segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Reflexão: “Jesus cura uma mulher encurvada” (Lc 13,10-17)



1. Acolhida e introdução

Queridos irmãos e irmãs, Portadores da Misericórdia!

Hoje, somos convidados a contemplar Jesus que, ao entrar na sinagoga, encontra uma mulher que há dezoito anos vivia encurvada, incapaz de se endireitar. Enquanto muitos estavam preocupados com as regras e com aquilo que podia ou não ser feito no sábado, Jesus olha para aquela mulher, chama-a e lhe devolve a dignidade.

Esse Evangelho nos revela o coração misericordioso de Jesus: Ele não permanece indiferente diante do sofrimento humano. Ele vê, aproxima-se, chama, toca e liberta.

Como intercessores e membros da Associação da Medalha Milagrosa (AMM), somos chamados a cultivar esse mesmo olhar de Jesus. Nossa missão não é apenas rezar pelas pessoas, mas aprender a enxergar suas dores, acolher suas fragilidades e ser instrumentos da misericórdia de Deus na vida de quem sofre.


2. Reflexão: Jesus vê quem os outros não enxergam

O Evangelho começa apresentando uma mulher que sofria havia dezoito anos. Imaginem quantas dificuldades ela enfrentou durante esse tempo! Talvez sentisse dores físicas, cansaço, vergonha e até a sensação de ter sido esquecida por Deus e pelas pessoas.

Ela estava na sinagoga, no meio da comunidade, mas carregava uma dor que a impedia de olhar para a vida de frente.

Quantas pessoas vivem assim hoje?

Há pessoas encurvadas pelo peso das preocupações familiares, pelas doenças, pela solidão, pelo luto, pelas dificuldades financeiras e pelos sofrimentos espirituais. Há também pessoas que sorriem por fora, mas choram silenciosamente por dentro.

Muitas vezes, essas pessoas estão dentro de nossas igrejas, em nossas famílias e em nossas comunidades.

A primeira missão do intercessor é aprender a olhar como Jesus olha.

Jesus viu aquela mulher. Não passou por ela como se fosse invisível. Ele percebeu seu sofrimento e tomou a iniciativa de se aproximar.

Como Portadores da Misericórdia, precisamos perguntar a nós mesmos: Tenho percebido o sofrimento daqueles que estão ao meu redor? Tenho rezado pelas pessoas com o coração aberto às suas necessidades? Tenho oferecido acolhimento àqueles que precisam de uma palavra de esperança?

A intercessão começa quando deixamos de olhar apenas para nós mesmos e passamos a carregar, diante de Deus, as dores de nossos irmãos.


3. Jesus chama e devolve a dignidade

O Evangelho nos diz que Jesus chamou a mulher e declarou:

“Mulher, estás livre da tua doença.” (Lc 13,12)

Que palavras maravilhosas! Jesus não a define pela sua enfermidade. Para Ele, ela não é simplesmente uma mulher doente, mas uma filha de Abraão, uma pessoa amada por Deus e merecedora de dignidade.

Jesus coloca a pessoa acima de uma interpretação rígida da lei. Enquanto o chefe da sinagoga se irrita porque a cura aconteceu no sábado, Jesus recorda que aquele era justamente um momento para manifestar o amor de Deus.

Aqui encontramos uma grande lição para nossa vida espiritual: a misericórdia nunca pode ser menor do que o sofrimento de uma pessoa.

Às vezes, podemos nos preocupar tanto com nossas práticas religiosas que nos esquecemos daquilo que realmente agrada ao Senhor: amar, acolher, perdoar, cuidar e aliviar o sofrimento.

Nossa oração precisa nos tornar mais misericordiosos. Se rezamos o Terço, participamos da Eucaristia, usamos a Medalha Milagrosa e pedimos a intercessão de Nossa Senhora, mas permanecemos indiferentes à dor dos outros, precisamos permitir que o Evangelho transforme nosso coração.

Maria, na aparição da Medalha Milagrosa a Santa Catarina Labouré, recorda-nos a presença materna daquela que intercede por seus filhos. Como membros da AMM, somos convidados a confiar nessa intercessão e a levar às pessoas o amor de Cristo, especialmente àquelas que mais precisam de esperança.

Não somos nós que realizamos milagres por nossas próprias forças. É Deus quem age, segundo sua vontade. Nós somos chamados a interceder com fé, acompanhar com amor e permanecer ao lado de quem sofre.


4. O intercessor também ajuda a levantar os que estão caídos

Depois de ser curada, a mulher se endireitou imediatamente e começou a louvar a Deus.

A libertação devolveu-lhe a possibilidade de olhar para o alto, caminhar com mais liberdade e participar da vida comunitária de outra maneira.

Essa imagem nos ajuda a compreender nossa missão.

Interceder é apresentar a Deus aqueles que já não conseguem encontrar palavras para rezar. É rezar por quem perdeu a esperança, por quem está desanimado e por quem enfrenta uma situação aparentemente sem saída.

Mas é também estar disponível para ajudar essas pessoas a se levantarem.

Às vezes, uma visita pode aliviar a solidão de alguém. Uma mensagem pode devolver a esperança. Uma escuta atenta pode ajudar uma pessoa a suportar um momento difícil. Uma oração feita com fé pode recordar a alguém que ela não está abandonada.

Como Portadores da Misericórdia, somos chamados a ser presença de Deus na vida dos irmãos.

Isso não significa que todas as dificuldades desaparecerão imediatamente. A fé não nos dispensa das provações, mas nos ajuda a atravessá-las com esperança, confiando que Deus permanece conosco.

Por isso, nossa missão é rezar sem desanimar, amar sem escolher quem merece nosso amor e servir sem esperar reconhecimento.

5. Uma pergunta para nossa vida

Convido cada um a fazer um breve exame de consciência, em silêncio:

  • Quem é a pessoa encurvada que Deus está colocando diante de mim? Pode ser alguém da minha família, da comunidade ou do meu grupo de oração.
  • Que sofrimento tenho carregado em minhas orações? Tenho confiado verdadeiramente em Deus ou tenho permitido que o desânimo domine meu coração?
  • Como posso ser instrumento da misericórdia nesta semana? Além de rezar, que gesto concreto de amor posso realizar?

Não precisamos fazer coisas extraordinárias. Precisamos permitir que Deus realize coisas extraordinárias por meio de nossa fidelidade nas pequenas atitudes.


6. História para fixar a mensagem: A mão estendida

Certa vez, um homem idoso caminhava com muita dificuldade por uma rua. Suas costas estavam curvadas, seus passos eram lentos e ele carregava uma sacola pesada.

Muitas pessoas passaram por ele. Algumas olharam rapidamente, outras desviaram o caminho, e algumas estavam tão ocupadas que nem sequer perceberam sua presença.

Um menino que caminhava com a mãe viu o idoso e perguntou:

— Mamãe, por que aquele senhor está andando daquele jeito?

A mãe respondeu:

— Talvez ele esteja sofrendo, meu filho.

O menino continuou observando e perguntou:

— Mas por que ninguém o ajuda?

A mãe ficou em silêncio por alguns instantes. Então, aproximou-se do homem, ofereceu-lhe ajuda com a sacola e perguntou se ele precisava de alguma coisa.

O idoso agradeceu emocionado. Enquanto caminhavam juntos, contou que morava sozinho e que, ultimamente, sentia muita dificuldade para realizar até as tarefas mais simples.

Ao se despedirem, o menino segurou a mão da mãe e disse:

— Mamãe, hoje nós ajudamos aquele senhor a andar um pouquinho mais direito!

A mãe sorriu e respondeu:

— Sim, meu filho. Às vezes, não conseguimos tirar toda a dor de alguém, mas podemos ajudar essa pessoa a não carregar seu peso sozinha.

Naquela noite, antes de dormir, o menino fez sua oração:

— Jesus, obrigado porque hoje o Senhor nos mostrou alguém que precisava de ajuda. Amanhã, ensina-me a enxergar outras pessoas que precisam de nós.

Qual é a mensagem dessa história?

O menino compreendeu algo que nós também precisamos aprender: não basta perceber a dor; é preciso deixar que a dor do outro toque o nosso coração.

No Evangelho, Jesus não apenas viu a mulher encurvada. Ele se aproximou e a libertou.

Na nossa vida, nem sempre poderemos resolver todos os problemas, curar todas as doenças ou eliminar todos os sofrimentos. Mas podemos rezar, escutar, acolher, visitar e estender a mão.

A oração do intercessor não termina quando dizemos “Amém”. Ela continua quando nos tornamos instrumentos do amor que pedimos a Deus.


7. Oração final dos Portadores da Misericórdia

Senhor Jesus, rosto misericordioso do Pai,

Tu que viste a mulher encurvada e lhe devolveste a dignidade, olha também para nós e para todos aqueles que carregam o peso do sofrimento.

Visita, Senhor, os enfermos, os idosos, as famílias que enfrentam dificuldades, aqueles que vivem na solidão e todos os que perderam a esperança.

Pela intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria da Medalha Milagrosa, fortalece nossa fé e ensina-nos a perseverar na oração.

Que nunca sejamos indiferentes à dor dos nossos irmãos. Dá-nos olhos que enxerguem o sofrimento, ouvidos que saibam escutar, corações que acolham e mãos dispostas a servir.

Quando alguém estiver encurvado pelo sofrimento, ajuda-nos a oferecer uma palavra de esperança.

Quando alguém não conseguir rezar, ensina-nos a interceder por essa pessoa.

Quando alguém se sentir abandonado, faze de nós uma presença fraterna que recorde o teu amor.

Senhor, que sejamos verdadeiramente Portadores da Misericórdia, levando a todos a esperança que nasce do teu coração e a ternura maternal de Maria.

Que nossa oração se transforme em caridade, nossa fé se manifeste em gestos concretos e nossa vida seja um testemunho da tua misericórdia.

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós!

Jesus, eu confio em Vós!

Amém.

sábado, 24 de outubro de 2026

Missão do Japão: 25/10/2026: XXXI Domingo do Tempo Comum. ANO A Homilia



Meus irmãos e minhas irmãs, que a paz de Jesus esteja com todos vocês!


No Evangelho de hoje, um doutor da Lei pergunta a Jesus: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?» Jesus responde com muita clareza: amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento; e amar o próximo como a nós mesmos.


Jesus nos ensina que o amor a Deus e o amor ao próximo são inseparáveis. Não podemos dizer que amamos a Deus, a quem não vemos, se ignoramos o irmão que está ao nosso lado e precisa de nós.


A primeira leitura é muito concreta: Deus pede ao seu povo que não maltrate o estrangeiro, a viúva, o órfão e o pobre. E ainda nos recorda que não devemos explorar quem passa por dificuldades. O amor verdadeiro não fica apenas nas palavras: ele se transforma em cuidado, justiça e solidariedade.


Mas como viver esse amor num mundo marcado por tantas guerras, violências, divisões, egoísmo e indiferença?


Podemos compreender melhor esse desafio refletindo sobre três dimensões do amor: eros, philia e ágape.


Primeiro: o eros, o amor que nos atrai e nos faz desejar o bem.

É o amor que nasce da atração, do afeto, da beleza e do desejo de proximidade. Ele está presente no amor entre os esposos e na capacidade humana de se encantar pela vida. Quando vivido com respeito e responsabilidade, esse amor nos ensina que o outro não é um objeto para ser usado, mas alguém que merece ser amado e valorizado.


Segundo: a philia, o amor da amizade e da fraternidade.

É o amor que cria laços, constrói amizades, fortalece as famílias e nos ensina a caminhar juntos. É o amor que encontramos numa comunidade que acolhe, perdoa e ajuda. Em nossa paróquia, somos chamados a ser mais do que pessoas que frequentam a mesma igreja: somos irmãos e irmãs que se preocupam uns com os outros.


Terceiro: o ágape, o amor gratuito, generoso e que se doa.

É o amor que não pergunta apenas: «O que posso receber?», mas também: «O que posso fazer pelo outro?». É o amor que se entrega sem esperar recompensa, que perdoa, que acolhe quem foi rejeitado e que reconhece Jesus no rosto dos pobres.


Esse é o amor que vemos de maneira plena em Jesus Cristo!


E é também o amor que marcou a vida de São Vicente de Paulo. Ao encontrar os pobres, Vicente compreendeu que não bastava sentir compaixão: era preciso agir. Organizou a caridade, mobilizou pessoas, formou missionários e ensinou que servir os pobres é servir o próprio Cristo.


São Vicente não mudou o mundo sozinho. Ele despertou outras pessoas para amar e servir. E essa continua sendo a nossa missão!


Meus irmãos, imaginem como seria o mundo se nossas famílias vivessem mais o eros, como amor respeitoso e responsável; se nossas comunidades cultivassem mais a philia, como amizade e fraternidade; e se todos nós praticássemos mais o ágape, como entrega e serviço aos necessitados.


Teríamos menos violência, menos solidão, menos indiferença e mais esperança!


Por isso, a pergunta que fica para esta semana é simples: quem precisa experimentar o amor de Deus por meio de mim?


Talvez seja alguém da nossa família que precisa de paciência; um vizinho que vive sozinho; uma pessoa que passa fome; alguém que nos magoou e precisa do nosso perdão; ou alguém que está afastado da comunidade e precisa ser acolhido.

Não precisamos fazer coisas extraordinárias. Precisamos fazer as coisas ordinárias com um amor extraordinário.


Que o Senhor nos ajude a amar com o coração, com palavras e, sobretudo, com atitudes. Que, a exemplo de São Vicente de Paulo, saibamos reconhecer Jesus nos pobres e construir uma comunidade em que ninguém se sinta esquecido.

Porque um mundo melhor começa quando deixamos de perguntar apenas quem nos ama e começamos a perguntar a quem podemos amar e servir.


ORAÇÃO PELO BRASIL


Senhor Jesus, neste tempo de eleições em nosso Brasil, nós te pedimos que ilumines o coração e a consciência de cada eleitor. Que saibamos votar com amor, responsabilidade e compromisso com o bem comum, buscando sempre a verdade, a justiça e a dignidade de cada pessoa.


Abençoa o nosso país e aqueles que receberão a missão de governá-lo. Que o Brasil seja governado com amor, justiça e respeito aos direitos de todos, especialmente dos pobres, dos pequenos e dos mais necessitados.


Senhor, livra-nos do ódio, da violência, da corrupção e das divisões que ferem nosso povo. Ensina-nos a respeitar quem pensa diferente e a trabalhar juntos pela paz, pela fraternidade e por um futuro melhor para todos.


Que, a exemplo de São Vicente de Paulo, nunca nos esqueçamos de que a verdadeira grandeza de uma nação se manifesta no cuidado com os seus filhos mais vulneráveis.


Maria, Mãe Aparecida, padroeira do Brasil, intercede por nossa nação. Que o amor de Cristo inspire nossas escolhas e transforme nossas atitudes.


Senhor, que teu amor seja o fundamento de nossas escolhas, a justiça seja o caminho de nosso país e a dignidade humana seja respeitada por todos os que nos governam.


Amém!

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Missão do Japão: 18/10/2026: XXIX Domingo do Tempo Comum. ANO A Homilia

 


Meus irmãos e minhas irmãs, que a paz de Jesus esteja com todos vocês!

Neste domingo, a Palavra de Deus nos convida a refletir sobre três questões muito importantes para a nossa vida: a quem pertence a nossa vida, como devemos viver a nossa fé e de que maneira podemos ser missionários no mundo de hoje.

E tudo isso ganha um significado especial porque celebramos o 100º Dia Mundial das Missões, com o tema escolhido pelo Papa Leão XIV: «Um em Cristo, unidos na missão».

É um convite para compreendermos que a missão da Igreja não é responsabilidade apenas dos padres, das religiosas ou daqueles que partem para terras distantes. Todo cristão batizado é chamado a anunciar o Evangelho com a própria vida.

Mas vamos por partes.

 

1. A Deus pertence a nossa vida

No Evangelho, Jesus é colocado diante de uma armadilha.

Algumas pessoas perguntam se é permitido ou não pagar o imposto a César, o imperador romano. Se Jesus respondesse que sim, poderia ser acusado de apoiar o domínio romano. Se respondesse que não, poderia ser acusado de revolta contra o império.

Mas Jesus, conhecendo a malícia deles, pede que lhe mostrem a moeda do imposto.

Então, pergunta: «De quem é a figura e a inscrição desta moeda?»

Eles respondem: «De César».

E Jesus conclui: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus!»

Jesus não está dizendo que podemos viver divididos entre Deus e o mundo, como se a fé não tivesse nada a ver com a nossa vida cotidiana.

Ele está nos ensinando a reconhecer nossas responsabilidades na sociedade, sem jamais esquecer que Deus deve ocupar o primeiro lugar em nosso coração.

Precisamos trabalhar, pagar nossas contas, cuidar da família, respeitar as leis justas e participar da vida da comunidade. Mas também precisamos ter consciência de que não podemos colocar o dinheiro, o poder, a política ou os interesses pessoais acima da vontade de Deus.

E há um detalhe muito bonito nessa passagem.

A moeda trazia a imagem de César. Mas nós, seres humanos, fomos criados à imagem e semelhança de Deus!

Portanto, a pergunta que fica para nós é: se a moeda pertence a César, a quem pertence a nossa vida?

Nossa vida pertence a Deus!

E devolver a Deus o que é de Deus significa entregar-lhe nosso coração, nossas escolhas, nosso tempo, nossos talentos e nossa capacidade de amar.

Não adianta colocar uma oferta no altar se, depois, fechamos os olhos para quem passa fome. Não adianta rezar o terço se alimentamos o ódio contra o nosso irmão. Não adianta participar da missa se não procuramos viver a Palavra de Deus dentro de casa.

A fé verdadeira transforma a nossa maneira de viver!

 

2. Deus pode contar conosco para transformar o mundo

Na primeira leitura, do profeta Isaías, encontramos uma mensagem surpreendente.

Deus fala de Ciro, rei da Pérsia, que não pertencia ao povo de Israel, mas que seria instrumento para realizar os seus desígnios e favorecer a libertação do seu povo.

Isso nos ensina uma coisa muito importante: Deus pode agir por caminhos inesperados e servir-se de pessoas diferentes de nós para realizar o bem.

Às vezes, pensamos que somente as pessoas que frequentam a igreja podem fazer alguma coisa boa. Mas Deus nos surpreende!

Ele pode agir por meio de um vizinho que ajuda uma família necessitada, de uma pessoa que luta pela dignidade dos trabalhadores, de alguém que visita um doente ou de uma mãe que enfrenta tantas dificuldades para cuidar dos filhos.

Onde existe o bem, a justiça, a solidariedade e o compromisso com a dignidade humana, encontramos sinais da ação de Deus.

Isso não significa que tudo o que acontece seja vontade de Deus, nem que devamos aceitar as injustiças. Pelo contrário: nossa fé nos compromete a trabalhar por um mundo mais justo e fraterno.

E aqui podemos recordar São Vicente de Paulo.

São Vicente descobriu que não bastava falar do amor de Deus. Era necessário fazer com que esse amor chegasse concretamente aos pobres.

Ao encontrar pessoas passando fome, crianças abandonadas, doentes sem assistência e famílias sem condições de viver com dignidade, Vicente compreendeu que a evangelização precisava caminhar de mãos dadas com a caridade.

Ele nos ensina que não podemos separar o amor a Deus do amor aos pobres.

Para São Vicente, servir uma pessoa necessitada era uma maneira concreta de servir ao próprio Cristo.

Meus irmãos e minhas irmãs, quantas situações semelhantes encontramos em nossa periferia!

Há famílias enfrentando dificuldades financeiras, jovens precisando de oportunidades, idosos que sofrem com a solidão, pessoas desempregadas e famílias que carregam dores que nem sempre conhecemos.

Diante dessas realidades, podemos perguntar: o que Deus espera de nós?

Talvez não possamos resolver todos os problemas do mundo. Mas podemos começar fazendo o bem a quem está perto de nós.

Uma cesta básica partilhada, uma visita a quem está doente, uma palavra de consolo, uma ajuda a uma família desempregada, uma oportunidade oferecida a um jovem: tudo isso pode ser instrumento da providência de Deus.

Quem entrega a vida a Deus aprende a colocar a vida a serviço dos irmãos!

 

3. Uma comunidade unida se torna missionária

Na segunda leitura, São Paulo agradece a Deus pela comunidade cristã de Tessalônica. Ele reconhece a fé que essa comunidade vivia, o amor que colocava em prática e a esperança que a sustentava.

Aquela comunidade não era perfeita, mas procurava viver o Evangelho e testemunhar Jesus Cristo.

É isso que também Deus espera da nossa comunidade da Paróquia.

Não basta termos uma igreja cheia. Precisamos ser uma comunidade cheia de amor!

Não basta termos pastorais, movimentos e grupos. Precisamos trabalhar unidos, respeitando os diferentes dons e carismas que Deus concede a cada pessoa.

Não basta esperar que o padre faça tudo. A missão pertence a todos nós!

E essa é justamente a mensagem do Papa Leão XIV para o 100º Dia Mundial das Missões: «Um em Cristo, unidos na missão».

O Santo Padre nos recorda que a missão nasce da nossa união com Jesus e se fortalece quando vivemos reconciliados, colaborando uns com os outros.

Uma comunidade dividida por fofocas, disputas, inveja e ressentimentos enfraquece o testemunho do Evangelho.

Por outro lado, uma comunidade que sabe perdoar, acolher, partilhar e trabalhar em conjunto torna visível o amor de Deus.

Imaginem uma comunidade em que cada pessoa se sinta responsável pela missão!

Os jovens evangelizando outros jovens. As famílias ajudando outras famílias. Os idosos testemunhando a fé. Os ministros visitando os doentes. As pastorais trabalhando em comunhão. Os dizimistas contribuindo para sustentar a evangelização. Todos rezando pelas vocações e ajudando os missionários que anunciam o Evangelho em outras partes do mundo.

Que beleza seria se cada pessoa que entrasse nesta igreja encontrasse não apenas um lugar de oração, mas também uma família que acolhe, escuta e cuida!

E não precisamos esperar grandes acontecimentos para começar.

A missão começa dentro de casa, quando escolhemos o diálogo em vez da violência; começa na rua, quando respeitamos nossos vizinhos; começa no trabalho, quando agimos com honestidade; começa na comunidade, quando acolhemos quem chega e procuramos quem se afastou.

Ser missionário é permitir que Jesus chegue às pessoas por meio das nossas palavras, das nossas atitudes e do nosso amor.

 

Conclusão: O que vamos devolver a Deus?

Meus irmãos e minhas irmãs, voltemos à pergunta de Jesus:

«Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus!»

Hoje, Jesus nos pergunta o que estamos fazendo com a vida que recebemos de Deus.

Estamos usando nossos dons apenas para o nosso próprio benefício ou também para ajudar os outros?

Estamos construindo pontes de união ou alimentando divisões?

Estamos preocupados somente com os nossos problemas ou conseguimos olhar para o sofrimento de quem caminha ao nosso lado?

Neste 100º Dia Mundial das Missões, inspirado pela mensagem do Papa Leão XIV e pelo testemunho de São Vicente de Paulo, façamos um compromisso concreto.

Nesta semana, procuremos uma pessoa que esteja precisando de ajuda e façamos por ela um gesto de amor. Pode ser uma visita, uma escuta atenta, uma ajuda material ou uma palavra de esperança.

E façamos isso não para aparecer, não para receber elogios, mas porque reconhecemos no irmão o rosto de Jesus.

Que São Vicente de Paulo nos ensine a amar a Deus com as mãos e com o coração.

Que o Pai Misericordioso nos ajude a construir uma comunidade cada vez mais acolhedora, fraterna e missionária.

E que Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, nos acompanhe no caminho da missão.

Porque, quando estamos unidos a Cristo e servimos os nossos irmãos, nossa vida se transforma em oferta agradável a Deus.

Amém!

 

Sugestão para concluir a celebração

Após a homilia, pode-se convidar a assembleia a repetir, como compromisso missionário:

Celebrante: A quem pertence a nossa vida?

Assembleia: A Deus, que nos chama a amar e servir!

Celebrante: Qual é a nossa missão?

Assembleia: Anunciar Jesus Cristo, unidos no amor e no serviço aos pobres!

Celebrante: Qual é o nosso compromisso?

Assembleia: Ser um em Cristo, unidos na missão!


domingo, 11 de outubro de 2026

Homilia – Nossa Senhora da Conceição Aparecida



Leituras: Est 5,1b-2;7,2b-3; Ap 12,1.5.13a.15-16a; Jo 2,1-11.

Meus queridos irmãos e irmãs, queridas crianças e famílias!

Hoje é um dia de muita alegria! Celebramos Nossa Senhora Aparecida, Mãe de Jesus e Padroeira do Brasil. É uma festa para agradecer a Deus pelo carinho de Maria, que nos acompanha, protege nossas famílias e nos conduz sempre a Jesus.

No Evangelho, Maria está numa festa de casamento em Caná. De repente, o vinho acaba. Parece um problema pequeno, mas poderia causar tristeza e constrangimento aos noivos. Maria percebe a dificuldade e procura ajudar. Ela diz a Jesus: “Eles não têm mais vinho”.

Vejam, crianças: Maria ama porque presta atenção! Ela percebe aquilo de que os outros precisam. O amor verdadeiro é assim: não pensa somente em si, mas se preocupa com a felicidade dos outros.

Jesus realiza seu primeiro sinal e transforma a água em vinho. Esse milagre revela que Deus pode transformar nossas dificuldades em oportunidades de esperança. Ele pode transformar a tristeza em alegria, a briga em reconciliação e a indiferença em amor.

Isso não significa que Deus sempre resolverá tudo exatamente como queremos, mas que nunca estamos sozinhos e podemos confiar nele.

E por que Nossa Senhora Aparecida é tão querida pelo povo brasileiro? Porque sua pequena imagem nos recorda que Deus realiza grandes coisas por meio dos pequenos e humildes. Encontrada por pescadores no Rio Paraíba do Sul, ela se tornou sinal de esperança para milhões de brasileiros. Sua imagem, de cor negra, também nos convida a reconhecer a dignidade de todos, especialmente dos pobres, dos simples e daqueles que tantas vezes são esquecidos.

Na primeira leitura, Ester demonstra coragem para defender seu povo. No Apocalipse, vemos a imagem de uma mulher protegida por Deus em meio às dificuldades. Essas leituras nos recordam que Deus não abandona seus filhos e que Maria, unida à missão de Jesus, é para nós sinal de esperança.

Como missionários vicentinos, aprendemos que amar Maria significa também amar Jesus presente nos pobres, nas crianças, nas famílias que passam necessidades e em todos os que precisam de nossa ajuda.

Por isso, Maria nos ensina o caminho da santidade com uma frase muito simples: “Fazei tudo o que ele vos disser!”

Pais, ensinem seus filhos a rezar. Crianças, conversem com Nossa Senhora como vocês conversam com a mamãe de vocês. Rezem juntos, peçam sua intercessão e, principalmente, procurem imitar seu amor.

Uma história para guardar no coração

Certa vez, uma menina chamada Mariana ganhou de sua avó uma pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida.

— Vovó, se eu rezar para Nossa Senhora, ela vai fazer um milagre para mim? — perguntou a menina.

A avó sorriu e respondeu:

— Minha filha, Nossa Senhora sempre nos ensina a confiar em Jesus. Mas sabe qual milagre você pode começar a fazer hoje?

Mariana ficou curiosa:

— Qual, vovó?

— Você pode transformar a tristeza do seu irmão em alegria, dividindo seus brinquedos com ele. Pode transformar a preocupação da mamãe em tranquilidade, ajudando nas tarefas de casa. E pode transformar a solidão de uma colega em amizade, sentando-se ao lado dela na escola.

No dia seguinte, Mariana viu uma colega brincando sozinha no recreio. Lembrou-se da avó, aproximou-se dela e a convidou para brincar.

Quando chegou em casa, correu para contar:

— Vovó, hoje fiz um milagre!

A avó a abraçou e disse:

— Minha filha, quando deixamos o amor de Jesus passar por nossas mãos, o mundo fica um pouquinho melhor. E tenho certeza de que Nossa Senhora está feliz por você ter aprendido isso!

Moral da história: os maiores milagres nem sempre acontecem com água transformada em vinho. Muitos começam quando abrimos o coração para amar, perdoar, repartir e cuidar uns dos outros.

Oração final

Nossa Senhora Aparecida, Mãe querida do povo brasileiro, protege nossas crianças e nossas famílias. Ensina-nos a perceber quem precisa de ajuda, a confiar em Jesus nas dificuldades e a fazer de nossas casas lugares de amor, perdão e oração.

Abençoa nosso povo, especialmente os pobres e os que sofrem. Que nunca nos falte a fé, a esperança e a caridade.

Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós! Amém.

* * * * * 

Mãezinha do céu, eu não sei rezar / Eu só sei dizer: Eu quero te amar / Azul é seu manto, branco é seu véu  / Mãezinha eu quero te ver lá no céu (2x).