segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Setembro: Mês Vicentino e da Bíblia. Evangelho: Lc 4,16-30.



Queridos irmãos e irmãs, iniciamos hoje um novo mês: setembro, um mês muito especial para nós cristãos no Brasil, porque celebramos o Mês da Bíblia, e como família, celebramos o mês vicentino. É, portanto, um convite para voltarmos nosso coração à Palavra de Deus, não apenas para ler a Bíblia, mas para deixar que a Palavra leia a nossa vida, transforme o nosso coração e nos envie para a missão.

 

E o Evangelho em destaque nos apresenta Jesus entrando na sinagoga de Nazaré. Ele recebe o livro do profeta Isaías, abre e proclama:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres.”

Jesus não escolhe qualquer texto. Ele apresenta o programa de sua missão: levar esperança aos pobres, liberdade aos oprimidos, luz aos que vivem na escuridão e anunciar o tempo da graça de Deus.

E há algo muito bonito: depois de proclamar a Palavra, Jesus afirma:

“Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir.”

Percebam: a Palavra não é apenas para ser ouvida; ela precisa acontecer.

A Bíblia não pode ficar aberta somente sobre a mesa. Ela precisa estar aberta dentro de nós.

 

1. A Palavra de Deus precisa transformar nossa vida

Neste Mês da Bíblia, somos convidados a perguntar:

O que a Palavra de Deus está realizando em mim?

Porque podemos conhecer muitos textos bíblicos, participar de grupos de oração, rezar o terço, fazer novenas, participar dos grupos da Igreja, interceder pelas pessoas... mas a Palavra precisa produzir frutos concretos.

  • ·         Se escuto Jesus dizendo: “Amai-vos uns aos outros”, preciso amar.
  • ·         Se escuto: “Perdoai”, preciso aprender a perdoar.
  • ·         Se escuto: “Não tenhais medo”, preciso confiar.
  • ·        Se escuto: “Ide pelo mundo e anunciai o Evangelho”, preciso assumir minha missão.

A Palavra que não transforma nossas atitudes corre o risco de se tornar apenas informação religiosa.

Nós, como intercessores, somos chamados a ser pessoas que escutam, acolhem e colocam a Palavra em prática através da oração e da caridade.

 

2. Jesus nos recorda que a missão é principalmente pelos pobres

Jesus diz claramente que foi enviado para “anunciar a Boa-Nova aos pobres”.

Isso toca profundamente a espiritualidade vicentina.

Ao nos aproximarmos da festa de São Vicente de Paulo, no dia 27 de setembro, somos convidados a recordar aquele homem que soube escutar a Palavra e transformá-la em serviço.

São Vicente não ficou apenas admirando o Evangelho. Ele perguntou:

“O que Deus quer que eu faça diante da pobreza, da fome, do abandono e do sofrimento dos meus irmãos?”

E respondeu com a própria vida.

Por isso, neste mês, podemos unir três realidades:

Bíblia + oração + caridade.

  • ·         A Bíblia alimenta nossa fé.
  • ·         A oração fortalece nossa esperança.
  • ·         A caridade torna visível o amor de Deus.

É justamente isso que somos chamados a viver como membros da Família Vicentina: pessoas que levam no coração os nomes, as dores e as necessidades dos outros e os apresentam diante de Deus.

 

3. O intercessor é alguém que leva pessoas para diante de Deus

Talvez alguém pense:

“Mas eu não posso resolver os problemas de todo mundo.”

É verdade. Nós não podemos resolver tudo.

Mas podemos rezar.

Podemos colocar diante de Jesus aquela mãe preocupada com o filho, aquele jovem perdido, aquela família em crise, aquela pessoa doente, aquele irmão que perdeu a esperança.

Quando intercedemos, estamos dizendo:

“Senhor, eu não consigo resolver esta situação, mas eu a entrego em tuas mãos.”

E isso é um grande ato de fé.

Maria, nossa Mãe, é para nós um grande exemplo de intercessão. Ela percebe a necessidade dos outros e leva tudo a Jesus. Em Caná, ela simplesmente diz:

“Eles não têm mais vinho.”

Maria não apresenta uma solução. Ela apresenta a necessidade.

É isso que fazemos quando intercedemos.

Nós levamos as necessidades das pessoas ao coração misericordioso de Jesus.

 

4. Nem todos aceitarão a Palavra

O Evangelho também apresenta uma parte difícil. Quando Jesus proclama sua missão, seus próprios conterrâneos ficam indignados.

Isso nos ensina algo importante: nem sempre a Palavra será aceita.

Jesus mesmo experimentou rejeição.

Também nós podemos encontrar incompreensão quando tentamos viver o Evangelho, quando defendemos os pobres, quando perdoamos, quando escolhemos a simplicidade, quando buscamos servir em vez de aparecer.

Mas Jesus não abandona sua missão.

E São Vicente também nos ensina isso.

Quem pertence a Cristo não vive para agradar a todos; vive para ser fiel ao Evangelho.

 

Para este mês de setembro

Podemos assumir três pequenos compromissos:

  • ·         Primeiro: ler a Palavra.
Escolher um Evangelho ou um trecho da Bíblia para ler todos os dias.

  • ·         Segundo: rezar a Palavra.
Não apenas perguntar: “O que esse texto significa?”, mas: “O que Deus está dizendo hoje para mim?”

  • ·         Terceiro: praticar a Palavra.
A cada semana, realizar um gesto concreto de misericórdia: visitar alguém, ajudar uma pessoa, perdoar, escutar, partilhar, telefonar para alguém que está sozinho.

Assim, o nosso setembro não será apenas o Mês da Bíblia, mas será o mês em que a Bíblia ganhará vida através de nós.

 

História para fixar a mensagem – “A Bíblia e o pão”

Conta-se que um homem muito simples recebeu de presente uma Bíblia.

Ele ficou feliz, colocou-a em um lugar de destaque na sua casa e, durante alguns dias, lia algumas páginas.

Certo dia, percebeu que sua vizinha estava passando necessidade. Ela não tinha quase nada para comer.

Ele pegou a Bíblia, colocou debaixo do braço e foi até a casa dela.

A vizinha perguntou:

— Você veio rezar comigo?

Ele respondeu:

— Vim trazer uma coisa que aprendi lendo a Bíblia.

E entregou a ela uma cesta com alimentos.

A mulher perguntou:

— Onde você aprendeu isso?

Ele abriu a Bíblia e disse:

— Aqui. Jesus me ensinou que não basta ouvir a Palavra. É preciso colocá-la em prática.

Naquele momento, ele percebeu que a Bíblia continuava sendo Bíblia, mas a Palavra de Deus tinha se tornado pão na vida daquela mulher.

 

Para concluir

Irmãos e irmãs, essa é a missão de um seguidor de Jesus.

  • ·         Que neste mês de setembro nós não sejamos apenas pessoas que carregam a Bíblia nas mãos, mas pessoas que carregam a Palavra no coração e a misericórdia nas mãos.
  • ·         Que São Vicente de Paulo nos ensine a reconhecer Cristo nos pobres.
  • ·         Que Nossa Senhora da Medalha Milagrosa nos ensine a interceder com confiança.

E que, quando alguém encontrar um de nós, possa perceber:

“Ali existe alguém que escutou a Palavra de Deus e deixou essa Palavra transformar a sua vida.”

  • ·         Palavra no coração.
  • ·         Oração nos lábios.
  • ·         Misericórdia nas mãos.

E Cristo sempre no centro da nossa missão.

Amém.

 

sábado, 29 de agosto de 2026

Missão do Japão: 30/08/2026: XXII Domingo do Tempo Comum. ANO A Homilia


 

Meus irmãos e minhas irmãs,

bom dia!

Que bom estarmos juntos, mais uma vez, na casa do Pai Misericordioso.

A Palavra de Deus deste domingo nos coloca diante de uma pergunta muito simples, mas muito profunda:

O que significa, de verdade, seguir Jesus?

·         Porque é fácil dizer:
“Eu tenho fé.”
“Eu sou católico.”
“Eu venho à missa.”
“Eu rezo.”

Mas Jesus hoje nos pergunta algo a mais:

A minha vida está realmente seguindo os passos de Jesus?

No Evangelho, Jesus começa a explicar aos discípulos que iria para Jerusalém, que iria sofrer, ser morto e depois ressuscitar.

E Pedro não gosta nada daquela conversa.

Pedro chama Jesus de lado e diz, mais ou menos:

“Senhor, isso não! Isso não pode acontecer com o Senhor!”

Pedro queria um Jesus sem cruz.

E talvez nós também sejamos um pouco como Pedro.

Nós queremos um Jesus que resolva nossos problemas, mas não queremos um Jesus que transforme nossa vida.

Queremos que Jesus abençoe nossos planos, mas nem sempre queremos perguntar:

“Senhor, quais são os teus planos para mim?”

E Jesus diz uma frase muito forte:

“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”

Mas atenção!

Jesus não está dizendo que devemos procurar o sofrimento.

Não!

A cruz cristã não é a violência.
Não é a injustiça.
Não é a fome.
Não é aceitar o mal como se fosse vontade de Deus.

A cruz é o preço do amor.

·         É continuar fazendo o bem quando é mais fácil desistir.

·         É perdoar quando fomos machucados.

·         É cuidar de alguém quando estamos cansados.

·         É permanecer fiel à família quando surgem dificuldades.

·         É trabalhar honestamente mesmo quando ninguém está olhando.

·         É servir na comunidade mesmo quando ninguém agradece.

·         É ajudar alguém que precisa, mesmo quando sabemos que não receberemos nada em troca.

Isso é carregar a cruz.

E nós sabemos disso porque vivemos a vida real.

Aqui na nossa comunidade, existem muitas pessoas que carregam cruzes todos os dias.

·         Tem gente preocupada com o emprego.

·         Tem família lutando para pagar as contas.

·         Tem mãe preocupada com os filhos.

·         Tem pai cansado.

·         Tem jovem procurando um caminho.

·         Tem gente enfrentando solidão.

·         Tem pessoas carregando dores que ninguém conhece.

E talvez alguém tenha chegado aqui hoje pensando:

“Eu não sei mais se vou conseguir.”

A Palavra de Deus diz:

Não desista!

Mas também diz:

Você não precisa carregar sua cruz sozinho.

Jesus caminha conosco.

 

E olhem para a primeira leitura.

Jeremias também estava cansado.

Ele tinha sido chamado por Deus para uma missão, mas encontrou dificuldades, críticas e sofrimento.

E chegou um momento em que ele pensou em desistir.

Mas Jeremias diz que a Palavra de Deus era como um fogo dentro dele.

Ele queria parar...

Mas não conseguia.

Porque quando Deus realmente entra no nosso coração, alguma coisa muda dentro de nós.

A gente pode até ficar cansado.

Pode até chorar.

Pode até dizer: “Senhor, eu não aguento mais.”

Mas, lá dentro, permanece uma voz dizendo:

“Continue. Eu estou com você.”

 

E São Paulo, na segunda leitura, nos dá um caminho muito concreto.

Ele diz:

“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da mente.”

Ou seja:

Não basta ouvir o Evangelho. É preciso viver o Evangelho.

E aqui está uma coisa muito importante:

A missa não termina quando a gente sai pela porta da igreja.

A missa continua amanhã.

·         Continua na nossa casa.

·         Continua no trabalho.

·         Continua na escola.

·         Continua na rua.

·         Continua no WhatsApp.

·         Continua quando encontramos aquela pessoa que não gostamos muito.

·         Continua quando alguém nos irrita.

·         Continua quando precisamos escolher entre responder com raiva ou responder com amor.

É aí que a nossa fé aparece.

Porque é muito fácil dizer:

“Jesus, eu te amo!”

Aqui dentro da igreja.

O desafio é dizer isso com a vida lá fora.

 

E é justamente aqui que entra a nossa espiritualidade vicentina.

São Vicente de Paulo nos ensinou que não podemos amar a Deus de verdade sem olhar para o irmão.

Não basta rezar.

Precisamos servir.

Não basta falar de misericórdia.

Precisamos praticar misericórdia.

Não basta pedir:

“Pai Misericordioso, tende piedade de nós.”

Precisamos também ser instrumentos da misericórdia de Deus na vida das pessoas.

·         Talvez alguém precise de uma cesta básica.

·         Mas talvez alguém precise também de uma conversa.

·         Talvez alguém precise de uma visita.

·         Talvez precise de um abraço.

·         Talvez precise simplesmente de alguém que diga:

“Eu estou aqui. Você não está sozinho.”

Às vezes pensamos que precisamos fazer coisas extraordinárias.

Mas não.

O Evangelho começa nas pequenas coisas.

 

Por isso, eu gostaria de deixar três desafios para esta semana.

Primeiro desafio: dentro de casa, faça um gesto de amor.

·         Talvez seja pedir perdão.

·         Talvez seja ouvir alguém.

·         Talvez seja ajudar mais.

·         Talvez seja deixar de lado uma discussão.

·         Talvez seja simplesmente dizer:

“Eu te amo.”

Segundo desafio: procure alguém que precisa de você.

·         Faça uma ligação.

·         Faça uma visita.

·         Ofereça uma ajuda.

·         Dê uma palavra de esperança.

Terceiro desafio: escolha alguma coisa da sua vida que precisa mudar.

Pode ser uma mágoa.

·         Uma fofoca.

·         Uma falta de perdão.

·         Um orgulho.

·         Uma atitude que está afastando você de Deus.

 

E diga:

“Senhor, eu quero mudar.”

No final do Evangelho, Jesus faz uma pergunta que continua muito atual:

“Que vantagem terá alguém se ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida?”

Pense nisso.

·         De que adianta ganhar dinheiro e perder a família?

·         De que adianta ter razão e perder um amigo?

·         De que adianta ter muitas coisas e não ter paz?

·         De que adianta ser admirado por fora e estar vazio por dentro?

Jesus está dizendo:

Não perca o que realmente importa.

·         Não perca a família.

·         Não perca a fé.

·         Não perca a capacidade de amar.

·         Não perca a misericórdia.

·         Não perca Deus.

Meus irmãos e minhas irmãs,

talvez hoje Jesus esteja nos dizendo:

“Você quer me seguir?”

Então venha comigo.

Mas não fique apenas dentro da igreja.

Leve-me para sua casa.

·         Leve-me para o seu trabalho.

·         Leve-me para sua família.

·         Leve-me para o seu bairro.

·         Leve-me para aqueles que sofrem.

·         Leve-me para onde existe necessidade de amor.

Porque seguir Jesus é isso:

·         menos palavras e mais gestos;
menos julgamento e mais misericórdia;
menos comodismo e mais serviço;
menos “eu” e mais “nós”.

Que a nossa Paróquia Pai Misericordioso seja uma comunidade onde as pessoas possam experimentar concretamente o amor de Deus.

E quando sairmos daqui hoje, eu gostaria que cada um levasse uma pergunta no coração:

“Nesta semana, através de mim, quem vai experimentar um pouco da misericórdia de Deus?”

·         Que a nossa resposta não fique somente nas palavras.

·         Que ela apareça nos nossos gestos.

·         Que Nossa Senhora nos acompanhe.

·         Que São Vicente nos ensine a servir.

E que o Pai Misericordioso faça de cada um de nós instrumento da sua misericórdia. Amém!