meios de comunicação e nas pastorais, como a Pastoral Rodoviária.

A Província de Fortaleza - PFCM
Os lazaristas chegaram ao Norte/Nordeste a partir de 1950, onde marcaram presença nos estados do Pará, no Rio Grande do Norte, em Pernambuco e no Ceará, região que viria a constituir a Província de Fortaleza, fundada pelo trabalho dos padres lazaristas que chegaram, ainda na década de 1920, da Província holandesa, sobretudo os trabalhos realizados pelo Padre Guilherme Vaessen, CM. Assumiram a responsabilidade do Seminário da Prainha entre 1864 a 1963. Neste período, foram responsáveis pela formação de personagens proeminentes na história brasileira como Dom Hélder Câmara e Dom Eugênio de Araújo Sales.

Bispos lazaristas no Brasil
Dom Antônio Ferreira Viçoso, CM
Dom Antônio José dos Santos, CM*
Dom Belchior Joaquim da Silva Neto, CM
Dom Cláudio José Gonçalves Ponce de Leão, CM
Dom Cornélio Veerman, CM
Dom Domingos Gabriel Wisniewski, CM
Dom Evaldo Carvalho dos Santos, CM
Dom Fernando Barbosa dos Santos, CM
Dom Fernando de Sousa Monteiro, CM
Dom Fernando Taddei, CM
Dom Francisco de Paula e Silva, CM
Dom Francisco Jensen, CM
Dom Inácio Krause, CM
Dom Izidoro Kosinski, CM
Dom João Batista Cavati, CM
Dom Job-Chen Chi-Ming, CM
Dom José Afonso de Morais Torres, CM
Dom José Carlos Chacorowski, CM
Dom José Carlos Melo, CM
Dom José Elias Chaves Júnior, CM
Dom José Lázaro Neves, CM
Dom Ladislau Biernaski, CM
Dom Luís Gonzaga da Cunha Marelim, CM
Dom Pio de Freitas Silveira, CM
Dom Sebastião Dias Laranjeira, CM
Dom Vicente Joaquim Zico, CM


REFERÊNCIAS
CMGlobal, La Congregación de la Misión Disponível em: Acesso em 05 mar. 2019.
HERRERA, José. Historia de la Congregación de la Misión, Madrid: La Milagrosa, 1949
PBCM, O que é PBCM. Disponível em: Acesso em 03 mar. 2019.
SOUZA, Maria Rebouças de “Ir. Rosalie”. História das Filhas da Caridade da Província do Rio de Janeiro – Brasil 1849 – 2003. Ed. Vozes, Petrópolis – RJ, 2016.
WIKIPEDIA, Congregação da Missão Disponível em: Acesso em 04 mar. 2019.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

AS 10 FRASES-CHAVE DO PAPA FRANCISCO NAS JMJ PANAMÁ


Para todos aqueles que já participaram numas Jornadas Mundiais da Juventude, são tantas e tão fortes as memórias de todos os momentos vividos. É um encontro feito de encontros a todo o momento. O encontro com milhares de jovens provenientes de todos os cantos do mundo, o encontro com a comunidade que nos recebe e o encontro com o Papa. Todos estes encontros nos levam a algo maior, mais verdadeiro e mais importante: o encontro com Cristo! Ao longo destes dias todo o discurso tem como pano de fundo a relação dos jovens com Cristo e com a sua Igreja. Este ano, no Panamá, fomos guiados pela mão de Maria com o tema: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38)”. Todas as mensagens do Papa Francisco durante as Jornadas Mundiais da Juventude são de tamanha riqueza e profundidade, que serão certamente merecedoras da nossa leitura, releitura, meditação e oração. Deixo-vos um “aperitivo”, com a seleção das 10 frases-chave que, segundo a minha opinião, marcaram o ritmo destas Jornadas.

1. O discípulo não é apenas aquele que chega a um lugar, mas quem começa com decisão, quem não tem medo de arriscar e pôr-se a caminho. Se alguém se põe a caminhar, já é um discípulo. Se ficas parado, perdeste… Começar a caminhar, estar a caminho: esta é a alegria maior do discípulo. Vós não tendes medo de arriscar e caminhar. (Cerimónia De Acolhimento E Abertura Da JMJ, JMJ 2019)

2. Um amor que une é um amor que não se impõe nem esmaga, um amor que não marginaliza nem obriga a estar calado nem silencia, um amor que não humilha nem subjuga. É o amor do Senhor: amor diário, discreto e respeitador, amor feito de liberdade e para a liberdade, amor que cura e eleva. É o amor do Senhor, que se entende mais de levantamentos que de quedas, de reconciliação que de proibições, de dar nova oportunidade que de condenar, de futuro que de passado. É o amor silencioso da mão estendida no serviço e na doação; é o amor que não se vangloria nem se pavoneia, é o amor humilde que se dá aos outros sempre com a mão estendida. (…) Não tenhais medo de amar, não tenhais medo deste amor concreto, deste amor que tem ternura, deste amor que é serviço, deste amor que dá a vida. (Cerimónia De Acolhimento E Abertura Da JMJ, JMJ 2019)

3. Maria soube dizer «sim». Teve a coragem de dar vida ao sonho de Deus. E o mesmo nos é pedido a nós hoje: queres encarnar com as tuas mãos, os teus pés, o teu olhar, o teu coração o sonho de Deus? Queres que seja o amor do Pai a abrir-te novos horizontes e levar-te por sendas nunca imaginadas nem pensadas, sonhadas ou esperadas, que alegrem e façam cantar e dançar o coração? Temos a coragem de responder ao anjo, como Maria, «eis-nos aqui, somos os servos do Senhor, faça-se em nós…»? (Cerimónia De Acolhimento E Abertura Da JMJ, JMJ 2019)

4. A jovem de Nazaré não aparecia nas «redes sociais» de então; Ela não era um «influencer» mas, sem querer nem procurá-lo, tornou-Se a mulher que maior influência teve na história. E poderíamos, com confiança de filhos, defini-La: Maria, a influenciadora [às ordens] de Deus. Com poucas palavras, teve a coragem de dizer «sim», confiando no amor, confiando nas promessas de Deus, que é a única força capaz de renovar, de fazer novas todas as coisas. E, hoje, todos temos algo para renovar dentro de nós. Hoje devemos deixar que Deus renove algo no nosso coração. (Vigília Com Os Jovens, JMJ 2019)

5. Sonhar o futuro é aprender a responder não só porque vivo, mas também para quem vivo, por quem vale a pena gastar a minha vida. (…) É sempre possível começar de novo quando há uma comunidade, o calor duma casa onde criar raízes, que oferece a confiança necessária e prepara o coração para descobrir um novo horizonte: horizonte de filho amado, procurado, encontrado e dedicado a uma missão. O Senhor torna-Se presente por meio de rostos concretos. (Vigília Com Os Jovens, JMJ 2019)

6. A grandeza não é apenas possuir o último modelo de carro ou adquirir a última tecnologia do mercado. Fostes criados para algo maior? Maria compreendeu-o e disse: «Faça-se em Mim». (...) O mundo será melhor quando forem mais as pessoas que estiverem dispostas e tiverem a coragem de levar no ventre o amanhã e acreditar na força transformadora do amor de Deus. (…) Não tenhais medo de dizer a Jesus que vós também quereis fazer parte da sua história de amor no mundo, que sois para um «mais»! (Vigília Com Os Jovens, JMJ 2019)

7. Vós, jovens, deveis lutar pelo vosso espaço hoje, porque a vida é hoje. Ninguém te pode prometer um dia do amanhã: a tua vida é hoje, o teu desafio é hoje, o teu espaço é hoje. (...) Vós sois o presente! Não sois o futuro de Deus; vós, jovens, sois o agora de Deus. (...) Poderemos ter tudo; mas, queridos jovens, se falta a paixão do amor, faltará tudo! A paixão do amor hoje! Deixemos que o Senhor nos faça enamorar e nos leve para o amanhã! (...) Jesus não é um «entretanto» na vida nem uma moda passageira: é amor de doação que convida a doar-se. É amor concreto, de hoje, próximo, real; é alegria festiva que nasce da opção de participar na pesca miraculosa da esperança e da caridade, da solidariedade e da fraternidade frente a tantos olhares paralisados e paralisadores por causa dos medos e da exclusão, da especulação e da manipulação. (Santa Missa Da Celebração Da Jornada Mundial Da Juventude, JMJ 2019)

8. Que as nossas limitações, as nossas fraquezas não nos paralisem! Continuar para diante, com os nossos defeitos – depois corrigimo-los –, com as nossas fraquezas... avançar e tal é a maravilha de nos sentirmos enviados, a alegria de saber que, apesar de todos os inconvenientes, temos uma missão a cumprir. Não deixemos que as limitações, as fraquezas e mesmo os pecados nos bloqueiem e impeçam de viver a missão, porque Deus chama-nos a fazer o que podemos e a pedir o que não podemos, sabendo que o seu amor nos agarra e transforma progressivamente. Não vos assusteis à vista das vossas fraquezas; não vos assusteis sequer à vista dos vossos pecados: levantai-vos e continuai para diante, sempre para diante! Não fiqueis caídos por terra, não vos fecheis, continuai para diante com o que tendes de mais importante, continuai para diante; Deus sabe como perdoar tudo! (Encontro Com Os Voluntários Da JMJ, JMJ 2019)

9. Se for rezada, sente-se e vive-se a realidade em profundidade. A oração dá espessura e vitalidade a tudo o que fazemos. (Encontro Com Os Voluntários Da JMJ, JMJ 2019)

10. Agora chega o momento do envio: ide e contai, ide e testemunhai, ide e transmiti o que vistes e ouvistes. E isso, não o façais com muitas palavras, mas – como fizestes aqui – com gestos simples, com gestos do dia-a-dia, aqueles que transformam e fazem novas todas as coisas, aqueles gestos capazes de criar «algazarra», uma «algazarra» construtiva, uma «algazarra» de amor. (Encontro Com Os Voluntários Da JMJ, JMJ 2019)

Texto: Francisco Vilhena, CM - Ver publicação original em espanhol
Fotos: Diác. João Soares, CM e Rolando Morales

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

HOMENAGEM AOS JUBILANDOS PBCM 2018






MENSAGEM AOS JUBILANDOS PBCM 2018

Neste momento queremos em primeiro lugar render graças ao Senhor pelo dom da vida de cada um de vocês. A Ele que é o Autor da Vida, louvamos e agradecemos por todas as graças, bênçãos, vitórias e conquistas.

Ao celebrar a vida fazemos memória da bondade e amor de Deus para conosco. Quantas conquistas alcançadas! Quantas lutas vencidas! Quantas lágrimas derramadas! Quantas vidas alcançadas com as vossas vidas!

Tudo graça de Deus!

Aqui queremos deixar registrado a nossa gratidão pela vida doada de cada um de vocês a serviço dos necessitados. Cada um em seu estado de vida, lugar ou ministério exerce o serviço da caridade para que todos tenham vida plena, de modo especial os pobres - nossos mestres e senhores.
Neste ato comemorativo celebramos aniversário de nascimento, vocação, votos e ordenação. São muitos os motivos para comemorar a misericórdia, a bondade e o amor de Deus na vida de cada um de vocês.

Vossas vidas são como constelação no céu. Cada estrela ocupa o seu lugar no espaço e todas tem uma função própria: iluminar. Assim também podemos comparar cada um de vocês. Cada qual com seu estilo de ser, uma vocação específica, porém com uma função especial na PBCM, na CM, na Igreja e no mundo: levar luz à vida de tantas pessoas que atravessam os vossos caminhos. Temos a certeza que esta tarefa vocês realizam com maestria. Quantas vidas não foram dignificadas com uma atitude de amor ou palavra de compreensão de vocês? Quantos jovens ao olharem para vosso estilo de vida evangélica não se sentiram impelidos a conhecer o Carisma Vicentino?

Celebramos os jubilandos por variados motivos. Porém o que queremos celebrar mesmo é a vida, a qual Deus se manifesta na concretude de nosso dia a dia, vida que se faz missão, vida que se faz partilha, vida que se faz doação, e sobretudo, vida que se faz amor. Tudo isso vemos em cada de vocês de maneira especifica e diversa. 

Enfim, nós das casas de formação, agradecemos a Deus pelo sim generoso e fiel de cada um de vocês. O frei Sinivaldo Tavares bem nos disse em uma de suas colocações: “Deus se manifesta por meio de mediações concretas, pessoais, cotidianas e históricas”. Em vocês vemos Deus que se comunica a cada um de nós formandos: que vale a pena a cada dia dizer sim ao chamado. Que vale a pena largar tudo para se aventurar no serviço aos pobres. 

Obrigado por vocês serem sinal da presença fiel de Deus entre nós. 

Recebam os nossos sinceros parabéns e de maneira especial a prece de uma vida repleta do amor e do auxílio dos irmãos.   




quinta-feira, 2 de agosto de 2018

ESTÁGIO MISSIONÁRIO EM FRANCISCO BADARÓ – MG


Comunidade Santo Antônio do Menino Jesus

“A Igreja não precisa de muitos burocratas e funcionários, mas de missionários apaixonados, devorados pelo entusiasmo de comunicar a verdadeira vida” (Gaudete et Exsultate, 138).

O Estágio Missionário do Seminário Interno Interprovincial da Congregação da Missão Brasil aconteceu em Francisco Badaró, município do Vale do Jequitinhonha - Minas Gerais, de 01 a 31 de julho de 2018, cujas atividades se centraram nas comunidades do interior da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, que tem como pároco Pe. Wander Ferreira, CM e Vigário, Pe. Vanderlei dos Reis, CM. Os mesmos nos acolheram com entusiasmo, para junto dos missionários locais, realizarmos o referido estágio. 
Acima: Forno externo utilizado para fazer biscoito, em Água Limpa
Abaixo: Alimentado um garrote, em Mocó

Acima: Café partilhado, em Mocó
Abaixo: Pedido de informação, em Itapicurú

No dia 02/07 nos dirigimos, de dois em dois (Lc 10,1), às comunidades das diferentes regiões missionárias. Ali desenvolvemos: 
a) Visita domiciliares – atividade benfazeja para o povo, que via nas visitas uma presença especial do próprio Jesus através dos missionários, que conversavam com as pessoas visitadas, rezavam e pediam a Deus a bênção de suas casas. 
b) Cursos de Formação - uma das urgências pastorais da Paróquia, uma vez que o povo, e principalmente os animadores, necessitam de uma qualificação especial para o exercício da fé. De modo que foram ministradas formações no âmbito da Liturgia, Catequese, Família, Juventude, Conselho Pastoral Comunitário, Encontros Bíblicos e Espiritualidade Mariana.
c) Celebrações da Palavra com o Povo - um dos pontos altos do trabalho missionário, acontecidas no final de cada semana missionária, com partilha de lanches que faziam mais fraternos aqueles momentos.
Visitas a cavalo e a pé em Itapicurú 

Na 1ª semana - 02/07 a 08/07, visitamos o Regional Tocoiós: Na comunidade de Tocoiós, missionaram os seminaristas: Felipe Passos e Gemerson Santos; Mocó, Alexandro Valadares e Eu (Cleber Teodosio), e Zabelê Gameleira, Michel Araújo e Ramon Aurélio.
Na 2ª semana - 09/07 a 13/07, dirigimo-nos ao Regional Itapicurú. Em Itapicurú, ficamos Gemerson e Eu; em Macucus, Alexandro e Ramon, e em Serra Gameleira, Felipe e Michel. 
Acima: Igreja do Rosário durante o novenário, e
Abaixo: Chá na casa de paroquianos, em Francisco Badaró 

De 14 a 16/07 reunimo-nos na sede paroquial para celebrar com a comunidade paroquial, a 172ª Festa de Nossa Senhora do Rosário e puderam apreciar um pouco da tradição local dinamizada pela Irmandade do Rosário dos Homens Pretos de Sucuriú, Paróquia, Administração Pública Municipal e Comunidade em Geral, que mobilizam toda a cidade para os festejos. Nesse período, Francisco Badaró duplica sua população com visitantes diversos ou Filhos da Terra que moram fora, especialmente, São Paulo, e retornam à cidade para rever seus familiares e viver o novenário, procissões, subida e decida da bandeira e dos reinados, e se divertir ao som dos tambores da Irmandade, paredões eletrônicos ou dos diferentes grupos musicais que se apresentam na praça da Matriz durante da festa do Rosário.   
Acima: Benção das plantações, e
Abraixo: Buscando água na cisterna em Santo Antônio do menino Jesus  

Na 3ª semana - 17/07 a 22/07, tocou-nos visitar o Regional Santo Antônio do Menino Jesus. Ali, Felipe, Michel, Ramon e Eu visitamos a comunidade de Santo Antônio, já Alexandro e Gemerson, Córrego da Lapa.
Na 4ª semana - 23/07 a 29/07, a missão se deu no Regional Nossa Senhora Aparecida. Tempo em que Michel e Eu missionamos na comunidade Água Limpa; Felipe e Gemerson, Água Limpa de Trás, e Alexandro e Ramon, Cachoeira de Nossa Senhora Aparecida. 
Acima: Visitas de moto, e
Abaixo: Celebração da Palavra em Itapicurú

Pe. Luiz Roberto, CM – Diretor do Seminário Interno, presidiu Novena de Nossa Senhora do Rosário, visitou e celebrou em várias comunidades da Paróquia, ainda que tivesse como referência o Distrito de Tocoiós – comunidade quilombola, onde visitou especialmente os idosos e enfermos e presidiu uma animada missa sertaneja no dia 22 de julho na capela local dedicada a Nossa Senhora Aparecida.
Acima: Pe. Luiz reunido com jovens em Tocoiós
Abaixo: Pe. Vander preside reunião com os missionários em Francisco Badaró

Acima: Visita às famílias em Santo Antônio do Menino Jesus
Abaixo: Visita à Horta em Água Limpa

Também, o estudante de Teologia, Ezequiel Oliveira, CM, esteve realizando um trabalho semelhante, nesse mesmo período, nas comunidades: Ribeirão da Onça, Bordão (Tronco), Ponte Setubal e São João de Cima; com quem tivemos a grata satisfação de partilhar momentos fraternos no decorrer da missão.
Acima: Equipe missionária em Santo Antônio do Menino Jesus
Abaixo: Visita à Diamantina no retorno à BH

A experiência missionária apesar de desafiante foi revigoradora. O povo empobrecido, mesmo enfrentando os limites imputados pela estiagem, não perde a esperança em Deus que lhe dá forças para acreditar no advento de dias melhores. Foi gratificante poder vivenciar essa bonita missão que revigorizou ainda mais a minha vocação de missionário vicentino. Só tenho a agradecer a Província Brasileira da Congregação da Missão, a Paróquia e as Comunidades pela oportunidade de ter passado esse mês junto ao povo badaroense. Que Jesus Maria e São Vicente continue abençoando, protegendo e velando pelos Missionários Vicentinos ali destinados, por cada uma das pessoas visitadas e de todos que fizeram possível esse estágio missionário acontecer.
Do lado: Ponte sobre o rio Setubal
Acima e abaixo: Visita domiciliar e Capela do Divino em Água Limpa 

Acima: Única criança da Comunidade em Mocó
Abaixo: Virgem do Rosário em Badaró
Do lado: Remando sobre o rio Araçuaí 

Mensagem de agradecimento aos missionários:
"Nossos agradecimentos a Deus e a Virgem Maria, e com muito carinho e de modo especial aos nossos missionários (Michel e Cleber), que com tanto ânimo vieram nos visitar, trazendo a Palavra de Deus reforçando muito mais a nossa fé cristã. Somos privilegiados em receber vocês aqui, em nossa comunidade, para nos alegrar e reforçar nossos laços de amizade nos encontros e nas orações. Que Deus e Virgem Maria abençoe vocês sempre, que sigam semeando a Palavra de Deus por andar, que sejam guiados pelo Espírito Santo em seus caminhos. 
O nosso muito obrigado e um carinhoso abraço de toda a comunidade de Água Limpa".    

Flashes de momentos missionários em Itapicuru, Água Limpa e Badaró