segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Missão do Japão: 08/02/2026: 5º Domingo Tempo Comum | ANO A (Mt 5,13-16) Homilia

 




Com alegria, vamos deixar a Palavra iluminar este 5º Domingo do Tempo Comum, tão concreto, tão pé no chão, tão desafiador para a vida de hoje.

 

“Vós sois o sal da terra… vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13-16)

As leituras deste domingo formam um verdadeiro itinerário do testemunho cristão.

O profeta Isaías é direto e quase desconcertante: não adianta uma fé feita só de ritos e palavras bonitas. O jejum que agrada a Deus é partilhar o pão com quem tem fome, acolher o pobre, vestir o nu, não virar o rosto ao irmão. E então vem a promessa: “tua luz surgirá como a aurora” (Is 58,8).


 A luz nasce quando a fé se transforma em gesto.

São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, reforça essa lógica. Ele diz que não anunciou o Evangelho com discursos sofisticados, mas com simplicidade, fraqueza e confiança no poder de Deus. A fé não se sustenta na eloquência humana, mas na coerência de vida. Em outras palavras: o Evangelho convence mais pelo que se vive do que pelo que se fala.

E Jesus, no Evangelho, sela tudo isso com imagens fortíssimas: sal e luz.
O sal não faz barulho, mas dá sabor. A luz não chama atenção para si, mas permite que os outros vejam melhor. Jesus não diz: “vocês deveriam ser”, mas “vocês são”. É identidade, é missão.

 

Um eco vicentino para os nossos dias

São Vicente de Paulo, com sua lucidez pastoral, aprofunda exatamente essa intuição do Evangelho. Ao aconselhar o jovem padre Antônio Durand, ele escreve:

“Cumpre que sejais como o sal, vós sois o sal da terra, impedindo que a corrupção se propague sobre o rebanho do qual sereis o pastor.”
(SV BR XI, 357)

E mais: Vicente compara o testemunho do líder cristão ao sol, que ilumina e aquece não porque se impõe, mas porque está cheio de luz, de graça e de boas obras.

Isso vale para padres, religiosos, lideranças… mas vale também para pais e mães, jovens, profissionais, agentes de pastoral, cristãos comuns no meio do mundo. Onde há descuido, frieza, injustiça, indiferença, o discípulo de Jesus é chamado a ser presença que purifica, ilumina e reconcilia.

 

Aplicando à nossa vida hoje

Ser sal e luz hoje não significa fazer coisas extraordinárias, mas viver o ordinário com amor e responsabilidade:

Ser sal na família, quando escolho o diálogo em vez da agressividade.

Ser luz no trabalho, quando ajo com honestidade mesmo quando ninguém está olhando.

Ser sal na comunidade, quando não deixo que fofocas, divisões ou desânimo contaminem as relações.

Ser luz na sociedade, quando me coloco ao lado dos mais frágeis e não me acostumo com a injustiça.

Como dizia São Vicente, é preciso estar cheio para poder transbordar. Ninguém ilumina se vive na escuridão; ninguém conserva se perdeu o sabor do Evangelho.

 

Compromisso para a semana

À luz da Palavra e do carisma vicentino, façamos nossos estes compromissos:

🙏🏼 Perguntar-nos com sinceridade:

De que maneira posso ser sal e luz para os outros na minha família, na minha comunidade, no meu trabalho?

Que atitudes concretas o Senhor me pede hoje?

 

 Assumir um gesto concreto:

“Estar presente” onde for necessário sal e luz: nas relações humanas que estão prestes a se corromper, nos ambientes marcados pelo conflito, na vida de alguém que precisa de escuta, cuidado e esperança.

Que o Senhor nos conceda a graça de não esconder a luz que Ele acendeu em nós e de nunca perder o sabor do Evangelho.
Assim, nossas obras falarão de Deus — e Ele será glorificado.