[A Sagrada Família – Guardiã da Esperança no Encerramento do Jubileu]
Festa da Sagrada Família (Eclo 3,3-7.14-17a; Cl 3,12-21; Mt 2,13-15.19-23)
Meus irmãos e minhas irmãs, nesta oitava de Natal, a liturgia nos convida a entrar na casa de Nazaré. Ao encerrarmos este Ano Jubilar de 2025, sob o tema "Peregrinos da Esperança", olhar para a Sagrada Família não é apenas um exercício de devoção, mas um chamado a renovar as bases da nossa sociedade e da nossa fé.
1. O Jubileu que se Encerra: Frutos de Esperança
O Ano Santo de 2025 foi um tempo de graça, de perdão e de reconciliação. Ao cruzarmos as Portas Santas, buscamos a renovação espiritual. Agora, ao fecharmos este ciclo, a Igreja nos apresenta a Sagrada Família como o modelo de onde a esperança deve brotar e frutificar. O Jubileu não termina hoje; ele deve continuar vivo dentro de nossos lares. Se fomos "Peregrinos da Esperança" nas catedrais e santuários, agora somos chamados a ser "Missionários da Ternura" em nossas casas.
2. A Sabedoria do Cuidado (Eclo 3 e Cl 3)
A Primeira Leitura, de Ben Sirac, lembra-nos de que a religião começa no respeito aos pais. "Quem honra seu pai terá alegria em seus filhos". Em um mundo cada vez mais digital e, por vezes, isolado, a Palavra de Deus nos chama ao concreto: cuidar dos idosos, honrar quem nos deu a vida, exercitar a paciência quando as forças deles diminuírem.
São Paulo, na carta aos Colossenses, dá-nos a "receita" para que a paz de Cristo reine em nossa casa: "Revesti-vos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão e de paciência". No encerramento deste Ano Jubilar, estas virtudes são as nossas verdadeiras indulgências. Revestir-se de Cristo significa tratar o esposo, a esposa e os filhos com a mesma ternura que Deus teve por nós ao se fazer Menino.
3. A Família em Fuga: A Fé nas Adversidades (Mt 2)
O Evangelho de Mateus nos mostra que a Sagrada Família não viveu "em uma redoma". Eles foram refugiados, sentiram o medo da perseguição de Herodes e a dureza do exílio no Egito. A santidade de José e Maria não consistiu na ausência de problemas, mas na obediência fiel a Deus em meio às tempestades.
Hoje, muitas famílias vivem seus próprios "Egitos": a insegurança financeira, a desunião, o luto ou as ideologias que tentam desconstruir o valor do lar. A ação de José—levantar-se de noite e proteger a vida—é o chamado para cada pai e mãe de hoje: proteger a santidade da vida e a pureza do amor familiar contra os "Herodes" modernos.
4. O Valor da Família: Uma História de Raízes e Asas
Para compreendermos o valor da família nos dias de hoje, partilho com vocês esta história:
Um jovem arquiteto, orgulhoso de suas construções modernas, decidiu visitar o vilarejo onde seu avô, um antigo mestre de obras, ainda vivia. O jovem mostrou fotos de arranha-céus imponentes e disse: "Vovô, o mundo mudou. Hoje as pessoas querem independência, prédios que tocam o céu, onde cada um vive no seu espaço sem depender de ninguém."
O avô, em silêncio, levou o neto até o quintal e apontou para uma enorme mangueira centenária. "Veja esta árvore", disse o velho. "Muitas tempestades passaram por aqui. Houve anos de seca e anos de ventos furiosos que derrubaram muitas casas novas no vilarejo. Mas esta árvore permanece. Sabe por quê?"
O jovem respondeu: "Porque o tronco é grosso?" E o avô explicou: "Não é apenas o tronco. É porque, debaixo da terra, as raízes desta árvore se entrelaçaram com as raízes das outras árvores ao redor. Quando o vento bate em uma, as outras a seguram pelo chão. No mundo de hoje, o sucesso e a tecnologia dão 'asas' às pessoas, mas só a família dá 'raízes'. Sem as asas, o homem não sai do lugar; mas sem as raízes da família, qualquer vento de crise o derruba para sempre. O valor da família hoje não é prender ninguém, mas ser a rede invisível de raízes que não nos deixa cair quando o mundo lá fora tenta nos arrancar do chão."
Conclusão
Ao encerrarmos este Jubileu de 2025, peçamos à Sagrada Família que: a) cada casa seja um "Santuário da Esperança", b) as portas de nossos lares nunca se fechem para a caridade e c) a exemplo de Jesus, Maria e José, saibamos que o maior tesouro que possuímos não é o que acumulamos, mas quem caminha ao nosso lado.
Sagrada Família de Nazaré, nossa família vossa é! Amém
Os caminhos de Deus sempre
surpreendem, pois, Seus planos são sempre melhores que os nossos. Assim foram
minhas férias na América: inauditas, fraternas e cheias de aprendizado.
Gratidão é a palavra, uma vez
que esse foi o sentimento que me preencheu ao participar, no dia 22/11/2025, da
Celebração dos 10 Anos do Escritório Internacional da Família Vicentina em
Filadélfia-PA, Estados Unidos.
[Padres Gervais, Ferdinand, Campuzano e eu na sessão do conselho sobre a ONU]
O dia começou cedo, quando,
com os Padres Gervais Kouam Ferdinand Labitag,
partimos do Queens para Philly, como é comumente conhecida a Cidade do Amor
Fraternal (The City of Brotherly Love) - apelido cívico e formal, vindo da
etimologia grega, onde phílos significa "amor" e adelphós
significa "irmão". Filadélfia também é conhecida como "O Berço
da Liberdade" (The Cradle of Liberty) e "O Local de Nascimento da
América" (The Birthplace of America), devido ao seu papel histórico na
independência dos EUA, cuja declaração de Independência, proclamada em 4 de
julho de 1776, durante o Segundo Congresso Continental, marcou o
"nascimento" da nova nação, libertando assim as 13 colônias que se
tornaram os primeiros estados da nação americana.
[Celebração dos 10 anos do Escritório da FV]
Ali chegando, fomos recebidos
pelo Pe. Astor Rodriguez, que fez as honras da casa. Depois do café, o
anfitrião, Pe. Joseph Agostino, conduziu-nos à sala onde estava reunido o
Conselho Executivo da Família Vicentina. Momento em que nos integramos às atividades
do dia:
Sessão especial com o Conselho
Executivo da Família Vicentina, com exposição sobre o trabalho da Família
Vicentina na Organização das Nações Unidas;
Inauguração do novo Museu
Mariano da Associação Central da Medalha Milagrosa coordenado por Mary Jo
Timlin Hoag, com bênção especial do Pe. Tomaž Mavrič, CM;
Celebração dos 10 anos de
fundação do escritório internacional da Família Vicentina em Filadélfia-PA,
pela tarde, organizado em dois momentos:
Partilha & Diálogo: com
música, espiritualidade, arte, convivência, fraternidade e alegria.
Solenidade Eucarística na
Festa de Cristo Rei, que tive o prazer de concelebrar com os demais coirmãos
presentes, junto ao Pe. Joseph Agostino, CM, que a presidiu. Na celebração, o
Superior Geral, Pe. Tomaž Mavrič, CM, agradeceu ao Pe. Joseph, pelos 10 anos de
dedicação à frente do escritório internacional da FV, como diretor, e nomeou a
Ir. Ellen Hagar, FC, para substituí-lo no cargo.
As atividades dessa memorável
data foram encerradas com um jantar oferecido no Centro da Associação da
Medalha Milagrosa, com uma exposição de artes visuais das crianças e jovens de
escolas vicentinas locais.
[Inauguração do Museo Mariano com a presença da Mary da AMM e dos Padres Tomaz e Stephen]
Neste dia, tive a alegria de
rever pessoas da JMV, caras ao meu coração como Yasmine Cajustes e Claire Balo,
e conhecer outras como os seminaristas CM, com destaque especial para Saúl
Enmanuel, com quem tive o prazer de trabalhar, online, em 2024, na criação de
material vocacional para a Família Vicentina.
[Encontro com amigos Yasmine, Claire e Saúl]
Além de Filadélfia, tive a
alegria de viver 12 dias de minhas férias em Nova Iorque (New York City – NYC),
a cidade mais populosa dos Estados Unidos e um dos principais centros urbanos
do mundo, exercendo enorme influência global nos campos do comércio, finanças,
diplomacia, cultura, mídia, arte, tecnologia, educação e entretenimento.
Localizada no estado de Nova Iorque e composta por cinco condados — Bronx,
Brooklyn, Manhattan, Queens e Staten Island —, a cidade abriga mais de 8,8
milhões de habitantes em uma área relativamente pequena, sendo uma das mais
densamente povoadas do país e a cidade com maior diversidade linguística do
planeta. Fundada em 1624 como Nova Amsterdã, passou ao domínio britânico em
1664 e teve papel central na história dos Estados Unidos, inclusive como
capital entre 1785 e 1790. Considerada a capital cultural do mundo, Nova Iorque
é também um dos maiores centros financeiros globais, com Wall Street e a Bolsa
de Valores de Nova Iorque, além de destino turísticos singular, recebendo cerca
de 50 milhões de visitantes por ano e concentrando algumas das universidades
mais prestigiadas do mundo.
[Dom Paul e fieis na Festa de Nossa Senhora da Providencia na Paróquia São João Batista]
Em Nova Iorque, reza-se missa
em mais de 20 idiomas. No tempo em que estive ali, hospedado em Brooklyn,
frequentei a Paróquia São João Batista e Nossa Senhora do Bom Conselho (Obra da
Congregação da Missão de 1868 a 2025), participando de missas, em espanhol e
inglês, e de outras atividades pastorais com os imigrantes hispanofalantes.
Gratidão ao diácono Carlos García, que organizou minha acolhida e despedida.
Além dos fiéis que ali serviam ou frequentavam - pessoas acolhedoras e de um
coração imenso, tive a alegria de conviver com Dom Paul Sanchez, o pároco, um
homem bom, sério, e de riso fácil – gostava de vê-lo sorrir.
[Fiéis na Igreja São João Batista partilham sobre liturgia e da Igreja N. Sra. Bom Conselho celebram o Santo Sacrifício]
Por intermédio do Pe. Joseph
Agostino, estive, por três dias, na Universidade de São João (St. John’s
University), acolhido na comunidade dos coirmãos que servem no local,
especialmente pelos padres Aidan Rooney e Patrick Griffin. Visitei todo o
campus principal, localizado no Queens (NY), e me surpreendi pela grandiosidade
da obra e o modo como os missionários vicentinos conduzem os trabalhos, com
responsabilidade, ousadia e presença ativa.
[Detalhes da Capela da Universidade de São João]
St. John’s é uma universidade
privada católica fundada em 1870 pelos coirmãos da Congregação da Missão.
Inicialmente, a Universidade estava localizada no Brooklyn. Em 1950, mudou-se
para o Queens. Atualmente, a St. John's University também conta com outros
campi: Manhattan, Roma (Itália), Paris (França) e Limerick (Irlanda). Está
organizada em cinco faculdades de graduação e seis faculdades de pós-graduação,
oferecendo mais de 100 programas de bacharelado, mestrado e doutorado, bem como
certificados profissionais, com 21 mil estudantes, e com corpo discente de 120
países. Em 2020, os ex-alunos da St. John's totalizavam mais de 190.000 em todo
o mundo.
[Campi da Universidade de São João no Queens]
Tudo impressiona no local, mas
destaco a capela da universidade, dedicada a São Tomás Moro, que foi um
eminente filósofo, estadista, diplomata, escritor, advogado e humanista inglês,
figura de destaque no Renascimento europeu e considerado exemplo de fidelidade
à consciência e à fé cristã. Tudo ali vivido, rezado e celebrado nutre o que
acontece nas salas de aula, laboratórios, campos esportivos, em todo o campus,
preparando alunos para seguirem em frente com amor e serviço. A capela é
moderna e seu adro é ornado de arte vicentina, que conta a história de São
Vicente de Paulo e da Universidade. No interior, além das imagens, via sacras,
santíssimo, etc., chama-nos a atenção o altar que se encontra no centro da
estrutura octogonal e um monumento em homenagem às vítimas do 11 de setembro.
Mais de 75 ex-alunos da universidade morreram no atentado às Torres Gêmeas do
World Trade Center.
Ainda no Queens, contatei o
seminarista Armando Torres e visitei o seminário que funciona na casa da
Medalha Milagrosa. Ali pude encontrar e confraternizar com Pe. Luis Romero e os
seminaristas residentes.
[Fraternidade com os seminaristas]
Sem querer parecer redundante,
Nova Iorque tem seus encantos. E como tem! Dos cinco distritos que formam a
cidade, apenas não estive no Bronx. Fiquei hospedado na casa paroquial no
Brooklyn; fins de semana, com Dom Sanchez, fiz novos amigos na Paróquia Nossa
Senhora Rainha dos Mártires no Queens; coincidi com o Pe. Rogelio II Cardenas na
paróquia do Sagrado Coração de Jesus e Santuário de Schoenstatt em Staten Island, e experimentei a aventura de desbravar
a “selva de pedra” ou o miolo da Big Apple: Manhattan, sozinho ou na companhia
do meu amigo, Jinmer Romero.
[Pe. Rogelio em Staten Island]
Santuário de Santa Isabel Ana
Bayley Seton - igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída em 1964. Local
onde Isabel viveu com o marido William e seus filhos nos anos que antecederam
sua conversão ao catolicismo - situada na elegante extremidade sul da rua
State, com vista para o porto de Nova Iorque, um local marcado pela história
colonial e pós-revolucionária; embora a missão não tenha ligação direta com a
santa, expressa seu espírito de caridade, tendo ajudado, desde 1883, mais de
100 mil jovens irlandesas a encontrar abrigo, trabalho e reencontro familiar.
Ao lado, o edifício nº 7 da rua State, hoje reitoria do santuário, construído
em 1793, é um dos mais antigos de Manhattan e o único remanescente das grandes
mansões da época, destacando-se por sua fachada georgiana tardia, janelas ovais
e elegante pórtico que, segundo a tradição, teria sido feito a partir de
mastros de navios.
[Jinmer e eu desbravando Manhantah]
Passamos pela Igreja de São
Pedro com seis colunas jônicas. Chamou-me a atenção as igrejas góticas
anglicanas: Trindade e sua capela: São Paulo, no centro de Manhattan, rodeadas
de charmosos cemitérios. Ambas funcionam como um centro de apoio comunitário,
especialmente após o 11 de setembro, quando serviram como abrigo e local de
descanso para socorristas. Também visitamos a Catedral Católica de São
Patrício, uma impressionante catedral neogótica na 5ª Avenida, um marco
arquitetônico e religioso no coração de Manhattan, conhecida por seus vitrais,
esculturas e o grande órgão, sendo um local de missas, visitas turísticas e
eventos importantes, recebendo visitas papais e servindo de cenário para
filmes. Alegrou-me ver que uma de suas capelas laterais é dedicada à família
Vicentina, trazendo ao centro a imagem de Santa Isabel Seton, Santa Luísa de
Marillac à direita e São Vicente de Paulo à esquerda. A novidade na catedral
são pinturas vibrantes na entrada, onde cenas do cotidiano se misturam com
figuras de santos importantes para o país, como Madre Cabrini (Santa Francisca
Xavier Cabrini).
[Altar dedicado a Família Vicentina na Catedral São Patrício]
Nova York, como toda grande
capital, tem suas ruas indícios de uma verdadeira Babel, ouve-se uma
diversidade de línguas, dentre elas, o português brasileiro. Foi surpreendente
deparar-me com a “Little Brazil” ou "Rua do Brasil" na 46th Street (entre
a 5ª e 6ª Avenida) em Manhattan, que já teve mais expressão nas décadas de 80 e
90, com muitos negócios brasileiros, mas hoje restam poucas lojas. O maior
evento no local é o Brazilian Day (Festival do Dia do Brasil), celebrado no
domingo precedente do Labor Day (dia do trabalho, que em NY ocorre na primeira
segunda-feira de setembro).
[Natal em Manhantah]
Comparações à parte, mas ir a
Nova Iorque e não visitar a Estátua da Liberdade é como ir ao Rio de Janeiro e
não visitar o Cristo Redentor. No sábado, 15 de novembro, tomamos um
minicruzeiro e navegamos até a Ilha da Liberdade, onde visitamos a estátua e o
museu. O nome oficial da Estátua é "A Liberdade Iluminando o Mundo".
Uma colossal escultura neoclássica de cobre, sendo um presente da França aos
EUA para celebrar a amizade e o centenário da independência americana,
simbolizando liberdade, democracia e boas-vindas aos imigrantes, com a figura
feminina segurando uma tocha e uma tábua com a data de independência dos EUA
(04/07/1776). Na volta, desembarcamos na Ilha Ellis e visitamos o Museu
Nacional da Imigração, que apresenta a história da imigração americana, desde
os primeiros povos até as ondas migratórias mais recentes, com artefatos, fotos
e vídeos.
[Museu Nacional da Imigração na Ilha Ellis]
Manhattan oferece uma
diversidade de lugares que pudemos visitar, desde o Touro de Wall Street, que
representa omercado financeiro pujante,
passando pela Broadway, Times Square, os arranha-céus famosos com mirantes
(Edge e Vessel) ou complexos comerciais como o Rockfeller, com o seu centenário
teatro Radio City (Musical Rockettes 100 anos), feirinhas de natal, a Macy's ou
as big techs... até o Central Park, um verdadeiro oásis florestal dentro da
cidade, lugar onde as pessoas podem diminuir o ritmo frenético de Nova Iorque.
Se Babilônia tinha seus jardins suspensos, Nova Iorque também.
[Visita ao Parque da Little Island e o Edifício Vessel - Hudson Yards]
Impossível passar despercebido
o complexo do World Trade Center, com o 1WTC, também conhecido como Freedom
Tower, com 541 metros - o edifício mais alto de Nova Iorque; o Oculus,
projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava e inaugurado em 2016, onde
funciona um shopping e estação de metrô e trem; e o Memorial e Museu Nacional
do 11 de setembro, localizado no local das antigas Torres Gêmeas, com duas
grandes piscinas com cascatas nos exatos locais das torres, cujos nomes das
vítimas estão gravados nos painéis ao redor, simbolizando vida e memória. É um
local de reflexão, paz e esperança, com a Árvore da Sobrevivência e o Museu no
subsolo, preservando destroços e histórias, homenageando as quase 3.000 pessoas
mortas nos ataques de 2001, de mais de 90 nacionalidades, dentre eles cinco
brasileiros, oficialmente reconhecidos três: Anne Marie Sallerin Ferreira (SP),
de 29 anos, Sandra Fajardo Smith, de 37 (MG), e Ivan Kyrillos Fairbanks Barbosa
(SP), de 30.
[Complexo do World Trade Center]
A sede da Organização das
Nações Unidas (ONU) tem lugar em Nova Iorque e uma visita ao local pareceu-me
apropriado, primeiro porque a Família Vicentina atua ali, representando
atualmente a CM o Pe. Labitag, que defende a Agenda 2030, item 11.1, onde estabelece
que, até 2030, todas as pessoas devem ter acesso a moradia adequada, segura e
acessível, bem como a serviços básicos, e as favelas devem ser revitalizadas. (Ver site oficial da CM na ONU). Além disso, o Brasil tem um lugar especial na ONU, já seja colaborando com suas
missões de paz, discursando sempre primeiro em suas assembleias gerais e na
doação dos dois monumentais painéis "Guerra e Paz", obras-primas do
pintor brasileiro Cândido Portinari, expostos na sede da ONU desde 1957,
destacando mensagens de não-violência, justiça social e fraternidade. Essas
obras icônicas, consideradas patrimônio cultural, são um símbolo da diplomacia
e do compromisso brasileiro com os ideais de paz e solidariedade, com planos de
exposições futuras em outros países.
[Salão de Assembleias da ONU]
Conhecer Nova Iorque foi um
presente de valor inestimável. Não apenas pela cidade em si, mas pelas muitas
pessoas que tive a alegria de encontrar, conviver e partilhar a vida. Gratidão
a Deus por tudo e a Família Vicentina. Em nome de nosso provincial, o Pe.
Vandeir Barbosa, e do Pe. Flávio Pereira, agradeço a todas as pessoas que
fizeram possível a realização desse sonho. Deus abençoe a todos!
Estamos às portas do Natal. No Japão, o cenário ao
nosso redor é de luzes brilhantes e correrias comerciais, mas aqui, nesta
liturgia, o convite é para o silêncio do coração,
aquele mesmo silêncio de São José que ouvimos no Evangelho.
As leituras de hoje nos apresentam um contraste e
uma promessa que tocam profundamente a nossa vida de imigrantes.
1. O Sinal que não pedimos, mas que precisamos (Is
7,10-14)
Na primeira leitura, o Rei Acaz está apavorado. Ele
enfrenta uma crise política e militar. Deus lhe oferece um sinal, mas Acaz,
numa falsa humildade, recusa. Muitas vezes, nós também, no meio do cansaço das
fábricas (zangyo), das preocupações com o visto ou com a educação
dos filhos aqui no Japão, deixamos de pedir sinais a Deus por medo ou por
acharmos que Ele está longe demais.
Mas Deus insiste: "A virgem conceberá e dará
à luz um filho, e o chamará pelo nome de Emanuel". Emanuel significa "Deus conosco". Para nós,
brasileiros no Japão, essa é a maior verdade: Deus não ficou no Brasil. Ele
atravessou o oceano conosco. Ele está no konbini, na linha de
produção e dentro dos nossos lares decasséguis.
2. A Coragem de José: O "Sim" no Silêncio
(Mt 1,18-24)
O Evangelho nos apresenta a figura de São José.
Imagine o drama deste homem: ele ama Maria, mas não entende o que está
acontecendo. Ele decide abandoná-la em segredo para não a expor. José é um
homem justo.
No entanto, o anjo aparece a ele em sonho e diz: "Não tenhas medo".
O medo de José: O que os outros vão
pensar? Como vou sustentar essa família?
O nosso medo: Como será o meu futuro
neste país? Como será minha velhice?
José acorda e faz o que o anjo mandou. Ele não diz
uma única palavra nas Escrituras, mas seu fazer fala mais alto
que qualquer discurso. Como muitos de vocês, que silenciosamente se sacrificam
todos os dias para dar uma vida melhor aos que amam, José nos ensina que a
santidade passa pela responsabilidade e pela proteção da vida.
3. Chamados a ser "Santos" no Japão (Rm
1,1-7)
São Paulo, na carta aos Romanos, nos lembra que
somos "chamados a ser santos". Ser cristão
brasileiro no Japão é uma missão. Não estamos aqui por acaso ou apenas pelo
dinheiro. Nossa alegria, nossa forma de acolher e nossa fé vibrante são sinais
de Deus para esta terra que muitas vezes sofre com a solidão e o vazio
espiritual.
Mensagem de Esperança para a Comunidade
Irmãos, o Natal que se aproxima não é apenas uma
recordação histórica. É a certeza de que o Emanuel habita entre
nós.
Se
você se sente sozinho neste Natal, lembre-se: Ele é o Deus Conosco.
Se
você está cansado da rotina exaustiva, lembre-se: Ele se fez carne para caminhar ao seu lado.
Se
você está preocupado com sua família, peça a intercessão de São José, o guardião do Redentor.
Que neste final de Advento, possamos "acordar
do sono" como José, e acolher Jesus com a mesma coragem. Que o brilho das
luzes de Natal no Japão nos lembre da verdadeira Luz que nenhuma distância ou
cultura pode apagar.
Irmãos e irmãs, hoje a
Igreja nos convida a fazer uma pausa no caminho do Advento para alegrar-nos.
O nome deste domingo, Gaudete, significa justamente isso:
“Alegrai-vos!”. Não é uma alegria superficial ou passageira, mas aquela que
nasce da certeza de que o Senhor está perto.
O profeta Isaías anuncia
essa alegria com imagens belíssimas: o deserto que floresce, os cegos que veem,
os surdos que ouvem, os coxos que saltam de alegria. Onde antes havia dor e
esterilidade, Deus faz brotar vida. A alegria verdadeira sempre tem esse sabor
de restauração.
São Tiago, na segunda
leitura, nos convida à paciência e à perseverança. A alegria cristã não
elimina a espera, mas dá sentido a ela. Quem espera no Senhor não cruza os
braços: sustenta o coração firme, confiante de que Deus age no tempo certo.
À luz dessas leituras, o
Evangelho nos ajuda a compreender o caminho da alegria, apresentado em
três momentos.
1. A
pergunta dos discípulos de João
João Batista, agora na
prisão, envia seus discípulos a Jesus com uma pergunta direta e humana: “És
tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?”
Mesmo o grande profeta experimenta a dúvida. Isso nos consola: a fé não nos
isenta das perguntas. No Advento, muitos também se perguntam: Onde está Deus
no meio das dores, das prisões, das incertezas da vida? A alegria cristã
não nasce da ausência de dúvidas, mas da coragem de levá-las a Jesus.
2. A
resposta de Jesus
Jesus não responde com um
discurso teórico. Ele aponta para os sinais: “Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os pobres são
evangelizados.” Ou seja, o Reino de Deus está acontecendo. A resposta de
Jesus é concreta, feita de gestos de vida, cura e esperança. Como recorda o
Papa Francisco na Evangelii Gaudium: “A alegria do Evangelho enche o
coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus.”
Onde Jesus passa, algo muda. A verdadeira alegria nasce do encontro com Ele,
especialmente quando vemos o bem acontecendo.
3. O
testemunho de João Batista
Por fim, Jesus fala de João
ao povo. Ele não diminui João por sua dúvida; ao contrário, exalta sua missão. O
maior dos filhos de Mulher, porém o menor no reino dos céus é maior que João. João
não é o Messias, mas é o testemunho fiel, aquele que aponta o caminho. A
alegria cristã amadurece quando compreendemos que não somos o centro, mas servidores
do Reino. João se alegra por preparar o caminho do Senhor, mesmo sem ver
tudo concluído.
Queridos irmãos e irmãs,
para concluir, recordo uma pequena história.
Conta-se que dois peregrinos caminhavam por uma estrada longa e difícil. Um
deles reclamava do cansaço, das pedras e do sol forte. O outro, embora sentisse
as mesmas dores, caminhava cantando. Intrigado, o primeiro perguntou: “Por que
você consegue caminhar com alegria?” O outro respondeu: “Porque não caminho
sozinho. Sei quem está comigo e para onde estou indo.”
Assim é a alegria do
Advento. Caminhamos com Jesus. Não porque tudo seja fácil, mas porque
Ele está presente. Neste domingo Gaudete, peçamos a graça de redescobrir
essa alegria serena, que nasce da esperança, da paciência e do encontro com
Cristo que vem.
Hoje a Igreja celebra uma festa muito
especial, que talvez à primeira vista pareça distante de nós: a Dedicação da
Basílica de São João de Latrão, em Roma. Mas esta festa, na verdade, fala
de nossa própria fé, da nossa comunhão com toda a Igreja e da presença de
Deus em meio ao seu povo.
1. O
significado da Basílica do Latrão
A Basílica de São João de Latrão é a catedral
do Papa, o bispo de Roma, e, portanto, a igreja-mãe de todas as
igrejas do mundo.
Foi construída no início do século IV, quando o imperador Constantino
concedeu liberdade aos cristãos para viverem sua fé publicamente. Até então, os
cristãos celebravam escondidos, em casas e catacumbas.
Constantino doou à Igreja um terreno da
família Laterani, e ali se ergueu a primeira basílica cristã oficial, dedicada
ao Santíssimo Salvador. Mais tarde, foram acrescentadas as devoções a São
João Batista e São João Evangelista, daí o nome Basílica de São
João de Latrão.
Durante séculos, ela foi residência dos
papas, local de grandes concílios e sinal visível da unidade da
Igreja. Por isso, celebramos hoje não apenas um edifício, mas a
comunhão viva entre todas as igrejas e comunidades cristãs do mundo, unidas
ao sucessor de Pedro.
2. O templo
que dá vida – como na visão de Ezequiel
A primeira leitura (Ez 47,1-2.8-9.12)
nos apresenta uma imagem belíssima:
do lado direito do templo de Jerusalém brota uma fonte de água que corre
e faz viver tudo por onde passa — até o mar morto se torna fecundo!
Essa água é símbolo da graça de Deus,
que jorra de Cristo, o novo templo.
Dele nasce a vida que transforma o deserto em jardim, a morte em esperança.
Hoje, essa água também brota do templo
espiritual da Igreja, que somos todos nós.
Cada paróquia, cada comunidade, cada coração fiel é chamado a ser canal
dessa água viva, que purifica, consola e renova.
Zelar pela Casa de Deus, portanto, é cuidar
para que a graça continue fluindo, para que estejamos sempre abertos à ação
do Espírito e sejamos fontes de vida para o mundo.
3. “O zelo
por tua casa me consumirá” – o templo purificado por Jesus
No Evangelho (Jo 2,13-22), Jesus sobe a
Jerusalém e encontra o templo transformado em mercado.
Tomado por um zelo ardente pela casa do Pai, Ele expulsa os vendedores e
diz: “Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!”
O gesto de Jesus não é apenas um ato de
correção moral, mas um sinal profético: o verdadeiro templo não será
mais de pedra, mas o seu próprio corpo, entregue por amor na cruz.
A partir da morte e ressurreição de Cristo, nós
nos tornamos o templo onde Deus habita. Por isso, São Paulo nos recorda na
segunda leitura: “Vós sois o templo de Deus, e o Espírito de Deus habita em vós.”
Zelar pela casa de Deus é, antes de tudo, zelar
pelo nosso coração, mantendo-o puro, limpo de todo egoísmo, de toda
ganância, de tudo o que impede a presença do Senhor.
4. Como os
fiéis podem zelar pela Casa de Deus
Celebrar esta festa é renovar nosso
compromisso de cuidar, com amor, da Igreja que é de pedra e da Igreja
viva que somos nós:
Zelar pela Igreja-edifício:
cuidar com reverência do templo onde celebramos;
respeitar o espaço sagrado, a liturgia e os momentos de oração;
participar ativamente da vida paroquial, com gratidão e
colaboração.
Zelar pela Igreja-povo:
cultivar a comunhão e o perdão;
ser presença fraterna, solidária, servidora;
viver de modo que o Evangelho se torne visível em nossas atitudes.
Zelar pelo templo do coração:
buscar a confissão e a oração;
afastar tudo o que suja a alma;
permitir que o Espírito Santo faça morada em nós.
5.
Conclusão
A festa da Dedicação da Basílica de Latrão nos
convida, portanto, a agradecer a Deus pelo dom da Igreja, por termos uma
casa de oração onde podemos celebrar e nos encontrar com Ele.
Mas nos chama também a sermos templos vivos, luminosos e acolhedores,
por onde passa a água viva do amor de Cristo.
Que o zelo do Coração de Jesus também
nos consuma — não de raiva ou impaciência, mas de amor apaixonado por Deus e
pela sua casa.
E que cada um de nós possa dizer: “Senhor, fazei do meu coração uma morada
pura para o vosso Espírito.”
Oração final:
Senhor Jesus, templo verdadeiro do Pai, purificai o nosso coração de tudo o que
o afasta de vós.
Fazei-nos servidores fiéis da vossa Igreja, cuidando com amor de vossa casa e
construindo, com nossa vida, um templo espiritual onde reine a paz, a comunhão
e o amor.
Amém.
Hoje, neste Dia de Finados, somos convidados a olhar para o mistério da vida e da morte à luz da fé. Não celebramos a morte, mas proclamamos a vitória da vida! Não recordamos o fim, mas o cumprimento de uma promessa: “Eu sei que o meu Redentor está vivo, e que por fim se levantará sobre o pó” (Jó 19,25). Estas palavras de Jó, pronunciadas em meio à dor, são um hino de esperança. Mesmo sem compreender o sofrimento, ele crê: há um Redentor, há um Deus que não abandona, há uma vida que não termina com a sepultura.
O apóstolo Paulo, na segunda leitura, confirma essa certeza: Cristo ressuscitou! Ele é o primeiro dentre os que morreram, o primogênito dos que dormem. A ressurreição de Jesus é o coração da nossa fé. Sem ela, tudo o que fazemos seria em vão. Mas porque Ele vive, também nós viveremos. E mais: viveremos Nele, com Ele e por Ele. “Quando tudo lhe for submetido, então o próprio Filho se submeterá Àquele que lhe submeteu tudo, para que Deus seja tudo em todos” (1Cor 15,28). Essa é a nossa meta: deixar que tudo em nós esteja centrado em Cristo, o Senhor da vida.
O Evangelho de hoje (Lc 12,35-40) nos convida a vigiar, a manter acesas as lâmpadas do coração, a viver preparados para o encontro com o Senhor. “Felizes os empregados que o Senhor encontrar acordados quando chegar!” (v.37). A morte, para quem vive na vigilância da fé, não é o fim, mas o encontro com o Amado. Viver centrado em Cristo é viver de modo que cada dia se torne uma preparação amorosa para esse encontro.
Celebrar o Dia de Finados é renovar nossa esperança e nosso amor pelos que partiram. Eles não estão ausentes, estão presentes de outro modo. A saudade que sentimos é sinal do amor que permanece, e a oração que fazemos por eles é expressão da fé na comunhão dos santos: nós, que ainda caminhamos; eles, que já contemplam o rosto de Deus.
Cristo ressuscitado é o sol que não se apaga. Nele, a morte se transforma em passagem; o luto, em esperança; a saudade, em promessa. Ele nos ensina a viver de tal forma que a morte não nos surpreenda, mas nos abrace como uma amiga que nos conduz ao Pai.
Queridos irmãos, que neste dia aprendamos com Jó a confiar mesmo nas trevas; com Paulo, a firmar nossa fé na ressurreição; e com o Evangelho, a vigiar e a viver cada instante com o coração voltado para o Senhor. Que nossas lâmpadas estejam acesas, e que a chama da fé jamais se apague.
Rezemos pelos nossos irmãos e irmãs falecidos, para que, purificados pelo amor de Deus, participem plenamente da luz eterna. E peçamos a graça de viver já aqui uma vida centrada em Cristo, para que, quando Ele vier, nos encontre prontos, vigilantes e cheios de esperança.
“Eu sei que o meu Redentor está vivo!”
Que esta certeza seja o canto da nossa alma hoje e sempre. Amém.
Meus irmãos e minhas irmãs em Cristo, a liturgia deste trigésimo Domingo
do Tempo Comum nos convida a um profundo exame de consciência sobre a nossa
postura diante de Deus. As leituras de hoje, especialmente o Evangelho de
Lucas, nos apresentam um contraste claro entre duas formas de se apresentar a
Deus: a soberba autojustificação e a humilde súplica.
1.O Perigo da Autojustificação
O Evangelho (Lc 18, 9-14) nos conta a Parábola do Fariseu e do
Publicano. O Fariseu entra no Templo e, em sua oração, faz uma longa lista de
suas boas obras: ele é observante, justo, casto e, o mais grave, ele se compara
favoravelmente com os outros, dizendo: "Eu não sou como este
publicano!"
Esta é a armadilha da soberba. O Fariseu não está rezando para Deus; ele está rezando para si
mesmo, como um auditório para a sua própria virtude. Ele se esquece
de que tudo o que possui – a justiça, a observância – é, em última análise, um presente, uma graça. Ele se esquece da verdade que o
Eclesiástico nos recorda: "O Senhor é o que ouve a súplica do
oprimido e não a despreza" (Eclo 35,18 - a passagem que antecede a
leitura oficial).
A humildade, meus irmãos, não é fingimento de fraqueza; é a verdade sobre a nossa condição diante da infinita
santidade de Deus.
2.A Oração que Agarra a Graça: A Voz do Pobre
Em contraste, temos o Publicano. Ele não ousava levantar os olhos ao
céu. Ele batia no peito, um sinal universal de dor e arrependimento sincero. A
sua oração é curta, mas é a oração mais poderosa que um ser humano pode
oferecer: “Ó Deus, tem piedade de mim, pecador!”
Esta não é a oração de quem merece; é a oração de quem precisa. É a oração do pobre de espírito, daquele que
reconhece a sua dívida e a sua incapacidade de se salvar por mérito próprio.
Ele se coloca exatamente no lugar que o Senhor espera: dependente da
Misericórdia.
Jesus encerra a parábola com a sentença definitiva: “Eu vos digo que este desceu justificado para casa, e não aquele.”
Justificado. A palavra que significa "declarado justo" por Deus. A
justificação não veio das obras do Fariseu, mas da humildade e da súplica do Publicano. O Senhor não despreza a oração do
pobre, Ele a acolhe, pois nela reconhecemos a nossa total dependência d’Ele.
3.Olhando para o Encontro Definitivo com Deus
Esta dinâmica de humildade e dependência nos prepara para o nosso encontro definitivo com o Senhor, sobre o qual nos fala
São Paulo na sua segunda carta a Timóteo (2Tm 4,6-8).
Paulo está no fim da sua jornada. Ele não se vangloria das suas
conversões ou dos seus milagres. Pelo contrário, ele diz: "Eu já estou sendo oferecido em libação, e a hora da minha
partida está próxima. Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a
fé."
Paulo resume a sua vida não como um Fariseu contando méritos, mas como
um servo fiel que gastou tudo o que tinha por amor ao Mestre. O seu foco não
está no que ele fez, mas no que o Senhor lhe reservou: "a coroa da justiça".
A coroa de Paulo não foi conquistada com altivez, mas através da
fidelidade na luta e na aceitação da dor (a libação/oferenda). O nosso encontro
final com Cristo será marcado por esta mesma pergunta: Você lutou? Você
guardou a fé? E, fundamentalmente, você se apresentou a Ele com a
verdade da sua alma?
Se nos apresentamos com a presunção de mérito, como o Fariseu, corremos
o risco de não receber nada. Se nos apresentamos com a humildade do Publicano,
reconhecendo a nossa necessidade de perdão e de graça, encontramos o caminho
para a justificação, o mesmo caminho que levou Paulo à sua recompensa.
4.Conclusão e Exortação
Irmãos e irmãs, que a celebração desta Missa seja para nós um ato de
purificação.
Pratiquemos
a Humildade: Olhemos para a nossa vida e reconheçamos que toda a nossa força, união,
trabalho, virtude são dádivas que requerem gratidão e serviço, e não
arrogância.
Reaprendamos
a Oração do Pobre: Nos momentos de luta, de dúvida ou de pecado, abandonemos a
autosuficiência e voltamo-nos para o altar com o coração do Publicano:
"Deus, tem piedade de mim!"
Se vivermos assim, com a humildade que nos torna capazes de receber a
Graça, podemos, com São Paulo, aguardar com confiança o dia em que ouviremos a
voz do Senhor dizer: "Vem, bom e fiel servo! Recebe a coroa que te
estava reservada." Amém.